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Na arte é preciso entender o presente para compreender o passado

Por Clodoaldo Turcato

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Quando se escreve sobre arte, normalmente arte italiana, é comum imaginar que a máquina ou a imaginação culminou na Renascença. Isso tudo se deve pelos movimentos posteriores de arte que foram capitaneados por italianos (que tratamos noutras colunas) como a arte Povera, onde os seus adeptos utilizavam materiais de pintura (ou outras expressões plásticas não convencionais, como por exemplo areia, madeira, sacos, jornais, cordas, feltro, terra e trapos) com o intuito de “empobrecer” a obra de arte, reduzindo os seus artifícios e eliminando barreiras entre a Arte e o quotidiano das sociedades, dando origem as instalações, famosas em nosso tempo.

Nos anos 80, surgia na Alemanha o Neoexpressionimo, modalidade artística resgatada a partir da década de 80, ao voltar a registrar os sentimentos pela arte. Foi fortemente influenciado pelo Expressionismo, Simbolismo e Surrealismo. Trouxe de volta a pintura e a escultura, com suas representações críticas, emocionais e subjetivas, após algumas décadas. Formulando o devir da arte em sua história universal. Os artistas costumavam utilizar tintas misturadas a materiais como areia, palha e outros, colados à tela. A arte dos anos 90 e da virada do século reafirma as tendências supracitadas enveredando-se ainda mais na política e causas sociais, ambientais e econômicas. Mostra ainda a proliferação da arte performática, das instalações e suportes associados a gêneros híbridos e materiais variados.

Os Estados Unidos perdem sua hegemonia artística para partes da Europa, e esta se volta para as próprias tradições, buscando encontrar uma identidade própria. Diversos movimentos dos anos 70 se levantaram contra a estética dominante da pop art. Surgiu a arte minimalista, conceitual, tipos de ações (Happenings, Fluxus e os trabalhos de Joseph Beuys, Nam June Paik, Wolf Vostell) e outros. Mas nestas representações, aquela na forma pintura raramente aparecia, criando-se, assim, uma chamada “fome de quadros”. Os artistas dessa corrente tentam uma volta aos elementos pictóricos que tanto marcaram a arte de seus países antes da Segunda Guerra. Eles queriam revisitar a pintura atualizando seu discurso com a cena atual, voltada para as questões contemporâneas. Na Alemanha, em torno de 1980, uma jovem geração de artistas invadiu a cena artística com suas pinturas. E justamente nesta ausência de quadros, estes artistas alemães introduziram suas obras, participando assim do que é denominado Retorno à Pintura. Este movimento teve como principais centros artísticos Berlim, Düsseldorf, Hamburgo e Colônia. Os artistas são fortemente influenciados pelo romantismo e o expressionismo do início do século XX. A pintura desenvolvida por eles é uma forma de expressão em que se podem experimentar diversas concepções de arte. Os países europeus, mais associados a este movimento, trariam uma vasta tradição pictórica. O movimento teve desdobramentos em várias partes do mundo, assumindo múltiplas facetas culturais.

Um dos artistas mais importantes do movimento, que comandou a Europa foi o Francesco Clemente. Nascido na cidade de Nápoles, Itália em 1952. Estudou Latim, Grego, Literatura Moderna e Filosofia. Desde muito cedo se familiarizou com outras culturas e diferentes tradições artísticas, acompanhando os pais nas suas viagens.

A sua obra é maioritariamente autobiográfica. Consiste, na sua grande parte, em desenhos e pastéis, mas apresenta, também, pintura, escultura, mosaico, gravura e fotografia. O trabalho narrativo ou ilustrativo de Clemente não é criado de uma forma tradicional. Um motivo recorrente na sua obra é a ideia da transformação ou metamorfose. Normalmente, o próprio Clemente é o objeto dessas transformações e desenha-se num estádio intermédio entre homem e mulher, entre ser humano e animal, entre ser humano e objeto, ou como uma criatura híbrida. Para este resultado, aplica diversos estilos, variando entre livre e direto a extremamente depurado e sofisticado.

A urgência criativa atrás do seu trabalho é psicológica. Ele investiga, em geral, a condição humana, instintos básicos e experiências desde o nascimento à morte. A “depicturação” que faz do corpo humano é explicitamente sexual; dá ênfase a orifícios (como a boca) e a funções escatológicas. O ser humano físico surge como um intermediário entre o mundo psicológico interno e o universo exterior. As particularidades distorcidas dos seus retratos parecem espelhar a atitude de Clemente em relação à literatura e à filosofia. Ele confia principalmente “naqueles que pensam com o corpo”. As imagens não podem, assim, ser literalmente consideradas como autorretratos. O corpo é normalmente um meio de propor um tema filosófico dentro de uma estrutura complexa. A sua obra é uma rede de referências e relações entre a análise autobiográfica, autorretratos mutantes, fantasias eróticas e excêntricas expressões anatómicas. Tudo isto combinado com uma fascinação pelos sistemas metafísicos (cristianismo, alquimia, astrologia e mitologia) todos eles sendo reinterpretados por variadas correntes artísticas. Com todos estes elementos ele constrói um labirinto que nem sempre é fácil de decifrar.

Uma obra que resumo toda sua magistral capacidade de adaptar-se é Autorretrato: o primeiro, uma mistura de guache, aquarela montado em papel sobre tela medindo 112×147. O artista nu fixa seu olhar penetrante no observador, que se sente compelido a devolver o olhar. O quadro ilustra a propensão quase erótica do artista à auto exploração e a auto exposição. A figura é tratada de maneira expressiva, ao passo que os pássaros simbolizam a supremacia da subjetividade e da imaginação sobre a razão. O quadro é um exemplo da tendência neoexpressionista chamada Transvanguarda, que se concentra em obras figurativas expressivas feitas em grande escala. Seu trabalho é construído com o que ele chama “lugares-comuns”, isto é, fragmentos de experiências que convergem numa rede de relações. Clemente posiciona o seu trabalho entre a ideia e a imagem, uma atitude que não é determinada pela sociedade.

Repetindo-me, é muito necessário ao apreciador estudar artistas como Clemente. A partir da compressão do trabalho destes artistas que iremos verificar as diferenças e semelhanças de todos os movimentos artísticos e compreender a importância destes no decorrer da História. Assim, com toda certeza, não iremos pisar no molhado e enganoso processo de achar que os movimentos atuais não passam de bobagens.

Outras obras do artista são Maps of What is Essortless, Twins, Priapea, Moon, Name e Meditation.

Contra el prejuicio, la unión

1163Pasados 16 días desde que España, Francia, Italia y Portugal cerraran su espacio aéreo para el avión del Presidente de Bolivia, Evo Morales, en aquel que quizá sea el mayor incidente diplomático de los últimos tiempos, la polémica está lejos de haber terminado. Para el Presidente boliviano ”hay cierta soberbia en los gobiernos de Europa”. Es posible que ellos aún vean América Latina con los mismos ojos de siglo XV, cuando llegaran y exterminaran los pueblos que acá ya habitaban: como su colonia. Clique e Confira!