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O mundo mágico do teatro infantojuvenil! Espetáculo "Era uma vez na terra". Se liga no bate-papo! #eraumaveznaterra ...

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Os repórteres Adriano Portela e Rafaela Jasset percorreram o salão do centro de convenções de Pernambuco em busca dos super-herois mais bizarros do pl...

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O escritor, jornalista e professor Valdir Oliveira está no Parlatório TV e fala sobre o seu novo livro (infanto juvenil) "Cidade dos Karianthos". Sin...

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A escritora Daniella Pontes está no Parlatório TV! Ela traz o romance Bella! Confira. #bella #romance #LiteraturaPE ...

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Um pouco de arte oriental

Por Clodoaldo Turcato Em algum momento eu li que a arte reconhecida ou estudada é apenas a Ocidental, devido aos problemas inúmeros, princi...

Coluna Leitura do Dia

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Falácias ilustradas

Por Lorena Moura Hoje em dia com as redes sociais, infelizmente se tornou comum as pessoas propagar...

Curtas

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Menina Sem Nome – Documentário

O documentário mostra um crime que chocou os recifenses nos anos 70. Uma menina que apareceu morta, o crime até hoje não foi desvendado e ...

Falácias ilustradas

Livroilustradomausargumentos_CapaWEBPor Lorena Moura

Hoje em dia com as redes sociais, infelizmente se tornou comum as pessoas propagarem verdades únicas, sem se valerem da razão e de fontes confiáveis. Na maioria dos casos, elas utilizam apenas achismos e opiniões pessoais. E isso não é saudável, porque em tudo na vida não podemos apenas seguir um único e exclusivo ponto de vista. É preciso saber enxergar as questões por diversos ângulos.

E o “Livro Ilustrado dos Maus Argumentos”, fala exatamente sobre isso. Na obra o autor Ali Almossawi, selecionou as dezenove principais falácias que acabam tornando insustentáveis muitos argumentos que vemos por aí. As falácias são apresentadas  através de ilustrações claras e bem animadas.

Outra coisas que achei massa foi o autor ter se inspirado no livro “A Revolução dos Bichos” para criar essa obra. É através dos animais que as falácias são apresentadas. Eu sou muito fã da “A Revolução dos Bichos”, li quando era adolescente e lembro o quanto esse livro mudou minha forma de entender o mundo.

E hoje com o bombeamento de informações e onde todos se acham criadores de conteúdo, esse livro do Ali Almossawi cai como uma pluma. Eu nem preciso dizer gostei bastante do livro. Ele é bem objetivo, passa um bom conteúdo, cheio de informação, e é uma excelente dica para os donos da verdade e para todos que desejam ganhar ainda mais conhecimento. Outro ponto que merece palmas é a lindeza dessa edição em capa dura, com papel especial e um acabamento primoroso. Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Um pouco de arte oriental

Por Clodoaldo Turcato

Em algum momento eu li que a arte reconhecida ou estudada é apenas a Ocidental, devido aos problemas inúmeros, principalmente as distância entre Europa e o Oriente, principalmente Japão e China.  Com esta preguiça, muito pouco se vê em livros desta milenar arte e tão fundamental dentro do ciclo que faz parte a história da humanidade. Isso vale para literatura, artes plásticas e teatro.

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Um pesquisador sério precisa se voltar para a arte Oriental em algum momento e, mesmo que resumidamente, expor outros modos e visões. Nosso intuito desde o começo desta coluna era tentar desmistificar um pouco a arte e coloca-la mais próxima do popular para que pudesse ser apreciada e compreendida. O sucesso dessa empreitada depende muito de empenho e ser honesto com o que se escreve, com alguma competência, evidentemente.

A China sempre foi um dos países mais cativantes que conheço. Em todos os tempos, os chineses ousaram a dar ao mundo grandes artistas e obras em todas as áreas. Não bastaria uma vida para estudar todo processo chinês, além do domínio da língua ser uma necessidade primordial para compreender todas as reviravoltas e controvérsias que transformaram o grande império numa nação metamorfoseada, incrivelmente eclética e com cultura vasta. Então, caro leitor, não há mais tempo para tal intento. Iremos no barco comum do pesquisador tardio e resumir uma obra apenas que tem a amplitude de dar uma ideia do quanto este povo é valoroso.

O Exército de terracota é um excêntrico mausoléu está em Xi’an, a 1.200 km de Pequim. Durante mais de um milênio, Xi’an foi a capital do império unificado e sede de 11 dinastias chinesas. A cidade estava situada em uma importante encruzilhada da Rota da Seda e recebia gente de todas as direções.QinShihuangdi, primeiro imperador da dinastia Qin e responsável pela unificação inicial da China no ano 221 AC, era um tremendo déspota e tentaram assassiná-lo três vezes. Seu currículo de obras é grandioso – inclui até parte da Grande Muralha, a qual foi reforçada durante seu reinado. O imperador abriu novas estradas, ergueu palácios, criou sistemas de irrigação e instituiu um severo código penal. Pesos, medidas e moedas foram unificados. O desenho da famosa moedinha chinesa com um buraco no centro data dessa época.

O delírio de grandeza de QinShihuangdi fez com que ele começasse a construir seu mausoléu logo que entronado, no ano 246 AC, com apenas 13 anos de idade. Como parte da crença, ele aspirava levar com ele, no momento de deixar a vida terrena, tudo que fosse importante. Para ele, o principal era seu exército. Quando morreu em 210 AC, com 49 anos, toda uma hoste de guerreiros em terracota, em tamanho original, acompanhou-o para a seguinte vida. Mais de 700 mil pessoas trabalharam para montar sua majestosa tumba. Ver fotografias ou ler sobre os guerreiros de terracota de Xi’an é uma coisa, estar dentro do pavilhão que protege as escavações é uma sensação muito mais impressionante. Três enormes fossas escavadas revelam o estonteante conteúdo. Na primeira fossa, a maior e a mais rica tumba, possui um imenso retângulo aberto no solo de 62 por 230 metros. São mais de mil soldados de pé, todos olhando para a frente, como se estivessem prestes a atacar.

Os guerreiros formam onze colunas na direção leste. As figuras humanas são de tamanho natural e variam de 1,72 metro a 2 metros de altura. Cada soldado tem uma fisionomia diferente: alguns sorriem, outros são mais sisudos. Uns possuem barba, outros bigodes. O adorno na cabeça identifica o status: quanto mais sofisticado, maior a posição. Enquanto o torso, os braços e a cabeça são ocos, as mãos e as pernas são moldadas com barro maciço.Cada peça de terracota é decorada de maneira diferente. Consigo discernir alguns traços de pintura vermelha e amarela que resistiram ao tempo. Segundo os arqueólogos, a tinta foi confeccionada à base de minerais e fixadores, tais como sangue animal ou clara de ovo. Outra análise mostrou que as peças foram cozinhadas em fornos de até 1.000° C de temperatura, demonstrando uma grande habilidade na arte da cerâmica.Originalmente, os soldados portavam armas verdadeiras, como arcos, flechas, espadas e lanças. Os artefatos de madeira não chegaram aos nossos dias, mas os de bronze e outras ligas foram desenterrados em perfeito estado. Os cavalos em terracota, também em tamanho original, parecem estar vivos e suas bocas abertas sugerem relinchos. Arqueólogos consideram que, se totalmente escavada, essa primeira fossa desvendaria cerca de 6 mil guerreiros, 160 cavalos e 40 carros de guerra.

Fascinante é o fato que o lugar, QinLing, a 30 km a leste de Xi’an, só tenha sido descoberto 22 séculos depois de construído. Em março de 1974, um camponês que furava um poço encontrou um pedaço de cerâmica. Com receio de ter feito algo errado, preferiu chamar as autoridades. Em seguida, chegaram os arqueólogos, sem muitas pretensões. Mas quando ampliaram suas buscas, eles ficaram atônitos: guerreiros e cavalos passaram a brotar da terra dia após dia. Se não fosse o poço do camponês, esses tesouros poderiam ainda estar embaixo da terra.

De qualquer maneira, muitas coisas da China antiga foram perdidas ou esquecidas, pela quantidade de eventos violentos, pelas constantes guerras e pelo tempo. O que restou e se preservou é uma amostra do quanto ainda existe de riquezas em arte naquele continente.

A Pop Art não é Estadunidense apenas

Por Clodoaldo Turcato

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Como colunista, é preciso ver a arte de maneira isenta, ignorando o gosto pessoal. Já relatei aqui diversas vezes que o que eu gosto ou não gosto não significa de maneira alguma que a obra é boa ou ruim. Como de qualquer um.  No entanto, é muito delicioso escrever sobre artistas que gostamos, a pessoalidade apimenta o tempero do texto e acrescenta vibração, dando um contorno menos técnico e mais emocional.

Um dos artistas que gosto de escrever é Peter Blake. Admiro o conceito, a forma com verbaliza suas obras e distingue-se pela ousado misturando o pop com cores vibrantes, mesclando sentimentos que só sentimos ao ver um trabalho seu. Não sei se pela mistura de quadrinhos e cinema que permeia sua obra, ou por estar ainda vivo e produz experimentos com colagem. O que me leva a ser cauteloso, ser prudente e até mesmo contido é o fato de ter certezas e muitas incertezas no meio da arte, porém com Blake eu não temo o erro. Ao rever a obra de Blake, o leitor vai compreender que o início da Pop Art foi inglesa, em tempos próximo é claro, longe de der apenas Estadunidense.

Sir Peter Blakefoi um dos pioneiros da cena Pop Art britânica em finais dos anos cinquenta e sessenta. Mais conhecido pela criação da capa do álbum de 1967 dos Beatles Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, pela qual recebeu apenas 200 libras, ele também desenhou a capa de 1984 da Band Aid o single “Do They Know It’s Christmas e em 2006 do Oasis Greatest hits – Stop The Clocks.Nasceu  em 1932 em Dartford, Inglaterra. Estudou no Gravesend Technical Collegeand School os Art e dois anos mais tarde, estudou artes gráficas no Royal College of Art. Posteriormente foi professor em Royal College of Art em Londres e em St. Martin’s School of Art. Desde estudante que a sua obra reflete um grande interesse pela arte popular e folclore, as suas obras revelam uma pintura muito naturalista, contendo elementos autobiográficos, optando por uma técnica de construção e desconstrução da imagem e integração de inúmeras colagens.Blake foi um dos fundadores do movimento Brotherhood of Ruralism (confraria dos ruralistas) cujo ideal era trabalhar em conjunto no interior, assim como o faziam os artistas do século XIX.Regressou a Londres em 1979, cidade onde atualmente reside e trabalha. Foi nomeado Cavaleiro do Império Britânico em 2002.

Uma das obras que mais gosto de Blake (uma tarefa complicada de escolher) é No Balcão, um óleo sobre tela medindo 121,3 cm de altura x 90,8 cm de largura e está na Tate Gallery, de Londres. Neleas figuras estão sentadas em um banco de jardim e o quadro como um todo, mostra quatro  quadros que foram executados por amigos e alunos de Blake. As figuras estão rodeadas pelas obras e por objetos de consumo e descartáveis do dia-a-dia da época, como maços de cigarros, a capa da Revista Life, embalagens de alimentos, etc. A composição é simples e sem perspectivas, o importante são os objetos ali colocados. Esse quadro foi considerado uma das mais importantes obras do artista naquela época devido ao impacto visual direto para o espectador. Olhando o quadro hoje em dia podemos avaliar a cultura popular dos anos 50.

Se a pop art existe, em grande parte é por cause de Blake, que antecipou-se aos artistas pop de Nova York, como Roy Lichtenstein, Wayne Thiebaud,  JasperJohns e Andy Warhol.Do alto dos seus 81 anos, Blake continua experimentando e realizando incursões na estética de cores vivas que explora o cotidiano, o entorno e as referências de materiais impressos como a fotografia, as histórias em quadrinhos e a publicidade. Sob seu domínio, a Pop Art ainda mantém vivo o espírito crítico e contestador. A mesma origem que chacoalha a sociedade industrial e consumista dos anos 50 e coincide com as manifestações da moda e da música jovem do Swinging London na década seguinte. A marca de sua obra está no ecletismo das colagens que utilizava em seus trabalhos, que foi uma marcante representação gráfica do efervescente clima da cena artística londrina dos anos 60. Embora nunca tenha deixado de estar associado à Pop Art, Blake também pintou aquarelas inspirado na obra do escritor Lewis Carrol. Recentemente, colaborou como designer em uma coleção de moda de Stella McCartney.

 Outras obras suas são Na varanda, O primeiro verdadeiro alvo, Autorretrato com emblemas , A loja de brinquedos e o Poder vermelho.

O divertido livro de Gilles Legardinier

Amanhaeuparo_CapaWEBPor Lorena Moura

Fico feliz quando consigo ler um livro em apenas um dia, mas com a obra resenhada de hoje “ Amanhã eu paro!”, consegui bater meu próprio recorde, foram apenas quatro horas de leitura. Isso aconteceu durante um longo chá de cadeira que levei esperando uma consulta médica. E nesse período, gargalhei e torci muito para os personagens centrais dessa história.

A obra do autor Gilles Legardinier, é um sucesso e já vendeu 1,5 milhões de exemplares. O livro é leve, divertido, cheio de amor, encrencas e muitas confusões. A personagem principal Julie tem 28 anos, mora sozinha e já fez muitas coisas idiotas na vida(coisa que ela mesma diz). Sua  nova loucura é uma fixação absurda pelo seu novo vizinho que ela nem conhece. Tudo isso por causa do nome exótico dele: Ricardo Patatras. Afinal, quem teria um sobrenome Patatras? :)

E é aí que Julie começa a bolar mil situações para esbarrar em Ricardo. E claro, que as experiências são as mais loucas possíveis, como espionar a caixa de correios do vizinho, ficar um bom templo ‘plantada’ na escada, correr desesperadamente para o olho mágico da sua porta para tentar ver quem é o misterioso Ricardo Patatras e levar uma queda homérica. Até que um belo dia ela é surpreendida pelo próprio Ricardo enquanto fuçava a caixa de correios do rapaz. Uma situação bem cômica, porque a mão dela fica presa dentro da caixinha e é um verdadeiro Deus nos acuda, porque só com a ajuda de um mecânico é que Julie conseguirá tirar a sua mão de lá.

O que Julie não poderia imaginar é que o misterioso Ricardo, que atende pelo apelido Ric é lindo, charmoso e muito encantador. Mas ele também é reservado e não fala muito de si, o que acaba despertando uma curiosidade enorme em Julie que decide investigar a vida do seu novo paquera. E essa investigação vai render momentos divertidos, tensos e muito sensíveis.

A história me conquistou desde as primeira páginas. E isso se deve principalmente a simpatia da personagem principal. Ela é aquele tipo de pessoa que tenho vontade de ser amiga. Uma pessoa/personagem sincera, super gente boa, dona de um coração gigante. O livro é um Chic-lit, com muitas coisas surreais que fazem parte deste estilo, mas é tudo tão fofo e apaixonante que não consegui resisti. Gostei bastante e queria muito que novos livros do autor fossem publicados por aqui. Essa é uma leitura obrigatória para quem assim como eu é  apaixonada por essas histórias fofas. Boa leitura!

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com 

Elena Ferrante – sobre obsessões

Por Danuza Lima

Principiar algo, tarefa-labirinto, principalmente quando se trata de “elegermos” a sacola de leituras com as quais iremos carregar o peso dessas escolhas. A atividade de iniciação é mítica e ritualística: a exigência de um rito de passagem é quase crucial para a manutenção deste pacto primeiro com o princípio. A leitura figura este rito, a chave para a ação posterior de percorrer os caminhos.

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Pois bem, há tempos desejava ler algo da Elena Ferrante, mas justamente este princípio me desacelerou e porque não, custou ao pequeno desespero da próxima caminhada. Isto porque com tantas publicações, uma série de quatro livros quase concluída e toda a especulação com relação não só a identidade da escritora italiana, mas aos constantes questionamentos sobre sua obra, meu início precisava ser fora desta rota perigosa que é a indicação crítica, me permiti a isto e cá estou.

Neste tempo, vasculhei títulos, e o “dias de abandono” surgiu em sobressalto.

Quem dera eu não caísse violentamente por sob as variantes da narrativa, quem dera eu tivesse deixado, por vezes, o cansaço e sono dominarem o curso da leitura e apagassem em mim qualquer chance de enlace, quem dera. Exatamente o contrário. Caí com violência por sob os vários tempos íntimos da narrativa, permiti que a voz de Olga, trôpega, acelerada, invadisse até mesmo o sono.

Por trás do enredo – amargamente posto em sites, resenhas, que toda tentativa de síntese é traidora – há uma sonoridade desesperadora de uma mulher, sobretudo e tão somente a mulher. Não a mulher a moda Nélida Piñon, a que sofre, a que guarda as vestes do marido como amuleto, constrói dentro de si, o santuário para o outro, mas sim, a mulher que é o Outro em sua configuração ontológica. Sim, a mulher ente, ser-vivente,  – com o perdão da rima pobre – nua de suas próprias escolhas, mas mesmo assim, força e construção.

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Antes mesmo de ser sobre a resistência de uma mulher, abandonada pelo marido após quinze anos de casamento, na clausura da trilogia doméstica, filhos-casa-cachorro e a somatória infinita da presença extrafísica do marido, o romance de Elena Ferrante é sobre obsessões, ímpeto e a absurda violência que cada uma de nós, mulheres, – pode-se inserir aqui fórmulas feministas, etc – viventes desta esfera estreita para a construção de nossa própria identidade ou o esfacelamento dela, enfrenta.

Voz torrencial, Olga não guia leitora alguma; fui de forma absurda engolida por forte ritmo síncrono, típico da narrativa ágil, próxima ao campo sintomático da fala, refletida nas advertidas e frenéticas ações de alguém no limite matemático do desespero tático. É um vão irregular que aos poucos se constrói ao redor da personagem, e ela, como quem usa a fala de forma terapêutica, vai aos poucos esgotando em si a força motriz de sobrevivência e cria, inadvertidamente, nova forma de vivência, esta, independente: a existência sem o marido, relógio, telefone, cachorro, sem contar o surto crescente de novas modalidades sentimentais.  Nós leitoras, distantes do papel de cúmplices – não nos é dada esta possibilidade – pelo contrário, Olga despeja fatos, ao menos os juntamos, mas como quem recolhe cacos, somos visivelmente pegas pela imprevisibilidade da própria personagem, que entre crises de ansiedade, fúria e apatia, se recusa ao papel de “mulher abandonada” – mania infeliz de adjetivação – e segue. Talvez consigamos também nós mesmas, seguir. É um romance de soerguimento, turbilhão, e para mim – denuncio a condição de leitora primeira – seja também redenção, pedra angular de um rito a se prolongar.

Nova série da Nora Roberts

9788580416787Por Lorena Moura

Quem já estava com saudade da Nora Roberts por aqui, pode ficar sossegado que tem série nova dela. A Editora Arqueiro lançou “Irmãos de Sangue”, o primeiro livro da trilogia ” A Sina dos Sete”, que vai contar a história de três amigos, Caleb, Fox e Gage.

Tudo começa há dez anos atrás, onde essas três crianças, resolvem acampar sozinhos na misteriosa Pedra Pagã, um local proibido na floresta Hawkins. E por lá eles firmam um pacto de irmandade, mas é a partir desse acordo que eles ganham poderes sobrenaturais e ainda de quebra liberam uma força de outro mundo. E após essa data a cada sete anos, a partir do sétimo dia alguns acontecimentos bem estranhos acontecem em Hawkins Hollow, é quase como se o inferno se instaurasse na Terra.

A história tem algumas puladas de tempo e agora  vinte anos depois do pacto, a repórter Quinn Black chega à cidade para pesquisar sobre esses acontecimentos estranhos. Ela viaja o país em busca de eventos sobrenaturais para escrever seus livros e o novo será sobre Hawkins Hollow. E como em toda obra de Nora, não pode faltar um bom romance, é claro que  Quinn e Caleb irão se aproximar muito mais do que previam. Só que aqui, isso poderá gerar coisas positivas e negativas. Porque ninguém sabe se esse envolvimento irá colocar a vida deles em risco ou será uma maneira de diminuir ou até mesmo por fim ao terror que paira sobre a cidade.

O livro é simples, e tem leitura fácil. Gostei, mas não foi um dos melhores que já li da Nora. Acredito que ela se repetiu um pouco. Em alguns momentos vi muita coisa da outra série dela, a dos Primos O’Dwyer, mas nada que diminua a qualidade da obra e da escritora. Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com