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Eu nunca fui feminista

Por Clodoaldo Turcato

20938658_1381500245281404_785749661_nQuando fui convidado pelo querido Adriano Portela para escrever esta coluna de arte, aceitei de pronto, pois entendia que faltava alguém que escrevesse de maneira simples e até coloquial sobre artes plásticas. Todos os escritos que se vê sobre arte às vezes mais embrulham do que destrincham. Os críticos partem para o lado teórico e a pessoa que busca compreender uma obra de arte, principalmente abstrata, fica perdido em palavras e conceitos.

A proposta era escrever para que quem lesse compreendesse obras de Jackson Pollock e desmistificasse a ideia de que aquilo era apenas tinta jogada na tela, ou que O quadro negro de Kazimir Malevichnão passe duma aberração artística, uma galhofa de dois quadrados que qualquer pessoa com um mínimo de coordenação motora faria. Enfim, o objetivo desta coluna, que irá completar três anos, sendo publicada todas as segundas-feiras (com raras exceções de esquivo) é desenrolar este bicho feio chamado arte plástica e expor os reais motivos da eterna pergunta “por que aquele quadro de Pablo Picasso é tão estimado?”

Não sei se respondemos isso ainda.

De qualquer maneira, neste caminho intensificamos os estudos, buscamos referências, artistas, museus, galerias e sites e muitos livros para reforçar os argumentos. Simplificar arte não é fácil. Para isso é fundamental se aprofundar, digladiarmos com conceitos, argumentos, teses e depois transformar tudo em compreensível para o leigo ou leiga.  Neste percurso intelectual, comprovei um processo enfadonho, cruel e mesquinho que sempre excluiu a mulher artista.

No passado, existia ainda mais dificuldade para as mulheres que desejavam seguir o caminho da criação, pois, além de a sociedade ser completamente machista, com a mulher tendo seu papel enclausurado no lar, sem trabalhar, havia outras complicações. Em algumas épocas, escolas de arte que aceitavam garotas eram poucas, e as que aceitavam cobravam mais delas do que deles. Também, seria mal visto uma artista desenhar a partir de um modelo nu masculino, importante para o aprendizado da anatomia do homem, além de ser também um problema ficarem horas sozinhas com um homem que deveria ser retratado, por exemplo. Se esmiuçarmos os livros de arte deste período iremos encontrar Sofosniba Anguissola e duzentos anos depois Artemisia Gentileschi, artistas que tiveram reconhecimento, no entanto vidas privadas tumultuadas, já que pintar era ofício de homem. No entanto, é abundante o nome de artistas homens que se descrevem nestes manuais, como maravilhosos, exuberantes, gênios e tal. Para as mulheres sobram as migalhas de “mesmo sendo mulher ela conseguiu ser artista” .

Ao chegarmos ao impressionismo e expressionismo, oriundos de países ditos libertários e libertinos como a França, a mulher artista sempre esteve abaixo do homem pintor. Grandes são Claude Monet, Paul Cézanne, Edgar Degas, Pierre-August-Renoir, Camille Pissaro e Henri Matisse.  Berthe Morisot, Mary Cassatt, Eva Gonzalès e Lila Cabot Perry, dentre outras, são citadas mais como namoradas, amigas, amantes e conhecidas ou alunas de homens que pela própria obra em si.

No Brasil, o movimento da Semana de Arte Moderna de 1922, tida como revolucionária, uma proposta nova de ver arte e principalmente quebrar os conceitos da tradicional família brasileira, expôs poucas mulheres, como Pagu, Anita Malfati, Tarcila do Amaral e Elsie Houston, sempre com a entonação de quase piedade, como algo raro e espetacular, uma sensação de que por trás de grandes obras como Tropical e O Àbaporú, estaria um macaco adestrado.

Na noite de 17 de agosto, estive no Instituto de Arte Contemporânea, no Bairro do Benfica, participando do lançamento do livro De Sinhá prendada a artista visual, um projeto coordenado pela Doutora Madalena Zacarra, com as pesquisadoras Bárbara Collier, Marluce Carvalho e XavanaCelesnahe produzida pelo artista Itamar Morgado, com apoio do Funcultura. O livro reúne 87 perfis – que compreendem dados biográficos, cronologia, acervo de crítica sobre a obra e comentário – de artistas que viveram no Estado entre 1900 e 2016. Além disso, 118 outras criadoras tiveram seus dados registrados, pois não foram encontrados dados suficientes para um perfil completo. O que me impressionou neste trabalho, além da qualidade inquestionável do trabalho em sim, foi o grande número de trabalhos “esquecidos” ou maquiados por uma sociedade paternalista, parcial e apoiada em conceitos machistas.

Eu, no início citei que precisei estudar para escrever, ou simplificar. De tudo, e todos meus apanhados, pouco ou nada ouvira de Fedora Rego Monteiro, aceita em grandes salões da Europa e pouco valorizada no Brasil e Recife onde nasceu e morreu.  Menos vi de Maria Francelina que ousou pintar temas fora da mitologia ou religião e com seu belo Modelo em Repouso escancara sua técnica maravilhosa. Tantas vezes me maravilhei com o belo Vitral da Biblioteca Central da UFPE, sem saber, ou querer saber, que se tratava de uma criação de Aurora de Lima.

Sem um trabalho como este, como sabería de Marianne Peretti, Lenira Regueira ou Teresa Costa Rêgo?  Temos o privilégio de compreender mais de Isa do Amparo, Janete Costa e Ana Ivo. Como é bom ver as cores de Margot Monteiro e a singeleza de Suzana Azevedo, além da expressividade de Ana Santiago. Somente uma pesquisa refinada como essa tem condições de revolver o passado e expor o presente da criação artística da mulher pernambucana. Expor a mulher sem medos, como faz Bárbara Collier e Barbabra Rodrigues e que isso fique registrado para posteridade, é necessário, fundamental para a memória, o futuro dos estudiosos e apreciadores de arte e principalmente para compreender o processo de evolução da sociedade, com todas as mazelas sofridas pela mulher artista ou não.

Convido as leitoras e leitores a terem este livro em suas mãos. É um passeio itinerante pela história da arte, com conceito, profissionalismo, e mesmo sendo um livro criado por mulheres feministas, não levanta esta bandeira, apenas expõe a dura realidade destas mulheres nascidas para cama e mesa, que resolveram buscar seu lugar e o fazem sem meias verdades ou sombras. Elas são artistas e fim. O trabalho de ontem e de hoje cá está, o gosto pessoal e a extensão deles não cabe discutir hoje. O livro é o nosso objeto. As produções e suas artistas precisam ser registradas e ovacionadas. O passado e o presente refletem o quanto fomos e ainda precisamos evoluir na busca urgente de soluções que não escondam estas memórias.

Confesso que esta coluna não me tornará mais ou menos feminista. Não sou! Este livro me faz rever métodos e procurar melhor neste palheiro que o preconceito insiste em esconder. Talvez ao final da leitura deste trabalho eu me torne um estudante melhor, mais capacitado e encontre na Sereia de Cláudia Santos o verdadeiro conceito do ser homem, sem ser machista. 

O dia em que o vendedor de flores salvou uma relação

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Foto: Caio Queiroz

Por Lmar Macêdo

Ele está em todos os lugares – Sim, ele. Mas não estou falando de Deus e nem do diabo. Ele é o semeador do amor, nessa Recife que pouco ama. Chega do nada, como quem sai de alguma árvore, ou das brechas dos paralelepípedos do Recife antigo. Quando você percebe, uma mão estirada aparece na sua frente,com uma cara de cachorro com fome e uma voz que da dó: “Compre uma flor pra moça”. E você gentilmente, diz: – Não, obrigado.

Mas se ele insistir, você diz: – Não, amigo, muito obrigado. Ele vai embora, cabisbaixo, em busca de outro casal para perfumar o encontro com suas flores. Todo casal apaixonado já topou com ele. Seja no Recife Antigo, no Parque 13 de maio, na Jaqueira, na Praça do Arsenal, na Mamede Simões, na Rua da Aurora, na beira do rio de frente pro Paço Alfândega, onde alguns casais ficam namorando ao som da maré subindo. Ele chega como quem não quer nada e oferece aquela flor, o símbolo da surpresa amorosa. Mas quem decide é você, se vai querer surpreender a moça(o), ou deixar que ele insista na compra. O lendário vendedor de flores do antigo, ou o onipresente, como é conhecido, também ajuda aquelas pessoas que querem surpreender a namorada(o) que está de mal. Conheço um amigo que pisou na bola com a sua amada, fez besteira, esqueceu a data do aniversário de namoro e ainda foi jogar futebol com os amigos. Quando chegou em casa ela já estava dormindo após chorar e chorar. No dia seguinte ela deixa um recado pregado na geladeira. “Obrigado por lembrar da data do nosso aniversário de namoro, fiquei te esperando até tarde, e você me deixou sozinha”.

As ironias foram escritas com caneta bic azul numa folhinha de papel amarela. O rapaz sentiu o peso da vergonha e o medo de perder a mulher. Lembrou do vendedor de flores, aquele que passa todo dia pela frente do seu escritório, ali na Rua da Guia, sentido Praça do Arsenal. Naquele dia, por volta das dezoito horas, ele viu o vendedor passando do outro lado da rua e saiu correndo atrás. Enquanto uns tentam fugir dele, o meu amigo foi atrás – veja como são as coisas. Comprou todas as flores do rapaz e fez um buquê, – ele me disse que eram umas vinte e cinco flores. Voltou pro escritório, preparou um bilhete, passou numa livraria famosa e comprou um blu-ray de uma cantora que ela adora.

Correu pra casa e chegou primeiro do que ela, ornamentou toda a casa, derramou pétalas na cama e pôs pra tocar o blu-ray da Marisa Monte. Ela entra, sente o cheiro das rosas e ouve a música Ainda Bem, prontamente ela fez um riso de cantinho de boca, aquele que deixa a covinha. O coração da moça dispara e surge na sua frente um buquê de rosas vermelhas… Um abraço e um beijo acompanhavam aquelas flores compradas na pressa do final do dia. Os pombinhos voltaram ao amor de anteontem, as flores curaram. Essa foi uma das histórias que o vendedor transformou, melhorou o relacionamento com suas flores. Ele não tem ideia do que já fez pelas pessoas, acho até que ele tem uma vaga no céu, com um jardim só pra ele.

Lmar Macêdo é radialista por formação, estudante de publicidade e amante de todo tipo de arte.

Mulheres, uma ilha e muitos dramas

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Acredito que cada pessoa tenha um cantinho especial em sua vida. Aquele em que você viveu uma história feliz, seja na infância, juventude ou vida adulta. Eu tenho alguns em especial. E sempre que lembro deles, fico mais feliz. É um sentimento reconfortante, que nos faz seguir em frente. E é justamente em um local assim que se desenrola todo o enredo do livro resenhado esta semana  “ A Ilha”, de Elin Hilderbrand.

Temos várias personagens principais que vão se intercalando a cada virada de página. Birdie Cousins  é recém- separada e está ocupada na preparação do casamento da sua filha Chess. Mas ela é surpreendida no meio da noite por um  telefonema de Chess que anuncia que rompeu o noivado. Assim, sem nenhuma explicação. E esse é só o primeiro sinal de que o verão promete muitas surpresas. Chess além de acabar o casamento, larga o emprego e se isola do mundo. Com o intuito de ajudar a filha, Birdie a leva para a casa da família na  ilha de Tuckernuck,  juntamente com a sua filha mais nova, Tate, e a sua própria irmã, India.

Agora você imagina juntar esse monte de mulheres, cada uma com um problema pessoal, será que essa temporada na ilha vai ser tranquila? Impossível né… Cada uma vive um drama particular e quando todos esses problemas estão sob um mesmo teto, uma coisa é certa, muitas discussões irão surgir. E o que deveria ser um momento de tranquilidade vai ser tornar um verdadeiro caos.

O livro é muito bem escrito. Todas os personagens são bem construídos, a autora faz com que fiquemos por dentro dos principais fatos que marcaram a vida de todas essas mulheres. Suas paixões, seus medos e inseguranças, assim como também os momentos felizes. E uma coisa é certa, mesmo com todas as diferenças entre cada uma, elas se amam, e esse sentimento sobrevive a todas as diferenças que venham a surgir. Boa leitura!

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Um livro absurdamente incrível

fotolmmmmPor Lorena Moura

O livro resenhado desta semana é diferente de tudo que já li. É uma trama psicológica, que vai se alternando com um romance policial e vez por outra nos tocando com um pouco de leveza associado às comédias. “Mate-me quando quiser”, da brasileira Anita Deak é um livro absurdamente incrível. Não sei em que fonte Anita bebeu para tirar uma escrita tão empolgante, encantadora e vez por outra arrebatadora. Mas uma coisa é certa, se todos os livros que irei ler este ano forem tão bons como “Mate-me quando quiser”, tenho certeza que será um ano incrível. Clique e Confira!

Os bem-casados de Nora Roberts

download01Por Lorena Moura

Todos aqui sabem que foi com essa série “Quarteto de Noivas”, que finalmente pude conhecer o trabalho de Nora Roberts. Ela é incrível! Escreve como quem tem uma vida cheia de amor e coisas boas para contar. Eu sei que ás vezes, ou na maioria das vezes, nós mulheres tendemos a fantasiar o homem perfeito, por causa de livros assim, mas isso meus amigos, é simplesmente ver escrito em páginas os nossos pensamentos em relação aos nossos parceiros. E só Nora Roberts sabe traduzir ideias assim.

É como se ela fosse uma vidente e retirasse de cada mulher uma forma de descrever o que esperamos do amor, o que esperamos do nosso parceiro. Sou contra aquele “conto de fadas” perfeito onde tudo é lindo e maravilhoso. Não, isso não é o que Nora escreve e muito menos o que é o amor. Ela escreve sobre situações normais, onde esse sentimento pode acontecer com qualquer um. Clique e Confira!

Linguagem, gênero e publicidade

cervejaPor Amanda Ledo

Recentemente, a questão de gênero social se tornou para mim um objeto de interesse pessoal e de pesquisa, além de estar em evidência nos últimos anos, especialmente depois da promulgação da lei Maria da Penha e o trabalho de órgãos preocupados com políticas públicas para as mulheres, entre outros. Clique e Confira!