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Espaço Parlatório

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Arte da Ásia Oriental

  Por Clodoaldo Turcato Já escrevi algumas vezes que nosso conhecimento de arte, em sua maioria, é de arte ocidental. Muito pouco...

Coluna Leitura do Dia

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Lady Whistledown contra-ataca

Por Lorena Moura Quem aqui é fã de Romance de Época? Pois bem, esse gênero literário vem bombando e...

Curtas

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Menina Sem Nome – Documentário

O documentário mostra um crime que chocou os recifenses nos anos 70. Uma menina que apareceu morta, o crime até hoje não foi desvendado e ...

Lady Whistledown contra-ataca

menorPor Lorena Moura

Quem aqui é fã de Romance de Época? Pois bem, esse gênero literário vem bombando e conquistando milhares de leitores. Vi muita gente que passou a ter esse estilo de leitura como um de seus favoritos. Eu gosto bastante, tanto que trago agora na Coluna Leitura do Dia, o livro  “Lady Whistledown contra-ataca”, que é uma doce e deliciosa leitura. 

O livro é fruto da união das autoras Julia Quinn, Karen Hawkins, Mia Ryan e Suzanne Enoch. Achou bagunçado? Não é. Tudo é amarrado pelo desaparecimento de uma pulseira,  o bracelete de Lady Neeley, e claro, pela personagem incrível criada por Julia Quinn, em Os Bridgertons, Lady Whistledown, a colunista social da época.

Como falei, são quatro contos curtos que compõem a obra. Em ” O primeiro beijo”, escrito por Julia Quinn, acompanhamos um jovem caçador de fortunas que ficou encantado pela debutante mais desejada da temporada. Ele precisará provar que o que deseja é o coração da jovem e não o dote dela. No segundo “A última tentação”, de Mia Ryan, uma criada está deslumbrada com as atenções românticas que tem recebido de um lindo conde. Mas um relacionamento entre eles seria escandaloso demais para a época e poderia arruinar a reputação dos dois. Em ” O melhor de dois mundos”, criado por Suzanne Enoch, uma jovem que passou a vida evitando escândalos de repente se vê secretamente cortejada pelo maior libertino de Londres. Imagina só, que loucura! E finalizando o livro, Karen Hawkins nos apresenta ” O único para mim”, onde um visconde que vaga sem destino volta para casa para reacender o fogo da paixão de seu casamento, mas descobre que sua linda e decidida esposa não será conquistada tão facilmente.

E depois de toda essa apresentação e de toda a torcida pelos personagens principais desses contos, o leitor não pode se esquecer de tentar solucionar o mistério pelo sumiço do bracelete. Terá sido o caça-dotes? O apostador? A criada? Ou o libertino? Um deles está envolvido no crime. E você já arrisca dizer quem é o culpado? Eu tive minhas dúvidas, mas consegui descobri quem era. Agora cabe a você leitor, tentar solucionar o mistério e se encantar com esses quatro contos de amor.  Eu gostei de todos, mas se fosse para eleger o melhor, particularmente fiquei mais encantada com o  de Julia Quinn.  E fiquei bastante surpresa também com a qualidade da obra, pois é difícil escrever a quatro mãos e ainda envolver um mistério que estará interligado em todos os contos. Os fãs de romance de época irão adorar essa obra. Boa leitura!

Lorena Moura- Jornalista
lorenamoura87@gmail.com

Arte da Ásia Oriental

 

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Por Clodoaldo Turcato

Já escrevi algumas vezes que nosso conhecimento de arte, em sua maioria, é de arte ocidental. Muito pouco, principalmente do pós-guerra, se conhece da Ásia Oriental, que abrange civilizações milenares como a chinesa, japonesa e coreana.  Seria débil questionar se existe arte no outro lado do mundo. Bem, a resposta foi dada aqui em outras oportunidades, mas tudo tem a ver com modo, interesse e comércio. Sim, meu caro, arte é comércio em primeiro lugar.

Quando Execução, um óleo sobre tela medindo 150×300 cm, de Yue Minjun, foi vendida por US$ 5,9 milhões na casa de leilões Sotheby, de Londres, em 2007, ela setornou a obra mais valiosa da arte contemporânea chinesa. O valor Confirma o apelo que a arte contemporânea da Ásia oriental exerce sobre os colecionadores ocidentais; a semelhança da obra com Três de maio de 1808 de Francisco de Goya, ilustra a influência da iconografia ocidental sobre a arte da Ásia Oriental O rosto congelado numa risada com os olhos fechados (um autorretrato) é um tema recorrente na obra do artista e sugere a supressão das emoções.

Por mais que a arte contemporânea chinesa ainda esteja na infância, ela já passo por várias etapas. As políticas de liberalização do fim da década de 1970 geraram um período de grande atividade. Os artistas se inspiravam em performances e exibições tornaram a arte ocidental acessível pela primeira vez e faziam experiências com esta e materiais diferentes. Mas depois da repressão brutal aos protestos da praça da Praça Celestial, em 1989, os artistas começaram a questionar a ideia de identidade cultura Isso provocou o surgimento da “pop art política”, inspirada na pop art e “realismo cínico”, que se voltava para temas sociopolíticos Artistas como Zhang Xiaogang começarama entrar em confronto como passado do seu país, comoem obras como Série Genealogia. 

O governo passou a vera ante contemporânea como uma manifestação potencialmente subversiva e proibiu os artistas de exibirem suas obras ao público. Como consequência, artistas como Huan fugiram para o Ocidente. Lá, começaram a realizar várias performances, entre elas Árvore Genealógica, na qual Convidou três calígrafos para escrevertextos chineses em seu rosto até que ele estivesse completamente preto. Nos dias que antecederam os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, as restrições – pelo menos no que se refere à arte apolítica – foram relaxadas e, no século XXI, vários artistas voltaram à China, trazendo consigo novas influências e ideias. Eles estão descobrindo novas maneiras de interagir com a pintura tradicional e a caligrafia chinesa, dedicando-se à arte performática e usando novas tecnologias a fim de explorar temas diversos, entre eles a globalização e questões de identidade.

No Japão, a arte sofreu porque foi vista negativamente no Ocidente durante muito tempo. Por mais que os conceitos ocidentais exercessem um grande estímulo sobre os artistas japoneses, eles também destruíam a integridade da arte japonesa. Para entendera natureza da arte japonesa moderna, é necessário compreender sua identidade dividida. A derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial e o consequente domínio político e Cultural dos Estados Unidos influenciaram enormemente o desenvolvimento da arte japonesa do pós-guerra. A inauguração do pavilhão do Japão na Bienal de Veneza, em 1956, simbolizou o retorno do país ao mundo da arte internacional. Vários artistas japoneses absorveram tendências dos movimentos de Vanguarda Ocidentais e criaram seus próprios estilos, o que resultou em obras como a instalação Salão de espelhos de YayoiKusama. As obras psicodélicas do artista fazem referência ao abstracionismo, e os espelhos no salão cor de abóbora fazem com que os pontos pareçam se prolongar ao infinito, cercando o espectador quando ele entra no espaço. A partir da década de 1980, a arte japonesa se tornou objeto de curiosidade e passou a ser vista como um produto híbrido de uma sociedade detecnologia extremamente desenvolvida, numa combinação única entre o velho e o novo. Com o fim da bolha econômica na década de 1990, a sociedade japonesa enfrentou desafios sem precedentes e artistas emergentes começaram a questionar a natureza da identidade nipônica isso resultou em obras como 727), de Takashi Murakami, que faz referências às subculturas e que ampliou o alcance da arte contemporânea japonesa.

Na Coreia do Sul, os movimentos surgiram depois da Guerra da Coreia restritos a um contexto local. As fontes às quais os artistas se referiam também eram locais: da pintura com tinta nanquim e porcelanas brancas à cerâmica buncheong. A maioria dos artistas sul-coreanos se deparou pela primeira vez com a arte ocidental em casa e, depois, estudando-a no exterior. Essas viagens influenciaram suas práticas artísticas. Temas de identidade, movimento e comunicação foram explorados na década de 1990 por artistas cujos trabalhos começavam a ser admirados, como se vê na obra performática Cidades em movimento – 2.727km. Carninhão de Bottari, de Kimsooja. Mas as tradições coreanas ainda têm valor. O grupo Mungnimhoe (Floresta de Tinta) das décadas de 1950 e 1960 fez experimentos com novas linguagens visuais, usando materiais tradicionais como nanquim, pince e papel. O cotidiano também é um tema importante para os artistas. Numa reação às circunstâncias políticas contemporâneas, o grupo MinjungMisul (Arte do Povo), da década de 1980, analisava a realidade social usando uma linguagem visual popular como a minha (pintura popular).

Valeu lembrar artistas muito interessantes como YueMinjun, YayoiKusama, Takashi Murakami, Kimsooja e Zhang Xiaogang,  que não deixam nada a deseja de nossos melhores artistas ocidentais.  O que é preciso, meus caros é abrir nossas fronteiras para conhecer o que o ser humano cria.

A beleza em seu coração antigo

Por Danuza Lima

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A exímia capacidade de narrar é sem dúvida, fruto de uma observação e um perspicaz olhar antigo sobre coisas também antigas ou novas em seus aspectos mais simples, o que deságua no rio plástico que toda história assume ter: beleza, sobretudo, beleza. É neste quesito simples, sobre o belo, somente o belo e o futuro dele derramado que reside e finca espaço nossa coluna de hoje.

Ademais aos tantos causos, estórias, cânticos e cordéis, cenas simples costumam àqueles que dela se prendem, render belas narrativas, contudo, é preciso estar presa completamente a cena, ao ponto de a partir dela, criar a atmosfera cósmica de encantamento e ao gosto Barthes, de “fruição da leitura”. Sem o olhar antigo e bonito de quem humildemente observa, é quase impossível a beleza, a beleza em seu coração antigo, a simplicidade.

Não é de estranhar que esta a quem ainda atentam por chamar Elena Ferrante, consiga construir com tamanha beleza e engenhosidade simples e direta, a cena de um banho. O acontecimento narrativo está contido no primeiro volume da tão comentada tetralogia Napolitana, “A amiga genial”.

Juntam-se aí dois rituais cíclicos distintos e de naturezas e interpretações também distintas: o banho e a véspera de minuto do casamento, ritos de iniciação e fertilização.  Mas aqui, nos cabe recordar o banho, a água que cai sobre o corpo, que é encontro, “o primeiro dos ritos, aquele que sanciona as grandes etapas da vida, em especial o nascimento, a puberdade e a morte” (Chevalier e Gheerbrant). É justamente Elena Grego, Lenuccia, Lenu que se encarrega de tal rito. A cena, construída, como todo o romance, em primeira pessoa, ultrapassa o simples relato para gerir a esfera afetiva do olhar apreensivo de Lenuccia sobre o destino daquela que vestia o emblema da liberdade, por Lenu, nunca alcançada: ser quem se é. O reconhecimento desta constatação fica contida na aparente vergonha diante do corpo nu de Lila e a inconveniente certeza da nulidade de si diante da figura massiva e forte da menina de apenas dezessete anos que em breve seria deflorada. E quantas meninas não a são ao longo de nossos dias rompidas, e se destituem de si mesmas na inverossímil certeza de um destino apático, expatriado ao lado de quem apenas servir-se-á de seu corpo, como quem consome carne de açougue? A afetividade do olhar de Lenu converte-se inevitavelmente em uma unidade de presença de toda a Lila :

“Naquele momento foi apenas uma tumultuosa sensação de inconveniente necessário, uma situação em que não se pode virar o rosto para o outro lado, não se pode afastar a mão sem dar a reconhecer o próprio desconcerto, sem o declarar justo ao se retrair, sem portanto entrar em conflito com a imperturbada inocência de quem nos está perturbando, sem exprimir precisamente com a recusa a violenta emoção que nos abala de modo que você se obriga a continuar ali, a deixar o olhar sobre os ombros de menino, sobre os seios de mamilos crispados, sobre os quadris estreitos e as nádegas rijas, sobre o sexo escuríssimo, sobre as pernas compridas, sobre os joelhos tenros, sobre os tornozelos arredondados, sobre os pés elegantes; e você finge como se não fosse nada, quando na verdade tudo está em ato, presente, ali no quarto pobre e um tanto escuro, a mobília miserável ao redor, sobre um piso irregular e manchado de água, e o coração se agita, e suas veias inflamam”.

(Elena Ferrante,  p. 312, 313)

 Esta unidade de presença só o é de todo completa tendo em vista o poder afetivo de Lila sobre Lenuccia. A potencialidade subjetiva que dela emana que é ela própria, violável a todo sentido cognoscente e cartesiano rompe os limites práticos da simples ação narrativa e gera este  forte efeito da intensa presença da jovem na vida de Lenu. É claro que o relato deságua naquilo que o sentido não consegue transmitir,  Esta “produção de presença” (Hans Ulrich Gumbrecht), a beleza neste caso, propõe uma experiência para o leitor fora do campo de linguagem e todo o efeito gerado pela cena fica para o além da leitura:

“Lavei-a com gestos lentos e acurados, de início deixando-a agachada no recipiente, depois lhe pedindo que ficasse de pé, e ainda tenho nos ouvidos o rumor da água que escorre, e me ficou a impressão de que o cobre da bacia tinha uma consistência semelhante à da carne de Lila, que era lisa, sólida, calma. Tive sentimentos e pensamentos confusos: abraça-la, chorar com ela, beijá-la, puxar-lhe os cabelos, rir, fingir competências sexuais e instruí-la com voz doutoral, repeli-la com palavras bem no momento da maior intimidade. Mas no final restou apenas o pensamento hostil de que eu estava purificando da cabeça aos pés, de manhã cedo, só para que Stefano a emporcalhasse durante a noite.”

(Elena Ferrante, p. 313)

 E quem um dia dirá da beleza que estas coisas simples acarretam a uma mente e um olhar de coração antigo? 

Esculturas vivas

Por Clodoaldo Turcato

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Meus caros e caras, estamos em 2018 e seguimos neste espaço escrevendo sobre arte – espero que por algum tempo. Apesar do título, escreverei hoje sobre performance e não esculturas, se bem que ao final, poucos notarão diferenças.

Há 30 anos, quase todos os dias, os artistas Gilbert Proesch e George Pasmorre almoçam juntos no mesmo restaurante. Cada um faz um caminho distinto, porém chegam juntos. Desde 1971 que G&G, como são conhecidos, se tornaram esculturas vivas, isso por que não queriam produzir objetos. Queriam ser, eles mesmos, a obra de arte.

Isso se consolidou na história na mostra When Attitudes Becomes Form, realizada em 1969 e que teve a versão londrina, no Instituto de Artes Contemporâneas, quando eles tentaram se inscrever como esculturas, como corpo coberto de tinta metálica. Receberam aplausos, porém foram recusados.

Conheceram-se enquanto estudantes na escola de arte St. Martin’s de Londres, e desde 1968 vivem juntos e fazem o seu trabalho profissional como duo artístico. Uma das suas primeiras realizações foi The Singing Sculpture (A escultura que canta, 1969), na qual o par de artistas dançava e cantava Underneath the Arches, um êxito musical da década de 1930. Desde então têm conseguido obter uma sólida reputação como esculturas vivas, convertendo-se a si mesmos em obras de arte, expostas durante diversos intervalos de tempo para contemplação do público. Em geral costumam aparecer impecavelmente vestidos com terno e gravata, adotando diversas posturas em que permanecem imóveis, embora por vezes também se movam ou leiam algum texto, e por vezes apareçam em montagens ou instalações de diversa índole.

Além da sua faceta escultórica, Gilbert & George também realizam obras pictóricas, colagens e fotomontagens, onde muitas vezes se representam a si mesmos, junto a diversos elementos da sua companhia mais próxima, e fazendo referências à cultura urbana e com uma forte componente reivindicativa, abordando temas como o sexo, questões raciais, a morte e a SIDA, a religião ou a política, criticando o governo britânico e o poder estabelecido.

Uma de suas obras mais interessantes chama-se Fiau-Fiau, uma fotomontagem medindo 169 x 142 cm, que está na Anthony d`OffayGallery, em Londres. Nela, duas figuras que alternam o vermelho, o azul e o branco, estão no que parece ser uma janela. Uma construção alta à distância domina o fundo. Com uma fingida expressão séria, os dois homens parecem pousar de maneira deliberadamente brincalhona, fazendo Fiau-Fiau para as convenções da arte tradicional. A postura é esnobe e ridicularizam seus corpos em cores berrantes e ostentando uma arrogância que encaixa na performance.

É difícil encontrar um casal tão bom. Nem em casamento nem no mundo da arte. Gilbert & George desenvolveram uma simbiose absolutamente perfeita ao longo dos anos. Parecem um corpo duplicado, diversificado, mas, no entanto, cronometrado perfeitamente. Eles imitam os gestos, as posturas, os olhares, os comentários. Não discuta entre eles. Ou pelo menos eles nunca fazem isso na frente de estranhos. Eles simplesmente adicionam nuances. Eles falam e permanecem em silêncio até chegarem a uma única voz: as folhas mais afiadas de Gilbert; O mais grave, de George.

É curioso a continuidade física que conseguiram desde que se conheceram em 1967, quando estudaram arte na Escola de São Martinho de Londres, e logo depois desenvolveram essa marca de esculturas vivas que lhes deram fama. Mais de 40 anos juntos e eles ainda estão entusiasmados com suas performances , seus shows, como eles dizem. Assim como uma pessoa combina as cores de suas roupas, elas a fazem em perfeita harmonia, mas uma peça inteira. A elegância é um dos seus mandamentos, como é fé em si mesmos. Se Gilbert estiver vestido de marrom claro, George escolhe um tom verde.

Poucos pensaram que a natureza da arte poderia dar origem a uma combinação tão perfeita entre um menino criado nas Dolomitas italianase outro com um cavalheiro nascido em Devon, na Inglaterra. Muitas obsessões, entretanto, as uniram ao longo dos anos. Pouco variável, sim. O trabalho de Gilbert & George tem andado como um carrossel pop em quatro pilares que se conectam ao longo de sua carreira: sexo, raça, dinheiro e religião. ”Todos eles estão relacionados, a raça tem a ver com religião e sexo …” Sexo, com dinheiro, com raça, com alma, com religião, é claro , com o fluido deste mundo excessivo e louco em constante dança de umidade que move o universo.

Eles são figurativos e conceituais. Eles bebem pop e surrealismo. Eles desenvolvemideias.  Dada com um certo ar de chá às cinco horas. Eles aspiram a ser modernos, mas eles estão conscientes do que isso implica. E eles mudaram de curso. Começarama trabalhar com os negativos das fotografias, o efeito dessas imagens mais reais foi muito forte. Eles formam quase uma sucessão de átomos de cartão plastificado em que os símbolos são cruzados que qualquer um pode comprar em uma loja de lembranças de Londres. Só que os reorganizaram como numa espécie de orgia perpétua. 

Esse bom senso de humor que mistura sexo, escatologia, vícios e ícones sagrados movem esses dois artistas para dar sua visão das coisas. Eles podem não ser os favoritos da Rainha da Inglaterra, dos bispos anglicanos ou de qualquer outra confissão, nem das certas elites do mundo em que se mudam, mas conseguiram ampliar o público artístico

Assim, eles forjaram uma identidade multicultural e aberta, dedicada à tolerância e compreensão alcançada através de provocações inteligentes. Para isso, eles queriam quebrar barreiras e rótulos que não façam nada além de classificar o cidadão em apartheids convencionais. Mas essa mistura de anti-rótulos não é a razão pela qual as mulheres dificilmente aparecem em suas obras. Neste caso, aplique uma certa rebelião estética. 

Eles comentam, como tudo, com aquele sorriso meio desequilibrado e um pouco malévolo. Com essa sobrancelha coreográfica subindo e o contraponto medido de seu discurso de uníssono, com seu amável blancheo irônico e antimíssimo, sem quebrar o cordão umbilical que os une aos territórios de provocação incansável.

Tipos Incomuns (Algumas Histórias)

foto menorPor Lorena Moura

O novo ano começou e já estou com muitos livros para resenhar por aqui. É que aproveito qualquer tempo livre para me dedicar a novas leituras. Ler é uma das coisas que mais me deixam feliz. E para começar 2018 com o pé direito, trago para vocês a primeira obra de ficção do ator, ou melhor dizendo, também escritor, Tom Hanks. O astro que é conhecido em todo mundo pelas suas grandes atuações em filmes de Hollywood estreou esses dias na arte da escrita.

A obra “Tipos Incomuns- (Algumas Histórias) ” é uma coletânea de contos que apresenta com muito humor e inteligência as pessoas, seus defeitos e suas vidas. Entre essas histórias temos um affaire agitado e divertido entre dois grandes amigos. Um ator medíocre que se torna uma estrela e se vê em meio à frenética viagem de divulgação de um filme. O colunista de uma cidadezinha com um ponto de vista antiquado sobre o mundo. Uma mulher se adaptando à vida na nova vizinhança após o divórcio. Quatro amigos e sua viagem de ida e volta à Lua num foguete construído num fundo de quintal e muito mais.

Uma das coisas que chama a atenção e também acaba revelando a paixão do ator/escritor Tom Hanks é o seu encantamento por máquinas de escrever. Isso mesmo,você não leu errado. O astro coleciona diversas máquinas, dos mais variados tamanhos e formas. Então, em todos os contos não se surpreenda se uma máquina de escrever estiver presente. Ela vai estar. Ás vezes se destacando mais e em outros contos desempenhando um papel menor. Mas o fato é que elas sempre estarão presentes.

O livro é de leitura rápida, isso porque a escrita de Hanks é fluída, sem muitos rodeios. O que o torna especial é que ele trata da normalidade do dia a dia, essa sensação boa  que embala a vida das pessoas. São situações rotineiras que vão construindo a vida desses personagens. Afinal, é no dia a dia, aqueles sem datas comemorativas, que a vida de verdade vai acontecendo. Não espere histórias cheias de ação, efeitos especiais ou sei lá mais o que. Nesta obra você irá encontrar a normalidade da vida. Vale a pena conferir! Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

 

Centelha Mortal

livroPor Lorena Moura

Nem acredito que já estamos na última semana do ano e que como consequência disso, essa é a última resenha de 2017. O que me deixa feliz é que terei mais 365 dias para conhecer novos autores e me encantar com novas histórias e personagens. E para fechar o ano com chave de ouro, trago na Coluna, o livro do meu autor preferido, Jeffery Deaver. A obra “Centelha Mortal”, é a última publicada no Brasil e trás um novo caso do famoso detetive Lincoln Rhyme em parceria com  Amelia Sachs.

Rhyme está de volta, em busca de um assassino que transforma a cidade de Nova York em sua refém. É que o criminoso utiliza a rede elétrica para matar. Tudo começa quando um ataque ocorre e quase destrói um ônibus, e as autoridades por temerem se tratar de um ato terrorista, convocam Lincoln Rhyme, a detetive Amelia Sachs e o oficial Ron Pulaski para analisar a cena do crime. O assassino, ou seriam assassinos, criam verdadeiras bombas de energia e utilizam contra as pessoas.  E ninguém está seguro, porque como vocês bem sabem, a energia está presente na vida de todo mundo, chegando em todo lugar… Na cozinha, no banheiro, no elevador e em todos os outros lugares. Uma arma que nas mãos erradas se torna muito perigosa.

Em paralelo a isso Rhyme está prestando consultoria em outra investigação importante que está acontecendo no México. Por lá, uma equipe busca o Relojoeiro. Lembram dele? O assassino foi um dos poucos criminosos que conseguiram escapar do perito criminal. No meio de toda essa pressão, a saúde de Rhyme é afetada e grandes reviravoltas irão testar a paciência, inteligência e saúde do detetive.

E mais uma vez, é claro, o autor Jeffery Deaver dá um verdadeiro show no quesito, construção de personagens e narrativa. Sem nenhuma falha, ele conduz o leitor a uma aventura contagiante. Deaver não cansa nunca. O livro pode ser lido de uma vez só, tamanha sua fluidez. Não cansa em nenhum momento e no final, nos deixa com a sensação de querer sempre um pouco mais de páginas. Espero que em breve, tenhamos novas obras de Deaver. A média é de um novo livro do autor a cada dois anos. Aqui no Brasil, os livros são publicados pelo Grupo Editorial Record. Pessoal, por favor tragam mais obras desse mestre. Urgente! Livro indicado para os que assim como eu, amam um bom romance policial. Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista
lorenamoura87@gmail.com