Parlatório “Piafiana nº6 – Uma Homenagem a Edith Piaf”

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Parlatório Era Uma vez na Terra!

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Parlatório TV Enquanto Isso na Sala da Justiça 2017

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Dia Nacional do Livro com a campanha Leia.Seja.

Hoje é o Dia Nacional do Livro! E tem uma campanha bem incrível rolando que é o #leiaseja. Para quem não sabe, a Leia.Seja. é uma cam...

Coluna Leitura do Dia

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Kafka e a boneca viajante no tempo

Por Lorena Moura Era uma vez uma menina (Elsi) que perdeu a sua boneca (Brígida). Era uma vez també...

Curtas

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Menina Sem Nome – Documentário

O documentário mostra um crime que chocou os recifenses nos anos 70. Uma menina que apareceu morta, o crime até hoje não foi desvendado e ...

Kafka e a boneca viajante no tempo

kafka-e-a-boneca-viajante.jpg ok okoPor Lorena Moura

Era uma vez uma menina (Elsi) que perdeu a sua boneca (Brígida). Era uma vez também, Franz Kafka que passeando por um parque de Berlim encontrou essa mesma menina chorando por ter perdido sua boneca. Triste pela situação da pequena, Kafka resolve então criar uma pequena história. Na ideia dele, a boneca não estava perdida e sim, tinha viajado para conhecer o mundo. Kafka vira um “carteiro de bonecas”, que distribuiu por três semanas cartas para essa jovem garotinha. É assim que tem início o incrível e poético livro resenhado na Coluna Leitura do Dia desta semana, “ Kafka e a boneca viajante”.

Para começar, gostaria de ressaltar que essa é uma história real. Não o conteúdo das cartas e sim o fato, que só foi reportado tempos depois por Dora, namorada de Kafka, que contou a terceiros essa história. Como Kafka nunca contou isso a mais ninguém e nem guardou as cartas, coube a pessoas talentosas como o premiado escritor Jordi Sierra responsável por essa obra, criar de maneira primorosa a narrativa das cartas. Para quem não sabe, a publicação ganhou o prêmio de literatura infantil juvenil de 2007, na Espanha e hoje é lido por um público bastante diversificado. É um livro atemporal. O tipo de obra que deve ser lido em vários momentos da vida.

Agora voltando a obra, imaginem a sensibilidade de uma pessoa como Kafka que ao ver uma menina chorando pela perda de sua boneca, resolve escrever essas cartas para ajudar uma pessoa a superar uma perda. Incrível, emocionante e sensível. São essas três palavras que para mim, descrevem a obra. O livro nos desperta sorrisos espontâneos e pequenas pontadas de alegria no peito.

Através de palavras cheias de vida, Kafka começa a passar mensagens importantes que só irão contribuir para o desenvolvimento da garotinha durante toda a sua vida. É tão lindo de ver, ou melhor, ler a evolução da menininha que vai aos poucos se tranquilizando com a perda de sua boneca e torcendo a cada carta recebida por um futuro brilhante para sua amiga.

Kafka cria um novo mundo para boneca, e mostra a sua dona, que ela está conhecendo novos lugares. Em Paris por exemplo, ela diz que visitou o Louvre, conheceu a Torre Eiffel e depois  seguiu para diversos outros países. Até chegar a uma viagem que irá mudar para sempre sua vida e a da sua “dona”( ou melhor, amiga). As carta verdadeiras nunca foram encontradas, mas o amor que esse livro transborda é tão verdadeiro, que merece ser lido e relido sempre! Leiam! Boa leitura!

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Todas as garotas desaparecidas

livro_bhddyu.jpg menorPor Lorena Moura

Um dia desses recebi de presente da Verus Editora, o livro “ Todas as garotas desaparecidas”, da autora Megan Miranda.  Eu já tinha visto nas redes sociais da editora essa obra e estava muito curiosa para ler, então imaginem a minha alegria quando vi um pacotinho deles na portaria do meu prédio. Surtei né?!

A obra gira em torno de Nicolette Farrel, a personagem principal desse thriller, que há dez anos deixou sua cidade natal, Cooley Ridge. Lá é a típica cidadezinha onde todos se conhecem e onde fofocas sobre a vida alheia não deixam de existir nunca. Nic deixou o local após o desaparecimento da sua melhor amiga, Corinne, que sumiu sem deixar nenhum rastro, depois de uma noite em um parque de diversões. E após todo esse tempo, Nic volta para tentar vender a casa onde morava com sua família e visitar o seu pai em uma clínica de idosos.

Mas o que ela não esperava é que parte do seu passado também voltasse à tona. Ela encontrará o seu antigo namorado, que agora está envolvido com Annaleise Carter, que na época do sumiço de Corinne foi o álibi do grupo de suspeitos envolvidos no desaparecimento. Mas novamente do nada, uma nova garota some. Quem? Annaleise Carter. E com esse novo caso, Nic irá entrar em uma busca desenfreada para tentar encontrar Annaleise e também toda a verdade por trás do sumiço de Corinne. E como quem procura sempre acha, Nic se verá presa em uma rede de mistérios e mentiras que ficaram escondidos por dez anos.

O grande diferencial desse suspense psicológico é o fato da história ter sido contada de trás para frente. A obra é narrada em 15 capítulos ou melhor nos 15 dias transcorridos desde a chegada da Nic a sua cidade natal. E tem horas que você se envolve tanto com a história que acaba esquecendo que ela está sendo contada nessa sequência. É eletrizante! Você corre com a sua leitura para finalmente descobrir o que aconteceu com Corinne e onde está Annaleise. Ficaram curiosos? Achei toda a história bem construída. É empolgante tentar solucionar o mistério por trás desses desaparecimentos. Boa leitura!

 

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Cinema de Terror e Horror em PE

Dia Nacional do Livro com a campanha Leia.Seja.

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Hoje é o Dia Nacional do Livro! E tem uma campanha bem incrível rolando que é o #leiaseja.

Para quem não sabe, a Leia.Seja. é uma campanha realizada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros para difundir a mensagem do valor do livro e seu papel transformador na sociedade através de um time de personalidades fantasiadas de personagens clássicos da literatura brasileira e mundial.

Vamos participar? Convidamos vocês a postarem em seus perfis com a #leiaseja, uma foto sua com o seu livro favorito. Difícil escolher apenas um? Então posta uma foto sua com seus vários livros favoritos. Participem! Contamos com vocês!

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Trago seu amor de volta sem pedir nada em troca

Tragoseuamordevolta_CapaWEBlllllPor Lorena Moura

Já tem um certo tempo que venho acompanhando o trabalho do Ique Carvalho. Os seus textos já se encaixaram perfeitamente em alguns momentos que vivi. Os que não se encaixavam me deixavam emocionada do mesmo jeito. Ique fala sobre amor, carinho, cuidado a quem se ama, respeito, força de vontade, compaixão, zelo, respeito e muito mais.

Sua mais recente obra foi publicada agora pela Editora Sextante, “Trago seu amor de volta sem pedir nada em troca”, é uma reunião dessas linhas escritas por Ique, em seu blog. São textos corridos, crônicas… São palavras que vão se encaixando e provocando os mais diversos sentimentos no momento da leitura. É daquele tipo de obra, que é bom ter um caderninho do lado para anotar as frases marcantes que te fazem suspirar e encarar de forma mais branda e leve a vida.

O legal de Ique é que ele não tenta escrever de forma pomposa, ele é simples, mas se engana quem acha que essa simplicidade é vazia, muito pelo contrário, é profunda, carregada de amor e reflexão. O livro é dividido entre o amor entre homens e mulheres e sobre o amor entre pai e filho. E é bonito de se ler e acompanhar a sua relação com o pai. É cada tocada no coração, que às vezes eu me pegava rindo sem esperar e suspirando sem perceber. Achei interessante também que o autor sempre no começo de cada texto, nos apresenta, ou melhor indica, uma música para escutar enquanto lemos tal narrativa. Aí é que a emoção transborda. Vale a pena cada página. Uma excelente opção para ler e presentear!Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Se a vida começa a partir dos quarenta, a arte muito mais

Por Clodoaldo Turcato

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Qualquer artista vive na dúvida e no limite do desconhecido. Um iniciante sente dúvidas sobre si mesmo. É um motorista no meio de um caminho desconhecido dando apalpadelas para rumar corretamente. Quando se posiciona, precisa decidir entre um trabalho “normal” ou ser artista, afinal, o estômago não costuma esperar muito.

Na juventude temos o tempo e oportunidade de quebrar regras, arriscar e plantar nossa identidade pessoal e artística. Ser artista depois dos quarenta anos é sinal claro de insanidade mental, embora não seja tão incomum assim. Não trato aqui de quem trabalha a vida toda para reconhecimento póstumo ou tardio.  A obra que é encontrada e elevada. Tantos foram assim. Trato de quem resolve se entregar para arte depois de adulto, o homem ou mulher que larga sua vida cotidiana para dedicar-se a arte. Além da dificuldade natural dada a falta de técnica, o pintor vai sofrer a consequência do tempo, da estrada que não percorreu e da falta de experiência. Terá que aprender, trabalhar mais, experimentar mais e errar mais. Errar na fase adulta não é como errar quando se é jovem: Sabemos que estamos errando. Não é um ato inconsequente. É uma demonstração de nossa dificuldade.

Coragem!

Pessoas conhecidas dirão que escrevo de mim. Não exatamente. Escrevo de um outro grande artista que tem uma história bem mais original.

Um pintor extremamente incomum, Henri Rousseau , nasceu em Laval, 21 de maio de 1844 e faleceu em  Paris, em 2 de setembro de 1910. É uma figura única na história da arte europeia. Suas pinturas, como sua carreira artística, são altamente individuais. Nascido em uma família modesta, Rousseau era um artista autodidata, descrito como um “pintor amador” por seus primeiros biógrafos. Ele trabalhou por muitos anos no pedágio da cidade de Paris e foi, portanto, imprecisamente apelidado Le Douanier. Começou a pintar com cerca de quarenta anos de idade. Ele dizia que seu único professor era a natureza, embora tenha admitido que houvesse recebido “alguns conselhos” de dois pintores acadêmicos estabelecidos, Félix Auguste Clément e Jean-Léon Gérôme. Essencialmente, ele era autodidata e é considerado um pintor naif ou primitivo.

Em 1884, ele obteve uma licença de copista do Louvre. Ele também visitou o Musée du Luxembourg e Versailles. No entanto, Rousseau não seguia regras, além de suas próprias, transformando a pintura refinada de artistas acadêmicos em uma linguagem única, impregnada de elementos oníricos. Suas pinturas mais conhecidas retratam cenas da selva, embora ele nunca tenha saído da França ou visto uma selva. Sua inspiração vinha de ilustrações em livros infantis e dos jardins botânicos em Paris, bem como de quadros de taxidermia de animais selvagens. Além de suas cenas exóticas houve também imagens menores topográficas da cidade e seus subúrbios. Ele dizia ter inventado um novo gênero de retrato de paisagem, iniciando uma pintura com uma visão específica, como uma parte favorita da cidade, e depois retratando uma pessoa em primeiro plano.

 O Estilo simples, aparentemente infantil de Rousseau foi desacreditado por muitos críticos. As pessoas ficavam chocadas com o seu trabalho ou o ridicularizavam. Sua ingenuidade era extrema, mas seu trabalho mostra sofisticação com a sua técnica particular. A partir de 1886, ele exibiu regularmente no Salon des Indépendants, e, embora seu trabalho não fosse colocado de forma destacada, ele foi sendo valorizado ao longo dos anos. A pintura “Tigre em uma Tempestade Tropical (Surpreendido!) ”, foi exibido em 1891, e Rousseau recebeu sua primeira avaliação séria.

Quando Pablo Picasso viu uma pintura de Rousseau sendo vendida na rua como uma tela de segunda mão para ser pintada, o artista mais jovem instantaneamente reconheceu o gênio de Rousseau e foi ao seu encontro. Em 1908, Picasso realizou um banquete meio sério, meio burlesco em seu estúdio em Le Bateau-Lavoir em honra de Rousseau. Os convidados do banquete Rousseau incluíam: Guillaume Apollinaire, Jean Metzinger, Juan Gris, Max Jacob, Leo Stein, e Gertrude Stein, entre outros. Picasso, Delaunay, Léger e artistas italianos e alemães avant-garde, inclusive Kandinsky, não só admiravam a obra de Rousseau, que inspirou os seus próprios trabalhos, mas também a colecionavam. 

Considerado o pai da arte naïf, Rousseau goza desse prestígio não apenas por ser autodidata, não seguir as normas acadêmicas e se utilizar da desproporção e de cores vivas muitas vezes irreais; mas também pela forma ingênua com que encarou a própria vida.

Mesmo tendo tido um bom reconhecimento artístico entre vários pintores e admiradores, os que criticavam a obra de Henri Rousseau estavam em maior quantidade, fazendo assim com que suas pinturas nunca fossem expostas no salão oficial de Paris.

Henri Rousseau teve suas obras expostas em alguns salões de pintores amadores e obras rejeitadas, e foi dessa forma que alcançou a sua fama na sua carreira artística. Este genial autodidata, foi o único pintor de estilo naïf que conseguiu exercer influência sobre estilos posteriores, como o surrealismo e o simbolismo.

Rousseau morreu em 2 de setembro de 1910, sendo enterrado numa vala comum do cemitério de Bagneaux, em Paris. Somente um mês depois, os obituários dos jornais noticiaram a morte, comparando sua obra com a de Uccello, um dos mestres da Renascença. Em 1947, seus restos mortais foram removidos para Laval.

O que mais me chamou atenção logo que conheci a obra de Rousseau foi sua despreocupação. Talvez ele não tivesse interesse em ser reconhecido e sua pintura não passasse de terapia para esperar a morte. Ignorou as convenções, tomou os materiais de pinturas e começou a criar, sem nenhum objetivo claro. Certamente não estaria imaginando a proporção que seu trabalho tomaria, sem medo, ingênuo como uma criança que brinca à beira do precipício.

Li muitas críticas a respeito do trabalho de Rousseau. A estória repetida inúmeras vezes com Picasso é uma meia verdade. Não acredito piamente que Picasso, Matisse e Kandinsky fossem levar a sério um pintor sem talento. E olhando as obras dele, percebe-se que talento é o que não faltava a Rousseau.  Basta olhar obras como Os macacos, um óleo sobre tela medindo 145,5 X 113 cm que se encontra no Philadelphia Museum or Art. Nele, três macacos espiam por de trás de uma densa folhagem na selva, enquanto um pássaro incomum se empoleira num ramo delicado, carregado de folhas pesadas. A criatividade sem entraves desta cena é típica da visão de mundo de Rousseau. As cores intensas, as formas nitidamente pintadas, e a meticulosa atenção aos detalhes , demonstram seu estilo ingênuo, porém magnífico. Estas qualificações, para mim, é mais uma busca em colocar o pintor dentro de um estilo ou escola – classificar – do que uma verdade. Quem falha são os experts. Rousseau só queria pintar, paciência.

Ontem estive com uma pintora pernambucana e quando vi seu estilo disse “ Você é clássica.” Ela me respondeu quase em surdina que sim, como se ser clássica fosse algo horroroso. Refleti sobre isso depois e conclui que os artistas estão se preocupando demais em se classificar e de menos em ousar. A crítica é importante, porém não pode engessar. Releiam quando escrevi que começar a pintar com quarenta era uma insanidade? Ironia, meu caro. A vida artística pode começar a qualquer hora, apenas as condições às vezes não proporcionam um começo imediato. Chutemos o baldo da hipocrisia e sigamos. A vida e a arte começam quando quisermos, muito melhor depois dos quarenta.