Tag: artistas

Esculturas vivas

Por Clodoaldo Turcato

26696683_1512510715513689_48338218_n

Meus caros e caras, estamos em 2018 e seguimos neste espaço escrevendo sobre arte – espero que por algum tempo. Apesar do título, escreverei hoje sobre performance e não esculturas, se bem que ao final, poucos notarão diferenças.

Há 30 anos, quase todos os dias, os artistas Gilbert Proesch e George Pasmorre almoçam juntos no mesmo restaurante. Cada um faz um caminho distinto, porém chegam juntos. Desde 1971 que G&G, como são conhecidos, se tornaram esculturas vivas, isso por que não queriam produzir objetos. Queriam ser, eles mesmos, a obra de arte.

Isso se consolidou na história na mostra When Attitudes Becomes Form, realizada em 1969 e que teve a versão londrina, no Instituto de Artes Contemporâneas, quando eles tentaram se inscrever como esculturas, como corpo coberto de tinta metálica. Receberam aplausos, porém foram recusados.

Conheceram-se enquanto estudantes na escola de arte St. Martin’s de Londres, e desde 1968 vivem juntos e fazem o seu trabalho profissional como duo artístico. Uma das suas primeiras realizações foi The Singing Sculpture (A escultura que canta, 1969), na qual o par de artistas dançava e cantava Underneath the Arches, um êxito musical da década de 1930. Desde então têm conseguido obter uma sólida reputação como esculturas vivas, convertendo-se a si mesmos em obras de arte, expostas durante diversos intervalos de tempo para contemplação do público. Em geral costumam aparecer impecavelmente vestidos com terno e gravata, adotando diversas posturas em que permanecem imóveis, embora por vezes também se movam ou leiam algum texto, e por vezes apareçam em montagens ou instalações de diversa índole.

Além da sua faceta escultórica, Gilbert & George também realizam obras pictóricas, colagens e fotomontagens, onde muitas vezes se representam a si mesmos, junto a diversos elementos da sua companhia mais próxima, e fazendo referências à cultura urbana e com uma forte componente reivindicativa, abordando temas como o sexo, questões raciais, a morte e a SIDA, a religião ou a política, criticando o governo britânico e o poder estabelecido.

Uma de suas obras mais interessantes chama-se Fiau-Fiau, uma fotomontagem medindo 169 x 142 cm, que está na Anthony d`OffayGallery, em Londres. Nela, duas figuras que alternam o vermelho, o azul e o branco, estão no que parece ser uma janela. Uma construção alta à distância domina o fundo. Com uma fingida expressão séria, os dois homens parecem pousar de maneira deliberadamente brincalhona, fazendo Fiau-Fiau para as convenções da arte tradicional. A postura é esnobe e ridicularizam seus corpos em cores berrantes e ostentando uma arrogância que encaixa na performance.

É difícil encontrar um casal tão bom. Nem em casamento nem no mundo da arte. Gilbert & George desenvolveram uma simbiose absolutamente perfeita ao longo dos anos. Parecem um corpo duplicado, diversificado, mas, no entanto, cronometrado perfeitamente. Eles imitam os gestos, as posturas, os olhares, os comentários. Não discuta entre eles. Ou pelo menos eles nunca fazem isso na frente de estranhos. Eles simplesmente adicionam nuances. Eles falam e permanecem em silêncio até chegarem a uma única voz: as folhas mais afiadas de Gilbert; O mais grave, de George.

É curioso a continuidade física que conseguiram desde que se conheceram em 1967, quando estudaram arte na Escola de São Martinho de Londres, e logo depois desenvolveram essa marca de esculturas vivas que lhes deram fama. Mais de 40 anos juntos e eles ainda estão entusiasmados com suas performances , seus shows, como eles dizem. Assim como uma pessoa combina as cores de suas roupas, elas a fazem em perfeita harmonia, mas uma peça inteira. A elegância é um dos seus mandamentos, como é fé em si mesmos. Se Gilbert estiver vestido de marrom claro, George escolhe um tom verde.

Poucos pensaram que a natureza da arte poderia dar origem a uma combinação tão perfeita entre um menino criado nas Dolomitas italianase outro com um cavalheiro nascido em Devon, na Inglaterra. Muitas obsessões, entretanto, as uniram ao longo dos anos. Pouco variável, sim. O trabalho de Gilbert & George tem andado como um carrossel pop em quatro pilares que se conectam ao longo de sua carreira: sexo, raça, dinheiro e religião. ”Todos eles estão relacionados, a raça tem a ver com religião e sexo …” Sexo, com dinheiro, com raça, com alma, com religião, é claro , com o fluido deste mundo excessivo e louco em constante dança de umidade que move o universo.

Eles são figurativos e conceituais. Eles bebem pop e surrealismo. Eles desenvolvemideias.  Dada com um certo ar de chá às cinco horas. Eles aspiram a ser modernos, mas eles estão conscientes do que isso implica. E eles mudaram de curso. Começarama trabalhar com os negativos das fotografias, o efeito dessas imagens mais reais foi muito forte. Eles formam quase uma sucessão de átomos de cartão plastificado em que os símbolos são cruzados que qualquer um pode comprar em uma loja de lembranças de Londres. Só que os reorganizaram como numa espécie de orgia perpétua. 

Esse bom senso de humor que mistura sexo, escatologia, vícios e ícones sagrados movem esses dois artistas para dar sua visão das coisas. Eles podem não ser os favoritos da Rainha da Inglaterra, dos bispos anglicanos ou de qualquer outra confissão, nem das certas elites do mundo em que se mudam, mas conseguiram ampliar o público artístico

Assim, eles forjaram uma identidade multicultural e aberta, dedicada à tolerância e compreensão alcançada através de provocações inteligentes. Para isso, eles queriam quebrar barreiras e rótulos que não façam nada além de classificar o cidadão em apartheids convencionais. Mas essa mistura de anti-rótulos não é a razão pela qual as mulheres dificilmente aparecem em suas obras. Neste caso, aplique uma certa rebelião estética. 

Eles comentam, como tudo, com aquele sorriso meio desequilibrado e um pouco malévolo. Com essa sobrancelha coreográfica subindo e o contraponto medido de seu discurso de uníssono, com seu amável blancheo irônico e antimíssimo, sem quebrar o cordão umbilical que os une aos territórios de provocação incansável.

E temos cá nossos artistas, evidentemente

12398897_884205458344221_1138811949_nPor: Clodoaldo Turcato

Quando se foleia os grandes livros de arte lançados mundo afora, inclusive no Brasil, é muito rato encontrarmos artistas plásticos brasileiros em destaque. Isso nos leva a um conclusão precipitada de que o Brasil ainda engatinha ou que não tem ou nunca teve artistas geniais. Um engodo para estrangeiro ver. O Brasil é uma jovem nação, temos meio século de existência e mesmo assim criamos identidade cultural reconhecida no mundo todo. Nas artes plásticas participamos de todos os grandes movimentos e formamos nossas raízes, de tal maneira que basta ir para a rua para dar de cara com arte brasileira. É evidente que sofremos influência estrangeira, principalmente europeia e africana, assim como os próprios europeus sofreram (já relatamos noutros textos isso), porém conseguimos em pouco tempo construir um capital artístico invejável.

Vamos há um pouco de história:

 As pinturas rupestres (em paredes de cavernas) mais antigas do Brasil foram encontradas na Serra da Capivara, no estado do Piauí. Na época entre 5000 e 1100 A.C, povos da Amazônia fabricaram objetos de enfeites e de cerâmica Destacam-se os vasos de cerâmica da ilha de Marajó e do rio Tapajós. A arte plumária  (com penas de pássaros) feitas por índios e a pintura corporal, usando tintas derivadas da natureza, representam importantes exemplos da arte indígena.

Junto com os portugueses, chegam ao país influências artísticas renascentistas e do começo da fase barroca. Na época em que os holandeses invadiram o nordeste brasileiro e lá permaneceram (de1630 a 1654), muitos artistas retratam a paisagem, os índios, os animais, as flores e o cotidiano do Nordeste. Na época do governo de Mauricio de Nassau, chegam ao Brasil muitos pintores, entre eles o paisagista Franz Post. Este artista holandês usa técnicas de luz e cor típicas da pintura holandesa e retrata desta forma os cenários do nordeste do Brasil, no século XVII. Período que se destaca as esculturas e decoração de igrejas com características religiosas. Destacam-se neste período os seguintes artistas:  frei Agostinho da Piedade, Agostinho de Jesus, Domingos da Conceição da Silva e frei Agostinho do Pilar. 

No auge do século do ouro, as igrejas são decoradas para mostrar o poder da Igreja. A utilização de curvas e espirais prevalecem nas obras deste período. Os artistas utilizam muito matérias-primas típicas do Brasil, tais como: pedra-sabão e madeira. O artista que mais se destacou nesta época foi Aleijadinho. 

D. João VI ao chegar ao Brasil em 1808 efetuou mudanças no cenário cultural da colônia. Em 1816, trouxe para o Brasil, pintores e escultores comprometidos com o ideal do neoclassicismo. Destacavam-se na Missão Artística Francesa: Nicolas-Antoine Taunay, Félix-Émile Taunay, Jean-Baptiste Debret, Auguste Taunay e Le Breton (chefe da missão). Estes artistas buscaram retratar o cotidiano da colônia de uma forma romântica, idealizando a figura do índio e ressaltando o nacionalismo e as paisagens naturais.

 

O Ecletismo nas artes plásticas (1870 a 1922) período marcado pesa fusão de estilos artísticos europeus como, por exemplo, o impressionismo, o simbolismo, o naturalismo e o romantismo. Fazem parte desta época: Eliseu Visconti, Almeida Júnior e Hélios Seelinger.

 No expressionismo (início do século XX)Dois artistas expressionistas se destacam neste período: Lasar Segall e Anita Malfatti.O primeiro, ao realizar sua primeira exposição em São Paulo, mostra sua pintura cheia de cores tropicais e repleta de cenas da realidade do Brasil. Anita Malfatti choca a sociedade tradicional com suas obras expressionistas como, por exemplo, O homem Amarelo, um óleo sobre tela medindo 61×51 cm pintado em 1916.

 Arte Moderna teve seu início  em fevereiro de 1922, na Semana de Arte Moderna realizada em São Paulo. Nesta semana, vários artistas comprometidos em mudar a cara da arte nacional se apresentaram e chocaram a sociedade. Quebraram com os padrões europeus e buscaram valorizar a identidade nacional e uma arte, cujo cenário de fundo, eram as paisagens brasileiras e o povo brasileiro. Inovaram e romperam com o tradicional. O modernismo preocupou-se muito a parte social do Brasil. Destacam-se como artistas modernistas: Di Cavalcanti, Vicente do Rêgo, Anita Malfatti, Lasar Segall, Tarsilla do Amaral, Victor Brecheret e Ismael Nery. Para valorizar a arte modernista, embora reúnam obras de vários períodos, dois museus são criados nesta época: o MASP ( Museu de Arte Moderna de São Paulo), criado pelo empresário Assis Chateaubriand e o MAM-RJ ( Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro). 

Movimento de arte abstrata se iniciou no Brasil a partir de 1950 e foi marcado pelo uso de figuras geométricas e pela elaboração baseada no raciocínio. Esse movimento artístico foi criado pelo grupo paulista Ruptura, formado pelos artistas Haroldo de Campos, Geraldo de Barros e Valdemar Cordeiro.No Rio de Janeiro, surge o grupo Frente que contesta a arte concreta e inicia o neoconcretismo. Aproximando-se da pop art e da arte cinética, elaboram obras de arte valorizando a luz, o espaço e os símbolos. São deste período: Amilcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark, Lygia Pape e Hélio Oiticica e Ivan Serpa.

 O informalismo e a arte abstrata inicia no Brasil em 1960.Nesta fase, a arte abstrata passa a ser marcada pelo informalismo lírico e gestual. Os meios de comunicação fornecem os temas para a produção de obras de arte politicamente engajadas.Destacam-se os seguintes artistas: Tomie Ohtake, ManabuMabe, Arcângelo Ianelli e Maria Bonomi. 

Com o surgimento da informática em 1970,  novos sistemas e meios são utilizados nas obras de arte. A instalação (utilização de tecnologia para promover uma interação entre obra e espectador), o grafite (pinturas em spray em locais públicos), a arte postal ( uso dos meios postais para criação de obras de arte) e a performance (uso de teatro ou dança em conjunto com as obras).Destacam-se nesta época: Sirón Franco, AntonioLizárraga, Luiz Paulo Baravelli, Cláudio Tozzi, Takashi Fukushima, Alex Vallauri, Regina Silveira, Evandro Jardim, Mira Schendel e José Roberto Aguilar.

 Nos anos 80 surge o Neoexpressionismo, resgatando  os meios artísticos tradicionais, embora haja, ao mesmo tempo, o fortalecimento da arte conceitual e do abstracionismo. Meios tecnológicos interferem, tornando possível o surgimento da videoarte. Relações entre o espaço público e a obra de arte possibilitam uma intervenção urbana, dando origem à arte pública.Importantes artistas neo-expressionistas: Guto Lacaz, Cildo Meireles, Tunga, Carmela Gross, Dudi Maia Rosa, Rafael França, Ivald Granato, Marcelo Nitsche, Mário Ramiro, Hudnilson Junior, Daniel Senise e Alex Flemming.

As discussões sobre a história da arte e os conceitos artísticos ganham importância e influenciam no Pós-modernismo da década de 1990. Uso de tecnologias, desconstrução da arte, aproximações da arte e do mundo real, globalização da arte. Estes foram os caminhos da arte na década de 1990.Artistas desta época : Leda Catunda, Sandra Kogut, Laurita Sales, Iran do Espírito Santo, Rosângela Rennó, Jac Leirner, Hélio Vinci, Aprígio, Ana Amália, Marcos Benjamin Coelho, Cláudio Mubarac, Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Luis Hermano e Alex Cerveny.

Nesta viagem dentro de todo o processo de identificação artística, surgiram alguns grupos que valem destaque. Como O Grupo Frente foi um grupo artístico brasileiro, considerado um marco no movimento construtivo das artes plásticas. Criado em 1954, o grupo era formado pelo artista cariocaIvan Serpa e vários de seus alunos e ex-alunos.O grupo aceitava pintores de todos os gêneros, inclusive figurativistas e, segundo Ivan Serpa, a única condição para participar do grupo era romper com as fórmulas da velha academia, dispondo-se a questionar a arte e caminhar pelos próprios pés.A extinção do Grupo Frente, em 1956, foi uma consequência natural do crescimento do prestígio de muitos de seus participantes, os quais passaram a encontrar condições de prosseguir cada um o seu próprio caminho; Grupo Neoconcreto surgiu em consequência da cisão no Movimento Concreto, em março de 1959.A cisão aconteceu devido à divergências existentes entre artistas paulistas, oriundos do Grupo Ruptura, e cariocas, oriundos do Grupo Frente.Do Grupo Neoconcreto participaram Hélio Oiticica, Amilcar de Castro, Cristina HugerLygia Clark e Franz Weissmann. O grupo se desfez em maio de 1961; O Grupo Nervo Óptico foi um grupo de artistas voltados à discussão e produção de arte contemporânea, atuando em Porto Alegre entre 1976 e 1978.O grupo formou-se em reuniões informais e criativas dos artistas Ana Alegria, Carlos Pasquetti, Clóvis Dariano, Mara Álvares, Carlos Asp, Carlos Athanázio, Telmo Lanes, RomanitaDisconzi, Jesus Escobar e Vera Chaves Barcellos, que debatiam aspectos da arte de vanguarda no contexto estadual. As duas primeiras reuniões ocorreram em meados de 1976 na sede do Museu de Arte do RS (MARGS), e depois foram transferidas para o atelier fotográfico de Dariano. Estes encontros por fim resultaram, em dezembro do mesmo ano, em um manifesto, expondo seus objetivos e posturas, que atacavam principalmente o mercado de arte e seus vícios, documento que, não obstante, não foi assinado por todos e por seu caráter polêmico causou cisões internas entre os participantes e também com o público, já que parecia invalidar o que com muito custo se havia conseguido em Porto Alegre: a criação de um sistema de arte economicamente autossustentável e devidamente institucionalizado. Mas o grupo não combatia o comércio, não aceitavam é que o mercado fosse o determinante em questões de arte. Até então o grupo não tinha um nome, definido só mais tarde.Em seguida foi organizado no MARGS um evento multimídia intitulado Atividades Continuadas, desenvolvido em 9 e 10 de dezembro de 1976, apresentando performances, exposição de arte, instalações, projeções audiovisuais e debates.A partir de abril de 1977 o grupo editou mensalmente um cartazete ao longo de 13 meses, intitulado Nervo Óptico, de onde mais tarde o crítico Frederico de Morais batizou o movimento em matéria publicada no jornal O Globo. As atividades do grupo tiveram impacto não apenas local, mas foi notado também no centro do país, e seus integrantes realizaram diversas exposições, com ênfase na exploração da linguagem fotográfica e meios/materiais alternativos, muitas vezes com um viés crítico ou irônico. O grupo dissolveu-se em 1978; Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento culturalbrasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas da vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo); misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Torquato Neto, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa). Um dos maiores exemplos do movimento tropicalista foi uma das canções de Caetano Veloso, denominada exatamente de “Tropicália”.

Ufa! E tem mais? Sim, caros, tem. Teria assunto para cem páginas. Se focássemos a arte regional para mil e as microrregiões para milhares. Então, quando for falar de arte brasileira lembre-se que somos muito grandes e muito importantes no cenário mundial.

Semana que vem vamos falar da arte muralista mexicana.