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A velha da cumeeira

Por Jacqueline Souza Quando era criança sempre ouvi os mais velhos repreendendo as pessoas que chamassem nomes feios, como palavrões. Mas h...

Coluna Leitura do Dia

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A casa do lago

Por Lorena Moura   Uma das coisas que  mais me chamaram a atenção sobre o livro "A casa do lago", ...

Curtas

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Menina Sem Nome – Documentário

O documentário mostra um crime que chocou os recifenses nos anos 70. Uma menina que apareceu morta, o crime até hoje não foi desvendado e ...

A casa do lago

menor CasaDoLago_CapaWEBPor Lorena Moura
 
Uma das coisas que  mais me chamaram a atenção sobre o livro “A casa do lago”, resenhado na Coluna Leitura do Dia desta semana foi sem dúvidas, a linda capa que recebeu essa obra. Sério gente, achei linda mesmo.Parece uma pintura, uma verdadeira obra de arte. De uma sensibilidade única. 
 
Mas vamos ao que interessa, a história. Em 1933 a família Edevane está preparando uma linda festa. Alice que é uma jovem escritora, está escrevendo o final do seu livro e se encontra perdidamente apaixonada. Mas eis que á meia noite, tudo muda. A família Edevane sofre uma terrível perda, um bebê some sem deixar rastros e o que seria um dia de festa se transformou em uma catástrofe e a família abandona a casa em que vive para sempre.
 
Eis que 70 anos se passam e a detetive  Sadie Sparrow que é obrigada a tirar férias, viaja para o chalé da avó na Cornualha e lá, descobre a  antiga casa dos Edevanes e a história que a envolve. E claro, como uma boa investigadora, irá procurar mais informações sobre o caso e chegará até Alice Edevane, hoje uma senhora que se tornou uma famosa escritora de romances policiais. Sadia investigará Alice e começará a escavar o passado e os segredos que ela tentou esquecer.
 
” A casa do lago” é um livro muito bem construído pela autora Kate Morton,com personagens elaborados de forma ímpar. Kate leva ao leitor a embarcar em uma longa narrativa em busca da resposta pelo mistério do bebê desaparecido. Mas na minha opinião ao inserir tantas reviravoltas  acabou deixando o leitor um pouco cansado. 
 
Deixa eu explicar o porque disso. É que ao passo que a autora vai alternando os fatos do passado e do presente, ela vai encaixando e desencaixando tudo. Vai inserindo tantos detalhes que acabaram deixando o livro um pouco exaustivo. 
 
Mas também quero destacar um outro ponto positivo, que é a  conclusão da obra que surpreende bastante. Então para mim se não fossem todos os detalhes criados ao longo de toda a narrativa, eu teria ficado mais satisfeita com a obra. O livro é indicado para quem gosta de leituras bem detalhadas. Ok?  Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista
lorenamoura87@gmail.com

A velha da cumeeira

13995645_1224311070923111_6505795813293242401_oPor Jacqueline Souza

Quando era criança sempre ouvi os mais velhos repreendendo as pessoas que chamassem nomes feios, como palavrões. Mas havia uma em especial, que se pronunciada traria muito mal para a vida de quem a proferisse.

            A maioria das crianças tem medo de “malassombro”, assim como eu. Meus pais são pernambucanos e meus irmãos e eu nascemos em São Paulo. Eles trouxeram uma bagagem de contos que arrepiam. Na terra deles, essas histórias eram contadas nas calçadas. As pessoas se juntavam à luz do candeeiro e conversavam sobre muitas coisas, inclusive de terror. Em nossa casa, ao faltar energia elétrica à noite, meu pai nos falava de tais episódios. Depois dormíamos com medo.

Um dia resolvi perguntar na escola para os amigos e até para minha professora, qual palavra não se poderia dizer. Todos me olharam com cara de não saber sobre o assunto. Fiquei desapontada. Talvez fosse um conto regional, pensei.

            Cheguei a casa e corri para falar com minha mãe que lavava as roupas. Ela me fitou demoradamente e percebendo que aquilo me afetava, pegou-me pelo braço, chamou meus irmãos e decidiu contar para nós o caso da velha da cumeeira.

            Nem conhecia essa palavra. Explicou que se tratava da parte mais alta da casa, o encontro entre os telhados, na verdade, o cavalete do telhado. Então, neste instante, olhamos para cima, nossa casa possuía uma cumeeira.

            Relatou-nos que havia no sertão de Pernambuco um homem muito “brabo”, ignorante e chamava todos os tipos de palavrões. Ninguém conseguia suportá-lo de tão rude e arrogante. Morava numa casa imensa com quintal enorme, com banheiro fora da casa, no fim de um corredor. Para mim, um banheiro tem de ser dentro de casa, enfim, voltemos ao conto.

            De repente, uma grande seca veio para aquela região e todos tiveram de sair daquele lugar. Ele, contra a vontade, começou com suas lamúrias, blasfemando, chamando todos os tipos de impropérios, todavia precisava ir embora ou morreria de sede e fome. Pegou suas coisas e sentiu uma mão em seu ombro. Levou um susto terrível, seu coração bateu desesperadamente. Olhou para trás e viu uma velha carcomida com uma trouxa de roupas nas costas. Usava um lenço rasgado que cobria seus cabelos esbranquiçados. Um hálito tenebroso e apodrecido. Assustado perguntou quem era ela e o que estava fazendo em sua casa. Ela respondeu:

¾ Ora, sou sua companheira, moro na cumeeira…

Ele começou a rir. Não entendia suas palavras, como poderia morar em seu lar se nunca a vira por lá e ainda na cumeeira. Deve ser alguma velha maluca. Decidiu perguntar seu nome.

- Afinal de contas, quem é a senhora?

Com uma risada no canto da boca disse:

- Você não sabe? Viveu sua vida a me chamar todos os dias. Acabou de me invocar, não se recorda?

- Não chamei ninguém, muito menos invoquei! A senhora deve ser doida! Isso sim! Saia daqui!

- De jeito nenhum!

- Saia, desgraça!

- Ora, lembrou-se de mim?

- Do que está falando?

- Meu nome é Desgraça! – riu descontroladamente e desapareceu como num passe de mágica.

Ao ouvir aquilo compreendeu que havia chamado para si o mal. Dizem que deixou de falar palavras de baixo calão e principalmente aquela palavra abominável e enquanto viveu, ensinou sobre o seu causo de horror.

Depois disso, nós também aprendemos a não pronunciar tal palavra. Não sei se é verdade, entretanto, mães não mentem. Na dúvida, melhor não dizer, vai que a velha da cumeeira aparece…

A arte nativa da América do Norte

Por Colodaldo Turcato

27707454_1534587119972715_1694253379_oAo imaginarmos a arte, seria correto ter em conta que ela é mais antiga que os nossos parcos registros possam registrar. De tudo que temos no Ocidente, muito pouco foi catalogado e devidamente transmitido. Basta imaginar a idade dos povos indígenas de todos os continentes e concluiremos que muita da arte se perdeu no caminho. Contudo, uma parte minúscula da cultura e manifestações destes povos foi preservada. Vamos dar uma olhadela sobre a Arte Nativa da América do Norte.

 O termo “arte”, no sentido ocidental, foi aplicado pela primeira vez à cultura material nativa da América do Norte na virada do século XIX. Embora a palavra se refira ao aspecto estético dos artefatos, nenhuma dessas obras de arte foi produzida apenas por razões estéticas. Feitas com a utilização de recursos locais e criada para serem usadas na vida cotidiana, roupas, esculturas, cerâmicas e outras expressões visuais, as artes se desenvolveram a partir de sistemas de conhecimento ricos e complexos. Interconexões entre cosmologia, espiritualidade, poder e política são apenas alguns dos símbolos presentes na arte americana produzida milhares de anos antes do contato com os europeus. A diversidade de ambientes, línguas e organização social deu origem a tradições artísticas regionais que ilustram a maneira como as comunidades expressavam sua relação com o mundo que as rodeava. Ao mesmo tempo, os povos nativos estavam ligados por meio de extensas rotas comerciais que abrangiam todo o continente, criando canais para novos materiais e ideias que eram incorporados a antigas tradições culturais. Esse processo continuou ao longo da colonização europeia, muitas vezes com um impacto devastador.

A introdução do milho vindo da Mesoamérica contribuiu para a fixação e o desenvolvimento de várias tribos no sudeste da América do Norte no fim do primeiro milênio. A maior dessas tribos era a Cahokia, localizada a leste de onde hoje é SaintLouis, no Missouri. Pratos com relevos em cobre ilustrando uma divindade sobrenatural chamada de “homem-pássaro” (à direita) são atribuídos aos Cahokia, mas também foram encontrados em cemitérios de outras regiões. O governo centralizado dos Cahokia sobreviveu por quase 500 anos, até que seus habitantes se dispersaram, por volta de 1400, isto é, cerca de 150 anos antes da disseminação das doenças europeias que dizimaram as populações nativas de toda a América do Norte.

No extremo norte, o Ártico foi habitado por sucessivas ondas de tribos nômades: os Paleoárticos, os Dorset e, por fim, os Thule, ancestrais do povo Inuíte da atualidade. A expressão estética do Ártico e do Subártico pode ser vista em peças de vestuário que eram desenhadas, costuradas e enfeitadas pelas mulheres, não apenas para a proteção física do clima severo, mas também como uma ligação espiritual entre o caçador e a caça que ele perseguia. Pequenas esculturas, como um urso-polar em marfim feito pelos Dorset e encontrado na região de Igloolik, ao sul da baía Baffin, eram feitas pelos homens para garantir uma caça bem-sucedida ou para celebrar o poder de um inimigo temível. O tamanho diminuto enfatiza a portabilidade exigida pelo estilo de vida nômade.

Na costa noroeste da América do Norte, a técnica de tecelagem Chilkat era usada para fazer mantos, cobertores, tapeçarias e outras peças de vestuário, e as estampas variadas exibem claramente um equilíbrio entre elementos regionais e valores que eram compartilhados com áreas mais distantes. O povo Tlingit adquiriu a técnica por intermédio de casamentos com o povo Tsimshian, que vivia mais ao sul, no fim do século XVIII. Os tecidos Chilkat, eram, em geral, feitos com lã de cabras-monteses e cascas de cedro, e os mantos desse tipo exemplificam o equilíbrio entre homens e mulheres, muito importante para vários grupos indígenas da América do Norte. Neste exemplar de um cobertor cerimonial Chilkat, um homem pintou o desenho sobre uma prancha e uma mulher o teceu. O manto que o acompanhava devia servir como uma manifestação da posição social, já que tais peças eram usadas apenas pelos indivíduos mais importantes. Quando unidos à oratória, os mantos expressavam o poder de quem os vestia e atestavam a propriedade da terra e das histórias ancestrais.

A cerâmica tem sido um componente fundamental das comunidades indígenas do sudoeste da América do Norte há milhares de anos. Até o começo do século XX, quando a demanda dos turistas por artefatos desse tipo superou a oferta, a fabricação de cerâmicas era função das mulheres da tribo Pueblo. Como seus ancestrais Anasazi, Hzuni e outras mulheres Pueblo recolhiam a argila de locais sagrados, desenvolvendo e refinando técnicas de moldagem e queima de vasos, desenhando neles sonhos e precedentes artísticos de suas mães ancestrais para enfeitar as cerâmicas. Os desenhos geométricos e figurativos encontrados na cerâmica do sudoeste (à esquerda, embaixo) mostram a diversidade regionale individual e expressam as tradições culturais que moldaram a maneira como os Pueblo viam o mundo.

Uma das obras mais lindas deste período é Totem da Casa da Estrela, uma obra esculpida em cedro vermelho que mede 11,36 metros e está no Museu de Pitt Rivers, em Oxford, no Reino Unido. O chefe do clã da águia K’ouwas, por ocasião de um potlatch (cerimônia legal) que festejava a adoção de uma menina. Historicamente, esse tipo de totem teria servido como entrada para uma casa, por uma porta circular entalhada na figura de baixo. Todas as figuras se relacionam com a história de Anetlas e sua mulher, suas insígnias, sua condição social e seus privilégios, e existe uma narrativa da tradição oral para cada uma delas. As imagens devem ser identificadas de baixo para cima, pois, ao contrário da crença popular, a figura inferior em um totem haida costuma ser a mais importante.

O artista entalhou o totem da Casa da Estrela em cedro vermelho, ou ts’uu, de aproximadamente 600 anos. Ele deve ter passado muito tempo procurando pela árvore adequada – antiga, alta, de cor uniforme e anéis apertados – antes de cortá-la e dividi-la, escavar a parte de trás e a transportar de volta à aldeia. Lá possivelmente entalhou o totem com ferramentas de ferro, da forma ditada pelas insígnias e histórias associadas a Anetlas e sua família. A pintura segue o estilo clássico dos haida. A tinta preta acentua os elementos primários do design, como o bico preto do corvo. O vermelho é usado nos elementos secundários, como lábios e narinas. E o azul esverdeado é empregado para destacar áreas como as órbitas. A tinta original parece ser feita com pigmentos naturais, moídos e misturados a ovas de peixespreto, feito com carvão; vermelho, do ocre vermelho; e azul-esverdeado de uma rara argila à base de cobre.

O totem da Casa da Estrela ficou diante da residência de Anetlas em OldMassett até ser vendido e enviado para a Inglaterra em 1901. Até hoje, totens como este continuam a ser entalhados e erguidos pelos clãs de Haida Gwaii.

Quanto mais nos aprofundamos nos estudos dos povos e suas manifestações, percebemos os imensos buracos que restaram na estrada da arte. Buracos estes que jamais serão tapados e o quanto de indigno somos como racionais.

 

Um beijo à meia-noite

livroPor Lorena Moura

Tem gente que tem vergonha de assumir seus gostos na infância ou adolescência, mas eu não tenho esse problema. Sempre fui fã dos contos de fada. De verdade! Sempre suspirei pelas histórias de amor, do príncipe encantado, do amor verdadeiro que tudo vence. Essas histórias leves, sempre me fizeram bem e jamais neguei essa minha paixonite por livros assim, que me fazem suspirar e acreditar ainda mais que a vida pode sim, ser mais leve. Afinal é essa esperança que nos move todos os dias, são os sonhos e expectativas que nos guiam e nos fazem bem em um mundo tão louco e corrido feito o que vivemos atualmente.

Pois bem, o livro resenhado esta semana por aqui se encaixa perfeitamente nesta lógica . “Um beijo à meia-noite”, é o segundo livro da série criada pela autora Eloisa James, onde ela repagina os contos de fada. Na história da Cinderela, somos apresentados a Kate Daltry,  uma jovem de 23 anos que não costuma frequentar os salões da alta sociedade. Após perder seu pai, ela vira refém da sua madrasta Mariana. Seguindo a forma como acontece no conto original, a nossa Cinderela moderna irá continuar realizando suas tarefas domésticas. Mas Kate é diferente da personagem original, ela é mais forte e determinada. Com a madrasta é claro, Kate ganhará também uma irmã(Victória), mas diferente do que era previsto, a irmã aqui é bastante adorável.

Victoria está prometida a um jovem rapaz. E para que a união deles aconteça, Victoria deve ser aprovada pela família do jovem. Mas quando está prestes a viajar para ser apresentada a família, ela sofre um acidente e sua mãe resolve enviar Kate disfarçada para salvar a pele da irmã. É quando  Kate conhece Gabriel, um príncipe que como adianta a sinopse do livro, é irresistível e também irritante. Mas claro que a atração entre eles é imediata. Mas Gabriel já está prometido a outra mulher, uma princesa, diga-se de passagem. E sua união irá salvar o castelo onde vive por causa do dote da sua futura esposa. Gabriel lutará contra todos os seus desejos para esquecer Kate. Afinal, para ele ela é Victoria e está prometida para o seu sobrinho. Uma loucura! Mas será que ele vai conseguir esquecer Kate? E Kate, será que ela irá perder o seu sapatinho de cristal?

Durante toda a obra, Eloisa James nos guia por um mundo encantado e cheio de momentos engraçados e sim, repletos de muito amor. Com sua narrativa leve, ela vem nos conduzindo por um espaço mágico e cheio de modernidade. Eu adorei! Achei empolgante e apaixonante! Indicado para todos que assim como eu, adoram um bom conto de fadas. Boa leitura!

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Arte urbana, a mais antiga das artes

Por Clodoaldo Turcato

Shiko

Shiko

Quem vive numa cidade enorme como Recife, se depara todos os dias com expressões artísticas espalhadas pelas ruas. Prédios, muros, pilastras, viadutos, veículos, construções, etc, servem de suporte para que pessoas se manifestem com imagens, escritos, cores e toda forma de atividades que formam a arte urbana.

O streetart, ou arte urbana, são intervenções urbanas artísticas com temáticas que contornam desde a política até religião, passando por problemas sociais e etc. Esta arte pode ser feita por meio da pintura, esculturas ou instalações. Seja de que forma for, a arte urbana é uma arte marginal, e não está atrelada a nenhum padrão estético. Sendo assim, considera-se a arte urbana uma arte livre.

A arte urbana ou de rua não é novidade. Só para citar, Rafael e Michelangelo criaram suas maiores obras em afresco, que nada mais é do que arte criada sobre suporte em céu aberto.  E com o passar dos anos, a criatividade da pessoa humana nunca cessou.

Como se cunhou arte urbana como uma arte livre, temos de tudo pelas ruas das cidades. Como tudo em arte, cabe ao espectador se emocionar ou simplesmente odiar estas manifestações. Já escrevemos sobre arte e expressão artística, logo não vamos nos alongar.

]No Brasil e no mundo, a arte de rua tem estado presente nas maiores e mais importantes cidades, geralmente, em muros e de grande escala, esta arte – além de embelezar a cidade de um jeito econômico e muito original, fazendo cada cidade ser única e ter seu próprio estilo – ela também faz o papel da denúncia e do protesto. E há também uma outra importante característica desta arte, o papel da inclusão social.

Vários artistas do estilo promovem a arte por meio de suas intervenções, estimulando a criatividade em jovens e crianças de partes mais remotas da cidade. Muitas comunidades mais pobres são convidadas a se juntarem aos artistas para, juntos, transmitirem uma ideia, conceito ou mensagem política, ou apenas para criar arte e beleza.

Com cerca de 20.000 anos de evolução cultural por trás disso, o grafite, a pichação ou streeturbanart ainda é arte e nada parece capaz de deter a sua popularidade fenomenal. A ideia simples de desenhar em uma parede tornou-se algo verdadeiramente extraordinário em um mundo cada vez mais emparedado e murado. Percorremos um longo caminho desde as pinturas nas cavernas. Era inevitável que o roteiro fosse substituído por imagens e se destacassem com contrastes excepcionais. O advento do grafite ilustrado foi, sem dúvida, responsável pelo impulso maior de seguidores entre a população em geral. Como o estilo da escrita é quase completamente ilegível para o olho destreinado, fotos em grafite permitem uma mensagem mais clara, mais pungente.

De tudo, algumas manifestações não passam de tinta atirada a suporte sem significado, diminuindo a força deste tipo de expressão. Pichações em prédios e sem autorização são muito comuns, transpondo apenas revolta pessoal e tirando a beleza que um desenho como de Shiko, Bozó Bacamarte, Derlon e tantos comungam nas ruas e vielas das suas cidades.

Diversas técnicas são utilizadas pelos artistas de rua, embora a intervenção “grafite” seja a mais associada ao tema de arte de rua. Segue abaixo alguns exemplos de arte urbana.

 

  • Grafite: desenhos estilizados geralmente feitos com sprays nas paredes de edifícios, túneis, ruas. Há muitas técnicas de grafite e atualmente os trabalhos em 3d chamam a atenção dos críticos.
  • Estêncil: parecido com o grafite, esse tipo de técnica utiliza o papel recortado como molde e o spray para fixar as ilustrações e desenhos nas ruas, postes, paredes.
  • Poemas: qualquer tipo de manifestação literária que surge no ambiente urbano, seja nos bancos, paredes, postes.
  • Autocolantes e Colagem: chamado de “sticker art” (arte em adesivo), esse tipo de arte utiliza a aplicação de adesivos pela cidade.
  • Cartazes: Muito comum esse tipo de intervenção urbana, também chamada de “cartazes lambe-lambe”, donde se fixam cartazes (papel e cola) pela cidade, sejam em postes, praças, edifícios, feitos manualmente ou impressos.
  • Estátuas Vivas: muito encontrado nas grandes cidades como forma de entretenimento turístico, as estátuas vivas realizam um importante trabalho com o corpo, os quais permanecem estáticos durante longo tempo, realizando pequenos movimentos. Geralmente estão pintados e caracterizados.
  • Apresentações: essas apresentações de rua podem ser de caráter teatral, musical, circense (malabaristas, palhaços, etc.), sendo trabalhos solos ou em grupos.
  • Instalações: são inúmeros tipos de instalações artísticas como exemplos de arte de rua, sejam objetos, materiais distintos, com o intuito de provocar uma mudança no cenário já existente.

 

De todas as manifestações, as cidades sem arte de rua ficariam mais tristes. As cores elevam nosso espírito e nos faz entrar em contato com toda uma gama de gente sensível e competente, ouum grito que vem das comunidades menos favorecidas que encontram nestes manifestos uma maneira de serem ouvidos. A arte é um caminho que não pode ser impedido. Mesmo o que eu ache ruim e descabido precisa existir, para que a beleza floresça e haja paramêtros.  Quando você cruzar com um murro pintado, lembre-se que por trás daquele desenho ou inscrição existe uma alma, um grito, uma verdade.

 

Lady Whistledown contra-ataca

menorPor Lorena Moura

Quem aqui é fã de Romance de Época? Pois bem, esse gênero literário vem bombando e conquistando milhares de leitores. Vi muita gente que passou a ter esse estilo de leitura como um de seus favoritos. Eu gosto bastante, tanto que trago agora na Coluna Leitura do Dia, o livro  “Lady Whistledown contra-ataca”, que é uma doce e deliciosa leitura. 

O livro é fruto da união das autoras Julia Quinn, Karen Hawkins, Mia Ryan e Suzanne Enoch. Achou bagunçado? Não é. Tudo é amarrado pelo desaparecimento de uma pulseira,  o bracelete de Lady Neeley, e claro, pela personagem incrível criada por Julia Quinn, em Os Bridgertons, Lady Whistledown, a colunista social da época.

Como falei, são quatro contos curtos que compõem a obra. Em ” O primeiro beijo”, escrito por Julia Quinn, acompanhamos um jovem caçador de fortunas que ficou encantado pela debutante mais desejada da temporada. Ele precisará provar que o que deseja é o coração da jovem e não o dote dela. No segundo “A última tentação”, de Mia Ryan, uma criada está deslumbrada com as atenções românticas que tem recebido de um lindo conde. Mas um relacionamento entre eles seria escandaloso demais para a época e poderia arruinar a reputação dos dois. Em ” O melhor de dois mundos”, criado por Suzanne Enoch, uma jovem que passou a vida evitando escândalos de repente se vê secretamente cortejada pelo maior libertino de Londres. Imagina só, que loucura! E finalizando o livro, Karen Hawkins nos apresenta ” O único para mim”, onde um visconde que vaga sem destino volta para casa para reacender o fogo da paixão de seu casamento, mas descobre que sua linda e decidida esposa não será conquistada tão facilmente.

E depois de toda essa apresentação e de toda a torcida pelos personagens principais desses contos, o leitor não pode se esquecer de tentar solucionar o mistério pelo sumiço do bracelete. Terá sido o caça-dotes? O apostador? A criada? Ou o libertino? Um deles está envolvido no crime. E você já arrisca dizer quem é o culpado? Eu tive minhas dúvidas, mas consegui descobri quem era. Agora cabe a você leitor, tentar solucionar o mistério e se encantar com esses quatro contos de amor.  Eu gostei de todos, mas se fosse para eleger o melhor, particularmente fiquei mais encantada com o  de Julia Quinn.  E fiquei bastante surpresa também com a qualidade da obra, pois é difícil escrever a quatro mãos e ainda envolver um mistério que estará interligado em todos os contos. Os fãs de romance de época irão adorar essa obra. Boa leitura!

Lorena Moura- Jornalista
lorenamoura87@gmail.com