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Entre Belchior e a dor real, nasce a poesia

E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais

[Alucinação, 1976]

A felicidade é uma arma quente

[Comentário a respeito de John, 1979]

14895588_1082376931860572_1053268519_oPor Danuza Lima (mestra em Teoria da Literatura – UFPE, escritora e professora).

Pulsa antes mesmo do verbo escasso que nos cospe à boca, algo fora da ordem material das coisas, a dor, que legitimada pela palavra, cria o cenário propício as boas composições líricas. Há uma linha tênue entre a dor e a palavra, o poeta conhece bem seus limites. Dor e palavra são próximas, a dor ocupa o ser, a palavra ocupa o mundo.

Foi justamente sobre a dor e o mundo que a memória me ativou a lembrança de Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Ontem, 26 de outubro, ele completou 70 anos e para além da lacuna imensa que sua falta faz para o cenário de nossa música e cultura, precisamos registrar o tamanho dessa lacuna que já completa cerca de 10 anos.

Justamente por esses dias, as canções de Belchior, sempre tão presentes, figuram uma realidade mais que paralela. Por via de regra, ela sobressai-se ao próprio real e a sua insuficiência. Este “delírio” experimentado pelo compositor é a crua aproximação entre sua forma de também experimentar a insuficiência do real na tentativa de reativá-lo através da palavra, deste pulsar, da poesia dessas “coisas reais”. A insistência de Belchior em se nutrir das cenas cotidianas, serve para expressar esta potência última da palavra em ser implacável com a realidade, fazendo dela mote e glosa para o nascimento desta poesia da vida. Esta na qual, cenário e personagens somos nós. A dor do “peso da minha cabeça” é cimento para esta felicidade que se acha no gozar a liberdade, para Belchior, parece que liberdade de tudo, desde em ser-se quem se é, à permissão do deixar-se ir.

Nisto que engloba a vasta obra do cantor e compositor, há amor de sobra pela vida, amor inclusive que se alimenta da dor dos dias para se fazer visível. É ela a mola motriz para “mudar as coisas”. No fundo, a dor em Belchior é a soma dos amores do mundo, a lúcida compreensão dos aspectos mais simples do cotidiano vertidos em versos. A dor é amor, não melancolia, é preciso cantar a vida, insistir em seu julgo incerto, torná-la nossa salvação. Quem sabe Belchior ainda a procure e sua forma de insistir na ação seja para conosco não sumiço, mas generosidade?

ermo

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Nossa colunista num passeio intersemiótico!

Danuza lima publica carta escrita para o seu grande amigo, o poeta, músico e autor de “Opusfábula” (CEPE), Jonatas Onofre. “Há uns 15 dias ele me enviou o seu EP – “Ermo” e tal foi meu encantamento com o álbum que, como de costume, enviei uma carta com minha leitura despretensiosa, de quem não é musicista, mas que ouve música como quem lê poesia…”. Danuza.

EP: https://jonatasonofre.bandcamp.com/album/ermo

Por: Danuza Lima

Devo iniciar confessando o que já sabes: sobre a música, me dedico a ouvi-la como quem lê, como quem escreve e passa tempos recolhendo e acolhendo o texto para acoplar a palavra no corte certo da navalha.  Por isso, as impressões que te deixo funcionam como setas despretensiosas e imaturas de quem lê para ouvir ou vice-versa, como quem aponta o prumo frente a leitura da poesia da vida, o pulsar e a roda dela a girar, enquanto em poema, ficamos nós leitores, assim como em “ermo”, apontando vibrações audientes por sobre os versos, que palavra e nota musical coadunam-se na linha motriz deste pulsar: a música. 

No mundo céltico, diz-se que Cuchulainn gravou uma inscrição num círculo de madeira, para defender-se do exército da Irlanda. A inscrição feita na escritura celta ordenava a quem lesse a proibição de seguir a diante na caminhada, de aceitar o duelo. Teu EP, assim como o símbolo mágico para os celtas, é “o limite mágico infraquecível”, aceito teu duelo. Foi exatamente a imagem circular, o símbolo fundamental do universo, segundo a razão imaginária, que me veio à mente quando ouvi “girou, girou”. E não só pelo resgate semântico do título, mas pela forma como as cordas do violão produzem um som circular, construindo nas engrenagens da razão, a imagem e o som do “círculo como signo da Unidade de princípio”. A própria voz, em escaleta traduzida, é um poema sobre as distâncias circulares da vida e do tempo, você mesmo o sabe de sua imutabilidade, músico que é, o tempo para você é matéria viva de uma realidade cósmica, tangível apenas através da arte de “poder tocar um instrumento”, ou usar o aqueduto vocal.

Mas é sobre distâncias este teu EP, distâncias circulares ou quadradas, versadas no centro de algo, sendo assim, teus caminhos, me parece, retornam sempre à unidade fundamental da vida, da leveza e dor de ser quem é, nesses caminhos trilhados “a ermo”.

Lembro que te disse uma vez, que teu violão, acompanha uma voz inquieta por soar aos caminhos, agora essa voz, se mostra, este violão que duramente se examina e se estuda junto ao piano, visivelmente influenciado pelos caminhos mineiros do Milton, do Clube, digo “visivelmente”, sabes porquê. Por isso, em tuas “vastidões”, os giros da roda da vida indicam uma totalidade, a perfeição de um tempo que engloba os números cotidianos das placas difusas das ruas, dos anônimos nos coletivos, da especulação de um olhar poético sobre os lugares, agredindo sensivelmente o fio das horas, da matemática musical.

Ao acompanhar esse passeio, sigo teu conselho e chego ao teu ermo caminhar, que eu, audiente-leitora, sou levada pela bela execução de um instrumento que para mim, com relação a você, é novo. Como todo novo, o impacto soou longe, essa era tua intenção, imagino; este “ermo” caminho que aos poucos vai encontrando um varadouro provisório (como toda volta no círculo do tempo) para um transeunte como você. As faixas vão se ajustando, não pouco a pouco, mas leves, muito leves e talvez essa tua leveza, seja para mim, tua melhor conspiração para com a poesia de tua música. E se na composição “profética” deste EP, os recursos foram simples, tua música, cada vez mais, se mostra mais elaborada, sensorialmente “infranqueável”, como as faces do tempo, aos olhares de Minervina, que você resgata tão bem.

Mas uma vez, sou compelida à imagem central: o círculo, que todo caminho é, mesmo pela estrada longa que se trilha, ermo que seja, é todo circular, que sai de giros e volta, em ti, para a cantiga popular.

Não te digo mais nada, por hora. Eu paro no silêncio, única forma de burlar o giro da roda da vida, ao menos metaforicamente, e espero mais destes teus caminhos, sempre.

 

Danuza Lima é escritora, professora e mestra em Teoria da Literatura!

Musicalmente Mercedes Sosa

TALONÁRIOA cantora Sonia Sinimbu e o guitarrista Breno Lira apresentam, na próxima sexta-feira (04/09), na Galeria Café Castro Alves, o show ‘Musicalmente Mercedes Sosa’, composto por canções que foram interpretadas pela cantora argentina em show acústico na cidade de Lugano, Suíça, na década de 80.

No repertório estarão presentes músicas que se consagraram mundialmente como ‘Gracias a La Vida’, da poeta chilena Violeta Parra, ‘Duerme Negrito’ e ‘Piedra y Camino’, ambas de AtahualpaYupanqui, considerado um dos mais importantes divulgadores da música folclórica argentina, ‘A Victor’, homenagem ao poeta e cantor chileno Victor Jara, preso e fuzilado em1973, logo após o golpe militar do general Augusto Pinochet contra o presidente Salvador Allende. Vale dizer aqui que Victor Jaradesempenhou um papel central entre os artistas que estabeleceram o movimento da ‘Nueva Canción Chilena’, revolucionando a música popular de seu país. Ainda no repertório, a lindíssima ‘Como La Cigarra’, da poeta argentina Maria Helena Walsh, ‘Cancióncon Todos’, que ficou marcada quase como um hino da unidade dos povos latino-americanos, entre outras canções, igualmente belas.

A associação entre Sonia Sinimbu e Breno Lira já existe desde 2009 e vai além de um simples encontro entre uma cantora e um guitarrista. Trata-se da união de dois artistas que, juntos, passeiam por interpretações originais e virtuosas execuções, regadas com harmonias sofisticadas e com primoroso cuidado musical e estético. No show ‘Musicalmente Mercedes Sosa’, Breno Lira estará tocando violão acústico e cuatro venezuelano, instrumento também muito usado por Mercedes Sosa.

Sonia Sinimbu teve sua formação no Conservatório Pernambucano de Música, nas classes de canto erudito e violão e sempre esteve acompanhada por músicos de primeira grandeza. Em sua trajetória, leva na bagagem shows realizados nos E.U.A e na Suíça, participações especiais em discos de amigos-parceiros como Zeh Rocha e Ivan Morais, apresentação no programa ‘Som Brasil’ (SP), dirigido por Rolando Boldrim, bem como em festivais importantes, como o ‘Frevança’ (PE) e o ‘Festival dos Festivais’ (RJ). Fez o ‘Projeto Pixinguinha’ (PE), abrindo o show de JardsMacalé e do saudoso ‘Velho Morengueira’, Moreira da Silva. No final do ano de 2012, lançou o disco ‘Quando a Canção Acabar’, projeto coletivo com as cantoras Anastácia Rodrigues, Angela Luz e Cláudia Beija.  Em suas faixas, interpreta os compositores pernambucanos Juliano Holanda e Publius ,na música ‘Vírgula’, Marcos Sacramento e Luiz Flávio Alcafora, em ‘Na Cabeça’ e ‘Mergulhando’, de Fabio Tagliaferri e Tiago Torres.

No momento, encontra-se em pré-produção de seu primeiro disco solo, ‘Camaleão Sinimbu’, que terá direção musical assinada por Breno Lira e o luxuoso acompanhamento do grupo instrumental ‘Treminhão’, formado por Breno (guitarra), Ricardo Fraga (bateria), que assinará a produção fonográfica, e Jefferson Cupertino, músicos com os quais trabalha há mais de cinco anos.

Breno Lira é professor de guitarra no Conservatório Pernambucano de Música e no CEMO – Centro de Educação Musical de Olinda. Em sua carreira já esteve ao lado de músicos como Yamandu Costa, Carlos Malta, Hermeto Pascoal, Heraldo do Monte, Hamilton de Holanda, entre outros. Estará viajando neste mês de setembro para Portugal, onde passará os próximos dois anos, fazendo o mestrado em performance em jazz na Universidade de Aveiro. Na Europa, sua agenda já tem pauta marcada com o grupo ‘PernamboucQuartet’, tocando guitarra e viola de 12 cordas, ao lado de Antonio Marinho (canto e recitação de poemas), César Michiles (flauta e pífanos) e Lucas dos Prazeres (percussão e canto). O grupo foi criado pelo produtor Amaro Souza Filho, da produtora ‘Página 21’, exclusivamente para turnê na França, com shows marcados para novembro deste ano de 2015 nas cidades de Nime e Toulouse e gravação de programa na ‘Radio France’, em Paris.

O show‘Musicalmente Mercedes Sosa’ será o último trabalho antes de sua ida para Portugal.

Serviço:

Sonia Sinimbu e Breno Lira, no show ‘Musicalmente Mercedes Sosa’

Local: Galeria Café Castro Alves

Rua Capitão Lima, 280 – Santo Amaro

Data: 4 de setembro (sexta-feira).

Horário: 21h

Informações e Reservas: (81) 9 9755.8513 ou pelo email: castroalvesproducao@gmail.com

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Contrastes

retratodedoriangray_01Por: Patricia Tenório

O que tem a ver Albert Einstein, O retrato de Dorian Gray, o Renascimento, Milton Nascimento e Emilson Zorzi?

Albert Einstein sempre rondou meu imaginário, seja na admiração que meu pai tem por ele, seja num desejo antigo meu de ser cientista. Desejo meu ou desejo do outro que é meu pai, materializando-se através da filha mais velha?

Retornei de uma viagem pela Itália, particularmente visitei a Toscana. Aproveitei a ocasião para estudar in locuo sobre o Renascimento.

Há mais ou menos dois meses terminei de ler O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Havia lido e muito me impressionou De Profundis A alma do homem sob o socialismo.

No voo de volta da Itália, assisti Einstein & Eddington([1]).

Trata-se de um trecho da vida de Albert Einstein quando, com a ajuda de Arthur Eddington, descobre a Teoria da Relatividade. O que mais me toca no filme, além da fotografia de uma Cambridge do início do século XX e uma Berlim a caminho da 1ª Grande Guerra Mundial, é a delicadeza e a violência ao mesmo tempo do gênio criador. Eddington, apesar de Einstein pertencer à nação inimiga, defende a Ciência acima dos preconceitos e atrocidades humanas. Einstein permanece em seu centro, ou procura permanecer, ainda que solitário, ainda que forçado a assinar uma lista de 93 cientistas a favor do Kaiser, ele encontra em si sua máxima coerência. Lembro do livro Como vejo o mundoonde Albert Einstein discorre sobre temas diversos. Abre com uma crônica homônima ao título e se considera “profundamente um solitário”, mas ao mesmo tempo crê “profundamente na humanidade”, apesar da sua “inconsistência”.

 

Certas Canções – Milton Nascimento

A máxima do Renascimento foi a imitação como forma de aprendizado. Segundo Alexandre Ragazzi([2])

“… o artista, por meio da imitação de diversos modelos, fatalmente acabaria por criar uma nova obra.”

Ao processo de imitação caberia seguir o outro, se equiparar a esse outro esuperá-lo. Através da cópia, da humildade do discípulo em abrir-se aos ensinamentos e conhecimentos do mestre, uma fresta ilumina o que em si habita, e, através do estudo, contínuo e persistente, pode ser revelado. A escavação, às vezes, leva toda uma vida se assim o quiser, tornando-se independente de seu mestre caso seja esta a sua natureza.

Retiramos máscaras atrás de máscaras e não nos reconhecemos mais, e não aceitamos que eram apenas máscaras o que usávamos quando nos aparentávamos bons, belos, próximos à imagem e semelhança divina. Mas vemO retrato de Dorian Gray e nos retira mais uma máscara de vaidade, e nos faz cair ao rés-do-chão e apanhar as últimas partículas do ser, tentando montar um espelho partido do outro, um espelho que precisamos para nos reconhecer e nos por em pé novamente e tentar desfazer os nós que em nós mesmos criamos.

Desfazem

nós

tramam…

nós seguimos,  nós

desfazemos,

um a um, nó, só, nós…

desfazem-se os nós,

nós,

podemos desfazer os nós, contras e prós

nós e nós

nós com nós com nós

não há nós

fio reto para tecer-nos

ternos ex-nós

(Nós, Emilson Zorzi)

Param

As vespas cantantes

No santuário

Do meu canto límpido

Você

Atravessa o espaço

Outrora alheio

Agora nosso

Para

Desfazer os nós

Que em nós se armaram

Até os ossos

Vem

Na manhã fria

Uma luz, um fio

A costurar palavras

Onde agora posso

Refazer os nós

Dos que se amaram

Até os ossos

(Nós, Patricia Tenório)

 

(1) Dirigido por Philip Martin, com Andy Serkis (Einstein) e David Tennant (Eddington).  

(2) Revista O tempo do renascimento, Vol. 3 – 1480 a 1500.

http://www.patriciatenorio.com.br/?p=286

patriciatenorio@uol.com.br

Labirínticos! Elis Regina

ElisPor Danuza Lima

Labirínticos são os caminhos que percorremos entre a literatura e a música, juncos, notas musicais, sons adversos, versos e parágrafos interligados; mas entre os textos e uma determinada voz, isso sim, é tarefa para o chamado leitor-audiente. Falo de uma voz em particular, Elis Regina, não apenas como mulher, como voz, estridente, os olhos, o olhar, os trejeitos interpretativos, a imensa figuração quase onírica de sua voz. Ela tinha a rara habilidade de fazer-se pertencente ao instrumento que a acompanhava, piano, violão, percussão, quase todos pareciam humildemente render-se aos seus afinados acompanhamentos vocais, assim como “as palavras são diabólicas”[1], sua voz o era, veneno aos ouvidos, veneno que não mata, inebria.

Ao relembrarmos os 70 anos de nascimento da cantora, os aplausos e festejos são quase infindos, mas o que pouco vemos são nossos passos interligados entre entre ela  e a literatura  [conexões, perdoem, íntimas demais].

Apesar de ter sido apenas intérprete e nesta tarefa, talvez a melhor em nossa música, comulgamos nossos pensamentos aos mais findos e misteriosos caminhos desses labirintos. “O efeito que um livro exerce sobre nós só é real se experimentarmos o desejo de imitar sua intriga, de matar se o herói mata, de estar ciumento, de estar doente ou morimbundo se ele morre”, disse E.M Cioran. Eis a reação ao ouvir a voz de Elis que rodopia na vitrola antiga, incitando-nos a rodopiar também, como nos versos ritmicos de Cecília Meireles, a vontade é rodar, girar, mergulhar os mares, posto que  “por todos os lados/o mar me rodeia”.  Se há letra, é na voz que se produzem as emulações dos sonhos, despencamo-nos como um kamikase nos terrenos íngremes de sua voz, ao percorrer o “Jardin do Éden”, do senhor Ernest Hemingway, cheio de calor e da malícia-pimenta de seus choros. Nélida Piñon e seu “A casa da paixão” deixam as pedrinhas a ladrilhar os caminhos juntamente com o “me deixas louca”, é a essência – palavra perigosa – do ser mulher, na irreparável interpretação de  “atrás da porta”, docemente acompanhada do desespero calmo do campônio, ao dizer a sua amada “Não quero despojar-me de um coração que te ofereci com tanta opulência”[2]. “O menino de engenho”[3] paira  em seus pululos de “Upa neguinho”. Combinações possíveis e caminhos trilhados, joguemos esses ladrilhos, intorpecemo-nos dessa voz que (re)desenha os textos, os versos, tornemo-nos leitores-audientes, jogando areias, plantando flores nos terrenos quase absurdos da literatura e da música, para tornar não só esta voz, célebre lembrança de presentes, pretéritas e futuras leituras, mas virar “corsário”, como um velho lobo do mar…

Danuza Lima é contista, poetisa, professora e mestranda em Teoria da Literatura pela UFPE.

 


[1] Leyla Perrone-Moisés_Flores na escrivaninha

[2] Nélida Piñon_O calor das coisas

[3] José Lins do Rego

Parlatório Gerlane Lops

A revelação do samba pernambucano está no Parlatório! Adriano Portela recebe a cantora Gerlane Lops. Imperdível!