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Ler um quadro é tão igual a um livro

Por Clodoaldo Turcato

19688578_1335648886533207_1992889101_oOntem alguém me disse (deixarei a pessoa sem nome, por questões de ética) que prefere quadros a livros já que o quadro é só olhar e pronto, já um livro é necessário tempo, atenção e consumiria parte de sua vida. Sim, escreveu “parte de sua vida”.

Este, aliás, é um conceito mais comum do que se imagina. Acreditarque uma obra de arte basta um olhar para compreendê-la, sem maiores “esforços”.  Ledo engano.

Ler um livro requer atenção, compreensão, ajustes e releituras muitas vezes. Um bom livro não se lê correndo. Um bom livro nos faz navegar por águas mais profundas ou espaços inconvenientes tantas oportunidades. Os livros “difíceis” são os que mais nos elevam. Um livro qualquer, sem profundidade, infantilizado pode ser lido de chofer. Já um grande livro requer mais paixão, gana e boa vontade. Ouço bobagens sobre Ulisses de James Joyce, por exemplo, ou Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa. Tive reservas com o Jornalista Reinaldo Azevedo antes mesmo de se colocar a serviço da mídia golpista quando numa entrevista ao Jornalista Ediney Silvestre disse que Guimarães Rosa é uma bobagem. A linguagem não lhe dizia nada. Ouvi isso de Joyce, de Victor Hugo e até de Machado de Assis. Oras!

O mesmo olhar desinteressado ocorre com a arte plástica. Tanto para bem, como para mal, a maioria olha um quadro de maneira tão ligeira que perde as nuances ou não entende patavinas. Se for bem pintandinho coloca na parede, senão atira suas pedras todas.  E assim, um monte de artesanatos e arte decorativa cobre as salas ricas e pobres. Uma obra de arte plástica precisa ser vista, revista, descontruída e sentida. Não se pode apenas passar o olho e supor que aquilo seja bom ou ruim, bem feito ou mal feito. Desta maneira legiões de pseudos-admiradores de arte vão ter Caravaggio, Rubens, Da Vinci,Rafael e toda a arte renascentista em seu conceito de arte, de resto nada serve. Os artistas concretistas, abstratos, póveros, minimalistas, etc, são relegados ao ostracismo e incompreendidos por que não cabem na ótica preliminar e superficial do perfeitinho.

Em Resumo, ler uma obra de arte custa tanto quanto um livro. Algumas peças depois de uma leitura mais séria não vão representar grande coisa, no entanto não se pode ver sem paixão ou ganas de enveredar pelas curvas que guardam seus segredos.

Faço essepreâmbulo para falar de Marcel Broodthaers. Até os seus 40 anos, foi poeta e escritor. Em 1963, decidiu ser também artista visual. Engessou 44 exemplares de seu livro Pense-Bête e, com esse gesto inaugural, começou a criar objetos. Na apresentação de sua primeira exposição, na Galerie Saint Laurent em Bruxelas, em 1964, já estava presente a crítica institucional, um certo humor e a manipulação das palavras. “Eu também imagino se não poderia vender algo e ter sucesso na vida”, escreveu no texto de apresentação. Em uma breve carreira como artista, sempre tendo a escrita entre suas fontes principais, fez esculturas, instalações, filmes e fotografias. Conhecido pelo uso de materiais cotidianos, como conchas de mexilhões e cascas de ovos, e pela criação do Musée d’ArtModerne, DépartementdesAigles, museu ficcional que não tinha localização ou acervo próprios, Broodthaers procurou ampliar as possibilidades da arte, da linguagem e do sentido com seus textos e objetos.

As LettresOuvertes (cartas abertas) foram escritas a partir de junho de 1968. Reproduzidas em grandes tiragens com um mimeógrafo, eram enviadas pelo correio a amigos artistas e outros profissionais da cena artística. A primeira carta foi escrita após a ocupação do PalaisdesBeaux-Arts, em Bruxelas, quando artistas, intelectuais e estudantes se manifestaram contra a mercantilização da cultura e da arte, num movimento inserido no contexto dos protestos anti-establishment que aconteciam em diferentes países. Essa assim como outras eram cartas pessoais, na primeira pessoa, mas ele também escrevia como representante do Musée d’ArtModerne, DépartementdesAigles, usando o papel timbrado da instituição. Contudo, seu conteúdo em nada lembra a correspondência de uma instituição oficial. Tanto nas cartas do artista como nas do museu, Broodthaers faz referência a fatos concretos e pessoas conhecidas, rebate suas próprias opiniões, desestabiliza certezas e cria, intencionalmente, contradições que questionam posições estabelecidas.

Um exemplo desse trabalho e sempre incomoda aos espectadores é Caçarola de Mexilhões Fechados. Uma pilha de conchas de mexilhão foi fixada com resina tingida de verde, evocando ao mar. As conchas parecem estar se movendo para cima, numa explosão de vitalidade. A imagem usa um trocadilho com as palavras “lamoule”  e “lemoule”. A obrafoi concebida como uma metáfora para o país natal do artista, a Bélgica, onde os mexilhões são um prato nacional: ao mesmo tempo , é uma sátira  à burguesia belga. É provavelmente a imagem mais famosa de Broodthaers. A escultura pode ser classificada como Arte Conceitual, já que as ideia subjacentes são mais importantes que as próprias obras. A obra de Broodthaers foi muito influenciado pelo pintor René Magritte. Como Magritte, ele muitas vezes de deleita com justaposições incongruentes e a criação de paradoxos visuais por meio da combinação de palavras , objetos do cotidiano e materiais impressos.  A obra esta na Tate Gallery de Londres.

A obra incomoda e muito.  Uma passadela rápida não implica em dar a dimensão da obra. Não se trata de uma caçarola com mexilhões, mesmo que nossos olhos insistam em nos mostrar isso. Existe todo um conceito por trás de uma escultura ou intervenção, como queira. Na obra de Marcel Brodthaers, o que é, pode não ser e vice-versa. Aliás, essa herança de seu conterrâneo René Magritte é, não só assumida sem nenhum problema por Broodthaers, como transformada em homenagem em trabalhos como A maldição de Magritte, de 1966, ou na adoção do cachimbo como um dos elementos de sua iconografia pessoal, exemplificado no trabalho “Modelo: a vírgula” , onde a vírgula se transforma na fumaça do cachimbo.

Outras obras do autor são Le sous-sol, temos uma paisagem simplificada, duas árvores à esquerda, algumas nuvens no céu, uma linha representando o chão, como num desenho de criança. Abaixo do chão, temos escrito “E SOUS-SOL”, para completar o título da placa, falta a letra “L” que está acima do chão. Pelo modo como está desenhada (somente com as linhas de contorno), por sua verticalidade, tamanho e espessura a letra “L”, aqui, tem referência clara com as árvores. Seguindo com o olhar indo das árvores até o “L”, podemos perceber que o chão é interrompido, temos algumas formas orgânicas e entre elas canais que ligam o céu ao subsolo, é como se o céu vazasse o chão. Se repararmos bem, no primeiro ponto onde o chão é interrompido está uma vírgula. Toda escrita desenha uma linha, que por vezes é padronizada pelos cadernos pautados. A vírgula rompe essa linha e vai residir no subsolo da escrita. Será que o ritmo proposto pela pontuação (vírgula, reticências etc) é que liga o mundo concreto ao subentendido?;Academia I e II temos de novo uma irônica brincadeira com a linguagem. Em Academia I, temos a placa e o texto em preto, apenas o título do trabalho e as palavras com os nomes das figuras geométricas estão em branco. Na Academia II, a placa e o texto estão em branco e os acentos, vírgulas e outros sinais de pontuação estão em destaque, em preto. Ou seja nas duas placas, numa primeira vista, quase não há nada para se ver – a característica da leitura rápida de placas de sinalização comuns foi neutralizada pelo artifício de se dar destaque a elementos não-funcionais. Por outro lado, o texto das placas é extremamente imagético. De sua leitura emergem diversas imagens literárias: associações desconcertantes entre elementos concretos e figuras geométricas em cores primárias, um universo fantasioso vai se configurando. As imagens nessa obra surgem do texto literário se contrapondo com o preto-e-branco-material das placas.;Escultura, 1974 Do lado de fora de uma maleta cheia de tijolos está escrito “escultura”. Será que a palavra diz sobre o que há dentro da maleta? A escultura em questão seria os tijolos? Ou os tijolos serviriam para se construir uma futura escultura? O que é a escultura? A própria maleta?

A obra de Brodthaers nos condiciona a questões importantes na vida e na arte que passarão despercebidas se você não prestar atenção ou preferir encher-se de preconceitos artísticos.Marcel Broodthaers morreu em Colônia, em 1976, aos 52 anos de idade, no auge dos movimentos da arte conceitual e de contracultura.Em apenas 12 anos de percurso nas artes plásticas, realizou exposições individuais em Bruxelas, Paris, Berlim, Düsseldorf, Milão, Amsterdã, Londres, Nova Iorque, Zurique e Los Angeles. Participou da 4a (1968), 5a (1972) e 7a (1982) edições da Documenta de Kassel e das edições de 1976 e 1986 da Bienal de Veneza. No Brasil participou da 22a Bienal Internacional de São Paulocom uma Sala Especial, em 1994, e da exposição coletiva ALÉM DOS PRECONCEITOS: A experiência dos anos sessenta, que reuniu 125 artistas do mundo todo no Paço Imperial – Rio de Janeiro, 2001, e no Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2002.

Parlatório Caio Viana – Sinestesia

O escritor pernambucano, Caio Viana, bate um papo com o jornalista Adriano Portela. Ela fala sobre o seu livro de contos: Sinestesia. Confira!

Parlatório Mirela Paes

Adriano Portela recebe a escritora Mirela Paes!

Sinopse do livro “Maliciosa”: Para seus familiares, Ana é o perfeito exemplo de moça de família. Doce, educada e preocupada com o seu futuro. Deseja estudar moda e se tornar uma It Girl. 
Matthews, por outro lado, conhece uma Ana diferente. Sexy e determinada. O que havia começado como um pequeno jogo tomará proporções avassaladoras. 
Os encontros se tornam cada vez mais intensos e complicados. Foram criados como primos, e a diferença de idade muitas vezes os atrapalha. 
Até quando conseguirão manter esse segredo? 
Estarão eles prontos para lutar pelo amor que sentem um pelo outro?

Caio Viana em Sinestesia

Sinestesia Horizontal

Por: Lmar Macêdo

Caio Viana, 29 anos, graduando em Letras com ênfase em literatura e pai de Sinestesia, seu filho que já vaga pelo mundo e pelo olhar faminto dos leitores. O lançamento se deu no dia 20/02, no Café São Braz da Conselheiro Aguiar no bairro de Boa Viagem.

Os contos do Sinestesia nos faz relembrar alguma história nossa ou de algum amigo mais próximo. Com refinamento, Caio descreve personagens e lugares, desenhando em nosso imaginário as cenas de cada conto. Um exemplo, é o conto “Flores da rodoviária”. Os contos são narrados em primeira pessoa, dando ainda mais, um intimismo na leitura com a descrição do cheiro e do som. No conto “Sofá”, um homem pós-moderno apegado a um objeto, que sempre trouxe e traz momentos de felicidade ao personagem. A leitura do livro nos instiga a não parar. As paixões proibidas fazem parte da narrativa de alguns contos do livro Sinestesia. “Fica no ar” é um deles. Um refinamento nos detalhes, um vício à cada página.

Ensinamentos para o casal

75-habitos-dos-casais-felizessextante-213688500Por Lorena Moura

Ás vezes o que falta em um relacionamento é apenas aumentar o diálogo. Conversar sobre o dia, a rotina no trabalho, as coisas importantes e as mais simples. É aquela velha troca de palavras que consegue fazer com que ambos se entendam e conheçam. Porque qualquer relação só se constrói através da conversa, da troca de olhares e do respeito. Mas ás vezes a vida corrida que levamos faz com que não tenhamos tempo de parar por alguns instantes e dedicar mais tempo as pessoas que amamos. Triste, mas acontece. Muitos casais passam a se ver como estranhos. É como se o amor de antes tivesse se perdido em algum momento. O livro resenhado de hoje tenta ajudar essas pessoas, “75 hábitos dos casais felizes”, oferece dicas ricas para melhorar a situação.

O livro é narrado pelos psicoterapeutas Ashley e Daniel Bush, que apresentam hábitos que devem ser absorvidos pelos casais. Segundo eles, são ações  simples que podem contribuir  para a melhora da comunicação e fazer com que a vida seja mais leve e que tenha a harmonia em primeiro plano.

Alguns ensinamentos expostos na obra me chamaram a atenção como: forme novas conexões, pois segundo os especialistas ao experimentar coisas novas, o casal tende a quebrar a monotonia da relação e também se tornam mais cúmplices (bacana, né… o negócio é criar e não deixar a rotina tomar conta); Outra dica massa é que ao invés de se concentrar apenas nas atitudes irritantes do companheiro ou companheira é necessário se manter focado no que ele faz de bom por você( tem que ser menos egoísta e aprender a se colocar no lugar do outro também, gente); e o mais importante não guarde mágoas e ouça com atenção as reclamações do outro, não é necessário se defender, trata-se basicamente de compreender o que ele quer dizer. Eu achei incrível! Porque por mais que saibamos que muitas vezes agimos de maneira errada, sendo egoístas, temos que ouvir ou ler livros assim, que nos abram o olho e principalmente a mente. Porque é necessário evoluir sempre! Boa leitura para o casal!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Um livro para se deliciar

cap (1)Por Lorena Moura

Eu sou o tipo de pessoa que entra em uma livraria e se sente em um parque de diversões. O ruim é que não tenho dinheiro disponível para comprar tudo que tenho vontade. Mas passear pelos labirintos de uma loja assim me faz muito feliz. Fora a área de literatura com seus romances, thrillers, policiais, biografias, uma outra forma de leitura que me chama a atenção é a do setor de gastronomia. Sério…fico apaixonada e morta de fome ao ver aquelas receitas tentadoras. Tenho vontade de comprar tudo, mesmo que eu não faça todas as receitas, mas acho muito importante ter alguns desses itens em casa. Porque vai que um dia você acorda com aquela aptidão para chef…Nunca se sabe.

Depois de toda essa redação sobre meus hábitos estranhos, venho informar que o livro resenhado é de comida, ou melhor, de doces. “ Fabricando chocolate” é um livro lindo e claro, provoca aquela vontade desesperada de comer o danado do chocolate, que desde que foi inventado só apresenta alegria na vida das pessoas. A obra marca os onze anos da marca Cacau Noir, que foi criado por Solange Wiltgen e sua filha Adriana. É possível conferir desde o redescobrimento do cacau no Brasil, as tendências em chocolateria, a trajetória da marca e também receitas deliciosas. São bombons, bolos,  trufas, ganaches, drageados, biscoitos, sorvetes e bebidas.

A obra é cheia de fotos incríveis que despertam o paladar das pessoas. Mas uma coisa é certa, se você está de dieta, devo pedir desculpas por apresentar esse livro tão delicioso. O exemplar foi feito com muito capricho, em capa dura, ele é um verdadeiro luxo! Boa leitura, ou melhor, boa sorte no preparo das delícias.

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com