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A beleza de um impressionista americano

Por Clodoaldo Turcato

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Quando o movimento impressionista surgiu, a crítica francesa, principalmente, dizia que os quadros eram inacabados. Escreveram de tudo. Que os quadros não despertavam em nada a percepção do espectador, que as obras não valorizavam o aprendizado acadêmico, que eram apenas jovens rebeldes, que infringiam os costumes franceses e até decretaram a morte da arte. Nada era belo. Uma experimentação apenas.

Hoje, ao rever tudo isso, sabemos que são asneiras de críticos que tinham birra com os pintores impressionistas por retratarem o dia-a-dia, dando oportunidade àqueles que nunca teriam oportunidade de estarem numa tela, como lavadeiras, sapateiros, operários, prostitutas, etc e assim escancaravam a desigualdade social da Europa e nesta bela aventura, quebravam o sistema mercadológico da época, se bem que depois de cinquenta anos os impressionistas foram confiscados pelo sistema.

A beleza da arte foi questionada. Os belos quadros de Monet, Degas e Cèzzane foram taxados de inferiores aos acadêmicos de então. Um dos poucos que se salvou das enxurradas de críticas negativas foi William Merritt Chase. William Merritt Chase nasceu em 1 de novembro de 1849, em Williamsburg (agora Nineveh ), Indiana. O pai de Chase mudou a família para Indianápolis em 1861 e empregou seu filho como vendedor na empresa familiar. Chase mostrou um interesse precoce pela arte e estudou sob os artistas locais Autodidata Barton S. Hays e Jacob Cox .

Depois de um breve período na Marinha, os professores de Chase o instruíram a viajar para Nova York para promover seu treinamento artístico. Ele chegou à Nova York em 1869, conheceu e estudou com Joseph Oriel Eaton por um curto período de tempo, depois se matriculou na Academia Nacional de Design sob Lemuel Wilmarth , estudante do famoso artista francês Jean-Léon Gérôme .

Em 1870, as fortunas da família em declínio forçaram Chase a sair de Nova York para St. Louis, Missouri, onde sua família estava baseada. Enquanto ele trabalhava para ajudar a apoiar sua família, ele se tornou ativo na comunidade artística de St. Louis, ganhando prêmios por suas pinturas em uma exposição local. Ele também exibiu sua primeira pintura na Academia Nacional em 1871. O talento de Chase suscitou o interesse dos ricos colecionadores de St. Louis que o convidaram a visitar à Europa por dois anos, em troca de pinturas e a ajuda de Chase para garantir a arte europeia para suas coleções. Na Europa, Chase instalou-se na Academia de Belas Artes de Munique, um centro de formação artística de longa data que estava atraindo um número cada vez maior de americanos e atraiu Chase porque tinha menos distrações do que Paris. Estudou sob Alexander von Wagner e Karl von Piloty e fez amizade com os artistas americanos Walter Shirlaw , Frank Duveneck e Frank Currier.

Em Munique, Chase empregou seu talento rapidamente crescente, mais frequentemente, em trabalhos figurativos que ele pintou no estilo vagamente escovado, popular entre seus instrutores. Em janeiro de 1876, uma dessas obras figurativas, um retrato intitulado “Keying Up” – The Court Jester foi exibido no Boston Art Club; mais tarde naquele ano foi exibido e ganhou uma medalha na Exposição do Centenário da Filadélfia, e esse sucesso ganhou a primeira fama de Chase. Viajou para Veneza, Itália em 1877 com Duveneck e John Henry Twachtman antes de retornar aos Estados Unidos no verão de 1878, um artista altamente qualificado que representa a nova onda de talentos americanos educados na Europa. Na América, ele exibiu sua pintura Ready for the Ride (coleção do Union League Club) com a recém-formada Society of American Artists em 1878. Ele também abriu um estúdio em Nova York no Tenth Street Studio Building, lar de muitos dos importantes pintores do dia. Ele era membro dos Tilers, um grupo de artistas e autores, entre os quais alguns de seus amigos notáveis: Winslow Homer, Arthur Quartley e Augustus Saint Gaudens .

Mesmo sendo dos Estados Unidos, Chase foi considerado um impressionista por pintar ao estilo europeu de então. Mas Chase não era apenas impressionista. Tinha talento e dominava diversas técnicas, sendo considerado por muitos um clássico. Uma de suas obras mais belas é Uma visita amigável, um óleo sobre tela medindo 76,8 X 122,5 cm, que se encontra no National Gallery, em Washington, Estados Unidos. Duas mulheres elegantes conversam, sentadas num sofá. A luz do sol enche a sala, iluminando os tons claros da paleta do artista. Esta não é uma cena formalmente pousada, mas uma situação do dia-a-dia onde as pinceladas soltas, uma das características dos impressionistas, abundam, além da informalidade e do vigor. A cor neutra contrasta com o marrom e verde que circunda a obra. Ao olhar para a obra, o espectador descansa os olhos numa tênue e sútil emoção. A paisagem é leve e silenciosa, mesmo que se perceba que a visitante é recém-chegada, pois ainda está com seu véu sobre o rosto e o guarda-chuva na mão. Ainda pode-se observar que não existem copos ou xicaras na tela, denotando que nada tenha sido servido.

Se os impressionistas em geral procuravam expor o dia-a-dia das minorias, Chase inverte o processo e demonstra, em quase toda sua obra, a burguesia em suas casas, ruas e prazeres. A obra de Chase não é uma contestação ou nem mesmo política. O pintor quer mostrar a vida cotidiana sem se preocupar se o trabalho irá mudar o mundo. Isso não encontramos na obra de Chase. Ele, por certo, não se imaginava num movimento tão profundo como o impressionista.

A busca por Chase de um olhar moderno infunde uma série de cenas do parque de Nova York que ele pintou entre 1886 e 1890 . Os parques públicos de Nova York, como aqueles em outros lugares, responderam a crescimento urbano e eram emblemáticos da era moderna. Fatores pessoais, aparentemente, levaram Chase a pintar parques da cidade. Embora Chase fosse um impressionista bem sucedido, ele nunca abandonou as referências à tradição, especialmente na sua obra Retratos e vidas mortas. Posicionando-se como um artista da sociedade, ele muitas vezes pintou imagens de seus alunos como “amostras”, mostrou-os amplamente e deu-os a instituições líderes, como no caso de Lady in Black que ele doou ao Museu Metropolitano em 1891. Chase, que morreu em Nova York em 1916, foi uma testemunha talentosa de sua era, reunindo impressões de Vida urbana do final do século XIX e o lazer rural no exterior e em casa, e tecendo juntos muitos impulsos mestres modernos e antigos para criar um relato distinto de seu tempo e lugar.

Outras obras de Chase são Uma varanda veneziana, Retrato de Miss Dora Wheeler, Uma Magdalena Moderna, Um Passeio da tarde, Menina em um traje japonês e No estúdio.

A pintura da vida moderna

sunrisewu (1)Por: Clodoaldo Turcato

Ao olhar a cidade de Londres em meados de 1870, percebia-se uma névoa escura com tons azulados oriundos do intenso movimento das fábricas, das pessoas e da fumaça gerada pelo calor. Se o sujeito virasse o rosto para o Tâmisa, notaria o vai e vem de barcos pesqueiros, alguns vapores menores com pessoas ganhando a vida. Este retrato tosco que faço com minhas letras pobres é uma cena comum nos dias de hoje. Esta cena das grandes cidades modernas passa desapercebida pelo cidadão comum. Um olhar pela Avenida Guararapes, em Recife, nos leva até o Capibaribe que raramente tem neblina, mas um fluxo intenso de gente, carros, barcos e a dor e a delícia da vida moderna. Talvez não fosse tão simples assim se Claude Monet estive sentado num canto qualquer da Rua do Sol.

Monet fez parte de um grupo de artistas franceses da segunda metade do século XIX, rebelados contra os temas históricos e refinado acabamento das obras de arte acadêmica. Eles se propunham as criar imagem da vida moderna tal como as via, capturando a impressão do momento em que passa e os efeitos fugazes de luz. Neste time estupendo estavam Claude Monet, Pierre-August Renoir, Edgar Degas, Paul Cézanne, FredéricBazille, CamillePissarro, Alfred Sisley, Edouard Manet, BertheMorisot e Mary Stevenson Cassat – Ufa! Que grupo, diria hoje qualquer estudioso de arte hoje. Nem sempre foi assim.

Com aspectos de inacabadas aos olhos do século XIX, as pinturas impressionistas foram recebidas com escárnio em sua primeira exposição em Paris, no ano de 1870. “Impressão, nascer do Sol” – eu bem o sabia! Pensava eu, justamente, se estou impressionado é porque há lá uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha” escreveu o crítico de arte Louis Leroy sobre o quadro Impressão, nascer o sol, de Claude Monet.A expressão foi usada originalmente de forma pejorativa, mas Monet e os seus colegas adaptaram a designação  de Impressionistas. Impressão, nascer do sol, é a mais célebre e importante obra de Claude Monet. É um óleo sobre tela, medindo 48x63cm, datado de 1872 (mas provavelmente realizado em 1873), que representa o nascer da manhã no porto de Havre, com uma névoa cerrada sobre o estaleiro e os barcos e as chaminés ao fundo da composição: a vida comum esplanada em tela.

Tão pioneiros na temática como na técnica, eles saiam de seus ateliês para observar o mundo ao seu redor e pintavam o que viam: paisagens de Paris, bailarinas amarrando as sapatilhas, lavadeiras trabalhando – cenas impróprias para uma obra de arte em cores vivas e ousadas, traçados simples e composições dinâmicas, muitas vezes decentralizadas influências pela arte japonesa e pela fotografia. Mesmo parecendo uma anarquia, os impressionistas compunham suas pinturas para sugerir esta espontaneidade.

O grupo de artistas se reunia geralmente no Café Guebois ou no estúdio que Bazille dividia com Renoir no Bairro de Batignolles, no subúrbio de Paris. Bazille morreu na Guerra Franco-Prussiana antes de ser reconhecido, porém deixou o embrião do que seria a Primeira Exposição Impressionista de 1870. Em obras como O estúdio de Bazille, um óleo sobre tela medindo 98×128 cm, retrata Manet, Monet e Renoir em uma visita, cercados por quadros recusados pelo Salão de Paris, numa severa critica ao comportamento dos críticos de arte.

O movimento impressionista foi uma convergência de talentosos pintores, cada qual com seu estilo e pretensões, que levou a vida comum para o cotidiano de pintura. Não significa dizer que eles não tinham conhecimento de belas artes ou que não dominassem as técnicas acadêmicas, como pode parecer a um desavisado que vê uma obra concreta hoje. Creiam, estes artistas eram esmeros desenhistas e pintores com domínio completo, no entanto não viam na arte clássica com seus Deuses e Demônios, motivação para suas criações:o que lhes atraiam era o cotidiano. Mesmo para artistas como Degas que preferia seu estúdio a sair pela rua, ou BertheMorisot, que por ser mulher era obrigada a pintar dentro de casa, e a Manet que tinha obsessão em vencer no Salão de Paris, o ingrediente principal era o cotidiano. Ser impressionista não é somente pegar uma tela, colocar embaixo do braço e pintar a natureza. O impressionismo causou um impacto tão grande nas artes plásticas que tanto quanto a Renascença Italiana, A arte japonesa, o Cubismo e o Concretismo. Depois dessa turma, ninguém mais veria arte com os mesmos olhos e o comum nunca esteve tão maravilhosamente ilustrado.

Semana que vem tentaremos falar da arte oriental.

Clodoaldo Turcato é jornalista, escritor e artista plástico, nascido em Santa Catarina, reside na Região Metropolitana de Recife desde 2000. Apaixonado por literatura e artes plásticas, tenta fazer esta fusão entre texto e imagem.