Parlatório Bella

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A escritora Daniella Pontes está no Parlatório TV! Ela traz o romance Bella! Confira. #bella #romance #LiteraturaPE ...

Parlatório – Escritor Alexandre Furtado!

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O jornalista Adriano Portela recebe o escritor Alexandre Furtado. O autor bate um papo sobre o seu livro de contos: Os mortos não comem açúcar. Confir...

Parlatório Sidney Nicéas

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Coração na Sombra!

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 O poeta e publicitário Helimar Macêdo lança seu segundo livro de poemas: "Coração na Sombra". Ele bate um papo com o jornalista Adriano Portela. O la...

Espaço Parlatório

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As linhas que dançam

Por Clodoaldo Turcato Quando eu bati o olho na obra de Josef Albers me perguntei: por que isso é arte? Quadros, retângulos, losangos, traço...

Coluna Leitura do Dia

o par perfeito a pousada trilogia nora roberts

A pousada do amor

Por Lorena Moura Nora Roberts já foi nomeada como a maior romancista de todos os tempos. Dona de mi...

Curtas

menina sn

Menina Sem Nome – Documentário

O documentário mostra um crime que chocou os recifenses nos anos 70. Uma menina que apareceu morta, o crime até hoje não foi desvendado e ...

A pousada do amor

o par perfeito a pousada trilogia nora robertsPor Lorena Moura

Nora Roberts já foi nomeada como a maior romancista de todos os tempos. Dona de milhões de exemplares vendidos, a americana é uma das autoras mais queridas dos fãs desse gênero literário. E mais uma vez venho resenhar uma obra sua, desta vez é o desfecho da trilogia “A Pousada”.

Nesse terceiro livro “ O Par Perfeito”, somos apresentados ao último dos irmãos Montgomery, Ryder, que é um verdadeiro ranzinza, mas dono de um charme único. E com todo esse poder de sedução, ele vai atrair a atenção da gerente da pousada BoonsBoro, Hope Beaumont, que antes trabalhava em um hotel de luxo em Washington. Eles vivem em pé de guerra, se estranham sempre, mas quem sabe não pode existir um algo a mais aí…Vamos acompanhar também o desfecho do caso sobrenatural que acompanha a pousada. Estão lembrados de Lizzy? Pois bem, finalmente Hope consegue definir a história de Lizzy e devo dizer que é triste, mas que carrega os melhores sentimentos do mundo.

Um ponto bem bacana da trilogia, é que todos os personagens aparecem nos livros, e isso é incrível porque nos permite acompanhar de perto suas histórias, indo além daquele típico e sem graça  “E foram felizes para  sempre”.

Mas voltando a dupla principal  deste livro, Hope Ryder, eles são personagens bem interessantes. Hope é bem decidida, dona do próprio nariz, que vai atrás dos seus objetivos, mas que passou uma situação bastante complicada em um passado bem próximo. Devido a isso, ela se fechou e não consegue mais se entregar ao amor. Já Ryder é aquele solteirão convicto, que se envolve com muitas mulheres, mas não é capaz de ter um relacionamento sério com ninguém. Mas o clima de romance de BoonsBoro pode mudar os planos desses dois.

Eu  sinceramente ainda estou na dúvida se gostei mais do segundo ou desse último livro. São bem empolgantes e apaixonantes. Gostei muito dessa trilogia! Todos os três livros me passaram uma sensação tão boa, daqueles livros leves que te fazem ver o lado melhor da vida.Todas as histórias são legais, cheias de romance, amor, amizade, família, brigas, acertos, união e muita alegria. É um clima que só Nora Roberts consegue criar, afinal ela é a dona do amor. Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Parlatório Bella

A escritora Daniella Pontes está no Parlatório TV! Ela traz o romance Bella! Confira.
#bella #romance #LiteraturaPE

O novo livro de Gayle Forman

CAPA-Quando-Eu-PartiPor Lorena Moura

Acredito que todas as mulheres, em momentos distintos já tiveram vontade de jogar tudo para o alto, gritar e sair correndo. Sejam elas mães, filhas, avós, tias, primas, amigas e irmãs, todas já chegaram ao seu limite em algum momento da vida, afinal mesmo com toda a modernidade em que vivemos, ainda somos responsáveis por bem mais coisas que os homens. E isso é um fato e não uma hipótese. Mas aí você poderia me falar que basta dividir, mesmo assim, o peso maior ainda irá recair sobre os nossos ombros. E é sobre esse assunto que fala o livro resenhado de hoje, “Quando eu Parti”, o primeiro romance adulto da autora Gayle Forman que ficou famosa pelo seu livro “Se eu ficar”, que ganhou até filme.

Pois bem, nesta sua nova obra, somos apresentados a Maribeth Klein, uma jornalista devotada, casada e mãe de um casal de gêmeos elétricos. Maribeth apenas sobrevive, não vive, se comporta como se estivesse no automático e é devido a essa carga enorme de responsabilidade que até mesmo quando tem um infarto, sequer percebe, acha que as dores causadas foram geradas por uma comida chinesa estragada.

Maribeth Klein está exausta, cansada do marido omisso que não resolve nada, também não está satisfeita com o seu emprego, nem com a sua chefe que era sua melhor amiga e se encontra esgotada até mesmo dos seus filhos. O que ela precisa? De um tempo sozinha, para que possa viver e não apenas sobreviver. Mas isso só acontece após sofrer esse ataque cardíaco, é aí que  Maribeth começa a se questionar sobre muitas decisões que tomou nos últimos anos e como isso impactou o rumo que a sua vida tomou. Em meio a todo esse aperreio, ela faz o que jamais cogitou: sair de casa, viajar sozinha, deixando para trás seus filhos, marido e trabalho. Eu sei que muita gente pode julgar e dizer que ela foi leviana, que teve uma crise de identidade e abandonou a família, mas vamos ser diretos, ninguém tem o direito de julgar ( nem mesmo personagens de livros), porque só quem passa por determinada situação é capaz de avaliar como se sente e o que pretende fazer a respeito disso. Eu acho que Maribeth se libertou, foi em busca de respostas que só ela poderia encontrar e que só interessavam a ela própria.

O livro é de fácil leitura e proporciona uma série de debates internos mesmo, porque hoje nossa vida é tão corrida que mal temos tempo de viver. Eu gostei do livro, mas ao meu ver existem algumas coisas desnecessárias nele, como a longa introdução sobre a rotina de Maribeth, talvez isso tenha sido até proposital, dado a rotina exaustiva dela…Vai saber. E também não gostei de já saber pela sinopse contida no livro, que Maribeth iria fugir, acho que seria mais interessante se esse fato surgisse no livro, sem alardes. Mas mesmo assim, vale super a pena conferir essa obra. Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Leitura obrigatória

DEPOIS_DAQUELA_MONTANHA_1474429645613960SK1474429645BPor Lorena Moura

Na maioria das vezes é a naturalidade como é contada uma história,  que a torna única e especial. É o caso do livro resenhado desta semana, “Depois daquela Montanha”, da Editora Arqueiro, que me encantou do início ao fim, com esse drama cheio de aventura, tensão, medo, amor e muita, mas superação.

No livro conhecemos os dois personagens principais, Ben Payne, que é um cirurgião ortopedista e Ashley, uma colunista de uma revista. Eles ainda não sabem, mas suas vidas estarão para sempre entrelaçadas. Os dois estão esperando pelo voo que os levarão de volta para casa, Ben Payne não ver a hora de voltar para sua esposa  e Ashley terá seu jantar de ensaio para o casamento. Só que o voo é cancelado e Ben decide fretar um avião e como um bom samaritano oferece uma carona para Asley, mas o que tinha tudo para acabar de maneira tranquila não acontece. O piloto, que é uma pessoa adorável e dono de um humor único, tem um ataque cardíaco fulminante e antes de morrer  consegue fazer um verdadeiro milagre ao pousar no alto de uma montanha tomada pela neve.

Eu sei que vocês podem estar achando que basta eles esperarem o resgate e pronto, mas a realidade é que ninguém sabe que eles pegaram esse voo, porque a correria foi tanta, que eles se esqueceram desse detalhe. Agora Ashley, Ben  e o cachorrinho do piloto estão no meio do nada,  feridos, sozinhos, na neve e o pior sem a menor chance de serem resgatados. Sentiu a tensão? E é daí pra frente que o livro ganha força, porque passamos a acompanhar o companheirismo e preocupação com o próximo, coisa muitas vezes inimagináveis no mundo de hoje, mas que sim, ainda existe. E é o que acontece nesta ficção, Ben que é médico vai cuidar de Ashley que se feriu gravemente, e essa dedicação e cuidado é uma coisa bonita de se ler, porque nos dá esperança de que o mundo pode melhorar, que as pessoas podem se tornar melhores, basta elas se esforçarem. E claro, que não vou contar mais nada porque posso acabar entregando o final, que é surpreendente, lindo e sensível. Fazia tempo que eu não torcia tanto por personagem. Boa leitura!

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

As linhas que dançam

Por Clodoaldo Turcato

Quando eu bati o olho na obra de Josef Albers me perguntei: por que isso é arte? Quadros, retângulos, losangos, traços tridimensionais, retas, curvas… tudo, menos algum desenho que eu pudesse identificar como um quadro. Mesmo não entendendo, eu não conseguia tirar o olho das cores que teimavam em não ficar paradas.

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Josef Albers nasceu em Bottrop, Alemanha. Estudou arte em Berlim, Essen e Munique, antes de se tornar estudante num curso básico ministrado por Johannes Itten na prestigiosa Bauhaus de Weimar. Em 1923, devido aos seus conhecimentos aprimorados sobre as artes manuais, o diretor e fundador da Bauhaus, Walter Gropius, solicitou Josef Albers a integrar o programa de ensino preliminar Werklehre. Em 1925 foi promovido Professor, ano em que a Bauhaus se transferiu para Dessau. Por esta altura, Josef Albers casa-se com Anni Fleishmann, também ela estudante na Bauhaus. O seu trabalho inclui o design de mobiliário e trabalhos em vidro. Enquanto jovem professor de Arte, lecciona na Bauhaus juntamente com artistas de grande notoriedade, incluindo OskarShlemmer, Wassily Kandinsky e Paul Klee.

Depois do encerramento da Bauhaus devido à repressão Nazi em 1933, Albers emigra para os Estados Unidos. Em Novembro de 1933, ingressa na Black Mountain College, Carolina do Norte, onde principia o seu programa de pintura.

Em 1950, Josef Albers deixa a Black Mountain College para presidir o Departamento de Design ministrado na Univerdade de Yale. Já em Yale, desenvolve o programa de artes gráficas, contando com designers como Alvin Eisenman, Herbert Matter e Alvin Lustig. Aí permanece até 1958, ano em que se reforma. Em 1962 é galardoado pela Graham Foundation. Em 1963, Josef Albers publica o seu Interactionof Color, que apresenta a teoria segundo a qual as cores são governadas por uma lógica interna e ilusória. Em 1973 é eleito membro da Academia Americana de Artes e Ciências. Continua o seu programa de pintura e como autor em New Haven, até falecer em 1976.
Josef Albers é considerado tanto um designer, fotógrafo, tipógrafo e poeta, e reconhecido pelos seus trabalhos como pintor abstrato e teórico. Albers favoreceu uma abordagem reconhecidamente disciplinar da composição. Os mais famosos trabalhos incluem a série Homagetothe Square, sobre a qual o artista explorou as interações cromáticas através de planos e arranjos concêntricos.

Em 1971 (aproximadamente cinco anos antes da sua morte), Albers fundou a The Josef and Anni Albers Foudation, uma organização não-lucrativa que o próprio designava de “uma revelação e evocação da visão enquanto arte”. Hoje, esta organização serve como suporte para exibições e publicações centradas na obra de Albers. O edifício oficial da Fundação está localizado em Bethany, Connecticut, e compreende um centro de pesquisa, um arquivo central para preservação das colecções de arte, bem como bibliotecas, arquivos, gabinetes e residências para artistas que queiram visitar este complexo.

Uma de suas obras mais famosas e fonte de nossa análise são o quando Homenagem ao Quadrado, um óleo sobre madeira, medindo 76,2X76,2 cm. Quatro quadrados amarelos encaixados um no outro. Apesar do formato rígido, eles flutuam livremente, criando a ilusão de ótica de outra dimensão. Cada área foi pintada apenas com uma cor . A tinta foi aplicada com uma espátula, direto do tubo. A ilusão de óptica criada por este quadro se relaciona com a Op-Art, ainda que o modo como a tinta foi aplicada e o uso da cor a vincule a Abstração Pós-Pictórica. É uma dança de uma mesma cor que se transforma num carrossel girando ante nossos olhos. A obra se encontra na Tate Gallery, em Londres, Inglaterra.

O trabalho de Albers desmistifica a tese de que abstrato todo mundo faz, bastaria pegar um pincel e traçar sobre uma tela. Pode até ser. No entanto, para que estas linhas, quadrados, círculos, lonsangos e triângulos aprendam a dançar, só outros quinhentos, poucos gênios, dentre os quais Albers, o fizeram com maestria.

Sob o signo de Cronos, ainda Bauman

Por Danuza Lima (escritora, professora e mestre em Teoria da Literatura pela UFPE)

Talvez o tempo mude a rota das coisas como costuma fazer sistematicamente. A própria palavra – sistemático – possui íntima raiz com o tempo. Se pensássemos na figura de uma ampulheta, veríamos a forma sistemática com que o rastro de areia se deixa levar para o lado oposto do vidro; como uma folha ao despedir-se de uma árvore, lança seu corpo ao chão de forma milimétrica, o tempo se mantém na organização limítrofe de si mesmo.

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Pois bem, sobre este tempo, já este ano, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017) despediu-se das páginas físicas da vida, o tempo é realmente sistemático. Bauman viu, viveu e sobretudo escreveu seu tempo. Confesso, como leitora, carregado até de certo pessimismo, mas quem de nós, ainda não caiu no foço da falta de compreensão e desacreditou de nós mesmos?

Mas o que fica, sempre a palavra deixada e este fruto da íntima relação entre o Tempo e este tempo. Para muitos, o sociólogo polonês, nascido de uma família judaica não praticante, deixa para os estudos da vida e suas implicações no tempo, um vasto feixe de verdades, que metaforicamente se esvaem por entre nossos dedos, escorrem líquidas. O tempo é líquido e na metáfora o envoltório contraditório de sua sistematicidade.

A primeira vez que li Bauman, há cerca de 8 quase 9 anos atrás, essa verdade soou pertinente durante muito tempo em minhas leituras posteriores, análises, reflexões enfim. Li em Graciliano Ramos, a imponderabilidade do homem diante da falta de si mesmo, do medo de perder, presente em Zymunt Bauman; o despedaçamento fatídico das vidas; a incompletude e o esfacelamento das relações em Caio Fernando Abreu, vertido em seu amor de devoção acima de tudo pela vida, “todo o amor que houver nessa vida”, dizia Cazuza. Eu sou eternamente grata ao Bauman e poucos “R.I.P” ousam inflamar ou diluir o espaço a ser gerado por suas lúcidas,– às vezes apocalípticas -  reflexões. Nada desarmonioso para quem se inscreve sobre os poderes destrutivos de Cronos, que tudo devora.

 Mas ainda há tempo para retornar, ler a obra de Bauman para compreender como quem costura fios do tempo, procurar o fio que una o que o tempo faz da escrita, o que o tempo faz de nós.  

Talvez hoje como em outros tempos, quando o nome dado a nossa angústia de viver expatriado, estrangeiro em terra conhecida, faminto de nós mesmos, era outro, estivesse a literatura a nos falar exatamente o que hoje ocorre, como uma repetição messiânica deste mesmo tempo, mas também, talvez, Bauman nunca esteve tão atual e presente e Cronos ainda em nós, devorará seus condescendentes, contudo, em nós, a renovação e a coragem de escrever o tempo, burle a destruição e avance frente a tudo isso. Quem dirá? Quem fará? Somente o tempo poderá dizer, com todo o peso do jargão.