Um Recife de Amores e Sombras na Bienal de Pernambuco

Por Ernandes Tavares

CAPA FOTO

Escritores e amantes da literatura (e do Recife) resolveram juntar forças e expressar no papel todas as suas angústias e paixões por essa cidade, que é tão personagem dela própria: o livro de contos “Recife de Amores e Sombras”, que será lançado no próximo dia 11 de outubro, às 14 horas, na Bienal de Pernambuco, reúne contos de Adriano Portela, Alexandre Furtado, Dielson Vilela, Geórgia Alves, Pedro Irineu Neto e Sidney Nicéas.

Segundo o escritor pernambucano radicado em São Paulo Marcelino Freire, Recife de Amores e Sombras é um livro com seis contos afiados, prontos para o ataque. “É um livro agitado. Em cada ponto, parágrafo. Grito e respiração. Todo escritor é um mau-elemento. A palavra vira arma. Temos um livro quente nas mãos”, revela no prefácio que escreveu para a obra.

 Os contos dão luz a personagens marginalizados de uma cidade marginal. A violência, o preconceito e os assombros do Recife se mesclam com o olhar minucioso para o estado atual da cidade e da sua gente. Estilos diferentes tornam o livro ainda mais interessante, revelando um extrato do que anda sendo feito na Literatura da terra das pontes.

 A publicação é uma edição independente, a primeira do Coletivo de Autores Pernambucanos Atuantes – CAPA, formado pelos seis escritores citados e ainda por Mirela Paes e Caio Viana. “Adriano Portela fez um grupo seleto no whatsapp, com apenas sete autores. Com a ideia de escrevermos o livro, convidamos Geórgia Alves para o time, já que Mirela e Caio não puderam participar dessa obra. Daí decidimos criar o coletivo, que nada mais é do que uma entidade assombrada para escritores cansados da solidão literária nas bandas de cá. O CAPA, assim, é por si só um espaço para projetos coletivos mais ousados. Sentimos que era preciso fazer mais. E isso é só o começo”, explica Sidney Nicéas.

 Os autores estarão na próxima quarta na Bienal com o painel Recife de Amores e Sombras, onde conversarão mais sobre o livro, o processo de escrita, o coletivo e o Recife. “Queremos ampliar esse olhar crítico e de amor ao nosso Recife juntamente com o público. Está todo mundo convidado!”, emenda Nicéas.

Minibiografias dos autores:

 Adriano Portela é jornalista, autor do romance “A Última Volta do Ponteiro”, prêmio internacional José de Alencar, pela UBE/RJ. Coautor da coletânea de contos “Enquanto a Noite Durar”, pela Aped. Mestre em Teoria da Literatura pela UFPE. Leciona cinema e publicidade em universidades particulares e em projetos sociais do Recife. Editor do Portal de Cultura parlatorio.com, diretor de cinema da Portela Produções, roteirista e diretor de oito curtas, vários deles premiados em festivais de cinema. Atualmente dirige seu primeiro longa “Recife Assombrado”.

Alexandre Furtado, nascido no Recife, é professor de literatura na UPE, membro do GPL e do IAHGP, crítico e escritor. Publicou o livro de poesia De ruas e itinerários (2010) e o de contos Os mortos não comem açúcar (2015). 

 Dielson Vilela tem 29 anos e é natural do Recife. É formado em letras – português/inglês. Autor do livro “O meu melhor amigo é gay”, que vem tocando muitos leitores em todo o Brasil com a sua literatura LGBT. Leitor voraz, ele é apaixonado pelos mais diversos gêneros da literatura brasileira e internacional. Ávido pela escrita, iniciou seu trabalho como autor na web, publicando trechos do seu livro em uma plataforma digital de autopublicação.

 Geórgia Alves é escritora, jornalista com especialização em Literatura. Participa das coletâneas: I Volume da Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea: “Além da Terra Além do Céu”, pela Chiado Editora, (2015) e “Cronistas de Pernambuco”, pela Carpe Diem Editorações, (2010). Autora da novela “Reflexo dos Górgias”, da Editora Paes (2012) e “Filosofia da Sede”, também pela Chiado (2014). Fez duas adaptações, de curta duração, de obras literárias para o audiovisual: “O Triunfo” – inspirado no primeiro conto de Clarice Lispector, publicado no semanário carioca Pan, em 25 de maio de 1940 – e “Grace” – baseado em um dos vinte e seis poemas de Cida Pedrosa, no livro “As filhas de Lilith”. Dois filhos: Lorena e Enrico. Muitas árvores e pesquisas no cinema e literatura. Estuda Teoria da Literatura do Programa de Pós-Graduação de Letras da Universidade Federal de Pernambuco.

 Pedro Irineu Neto nasceu em Recife, em 21 de Setembro de 1988. É advogado, formado em Direito pela UFPE em 2012. Estreou na cena literária com o romance Pelas Mãos das Suas Amadas, pelo qual concorreu ao Prêmio Machado de Assis de Literatura, no ano de 2013, além de obter boa crítica por parte do público pernambucano. Das Überheil é o seu terceiro livro publicado, e o primeiro pela Editora Arwen.

 Sidney Nicéas é escritor. Tem formação acadêmica na área de Comunicação (RRPP) e é especialista em Gestão de Pessoas. Romancista, possui cinco obras publicadas: “O Que Importa é o Caminho” (2004); “O Rei, a Sombra e a Máscara” (2010); “A Grande Ilusão” (Giostri, 2012); “Vic e o Homem Feito de Nuvens” (Giostri, 2013); e “Noite em Clara – um Romance (e uma Mulher) em Fragmentos” (Scortecci, 2016). Realiza palestras em empresas e eventos literários e ministra oficinas e workshops de Criatividade e Escrita. É sócio da SoulCriativO – Inteligência Criativa; Diretor Geral da Ideação, co-realizadora da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco; mentor do Porto Social; e integra projetos sociais relevantes em Pernambuco, como o Pré-Eném Solidário e o Sertânia Sem Fome. Nicéas ainda assina a coluna literária do site Na Geral e comanda a coluna “A Literatura é Massa!” no programa UPE Negócios, da Rádio Web da Universidade de Pernambuco. Apresenta também o seu programa “Tesão Literário”, na TV Pimenta (webtv).

 

Você também vai gostar:

Esta loucura chamada artes plásticas
Cineasta pernambucano comemora dez anos de luta no audiovisual

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>