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Espaço Parlatório

O mundo de cabeça para baixo

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Coluna Leitura do Dia

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O romance policial de Robert Bryndza

Por Lorena Moura O que eu gosto em um livro de romance policial é o fato de como ele nos move a ten...

Curtas

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Menina Sem Nome – Documentário

O documentário mostra um crime que chocou os recifenses nos anos 70. Uma menina que apareceu morta, o crime até hoje não foi desvendado e ...

O romance policial de Robert Bryndza

1400-20160912183746Por Lorena Moura

O que eu gosto em um livro de romance policial é o fato de como ele nos move a tentar decifrar algo, mesmo que ainda não tenhamos muitas peças reunidas, mas é que a vontade que ele nos instiga de tentar chegar a conclusão é muito mais forte e desafiadora, do que com outras leituras. E é isso que mais uma vez aconteceu comigo, ao ler o livro resenhado desta semana “ A garota no gelo”.

Tudo tem início quando o corpo de um jovem rica da sociedade londrina é encontrado debaixo de uma placa de gelo em um parque que fica ao sul da cidade. Os jornais ficam atônitos com a notícia e a detetive Erika Foster é convocada às pressas para ser a chefe do caso e tentar descobrir quem é o assassino e o que motivou o crime. Só que ao longo da investigação outras três mortes passam a ser associadas com a da jovem e tudo começa a ficar ainda mais misterioso. Todas elas foram jogadas com as mãos amarradas, em águas geladas nos arredores de Londres.

Logo de início o autor vai nos ambientando, nos colocando a par sobre os personagens com seus gostos, características e personalidades. Ponto positivo, porque os personagens foram bem construídos. E depois o ritmo acelera com os acontecimentos em torno do assassinato e de toda a corrida desenfreada para encontrar o assassinato.

O livro do autor Robert Bryndza é narrado em terceira pessoa, o que particularmente me agrada, porque é através dessa maneira de contar a história que vamos conhecendo ainda mais os personagens através da perspectiva deles e claro, cabe a nós tentar entender e fazer as reflexões para tentar solucionar o caso. Esse é o primeiro livro do autor publicado no Brasil, e o seu primeiro no estilo policial. Em breve, chegarão mais obras e já posso dizer que necessito realizar a leitura dessas novas também.

Outra coisa que acho bem interessante é o fato que em todo livro policial, o detetive chefe sempre está passando por algum momento difícil na sua vida pessoal. E nesse não poderia ser diferente, aqui Erika Foster volta a ativa depois de ter passado recentemente por um momento bem doloroso, ela perdeu o seu marido que também era policial, e o pior de tudo ele foi assassinado em uma operação que ela comandava. Um fato bem triste que a personagem carrega e se culpa.

No final do livro, eu não tinha ideia sobre a real identidade do assassino e nem de como tudo seria explicado. Achei que foi bastante pertinente e que o conjunto todo foi bem elaborado, claro que ás vezes, ou melhor no momento da leitura fiquei achando que era um pouco demais o desfecho, mas faz sentido. Porque muitas vezes só enxergamos o que queremos e criamos falsas ideias e impressões sobre as pessoas, e isso vale muito, mas muito mesmo para os personagens desta obra. Uma leitura envolvente e que vai te deixar angustiado para saber quem matou a garota no gelo. Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

O mundo de cabeça para baixo

Por Clodoaldo Turcato

17439510_1231308250300605_730977103_nQuando você ouve falar em quadros, a primeira ideia que lhe ocorre com toda a certeza é de um suporte com figuras sobrepostas por alguma técnica de pintura de maneira plana, ereta e normal. Por mais que o quadro seja abstrato, sempre seria de forma usual, conexa com nosso campo de visão. Bem, não é o caso das obras de George Baselitz, um artista que vêo mundo de cabeça para baixo literalmente.

Nascido como Georg Kern, em 23 de janeiro de 1938 em Deutsch baselitz, no estado alemão da Saxônia, o pintor Georg Baselitz chegou aos 70 anos com um estilo diferente do que o caracterizara desde o final dos anos de 1960, quando, para escapar do Conceitualismo, começou a pintar seus quadros de cabeça para baixo.A marca registrada de Baselitz tornou-se também uma espécie de obsessão do mercado de arte, ao qual muitas vezes o pintor tentou agradar: “Qual o problema em ter sucesso?”, afirma o artista. Conhecido como um provocador desde que foi expulso da Academia de Belas Artes da antiga Berlim Oriental, Georg Baselitz se renova com uma nova provocação através do resgate pictórico de antigos quadros.

Ao emigrar para a antiga Berlim Ocidental, em 1958, Georg Kern passou a utilizar o pseudônimo Georg Baselitz, em alusão à sua cidade natal, na antiga Alemanha Oriental, da qual o pintor emigrara três anos antes da construção do Muro.Baselitz divide assim com SigmarPolke e Gerhard Richter o mesmo passado: a lembrança de uma infância numa guerra e de uma adolescência num regime cujo estilo artístico era caracterizado pelo Realismo Socialista.

Tal atitude maneirista – e não foi à toa que Baselitz tanto se interessou pelo Maneirismo ao passar seis meses em Florença em 1965 – pode ter origem nos conflitos internos de seu passado.Para escapar do fogo ideológico comunista, pintores como Baselitz, Polke e Richter deram as costas ao Leste, encontrando um Ocidente carregado de ideologia artística. Eles não quiseram pertencer a nenhum dos lados e escolheram o caminho do entremeio, da “arte do sim e do não”, explica Rauterberg.Foi assim que Baselitz, para escapar do Conceitualismo e do Minimalismo da década de 1970, começou a pintar, a partir de 1969, seus quadros de cabeça para baixo, explorando o lapso entre o ver e o pensar. No entanto, esse feitiço virou contra o feiticeiro. Baselitz ganhou uma marca registrada que retirou de sua pintura a força que esta encontrava na contradição de pintar figuras, que, ao mesmo tempo, desintegrava.

Um dos seus quadros mais impressionantes é Mais loiras, um óleo sobre tela medindo 162×130 cm. Dedo e rudes pinceladas foram usadas para pintar este nu de mulher de ponta cabeça, preso nu contorno preto pesado. O forte impacto da tinta preta foi na verdade obtido pelo artista andando sobre a tela. Baselitz retratou a mulher sem compaixão ou sutileza. Cores opacas compõem uma imagem simples e despojada, sem detalhes que distraiam a atenção. Este artista de vanguarda gosta de pintar cenários teatrais com uma figura berrando ou gesticulando que se repete nas telas. Ele cria imagens violentas e marcantes com figuras de pernas para o ar e pinceladas livres e cheias de cor.  Quando me defrontei com a obra pela primeira vez, passei minutos longos procurando a tal mulher nua que a sinopse se referia. Não foi fácil, precisei de muita boa vontade e aguçar minha percepção e enfim compreendi onde estava a figura . Em toda obra de Baselitz é necessário bastante paciência e uma dose de ousadia, nada é dado de maneira primária, levando o expectador à várias interpretações, o que torna ainda mais encantador.

Com tudo isso, não é de se admirar que Georg Baselitz veja o mundo de ponta-cabeça. O alemão oriental tornou-se internacionalmente famoso ao virar seus quadros de cabeça para baixo, a começar pelo “Bosque de ponta-cabeça”, em 1969. Com isso, garantiu-lhes um lugar nos museus mais famosos do mundo. Baselitz foi o terceiro artista alemão, depois de Joseph Beuys e Rebecca Horn, a quem o Museu Guggenheim de Nova York dedicou uma mostra representativa da obra, em 1995.Ao inverter o quadro, provoca uma pequena revolução na história da arte. De repente, não é mais o objeto retratado que está em primeiro plano, mas sim a reflexão sobre espaço e composição. Quando o motivo perde significado, questionam-se as regras e mecanismos vigentes da arte. Georg Baselitz manteve-se fiel a esse seu princípio. As pinceladas rudes e até agressivas, as cores intensas continuaram características de seus trabalhos até o final dos anos 80. Muitas vezes, misturou todos os gêneros e técnicas, combinando desenho, pintura e gravura.Já as obras dos últimos anos mostram mais leveza e transparência. Também são de datas mais recentes pinturas abstratas de grande tamanho, com manchas de tinta, linhas rabiscadas e também pegadas, as marcas originais do artista que, por assim dizer, entra ele mesmo no quadro.

Outros quadros famosos do pintor são Melancholie, Der Ausgang Carl, Ceia em Dresden e ElkeNude2.

Os braços apodrecidos

2125f91b9f8b9749dcb8e7fcec8f7e9fPor Jacqueline Souza

Educadora e colaboradora do Portal Parlatório

Havia uma pequena cidade bem distante que nem sequer aparecia no mapa. As pessoas deste lugar eram muito supersticiosas, tinham medo de qualquer coisa que lhes contassem e fosse fora do normal, todavia se conheciam e sabiam tudo a respeito da vida de cada habitante. As casas eram muito juntinhas umas das outras, o que acontecia entre as paredes, comentava-se no dia seguinte. Os assuntos por menores que parecessem, espalhavam-se em bares, igrejas e principalmente no coreto da praça, onde os jovens gostavam de ficar.

De repente, ocorreu um assassinato terrível, uma bela jovem ruiva de quinze anos, fora encontrada morta, sem os olhos e com os braços levantados, como se estivesse segurando os braços de seu algoz, que a estrangulara. O mais intrigante é que embaixo de suas unhas, continha sangue enegrecido, o que denunciava não ter sido a ação feita naquele dia. Ela estava com suas roupas rasgadas, mas de acordo com a perícia local, não sofrera abuso sexual. Provavelmente quem fizera aquilo, certamente por maldade ou queria esconder algo que ela teria visto e deveria ficar na obscuridade.

Sua mãe, ao ver aquela cena, chorou copiosamente e quase enlouqueceu,  pois havia bebido muito na noite anterior e nem se dera conta do sumiço da filha. Estava com um amante, vindo da cidade grande, o qual não era bem visto pela pobre Joana, agora morta.

Os moradores permaneceram em choque com tal visão horripilante. Não teriam mais a imagem da linda garota, cheia de alegria e que encantava a todos. Estar ao seu lado significava ter momentos de felicidade. Quem teria feito tal atrocidade com alguém tão especial? O pavor tomou conta dos arredores. Ninguém podia confiar em ninguém.

O velório da menina se deu após a missa, depois da comovente celebração do padre. Enterraram-na de branco com um véu branco no rosto e por mais que tentassem arrumar suas mãos para segurar uma vela, não conseguiam, porém repararam que um de seus dedos apontava para alguém, como a delatar o bárbaro cruel de sua infelicidade. Seu rosto assustado, sem olhos estarrecia de pânico os que ali estiveram para dar o último adeus. Seu pescoço muito machucado fora coberto por um tecido leve e branco.

Terminado o enterro, retornaram para seus lares. O delegado Martim Severo percebeu que alguém não havia comparecido à missa, o sacristão Belarmino e estranhou muito. Decidiu ir à casa do homem que auxiliava o padre e obviamente, uma pessoa de bem, conhecido da comunidade e não um forasteiro. Desceu a ladeira e o encontrou muito doente, escondendo os braços com uma camisa de mangas compridas, talvez estivesse febril. Martim fez algumas perguntas para saber se ele havia visto alguma coisa a respeito da moça, ao que o homem respondeu ao seu interlocutor, não saber de coisa alguma e nem da tragédia.

Seu Belarmino, sempre decente, sem resquícios de maldade, com certeza não desconfiaria dele, pois apresentava uma postura moral ilibada. Na verdade, as desconfianças pairavam sobre o amante da mãe da garota, que ficou preso, mesmo dizendo não ser o culpado.

Passaram-se anos e o homem continuava na cadeia e dizia-se inocente. A doença do sacristão evoluiu e seus braços ficaram em carne viva, fedia e ninguém queria ficar perto dele. Os amigos tentaram visitá-lo, porque não saia mais de casa, e o encontraram muito mal, notaram que seus braços estavam em estado de putrefação, saíram dali  com medo de que fosse algo contagioso.

Num belo dia de domingo, a genitora da desventurada, entrou gritando na igreja, dizendo que sonhara com a filha pedindo para abrirem o caixão dela, que deveriam ver algo que não viram no dia de seu velório.

Decidiram abrir  e o corpo dela já decomposto, com exceção dos braços e do dedo em riste, acusador, em perfeito estado. O sacristão desta vez presente  parou diante do corpo exumado que parecia apontar para ele e começou a chorar muito. Confessou seu crime hediondo e que cometera aquele ato, porque ela não o queria para namorado, então não ficaria com ninguém. Arrancou seus lindos olhos verdes e os guardou. Agora desolado pedia perdão a todos e principalmente àquela criatura que maltratou tão impiedosamente, causando-lhe a morte. Os braços dela desmancharam-se como magia e os do assassino voltaram ao normal.

O delegado liberou o amante da mãe da Joana, com mil pedidos de desculpas e a cidade toda se mobilizou para angariar dinheiro para recompensar o tempo que ficou encarcerado injustamente.

Seu Belarmino foi preso aos gritos de revolta das pessoas. Permaneceu alguns anos na cadeia e morreu depois com câncer na garganta. Seu corpo não teve um funeral digno. Anos mais tarde, quando se deu o tempo da exumação do corpo, algo surpreendeu a cidade, seus braços intactos, ainda confessavam seu crime sem perdão.

 

Dizem que até hoje seus braços malignos de horror estão intactos no cemitério em cima de sua lápide.

O diário do amor

Diariodeumapaixao_CapaWEB_1Por Lorena Moura

Para mim um dos filmes mais românticos e lindos é o “Diário de uma paixão”, obra essa que foi baseada no livro do americano Nicholas Sparks, um dos maiores vendedores de livros do mundo. E foi ele quem nos contou uma das histórias mais fofas sobre os seguintes assuntos:  amor, companheirismo, renúncia, amizade, respeito e espera.

A publicação ganhou uma nova capa da Editora Arqueiro e acreditem eu nunca tinha lido esse livro. Apenas vi o filme. Me julguem…Mas sério, eu sempre tive vontade ler essa obra porque  sou fã de romance e acho essa história bastante encantadora.

Para quem assim como eu não sabia, “ O diário de uma paixão” já vendeu mais de 12 milhões de exemplares e foi publicado em 20 países. Esse é considerado o maior sucesso de Nicholas Sparks. O filme lançado em 2004 ainda continua arrebatando corações, assim como o meu, já que pelo menos uma vez no ano paro para assistir novamente. Nas telonas, as celebridades que deram vida aos dois personagens principais foram os lindos Ryan Gosling e Rachel McAdams.

No livro conhecemos a história de Allie Nelson e Noah Calhoun, dois jovens com realidades bem distintas, mas que acabam se apaixonando e tendo um verão inesquecível. Como faz parte de todo bom romance, os mocinhos são separados por diversos obstáculos, mas principalmente por mal-entendidos. E só muitos anos depois é que eles irão se reencontrar por acaso. E é justamente nessa etapa que o livro fica ainda mais forte, cheio de amor, vida e esperança. Porque o amor tem disso né, despertar o maior nível de esperança em um ser humano. O mais incrível do amor é que ele muda as pessoas e as torna melhores.

E tudo isso nos é contado através de Duke, um senhor simples que em uma clínica de repouso conta diariamente para uma senhora a história desse casal jovem através de um diário especial. Ele busca um milagre e eu encontrei um dos maiores romances que já tive a oportunidade de ler. É lindo, lindo e mais lindo. De verdade, gente. Não tem como não se emocionar com esse livro. Ele nos faz suspirar! Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Livro para as mamães

images.livrariasaraiva.com.brPor Lorena Moura

É claro que eu tenho um tipo de gênero preferido na literatura, mas uma das coisas que mais gosto é poder variar as minhas leituras. Isso contribui para que eu tenha mais informações sobre os mais variados assuntos e temas possíveis. Então é bem comum vocês encontrarem aqui na minha Coluna um livro de romance, suspense, terror, culinária, autoajuda, curiosidades e qualquer outro estilo que consigam citar. E são dessas diferenças que consigo compor minhas ideias e pensamentos. Eu carrego comigo uma frase, que é:  Quanto mais você ler mais você saberá!

E o livro resenhado dessa semana é bem diferente de tudo que já li. “ Pequenas ideias para futuras mamães (ou como sobreviver à maternidade”, é um dos livros mais fofos e bem produzidos que você vão ver ou ler esse ano. Eu só gostaria de reforçar a ideia de que não estou grávida. Porque os mais apressados podem ver a imagem da capa do livro e já tirarem conclusões precipitadas.

Mas voltando ao livro, ele é o seguinte, a obra é composta por ilustrações divertidas que dão dicas práticas para as futuras mamães, conselhos, tais como: durma todo o tempo que puder, assista todas as suas séries e filmes preferidos porque depois ficará bastante difícil. Mas há espaço também para curiosidades e outras dicas que você poderá fazer juntamente com o seu bebê. 

Eu não sou mãe ainda, mas aprendi alguns ensinamentos para a hora que eu resolver me aventurar nesse setor da maternidade. O livro é bem fininho e ainda contém espaços para você escrever, colar fotos e o mais interessante que achei, é um cantinho no final onde você pode anotar as suas ideias antes de ser mãe e no outro lado as suas ideias depois de ter se tornado uma mamãe. Então é isso pessoal, a literatura tem o poder de nos ajudar a decidir quem somos ou quem queremos ser e pode nos ajudar também na escolha do tipo de pais que queremos ser um dia. Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

A linha tênue entre o nu e o erótico

17361343_1225981750833255_227966013_nPor Clodoaldo Turcato

Os artistas plásticos geralmente são classificados como eróticos, principalmente os modernos. Mostrar os corpos foi uma forma de burlar valores criados por uma elite regida por dogmas religiosos. A nudez sempre foi muito apreciada na Arte. É provável que tal fato deve-se mais ao seu cariz sexual, eco distante da nossa natureza animal, do que a questões estéticas – a beleza. No entanto é inegável que as representações de nus proliferam na Pintura, na Escultura ou na Fotografia.

A linha que demarca a arte erótica da pornografia é ténue e a nossa predisposição genética para achar belo o gênero que nos atrai sexualmente – homem ou mulher – acaba por nos toldar ainda mais o raciocínio e o sentimento. Não sabemos se o que realmente gostamos é da composição, da forma, da cor, do ritmo, do contraste, ou do(s) modelo(s) propriamente dito(s). As nossas reações são então simultaneamente curiosas e reveladoras.

As primeiras representações de nus com uma finalidade estética surgiram na Grécia Antiga. É preciso relembrar a grande proximidade, para não dizer coincidência, entre aquilo a que então se chamava Arte e a Religião. A Mitologia grega era composta por figuras antropomórficas, seres perfeitos que o Homem tentava igualar. Esta busca pela perfeição levou à instituição de um verdadeiro culto do corpo de proporções ideais que as esculturas de Fídias, Praxíteles e Policleto, dentre outros artistas, plasmaram no mármore e no bronze. Nunca, desde então, se assistiu a outra representação de um nu com estes propósitos tão “puros” – Arte verdadeira.

Descartado no período da Idade Média, o nu reaparece na arte renascentista, especialmente na Itália. O bronze Davi  do escultor florentino Donatelloé considerado a primeira figura nua em tamanho natural feita desde a Antiguidade clássica. Herdeiro de Donatello, Michelangelo Buonarroti realiza nus, seja em estudos de anatomia para composições maiores (por exemplo Estudo para uma das Sibilas no teto da capela Sistina) seja em esculturas em mármore, como o jovem nu de quatro metros de altura, o Davi , transformado em símbolo da arte florentina do período. O nu é ainda praticado no interior de obras cujo desafio é combinar a precisão do desenho com a harmonia da composição mais ampla, como no Nascimento da Vênus, de Sandro Botticelli. A imagem da Vênus como símbolo de graça e beleza revelada na forma nua é explorada por outros pintores do período, por exemplo, a Vênus Deitada , de Giorgione e a Vênus de Urbino , de Ticiano. A figura feminina saindo do banho é simultaneamente grande e avantajada, e dotada de leveza pela luz que incide sobre ela. A representação da figura feminina despida com forte sensualidade encontra adeptos na Alemanha, por exemplo, na obra de Lucas Cranach, o velho, que realiza várias versões da ninfas reclinadas e diversos nus eróticos, executados com base em modelos tirados da Renascença italiana. A representação do corpo humano baseada em um ideal de beleza da arte clássica é também exercitada por Albrecht Dürer, que experimenta regras de proporção e noções de harmonia em estudos com corpos nus, entre os quais a água-forte Adão e Eva .

A realização de nus encontra-se ligada ao aprendizado técnico, desenhos e estudos de anatomia no interior das academias de arte, nos séculos XVI, XVII e XVIII, quando são, em geral, exercitados a partir de modelos vivos e de modelos em gesso. Na arte classicizante do século XIX, se evidencia a forte ligação com o desenho e com o padrão do “belo ideal” clássico, testado preferencialmente na escultura. Jean-Auguste-Dominique Ingresutiliza o desenho como instrumento fundamental na execução da tela, como em A Banhista de Valpinçon. A integridade do corpo nu da mulher sentada vista de costas, é recuperada pelos contornos marcados, pelas linhas, luz e cor, assim como pela integração das formas da figura com as dobras e movimento dos lençóis, cortina, turbante etc. A forma ideal de Ingres, mostra este quadro e também sua Odalisca  – criticada por ter uma vértebra a mais -, contempla imperfeições anatômicas, na medida em que corresponde ao modo como o artista vê o corpo. A ênfase de Ingres na visão tem impacto na pintura posterior: nos vários nus de Pierre Auguste Renoir, nas banhistas de Edgar Degas e nas de Paul Cézanne. Olympia  de Éduard Manetestá entre os mais célebres nus da arte moderna. Retoma a pose e os adereços das Vênus anteriores e, ao mesmo tempo, rompe com a tradição de nus, pela ausência de modelagem, pela gargantilha preta – que quebra o acabamento contínuo e suave das pinturas de nus -, pela evidência das pinceladas, pelo contraste de cores. A dicção realista de Gustave Courbetrebate no corpo nu de A Fonte  e adquire tom quase pornográfico em A Origem do Mundo , centrado no órgão sexual feminino. Inúmeros artistas realizam nus no interior da arte moderna dos séculos XIX e XX. Lembremos, entre muitos outros, Nu no Ateliê , de Henri Matisse, Puberdade , de Edvard Munch, A Toalete da Manhã  de Pierre Bonnard, Nu Deitado , de Amedeo Modigliani. Nus ainda fazem parte do repertório da produção figurativa do período entre guerras, ocupando lugar de destaque na obra de pintores como Pablo Picasso. Não seria exagerado afirmar que o nu constitui um tópico central na produção de Picasso, nos óleos e desenhos eróticos que realiza.

A arte brasileira do século XIX está repleta de nus, no entanto essas representações do corpo feminino tem significações divergentes, enquanto Moema , de Victor Meirelles e A Carioca , de Pedro Américo, são alegorias da nação brasileira, Nu de Costas  e Estudo de Mulher , ambas de Rodolfo Amoedo  e No Verão , de Eliseu Visconti  tem um sentido mais realista. O desenho conhece nus de Carlos Leão, Ismael Nery, Clóvis Graciano, Flávio de Carvalho dentre outros. Victor Brecheretesculpe diversas figuras femininas nuas, entre as quais A Bailarina .

De tudo, um artista em particular sempre esteve no fio da navalha entre nu e erótico. Balthus, pseudónimo de BalthasarKlossowski, nascido na cidade de Paris, Françaem 29 de Fevereiro de 1908  e falecido em  18 de Fevereiro de 2001, na Cidade Luz, sendo um dos artista de estilo clássico, influenciado pela obra de  Emily Brontë, os textos e a fotografia de Lewis Carroll, e a pintura de MasaccioPiero della FrancescaSimone MartiniPoussinJean-ÉtienneLiotardJoseph ReinhardtGéricaultIngresGoyaJean-Baptiste-CamilleCorotCourbetEdgar DegasFélix Vallotton e Paul Cézanne. Embora a sua técnica e composições se inspirem nos pintores da pre-renascença, também existem insinuações misteriosas dos surrealistas contemporâneos como Giorgio de Chirico. Pintando a figura num tempo em que a arte figurativa era fundamentalmente ignorada, Balthus é largamente reconhecido como um importante pintor do século XX.

Muitas das suas pinturas mostram meninasjovens num contexto que aproxima muito do erotismo. Balthus insistia em que a sua obra não era erótica, mas que a mesma reconhecia os factos desconfortantes da sexualidade das crianças. Uma de suas obras mais perturbadoras é Menina e Gato, um óleo sobre tela medindo 88×78 cm. Neste quadro, uma adolescente está sentada num ambiente despojado e escuro, com um gato tranquilo aos seus pés. No entanto, a imagem é algo perturbadora, talvez devido a alusão erótica – o que vemos é uma menina inocente ou uma jovem sexualmente sofisticada? Na verdade, o que Balthus captou é a característica perturbadora da adolescência, quando a inocência da infância, representada pelo gato, é empurrada de lado pelos sentimentos novos e sexuais da vida adulta. Isso é enfatizado pelo fato de que a única luz do quadro é dirigida às coxas da garota. Ao ver a tela, o espectador sem encanta pela dimensão da proposta, que nos leva a discutir se é ou não erotismo.

Balthus foi um dos poucos artistas a ter obras suas em vida expostas no Museu Louvre. Outras obras suas são The Fear of Ghosts, Cathy, The Victim, Thérèse e Thre Street.