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Coração na Sombra!

 O poeta e publicitário Helimar Macêdo lança seu segundo livro de poemas: “Coração na Sombra”. Ele bate um papo com o jornalista Adriano Portela. O lançamento é nesta quarta (14), no Terra Café, no Recife!

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Gullar e a metáfora da presença

 

Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.
A poesia é o presente.

[Ferreira Gullar, No corpo]           

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Capa da revista Serafina de 2010 / Foto: Murillo Meireles

Por Danuza Lima

Esta semana, palavras saíram dos claustros e ganharam a erraticidade, poeta, autor célebre de “Dentro da noite veloz”, morre Ferreira Gullar, pseudônimo para José Ribamar Ferreira e  eis que sua morte, nos permite refletir que as coisas notificam a nós, escreventes, o vosso segredo. Palavra e ação coadunam-se perante a natureza excêntrica do mundo. A metáfora enquanto, recurso plástico desta excentricidade, figura o rol infinito das possibilidades de feitio da composição poética. Mas para além do seu poder representativo de figura estética, a metáfora ganha em poesia a capacidade de redirecionar o mundo prático e útil a partir de sua própria (des)automatização, planejando sua produção de presença por meio da linguagem.

Movido por três funções anímicas que o tornam homem de seu tempo, escreve o poeta sob a égide dessas forças: afetividade, inteligência e vontade[1]. Sob a ordem da afetividade, é ele tocado por este barro que se faz verbo, a cargo da inteligência, vai o poeta como “escultor na depuração da forma até encontrar o seu núcleo” (Carlos Nejar, 2008) e com a vontade, se inscreve num dado momento histórico e sua atividade escrita culmina como desafio. Afetividade, inteligência e vontade fundamentam a obra da mesma forma que comprovam: A poesia é mudança, “junção harmoniosa de arquitetura, escultura, pintura, música – com as palavras” (Carlos Nejar, 2009). Gullar, um dos últimos poetas de uma geração inaugural da poesia brasileira, soube, nutrido desta tríade, produzir com os recursos que dispunha, no qual a palavra era navalha, a presença da mesma tríade que o funda: afetividade, inteligência e vontade, por meio do uso cirúrgico do procedimento metafórico. Desta forma, sua composição lírica está ligada diretamente a sua erudição e ao fértil diálogo que sua obra mantém com o leitor, levando-o ao trabalho não só de decifração, mas sobretudo, de refração para com o texto.

À guisa de morteiro, seguem ainda as palavras de Ferreira Gullar a ecoar sobre nossas cabeças. E mesmo poema tão decantado e lido, “Traduzir-se” é sem dúvida, exemplo básico para o dito:

Uma parte de mim

é permanente;

outra parte

se sabe de repente.

 

Uma parte de mim

é só vertigem;

outra parte,

linguagem.

 

Traduzir-se uma parte

na outra parte

— que é uma questão

de vida ou morte —

será arte?

O uso deste procedimento na obra de Gullar não é visível se pensarmos na fórmula de composição da metáfora enquanto figura estética, é neste ponto que reside um dos diferenciais da obra do poeta maranhense. A metáfora em Gullar surge a partir do que Gumbrecht[2] denomina de “produção de presença” e não somente pela equiparação de termos “A”, “B”, “C”. por isso, não vemos “matematicamente”, termos equivalentes entre si, mas sim, a nítida impressão da presença potencial da palavra enquanto universo que fraciona outro universo.


[1] A “experiência de vida”, segundo Dilthey, revisitado por Benedito Nunes, está centrada na existência de três funções anímicas: afetividade, inteligência e vontade. É sobre estes pilares que o homem cria e imprime a sua criação seu conhecimento. “Afetividade, inteligência e vontade condicionam a nossa relação com o mundo, imprimindo direção ao conhecimento teórico e à atividade prática” in: NUNES, Benedito. Hermenêutica e poesia: o pensamento poético, Belo Horizonte: UFMG, 2011, p. 44.

[2] A noção de presença é apresentada e desenvolvida por Hans Ulrich Gumbrecht em: GUMBRECHT, Hans Ulrich. Produção de presença – o que o sentido não consegue transmitir, Rio de Janeiro: Contraponto, PUC-RIO, 2010. Para o filósofo alemão, presença “refere-se a uma relação espacial entre o mundo e seus objetos. Uma coisa “presente” deve ser tangível por mãos humanas – o que implica, inversamente, que pode ter impacto imediato em corpos humanos” (p.13).

 

 

Entre Belchior e a dor real, nasce a poesia

E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais

[Alucinação, 1976]

A felicidade é uma arma quente

[Comentário a respeito de John, 1979]

14895588_1082376931860572_1053268519_oPor Danuza Lima (mestra em Teoria da Literatura – UFPE, escritora e professora).

Pulsa antes mesmo do verbo escasso que nos cospe à boca, algo fora da ordem material das coisas, a dor, que legitimada pela palavra, cria o cenário propício as boas composições líricas. Há uma linha tênue entre a dor e a palavra, o poeta conhece bem seus limites. Dor e palavra são próximas, a dor ocupa o ser, a palavra ocupa o mundo.

Foi justamente sobre a dor e o mundo que a memória me ativou a lembrança de Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Ontem, 26 de outubro, ele completou 70 anos e para além da lacuna imensa que sua falta faz para o cenário de nossa música e cultura, precisamos registrar o tamanho dessa lacuna que já completa cerca de 10 anos.

Justamente por esses dias, as canções de Belchior, sempre tão presentes, figuram uma realidade mais que paralela. Por via de regra, ela sobressai-se ao próprio real e a sua insuficiência. Este “delírio” experimentado pelo compositor é a crua aproximação entre sua forma de também experimentar a insuficiência do real na tentativa de reativá-lo através da palavra, deste pulsar, da poesia dessas “coisas reais”. A insistência de Belchior em se nutrir das cenas cotidianas, serve para expressar esta potência última da palavra em ser implacável com a realidade, fazendo dela mote e glosa para o nascimento desta poesia da vida. Esta na qual, cenário e personagens somos nós. A dor do “peso da minha cabeça” é cimento para esta felicidade que se acha no gozar a liberdade, para Belchior, parece que liberdade de tudo, desde em ser-se quem se é, à permissão do deixar-se ir.

Nisto que engloba a vasta obra do cantor e compositor, há amor de sobra pela vida, amor inclusive que se alimenta da dor dos dias para se fazer visível. É ela a mola motriz para “mudar as coisas”. No fundo, a dor em Belchior é a soma dos amores do mundo, a lúcida compreensão dos aspectos mais simples do cotidiano vertidos em versos. A dor é amor, não melancolia, é preciso cantar a vida, insistir em seu julgo incerto, torná-la nossa salvação. Quem sabe Belchior ainda a procure e sua forma de insistir na ação seja para conosco não sumiço, mas generosidade?

Lirismo e poesia (parte 2). “O agenciamento da violência”

Onde há perigo

cresce também a salvação

(Hölderlin)

(Danuza Lima é mestra em Teoria da Literatura pela UFPE, professora e escritora).

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Cada época e cada cultura conseguem ao longo dos anos, estabelecer ligações e elaborar, dessa forma, novas formas de criação e perpetuação da violência; estar em sociedade é exercitar o domínio sobre si mesmo. A vida na esfera pública viabiliza-se na adoção de medidas comportamentais diante da figura massiva do Outro que nos espreita, permite-nos a ação do “pensar-no-outro”[1] como uma manifestação de cunho ontológico, fundamental para a compreensão do inverso: a não-permissão da vivência do outro.

A poesia, como fruto desta vivência em sociedade, mas também, a vacina e o veneno necessários para nela permanecer, nasce tal qual os versos famosos do Drummond: “É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”[2].

Pois bem, temos a poesia que açoita, fere, de verso “violento”. Uma poesia que nos convida ao reduto de nós mesmos, a fim de enxergarmos a real necessidade da abordagem do que fere para reconhecimento de nós mesmos e do Outro. Sim, há espaço entre nós, para esta poesia tantas vezes recriminada nos livros didáticos, tantas vezes esquecida, não-lida, mal interpretada, mas que nos fura os olhos e como um Tirésias, nos mostra a verdade dos mundos. Amém para isso.

Os versos do poeta de Itabira dizem muito sobre a pergunta crucial de nossa caminhada pela “via Excêntrica” da poesia. Ao nos desvendar esta verdade oculta do cosmo, nos mostra que nossa vivência se constitui pelo exercício constante desses modos de ver, mostrando e/ou ocultando nossos rostos na ação de reconhecimento de si no Outro. Sendo assim, em poesia, um dos pilares ao cumprimento da ação de alteridade da leitura é, sem dúvida, o natural “agenciamento” da violência.

Conterrâneo nosso, Alberto da Cunha Melo (1942-2007), nascente de uma geração de poetas e escritores pernambucanos de inegável sagacidade, nos traz exemplo obrigatório dessa relação filosófico-ontológica. Publicado em 2006 pela editora Girafa, “O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos[3]” revela este caráter de uma poesia que não dorme, muito menos se aprisiona. Composto alegoricamente aos versos da métrica e tradição oriental[4], O cão de olhos amarelos nos permite a sedução pelo teor encantatório e insólita disposição de imagens. Estas vão desde a mais vaga impressão sensível da vida cotidiana ao mergulho em parte do universo imagético-cultural do poeta, que transita por figuras como Marlon Brando, Franz Kafka aos anônimos transeuntes das ruas.

Em “Amantes e enxofre”:

A alegria dos amantes

é a agonia dos que sobraram,

feito restos de ondas

nos rachões dos rochedos;

e quando eles resolvem

incontidos tocar-se

no silêncio da sala,

seus suspiros abanam

as fogueiras de enxofre,

pelos cantos da casa:

a alegria dos amantes

empalidece os mortais.

 

A dimensão plástica dada ao poema, na construção meticulosa de uma macro imagem permite ao leitor, o afunilamento de sua visão, no ato da leitura. Forma-se um quadro nítido a partir da correlação de cada verso do poema, gerada pela metaforização dA alegria dos amantes. Esta ação revela um choque de encontro, no qual a realidade não é suficiente para abarcar sensações e vivências. Por intermédio da palavra que se faz ação, as figuras que estruturam o acontecimento ético – o Eu e o Outro – provam de forma violenta esta tensão do campo ético. É necessário crer na palavra como agente propulsor de uma “realidade paralela” e cruel. Promulgando pela palavra um coágulo responsável por empalidecer todas as alegrias.

Sabendo que “cada palavra tem um universo que está nela e o que lhe colocamos dentro[5]” o poeta reconfigura o mundo sensível ficcionalizando-o conforme a necessidade crítico-criativa. É nestes polos do real que habitam as ideias de ética e de estética necessárias para fazer com que a escrita da violência expresse “essa potência em sua liberdade, lançando mão da mesma implacabilidade e do mesmo rigor de seu desejo[6]” Esta “insuficiência intrínseca do real”, levantada por Clément Rosset em O princípio da crueldade assume sua face frente ao encontro desta “causa”; a crueldade seria a parte que faltava para tornar este real, cognoscível. Desta forma, a violência e a crueldade, enquanto sua substância, são a expressão direta do real e por consequência da “vida enquanto essência[7]”, sua aparição e permanência na obra literária é reflexo transitivo da ação ontológica gerada a partir do confronto entre Eu e Outro, anteriormente definida. 



[1]LEVINAS, Emmanuel. Diálogo sobre o pensar-no-outro in: Entre nós – ensaios sobre alteridade. Petrópolis: Editora Vozes, 2ª ed, 2005, p. 268 – 275.

[2] ANDRADE, Carlos Drummond. Rosa do povo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

 

[3] MELO, Alberto da Cunha. O cão de olhos amarelos e outros poemas inéditos. São Paulo: Girafa, 2006.

[4] O próprio poeta explica ainda em seu breve prefácio que a concepção do livro, deu-se sobretudo, como estudo de uma forma básica da métrica oriental conhecida como renka. A forma já extinta da poesia japonesa, descende de outra mais antiga, a Waka. Todo o livro portanto é um livre estudo das formas primordiais da renka, no que compete ao uso paralelístico e ao uso de versos dísticos no final de uma estrofe e início de outra.

[5]NEJAR, Carlos. Cadernos de fogo – ensaios sobre poesia e ficção. São Paulo: Escrituras Editora, 2000.

[6] SCHOLLHAMMER, Karl Erik A cena do crime: violência e realismo no Brasil contemporâneo, Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1ª ed. 2013.

[7] LUKÁCS, Georg, A teoria do romance, 2ª ed. São Paulo: Editora 34, 2012.

Hölderlin)

Violência e poesia (parte 2): o agenciamento da violência

Onde há perigo

cresce também a salvação

 

(Hölderlin)

Por: Danuza Lima (escritora, professora, mestra em Teoria da Literatura pela UFPE)

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Cada época e cada cultura conseguem ao longo dos anos, estabelecer ligações e elaborar, dessa forma, novas formas de criação e perpetuação da violência; estar em sociedade é exercitar o domínio sobre si mesmo. A vida na esfera pública viabiliza-se na adoção de medidas comportamentais diante da figura massiva do Outro que nos espreita, permite-nos a ação do “pensar-no-outro”[1] como uma manifestação de cunho ontológico, fundamental para a compreensão do inverso: a não-permissão da vivência do outro.

A poesia, como fruto desta vivência em sociedade, mas também, a vacina e o veneno necessários para nela permanecer, nasce tal qual os versos famosos do Drummond: “É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”[2].

Pois bem, temos a poesia que açoita, fere, de verso “violento”. Uma poesia que nos convida ao reduto de nós mesmos, a fim de enxergarmos a real necessidade da abordagem do que fere para reconhecimento de nós mesmos e do Outro. Sim, há espaço entre nós, para esta poesia tantas vezes recriminada nos livros didáticos, tantas vezes esquecida, não-lida, mal interpretada, mas que nos fura os olhos e como um Tirésias, nos mostra a verdade dos mundos. Amém para isso.

Os versos do poeta de Itabira dizem muito sobre a pergunta crucial de nossa caminhada pela “via Excêntrica” da poesia. Ao nos desvendar esta verdade oculta do cosmo, nos mostra que nossa vivência se constitui pelo exercício constante desses modos de ver, mostrando e/ou ocultando nossos rostos na ação de reconhecimento de si no Outro. Sendo assim, em poesia, um dos pilares ao cumprimento da ação de alteridade da leitura é, sem dúvida, o natural “agenciamento” da violência.

Conterrâneo nosso, Alberto da Cunha Melo (1942-2007), nascente de uma geração de poetas e escritores pernambucanos de inegável sagacidade, nos traz exemplo obrigatório dessa relação filosófico-ontológica. Publicado em 2006 pela editora Girafa, “O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos[3]” revela este caráter de uma poesia que não dorme, muito menos se aprisiona. Composto alegoricamente aos versos da métrica e tradição oriental[4], O cão de olhos amarelos nos permite a sedução pelo teor encantatório e insólita disposição de imagens. Estas vão desde a mais vaga impressão sensível da vida cotidiana ao mergulho em parte do universo imagético-cultural do poeta, que transita por figuras como Marlon Brando, Franz Kafka aos anônimos transeuntes das ruas.

Em “Amantes e enxofre”:

 

A alegria dos amantes

é a agonia dos que sobraram,

feito restos de ondas

nos rachões dos rochedos;

e quando eles resolvem

incontidos tocar-se

no silêncio da sala,

seus suspiros abanam

as fogueiras de enxofre,

pelos cantos da casa:

a alegria dos amantes

empalidece os mortais.

 

A dimensão plástica dada ao poema, na construção meticulosa de uma macro imagem permite ao leitor, o afunilamento de sua visão, no ato da leitura. Forma-se um quadro nítido a partir da correlação de cada verso do poema, gerada pela metaforização dA alegria dos amantes. Esta ação revela um choque de encontro, no qual a realidade não é suficiente para abarcar sensações e vivências. Por intermédio da palavra que se faz ação, as figuras que estruturam o acontecimento ético – o Eu e o Outro – provam de forma violenta esta tensão do campo ético. É necessário crer na palavra como agente propulsor de uma “realidade paralela” e cruel. Promulgando pela palavra um coágulo responsável por empalidecer todas as alegrias.

Sabendo que “cada palavra tem um universo que está nela e o que lhe colocamos dentro[5]” o poeta reconfigura o mundo sensível ficcionalizando-o conforme a necessidade crítico-criativa. É nestes polos do real que habitam as ideias de ética e de estética necessárias para fazer com que a escrita da violência expresse “essa potência em sua liberdade, lançando mão da mesma implacabilidade e do mesmo rigor de seu desejo[6]” Esta “insuficiência intrínseca do real”, levantada por Clément Rosset em O princípio da crueldade assume sua face frente ao encontro desta “causa”; a crueldade seria a parte que faltava para tornar este real, cognoscível. Desta forma, a violência e a crueldade, enquanto sua substância, são a expressão direta do real e por consequência da “vida enquanto essência[7]”, sua aparição e permanência na obra literária é reflexo transitivo da ação ontológica gerada a partir do confronto entre Eu e Outro, anteriormente definida. 

 


[1]LEVINAS, Emmanuel. Diálogo sobre o pensar-no-outro in: Entre nós – ensaios sobre alteridade. Petrópolis: Editora Vozes, 2ª ed, 2005, p. 268 – 275.

[2] ANDRADE, Carlos Drummond. Rosa do povo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

 

[3] MELO, Alberto da Cunha. O cão de olhos amarelos e outros poemas inéditos. São Paulo: Girafa, 2006.

[4] O próprio poeta explica ainda em seu breve prefácio que a concepção do livro, deu-se sobretudo, como estudo de uma forma básica da métrica oriental conhecida como renka. A forma já extinta da poesia japonesa, descende de outra mais antiga, a Waka. Todo o livro portanto é um livre estudo das formas primordiais da renka, no que compete ao uso paralelístico e ao uso de versos dísticos no final de uma estrofe e início de outra.

[5]NEJAR, Carlos. Cadernos de fogo – ensaios sobre poesia e ficção. São Paulo: Escrituras Editora, 2000.

[6] SCHOLLHAMMER, Karl Erik A cena do crime: violência e realismo no Brasil contemporâneo, Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1ª ed. 2013.

[7] LUKÁCS, Georg, A teoria do romance, 2ª ed. São Paulo: Editora 34, 2012.

 

Sete: a poesia nossa de cada dia

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Por: Danuza Lima

Em um tempo de multifaces no discurso poético, verdadeira miríade espectral de textos, poetas e sons, o ser plural é “estar atento e forte”, fazendo e refazendo a poesia nossa de cada dia. Este cenário caleidoscópico de nossa poesia, bonito cenário, diga-se de passagem, é tantas vezes, movido por febres, espécies de “esquizofrenias” criativas, links inteligentes que ligam a poesia a demais manifestações artísticas, mas sobretudo, da poesia desnuda, aquela que não se envergonha de dialogar com os mais diferentes campos da cultura. Contudo, a poesia em sua tradição popular, aquela que nasce do canto, do aboio, das incelenças, que são vestígios de nossa cultura trovadoresca , ainda resiste em um Nordeste que se reinventa a cada página e livro lançados.   Digo isso, porque ontem, estive na Livraria Jaqueira para o lançamento de “Sete”, mais novo livro do poeta Alagoano, radicado na Bahia, José Inácio Vieira de Melo. Tive contato com a obra de JIVM há alguns anos, lendo, estudando, sentindo poesia e sobretudo, elegendo meus amuletos poéticos particulares. Durante a noite, após uma apresentação e explanação do escritor Ronaldo Correia de Brito, o próprio poeta apresentou seu livro, declamando alguns poemas, recebendo abraços e autografando os exemplares, é claro. Vale ressaltar, o belíssimo trabalho da ilustradora pernambucana Hallina Beltrão, que assina as três capas de “Sete”, além das ilustrações no corpo da obra. Hallina é responsável pela direção de arte do espetáculo Baile do Menino Deus e também assinou a capa do livro “Tangolomango” do Raimundo Carreiro.

Pouco sei sobre o livro ainda, e creio que este texto, uma nota na verdade, seja apenas um simples convite à poesia de José Inácio Viera de Melo, que em primeira e rápida (confesso) leitura de alguns poemas, dialoga de forma justa, com o cancioneiro popular, a poesia das cores, árvores, cheiros e do céu do Sertão, do canto das carpideiras. Tudo inteligentemente organizado e filtrado nos versos de JIVM que revelam desde a sua paixão por cavalos, pela terra e a inevitável necessidade do poeta pelo silêncio e suas alegorias.

No mais, a leitura mostrará o que mais me reserva “Sete”, além desta fatal ligação mítica que a imagem do numeral traz.

Serviço: 

MELO, José Inácio Vieira de. Sete. São Paulo: Editora 7 Letras, 2015