Um pouco de arte oriental

Por Clodoaldo Turcato

Em algum momento eu li que a arte reconhecida ou estudada é apenas a Ocidental, devido aos problemas inúmeros, principalmente as distância entre Europa e o Oriente, principalmente Japão e China.  Com esta preguiça, muito pouco se vê em livros desta milenar arte e tão fundamental dentro do ciclo que faz parte a história da humanidade. Isso vale para literatura, artes plásticas e teatro.

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Um pesquisador sério precisa se voltar para a arte Oriental em algum momento e, mesmo que resumidamente, expor outros modos e visões. Nosso intuito desde o começo desta coluna era tentar desmistificar um pouco a arte e coloca-la mais próxima do popular para que pudesse ser apreciada e compreendida. O sucesso dessa empreitada depende muito de empenho e ser honesto com o que se escreve, com alguma competência, evidentemente.

A China sempre foi um dos países mais cativantes que conheço. Em todos os tempos, os chineses ousaram a dar ao mundo grandes artistas e obras em todas as áreas. Não bastaria uma vida para estudar todo processo chinês, além do domínio da língua ser uma necessidade primordial para compreender todas as reviravoltas e controvérsias que transformaram o grande império numa nação metamorfoseada, incrivelmente eclética e com cultura vasta. Então, caro leitor, não há mais tempo para tal intento. Iremos no barco comum do pesquisador tardio e resumir uma obra apenas que tem a amplitude de dar uma ideia do quanto este povo é valoroso.

O Exército de terracota é um excêntrico mausoléu está em Xi’an, a 1.200 km de Pequim. Durante mais de um milênio, Xi’an foi a capital do império unificado e sede de 11 dinastias chinesas. A cidade estava situada em uma importante encruzilhada da Rota da Seda e recebia gente de todas as direções.QinShihuangdi, primeiro imperador da dinastia Qin e responsável pela unificação inicial da China no ano 221 AC, era um tremendo déspota e tentaram assassiná-lo três vezes. Seu currículo de obras é grandioso – inclui até parte da Grande Muralha, a qual foi reforçada durante seu reinado. O imperador abriu novas estradas, ergueu palácios, criou sistemas de irrigação e instituiu um severo código penal. Pesos, medidas e moedas foram unificados. O desenho da famosa moedinha chinesa com um buraco no centro data dessa época.

O delírio de grandeza de QinShihuangdi fez com que ele começasse a construir seu mausoléu logo que entronado, no ano 246 AC, com apenas 13 anos de idade. Como parte da crença, ele aspirava levar com ele, no momento de deixar a vida terrena, tudo que fosse importante. Para ele, o principal era seu exército. Quando morreu em 210 AC, com 49 anos, toda uma hoste de guerreiros em terracota, em tamanho original, acompanhou-o para a seguinte vida. Mais de 700 mil pessoas trabalharam para montar sua majestosa tumba. Ver fotografias ou ler sobre os guerreiros de terracota de Xi’an é uma coisa, estar dentro do pavilhão que protege as escavações é uma sensação muito mais impressionante. Três enormes fossas escavadas revelam o estonteante conteúdo. Na primeira fossa, a maior e a mais rica tumba, possui um imenso retângulo aberto no solo de 62 por 230 metros. São mais de mil soldados de pé, todos olhando para a frente, como se estivessem prestes a atacar.

Os guerreiros formam onze colunas na direção leste. As figuras humanas são de tamanho natural e variam de 1,72 metro a 2 metros de altura. Cada soldado tem uma fisionomia diferente: alguns sorriem, outros são mais sisudos. Uns possuem barba, outros bigodes. O adorno na cabeça identifica o status: quanto mais sofisticado, maior a posição. Enquanto o torso, os braços e a cabeça são ocos, as mãos e as pernas são moldadas com barro maciço.Cada peça de terracota é decorada de maneira diferente. Consigo discernir alguns traços de pintura vermelha e amarela que resistiram ao tempo. Segundo os arqueólogos, a tinta foi confeccionada à base de minerais e fixadores, tais como sangue animal ou clara de ovo. Outra análise mostrou que as peças foram cozinhadas em fornos de até 1.000° C de temperatura, demonstrando uma grande habilidade na arte da cerâmica.Originalmente, os soldados portavam armas verdadeiras, como arcos, flechas, espadas e lanças. Os artefatos de madeira não chegaram aos nossos dias, mas os de bronze e outras ligas foram desenterrados em perfeito estado. Os cavalos em terracota, também em tamanho original, parecem estar vivos e suas bocas abertas sugerem relinchos. Arqueólogos consideram que, se totalmente escavada, essa primeira fossa desvendaria cerca de 6 mil guerreiros, 160 cavalos e 40 carros de guerra.

Fascinante é o fato que o lugar, QinLing, a 30 km a leste de Xi’an, só tenha sido descoberto 22 séculos depois de construído. Em março de 1974, um camponês que furava um poço encontrou um pedaço de cerâmica. Com receio de ter feito algo errado, preferiu chamar as autoridades. Em seguida, chegaram os arqueólogos, sem muitas pretensões. Mas quando ampliaram suas buscas, eles ficaram atônitos: guerreiros e cavalos passaram a brotar da terra dia após dia. Se não fosse o poço do camponês, esses tesouros poderiam ainda estar embaixo da terra.

De qualquer maneira, muitas coisas da China antiga foram perdidas ou esquecidas, pela quantidade de eventos violentos, pelas constantes guerras e pelo tempo. O que restou e se preservou é uma amostra do quanto ainda existe de riquezas em arte naquele continente.

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