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O simples pode não ser tão simples assim

Por Clodoaldo Turcato Quando vamos prepara algo simples, parece simples fazê-lo. Redundância necessária para que o leitor compreenda o que ...

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Branco como a neve

Por Lorena Moura Lumikki está de volta! Para quem não sabe, ela é a personagem principal da trilogi...

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Menina Sem Nome – Documentário

O documentário mostra um crime que chocou os recifenses nos anos 70. Uma menina que apareceu morta, o crime até hoje não foi desvendado e ...

Branco como a neve

branco como a neve Simukka, Salla.jpg okPor Lorena Moura

Lumikki está de volta! Para quem não sabe, ela é a personagem principal da trilogia criada pela autora  Salla Simukka. Depois de ter passado por muitas  situações de tensão na mão da máfia, (no primeiro livro da série), a personagem agora tenta se recuperar do pesadelo que viveu.

A recuperação tem início na charmosa cidade de Praga, capital da República Tcheca. Por lá, ela irá conhecer Zelenka, que afirma ser sua irmã. Mas se tem uma coisa que o leitor vai aprender nos livros de Salla Simukka é que não se deve confiar em ninguém. Mas Zelenka conta uma história tão envolvente, que Lumikki resolve ir conhecer parte da família de sua irmã. 

No lugar, não parece existir nenhum indício de que uma família resida lá… Não existem fotos e nem pertences comuns a uma casa que deveria abrigar lembranças de quem more nela… E para deixar a situação ainda mais tensa, um dos moradores da casa morre de forma misteriosa. Lumikki ainda terá que lidar com uma seita secreta aterrorizante.

O livro resenhado hoje, “Branco como a Neve”, é o segundo da série criada por Salla Simukka. O terceiro e último será “ Negro como  o Ébano”. Eu gostei bastante da obra. Tem todo aquele ar sombrio e tenso, misturado com terror e suspense. A capa linda já mostra um pouco do que espera o leitor, uma espécie de conto de fadas misturado com terror.

Adorei também conhecer Praga através da narrativa de Salla Simukka, ela nos faz passear por diversos lugares da cidade. Eu nunca estive lá, mas posso garantir que agora já sei de algumas particularidades desse lugar. Boa leitura!

 

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

O simples pode não ser tão simples assim

Por Clodoaldo Turcato

Quando vamos prepara algo simples, parece simples fazê-lo. Redundância necessária para que o leitor compreenda o que propomos hoje. Tornando ao início, ao se determinar algum quadro, a maioria dos pintores elaboram esquemas, desenhos, projeções, composições e materiais para que sua ideia seja transportada para um suporte. Neste processo se busca um tema, uma concepção que faça o expectador compreender o quadro.  Todo o processo parece complicado e trabalhoso. É o mesmo que compor uma canção. Primeiro a ideia de letra ou melodia, depois cortes, adaptações, ajustes, ensaios, provas para gravar. Essa caminhada é penosa, ás vezes chata, porém necessária.

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De tudo, ao compor algo imagina-se que quanto mais simples melhor de se fazer. Em arte não é bem assim, principalmente em artes plásticas. O objeto simples precisa encantar e encantar de maneira simplificada é uma das especialidades de Pierre Bonnard.

Pierre Bonnard foi um personagem de peso para o nascimento da Arte Moderna e, ao mesmo tempo, um artista cuja obra é profundamente pessoal e difícil de ser classificada. Membro fundador do grupo simbolista dos “nabis“, sua contribuição é fundamental para poder compreender a passagem entre o pós-impressionismo e o simbolismo em um momento no qual a pintura passava por uma revolução radical através da cor. Sob a influência da pintura de Gauguin e da estampa japonesa, Bonnard desenvolveu um estilo próprio, vivaz e realmente original, onde o decorativo convive com um lirismo carregado de melancolia.

Bonnard preferiu ficar à margem das correntes vanguardistas que imperavam na época para dedicar-se ao seu mundo cotidiano. Focou-se em temas da sua vida familiar, nos quais a pintura dominava pouco a pouco a realidade, e em paisagens que mostram uma natureza arcádica, vibrante e luminosa, onde o poder de expressão da cor assume um protagonismo cada vez maior. Bonnard, descrito frequentemente como o pintor da felicidade, afirmou no fim da sua vida, que “Aquele que canta, nem sempre é feliz”. De modo similar, sob a aparência de simplicidade tranquila e de uma alegre harmonia, sua pintura se mostra complexa e cheia de matizes.

Em 1888, quando tinha apenas vinte anos, Pierre Bonnard fundo o grupo dos “nabis”, juntamente com seus colegas da Academia, Julian Denis, Vuillard, Ranson e Sérusier, inspirados pela tábua O talismã pintado pelo último seguindo as orientações de Paul Gauguin. Os integrantes do grupo se autodenominaram profetas (significado da palavra “nabi”, em hebraico). com a intenção de apresentar em suas pinturas uma verdade que ultrapassasse o mundo visível através da exaltação da cor, da simplificação das formas e da transcendência mística e enigmática das suas composições. Em sua aspiração de simplificar as manifestações artísticas até atingir suas formas mais essenciais, os nabis, e principalmente Bonnard, encontraram inspiração na arte japonesa em questões como o abandono da modelagem ilusória do corpo, a renúncia à perspectiva central tradicional e a modificação das leis ocidentais da proporção e do movimento.

Umas das obras que mais se destacam do pintor é A janela aberta um óleo sobre tela medindo 118×96 cm que está no Phillips Collection, em Washington, Estados Unidos. A janela aberta por dentro, a menina adormecida e o gatinho mas se distinguem no tumultuo de cores vividas. O observador é estimulado a entrar e juntar-se a cena, olhando para as árvores mais além, do lado de fora, Bonnard consegue transmitir a atmosfera de calo e tranquilidade do sul da França usando tons vivos e quentes.

Bonnard era conhecido pelos seus interiores, a vida cotidiana e as pinturas “sem tema” específico.O jogo de cores e as formas desengonçadas, nos carregam com um momento único, cordões que nos levam a mesclar olhares num gigantesco enredo em duas dimensões. Em comparação com seus colegas do grupo nabi, Bonnard mostrou ser inimigo das teorias artísticas dominantes e dos assuntos pomposos, preferindo representar em seus quadros sua vida cotidiana. Seus interiores, com ou sem personagens, não descrevem nenhum acontecimento notável, mas fazem referência a grandes temas e sentimentos, como a ternura, a solidão, a falta de comunicação ou o erotismo. Bonnard consegue provocar essas sensações de modo magistral empregando planos muito próximos e, na maioria dos casos, com cortes bruscos, para focar a atenção em um lugar, pessoa ou grupo específico. Apesar da sensação de familiaridade transmitida por esses interiores, as mudanças frequentes de perspectiva e a iluminação artificial reforçam a impressão de que os personagens estão fechados, criando uma atmosfera carregada de mistério.

Um dos temas preferidos de Bonnardfoi a representação do corpo nu no ambiente doméstico, principalmente as cenas na intimidade do asseio da mulher, que podem ser visualizados através de portas e janelas em seus quadros. A maioria desses nus representam Marthe de Méligny -amante de Bonnard desde 1893 e com a qual acabou se casando em 1925, embora também tenha usado como modelos outras mulheres que representam seu ideal feminino: corpo miúdo, pele clara, seios altos e rosto indefinido.

Os nus de Bonnard permitem contemplar a evolução do artista, desde seus trabalhos mais escuros e eróticos na mudança do século {L’lndolente ou L’hommeetlafemme) até a explosão de luz e cor produzida em sua obra posterior (Nu dansunintérieur), passando por outras que transmitem um erotismo extinguido, entre as quais estão as cenas no banheiro, nas quais o corpo lânguido de Marthe é diluído pelas cores e a que atravessam a água (Le Bain).

Bonnard considerou sempre que era um pintor decorativo, dedicando, portanto, parte da sua produto a criar painéis para decorar o mural de casas. Nessas obras, Bonnard representou um mundo arcádico e feliz, harmonioso e pacífico, onde personagens contemporâneos e seres mitológicos aparecem em total sintonia com a natureza. Para isso, usou a luz e a paisagem de Vernon e de Le Cannet como inspiração. Assim sendo, a pintura monumental da Arcádia de Bonnard expressa uma alegria de viver e a exaltação de gozo que, às vezes, são atenuadas por certa angústia existencial. Nessas obras, o poder de expressão da cor assumiu um papel relevante em especial, onde Bonnard inquietações formais também em grande formato, parecido aos seus quadros de tamanho médio.Embora seus modelos e cenários sempre estivessem à mão, Bonnard raramente pintava diretamente do natural. Ao contrário, costumava fazer desenhos e pinturas aquarelas nas páginas de pequenos diários e contava com eles, bem como com sua memória, para fazer as pinturas no estúdio. Portanto, para Bonnard, o desenho representava um meio de pensamento e uma parte essencial da sua criação. A seleção de desenhos mostrada na exposição abrange diferentes fases e facetas da criação Bonnard, desde desenhos para projetos de decoração até rápidos esboços da vida moderna, passando por paisagens mortas feitas em guache e aquarela que representam verdadeiros estudos de cores as cenas de interior.

Do mesmo modo que muitos dos seus contemporâneos, Bonnard sentiu-se atraído pelas possibilidades que a fotografia, então em pleno auge, lhe oferecia. No começo da década de 1890, adquiriu uma das primeiras câmeras portáteis fáceis de usar. Suas primeiras fotografias documentam momentos comuns da vida em família, principalmente os períodos de férias na chácara da família em Grand-Lemps, que não tinham nenhuma intenção a mais do que formar um álbum de lembranças.Entretanto, descobriu logo o papel que as fotografias poderia desempenhar para sua pintura, porque ofereciam modelos com poses escolhidas ou espontâneas, e sua imediatez e imaginação de composição aparecem representadas em muitos dos seus quadros. Suas séries de fotografias de Marthe nua sobas plantas do jardim de Montval e dentro da casa são especialmente impactantes.

Estar com um quadro de Bonnard traz uma sensação de que a beleza pode ser simples, no entanto necessita de um conjunto de elementos para que o resultado final seja ideal. O simples, pode não ser tão simples assim.

Um pintor apenas

Por Clodoaldo Turcato

Ao que se aprofunda em arte, como em tudo na vida, vai esmiuçando cada vez mais e aumentando as classificações. Então, se no início você entende as grandes escolas de arte, depois de algum tempo vai descobrir intervalos não menos interessantes e artistas que não se encaixariam em nenhuma escola ou em várias. Eu, particularmente, não gosto muito destas classificações. Afinal, qualquer artista pode transitar em vários estilos e fazer uma construção ampla de experimentos que não fixam, moldam e muito menos prendem. Não se pode encher o peito e falar que é modernista, romântico, barroco, renascentista, etc. Depois do advento da fotografia e a revolução impressionista, o conceito de arte se ampliou a tal por que temos dificuldades em nos situar. É importante estar aberto para o novo, visualizar sem preconceitos e formular estudos para que a comparação seja apenas acadêmica, sem amarras. Um dos grandes artistas mundiais que é inclassificável chama-se David Bomberg.

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David Bomberg nasceu em Birmingham, Inglaterra, em 1890 e era filho de imigrantes poloneses. Em suas obras utilizava formas angulares e semi-abstratas. Com esses trabalhos o artista demonstrava toda a vitalidade que dominava o povo no início do século XX e a agitação que as máquinas estavam trazendo para a sociedade o que passou a modificar muito os costumes da população. Foi um dos mais audaciosos da geração excepcional de artistas que estudaram na Slade School of Art sob Henry Tonks e que incluiu Mark Gertler , Stanley Spencer , CRW Nevinson e Dora Carrington . Bomberg pintou uma série de composições geométricas complexas combinando as influências do cubismo e futurismo nos anos imediatamente anteriores a Primeira Guerra Mundial ; Tipicamente usando um número limitado de cores impressionantes, transformando os seres humanos em formas simples e angulares, e às vezes superpondo a pintura inteira, um forte esquema de coloração de trabalho em grade. Ele foi expulso da Escola Slade de Arte em 1913, com acordo entre os professores seniores Tonks, Frederick Brown e Philip Wilson Steer , por causa da audácia de sua violação da abordagem convencional da época.

Seja por sua fé na era da máquina ter sido quebrada por suas experiências como soldado particular nas trincheiras ou por causa da atitude retrógrada generalizada em relação ao modernismo na Grã-Bretanha Bomberg mudou-se para um estilo mais figurativo na década de 1920 e seu trabalho tornou-se cada vez mais dominado por retratos E paisagens tiradas da natureza. Desenvolvendo gradualmente uma técnica mais expressiva,ele percorreu muito o Oriente Médio e a Europa.De 1945 a 1953, trabalhou como professor na Universidade Politécnica de Borough (agora London South Bank University ) em Londres, onde seus alunos incluíram Frank Auerbach , Leon Kossoff , Philip Holmes, Cliff Holden , Dorothy Mead, Gustav Metzger , Dennis Creffield Cecil Bailey e Miles Richmond . David Bomberg House , um dos salões de estudantes das residências da London South Bank University, é nomeado em sua homenagem.

Uma de suas obras que sintetizam boa parte de seu trabalho é O Banho de Lama, um Óleo sobre tela medindo 152,5 x 224 cm, que está na Tate Gallery de Londres, Inglaterra. De início o quadro pode parecer totalmente abstrato. Na verdade, ele mostra uma sauna usada pela comunidade judaica de Whitechapel, em Londres.Figuras azuis e brancas se acotovelam e pelam no retângulo vermelho da sauna, se atirando em volta do pilar escuro. A peça é brilhante pela composição e distribuição de formar num espaço e saltitam aos nossos olhos nos atirando as formar sensuais das formadoras do quadro. A forma como Bomberg reduz a figura humana a uma série de formas geométricas pode refletir seu fascínio pela era da máquina, que ele compartilhou com os Futuristas e Vorticistas. Esta pintura também pode representar a forma humana, despojada de seu núcleo essencial.

O excelente desenho de Bombergfoi expressado também em uma série de retratos aolongo da vida, desde o início de seu “Cabeça de Poeta” de Botticelli (1913)z, um retrato de lápis de seu amigo, o poeta Isaac Rosenberg, pelo qual ganhou o Prêmio Henry Tonks No Slade , ao seu “Último Auto-Retrato” (1956), pintado em Ronda, uma meditação também sobre Rembrandt . Incapaz de obter uma posição docente após a Segunda Guerra Mundial em qualquer das mais prestigiadas escolas de arte de Londres, Bomberg tornou-se o professor mais exemplar do período imediato de pós-guerra na Grã-Bretanha, trabalhando a tempo parcial em uma escola de padaria no Borough Polytechnic (agora London South Bank University ) no distrito da classe trabalhadora da Southwark. Embora seus alunos não tenham recebido nenhum diploma e não tenham recebido nenhum diploma, ele atraiu alunos dedicados e altamente enérgicos, com quem exibiu em igualdade em Londres, Oxford e Cambridge em dois importantes grupos de artistas em que ele era a luz principal, o BoroughGroup e BoroughBottega . Desenvolveu uma filosofia de arte profundamente considerada,

Após um colapso em Ronda ,Bomberg morreu em Londres em 1957, seu estoque crítico aumentando bruscamente depois disso. Um dos admiradores de Bomberg, o pintor Patrick Swift , desenterrado e editado pensées de Bomberg, e mais tarde foi para publicá-los, juntamente com imagens do trabalho de Bomberg, como ‘The Bomberg Papers’ em seu ‘ X revista (Junho de 1960). Após o seu sucesso inicial antes da Primeira Guerra Mundial, ele foi na sua vida o artista mais brutalmente excluído na Grã-Bretanha. Tendo vivido há anos sobre os ganhos de sua segunda esposa, companheira Lilian Holt e remessas de sua irmã Kitty, ele morreu na pobreza absoluta. Seguindo a sina de muitos grandes artistas, Bomberg foi reconhecido postumamente e hoje seus quadros são leiloados por milhões de dólares.

O reconhecimento póstuma de Bomberg se justifica dado a grandiosidade de seus quadros. É uma arte diferente, desencontrada que se encontra em traços e cores. Um pirilampo que nos leva a passear nossos olhos por todos os cantos da tela e nos tira da mesmice, enaltecendo a beleza e a candura. Não importuna e não incomoda ver um quadro de Bomberg. Ao contrário, nossa alma é talhada, agraciada e refeita. O artista não era abstrato somente, não era modernista, cubista ou qualquer outra classificação. Bombergera um pintor e fim.
Outras obras do artista são A igreja do Santo Sepulcro, Lilian, Ju-Jitsu, Flores e Racerhorses.

Angus- O primeiro Guerreiro

Sem título.png okPor Lorena Moura

Eu gosto bastante de filmes e livros que tenham como pano de fundo a idade média, com todos os seus guerreiros, batalhas, reis, rainhas, magia e muita, mas muita trama. E o livro resenhado de hoje segue essa temática e conta a história de ” Angus- O primeiro guerreiro”.

Para começar, devo situar vocês no espaço de tempo em que a obra é desenrolada. O livro se passa na Bretanha, no ano de 863, quando em uma invasão, homens do norte devastam a Ilha da Bretanha, deixando o lugar um verdadeiro cenário de guerra e é quando surge Angus, que vai participar da sua primeira expedição à Terra dos Anglos do Leste e junto com o seu pai, Seawulf Sangue de Gelo são convocados por  Ivar Sem-Ossos para se juntarem ao exército viking para vingar a morte do pai de Ivar, o Ragnar. Será nessa batalha que o jovem Angus irá matar o seu primeiro homem e também sofrer um baque terrível, ele irá perder o seu melhor amigo durante a batalha.

No meio dessa confusão toda, os vikings protegidos de Ivar acabam matando um dos amigos do pai de Angus, que jura vingança, mas é claro que a traição não vai parar por aí… Ivar vai trair Seawulf, e Angus terá que fugir sozinho para o meio da floresta em busca da sobrevivência. Vale lembrar que ele ficou ferido durante a batalha.

No meio da perigosa floresta ele será ajudado por Nennius, um monge que irá ensinar ao jovem guerreiro, as sete virtudes e a fé. Depois de passar um longo período recebendo esses ensinamentos, Angus sairá em busca de vingança pela morte do seu pai. Além disso, sua meta também é deter Ivar e por fim a sua onda de destruição.

Eu particularmente gostei da leitura, que tem uma linha muito bem construída, com sequências bem amarradas e cenas muito bem descritas. Cenas essas que levam o leitor a gostar de todo o universo construído por lá. É claro que alguns eventos são bem longos, mas nada que atrapalhe o leitor apaixonado por este universo. Queria destacar também a linda edição e diagramação feita pela Editora Novo Conceito. O livro é composto por ilustrações incríveis que só contribuem para o desenvolvimento da leitura. Elas dão uma certa realidade a história desenvolvida pelo autor brasileiro, Orlando Paes Filho. Indicado! Boa leitura!

 

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

O policial de Daniel Cole

Bonecodepano_CapaWEB.jpg para sitePor Lorena Moura

A cena é a seguinte, os policiais chegam ao lugar do crime e encontram um boneco de pano, mas o trágico aqui é que o boneco é composto por partes do corpo de seis pessoas. É esse o enredo do livro resenhado desta semana ” Boneco de Pano”, do autor Daniel Cole.

Na obra o polêmico detetive William Fawkes, também conhecido como Wolf, por causa das iniciais do seu nome está de volta à ativa depois de ter passado um bom tempo em tratamento psicológico por conta de uma tentativa de agressão. Logo ele é chamado ao caso juntamente com a sua colega de profissão Emily Baxter para tentar elucidar o caso, procurando identificar as vítimas, o assassino e o que o motivou a realizar esses crimes.

No meio disso tudo, Wolf ainda terá que lidar com a curiosidade e ganância da sua ex-mulher, a jornalista Andrea Hall, que recebe de forma anônima fotografias da cena do crime e uma lista com o nome de seis pessoas que o assassino pretende matar. E claro, divulga na mídia. Na lista também constam as datas que os crimes serão executados. O que ninguém esperava era que o nome do próprio Wolf estivesse presente. E claro, como em todo bom romance policial, a contagem regressiva já teve início e a corrida atrás do assassino será recheada de confusões, mentiras, traições, amizades e muita tensão.

Eu particularmente gostei do livro, achei que o autor foi muito feliz no desenvolvimento da obra, mas também senti que em alguns momentos que ele desperdiçou muitas linhas com um alongamento de cenas desnecessárias. Sabe aquela impressão de que ele poderia ter avançado logo na história…Fiquei pensando dessa forma, até porque na minha opinião ele poderia ter aumentado um pouco o final. Mas nada que diminua a qualidade da obra. Indico demais essa leitura para todos que assim como eu, adoram um bom romance policial. Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Uma interpretação da vida em linhas cheias

Por Clodoaldo Turcato

Quando iniciamos o estudo de arte tudo nos parece muito parecido. Vamos iniciar por aqueles quadros mais figurativos, renascentistas e “difíceis” de pintar. Nossa concepção se aproxima da fotografia e por isso é comum que se diga “este é um grande artista, ele sabe mesmo desenhar”. O desenho é, para iniciantes, o fundamental, o crucial em qualquer obra de arte. Quando vi pela primeira vez O Retrato de Sylvete David 1 , pintado por Pablo Picasso, e o Auto Retrato de Piet Mondrian, não contive o riso. “Isso é o retrato?!”, foi minha primeira reação. Sim, eramdois grandes quadros. Esta concepção de grande só tenho hoje depois de compreender mais a arte, ver os conceitos e perscrutar a beleza das pinturas.

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Este afinamento artístico me oportunizou conhecer o traço de muitos artistas. Isto significa que depois de certo tempo, o estudante vai olhar para uma tela e definir sem medo o autor. Com tempo e dedicação se entenderá um Pollock ou um Da Vinci, um retrato de Kandinsky ou de Vermeer.De tudo, alguns artistas facilitam este reconhecimento imediato, pelo traço, uso de cores, temas ou modos. É muito mais fácil reconhecer um pintor da escola cubista do que da renascença italiana, por exemplo. Um dos traços reconhecíveis de imediato é do Colombiano Fernando Botero.

Botero se consagrou mundialmente com seus personagens volumosos, tanto em suas pinturas como em suas esculturas. Nasceu em Medellin, Colômbia, no dia 19 de abril de 1932. Com 15 anos de idade começou a vender seus primeiros desenhos. Em 1948 trabalhou como ilustrador para o jornal O Colombiano. Em 1950 graduou-se no Liceu San José de Marinilla. Em 1951 mudou-se para Bogotá onde realizou sua primeira exposição.movimento, assumindo a característica de vida humana estática. De natureza humorística à primeira vista, as pinturas de Botero são geralmente um comentário social com toques políticos.O artista Fernando Botero é um dos observadores mais agudos da conjuntura colombiana e é interessante notar os dois traços mais salientes de quase toda a sua obra: suas figuras são gordas e têm a boca fechada. Parecem pessoas bem enredadas em sistemas de clientelismo, no qual recebem comida em troca de seu silêncio.Para este artista a cor é fundamental nos seus quadros porque ilumina a pintura. Nos seus quadros somente existe a forma e a cor interior também procura sempre uma certa monumentalidade.

Uma das obras mais impressionista é Nossa Senhora de Cajica, um óleo sobre tela medindo 234,4 X 181,8. A imagem universal da Madona retratada aqui como uma figura rotunda, inflada, em seu estilo característico. Ele deu monumentalidade à mãe de Cristo contrastando-a com as minúsculas personagens que espreitam das nuvens. Além disso, a serpente na parte de baixo do quadro é invisivelmente longa, de modo a enfatizar a amplidão da figura. A obra parece satirizar as Madonas criadas até então, porém com extrema beleza e particularidades.

A obra de Botero pode ser dividida em diversos temas e modelos, porém tem componentes perceptíveis como As naturezas mortas e retratos de frutas de Botero são curiosos por trazer o volume clássico de seu estilo em formas não-humanas. Peras rechonchudas, melancias gigantescas, até as facas são mais arredondadas que de costume; Sensualidade  as formas das mulheres de Botero em todo seu esplendor. Elas mostram suas formas e opulência com certo recato, ocultando um seio ou o sexo, mas ainda assim oferecendo ao espectador a firmeza de sua carne, o olhar lânguido e ausente, a textura suave da tela ou a lisura arredondada do bronze.O fato do artista não usar muito contraste e evitar a marca do pincel nas pinturas ajuda a construir uma aura esfumaçada, quase entorpecida para o observador, com o circo um lado mais lúdico de Botero, que retrata figuras do cotidiano circense. As cores vibrantes usualmente empregadas ajudam a traduzir a alegria e festividade desse ambiente, mas, em contraste, podemos reparar em expressões plácidas, quase tristes das figuras pintadas. Isto enfatiza o lado humano e individual dos personagens: um palhaço em repouso, sem um sorriso no rosto; uma trapezista concentrada em sua acrobacia aérea; Costumes latino-americanos, Botero gosta de traduzir sua influência renascentista nos costumes do povo latino-americano. Cores fortes, toureiros, siestas e o dia-a-dia colombiano são muito importantes na composição de sua obra, apesar de dividir seu tempo principalmente entre três ateliês em cidades diferentes: Paris, Nova York e Toscana.Críticas sociais muitas vezes entram em seus trabalhos, às vezes de forma discreta e outras vezes abertamente, como a série de desenhos de 2004 retratando a violência dos cartéis de droga colombianos; as releituras como sua versão para a Monalisa, de Leonardo da Vinci, mas o pintor também já fez algumas versões de outros quatros famosos como a releitura de Jan van Eyck, O Casal Arnolfini, como também do quadro Card Players, de Cézanne, em que acrescenta uma mulher nua e até de um Papa (papa Leo X), depois da pintura de Raphael em uma versão rechonchuda e apática, entre outros; e por fim, as esculturas que mantendo seu estilo de utilizar volumes, neste caso ele usa das formas em 3d, no espaço, para retratar sua visão das pessoas e dos costumes. Sua crítica a arte atual, sempre mordaz, também se reflete em suas obras.

Botero é um tipo de artista que nos envolve em suas formas rechonchudas, sem que deixe de modelar nosso conceito, diferindo da caricatura. Não pinta pessoas gordas, as pessoas gordas refletem apenas uma preocupação estética e possui uma função estilística. O artista é atuante, mantém vários ateliês pelo mundo e obras espalhadas por todos os continentes, além de ser um dos poucos artistas latino-americanos a constar em livros e estudos de arte.