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Na arte é preciso entender o presente para compreender o passado

Por Clodoaldo Turcato

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Quando se escreve sobre arte, normalmente arte italiana, é comum imaginar que a máquina ou a imaginação culminou na Renascença. Isso tudo se deve pelos movimentos posteriores de arte que foram capitaneados por italianos (que tratamos noutras colunas) como a arte Povera, onde os seus adeptos utilizavam materiais de pintura (ou outras expressões plásticas não convencionais, como por exemplo areia, madeira, sacos, jornais, cordas, feltro, terra e trapos) com o intuito de “empobrecer” a obra de arte, reduzindo os seus artifícios e eliminando barreiras entre a Arte e o quotidiano das sociedades, dando origem as instalações, famosas em nosso tempo.

Nos anos 80, surgia na Alemanha o Neoexpressionimo, modalidade artística resgatada a partir da década de 80, ao voltar a registrar os sentimentos pela arte. Foi fortemente influenciado pelo Expressionismo, Simbolismo e Surrealismo. Trouxe de volta a pintura e a escultura, com suas representações críticas, emocionais e subjetivas, após algumas décadas. Formulando o devir da arte em sua história universal. Os artistas costumavam utilizar tintas misturadas a materiais como areia, palha e outros, colados à tela. A arte dos anos 90 e da virada do século reafirma as tendências supracitadas enveredando-se ainda mais na política e causas sociais, ambientais e econômicas. Mostra ainda a proliferação da arte performática, das instalações e suportes associados a gêneros híbridos e materiais variados.

Os Estados Unidos perdem sua hegemonia artística para partes da Europa, e esta se volta para as próprias tradições, buscando encontrar uma identidade própria. Diversos movimentos dos anos 70 se levantaram contra a estética dominante da pop art. Surgiu a arte minimalista, conceitual, tipos de ações (Happenings, Fluxus e os trabalhos de Joseph Beuys, Nam June Paik, Wolf Vostell) e outros. Mas nestas representações, aquela na forma pintura raramente aparecia, criando-se, assim, uma chamada “fome de quadros”. Os artistas dessa corrente tentam uma volta aos elementos pictóricos que tanto marcaram a arte de seus países antes da Segunda Guerra. Eles queriam revisitar a pintura atualizando seu discurso com a cena atual, voltada para as questões contemporâneas. Na Alemanha, em torno de 1980, uma jovem geração de artistas invadiu a cena artística com suas pinturas. E justamente nesta ausência de quadros, estes artistas alemães introduziram suas obras, participando assim do que é denominado Retorno à Pintura. Este movimento teve como principais centros artísticos Berlim, Düsseldorf, Hamburgo e Colônia. Os artistas são fortemente influenciados pelo romantismo e o expressionismo do início do século XX. A pintura desenvolvida por eles é uma forma de expressão em que se podem experimentar diversas concepções de arte. Os países europeus, mais associados a este movimento, trariam uma vasta tradição pictórica. O movimento teve desdobramentos em várias partes do mundo, assumindo múltiplas facetas culturais.

Um dos artistas mais importantes do movimento, que comandou a Europa foi o Francesco Clemente. Nascido na cidade de Nápoles, Itália em 1952. Estudou Latim, Grego, Literatura Moderna e Filosofia. Desde muito cedo se familiarizou com outras culturas e diferentes tradições artísticas, acompanhando os pais nas suas viagens.

A sua obra é maioritariamente autobiográfica. Consiste, na sua grande parte, em desenhos e pastéis, mas apresenta, também, pintura, escultura, mosaico, gravura e fotografia. O trabalho narrativo ou ilustrativo de Clemente não é criado de uma forma tradicional. Um motivo recorrente na sua obra é a ideia da transformação ou metamorfose. Normalmente, o próprio Clemente é o objeto dessas transformações e desenha-se num estádio intermédio entre homem e mulher, entre ser humano e animal, entre ser humano e objeto, ou como uma criatura híbrida. Para este resultado, aplica diversos estilos, variando entre livre e direto a extremamente depurado e sofisticado.

A urgência criativa atrás do seu trabalho é psicológica. Ele investiga, em geral, a condição humana, instintos básicos e experiências desde o nascimento à morte. A “depicturação” que faz do corpo humano é explicitamente sexual; dá ênfase a orifícios (como a boca) e a funções escatológicas. O ser humano físico surge como um intermediário entre o mundo psicológico interno e o universo exterior. As particularidades distorcidas dos seus retratos parecem espelhar a atitude de Clemente em relação à literatura e à filosofia. Ele confia principalmente “naqueles que pensam com o corpo”. As imagens não podem, assim, ser literalmente consideradas como autorretratos. O corpo é normalmente um meio de propor um tema filosófico dentro de uma estrutura complexa. A sua obra é uma rede de referências e relações entre a análise autobiográfica, autorretratos mutantes, fantasias eróticas e excêntricas expressões anatómicas. Tudo isto combinado com uma fascinação pelos sistemas metafísicos (cristianismo, alquimia, astrologia e mitologia) todos eles sendo reinterpretados por variadas correntes artísticas. Com todos estes elementos ele constrói um labirinto que nem sempre é fácil de decifrar.

Uma obra que resumo toda sua magistral capacidade de adaptar-se é Autorretrato: o primeiro, uma mistura de guache, aquarela montado em papel sobre tela medindo 112×147. O artista nu fixa seu olhar penetrante no observador, que se sente compelido a devolver o olhar. O quadro ilustra a propensão quase erótica do artista à auto exploração e a auto exposição. A figura é tratada de maneira expressiva, ao passo que os pássaros simbolizam a supremacia da subjetividade e da imaginação sobre a razão. O quadro é um exemplo da tendência neoexpressionista chamada Transvanguarda, que se concentra em obras figurativas expressivas feitas em grande escala. Seu trabalho é construído com o que ele chama “lugares-comuns”, isto é, fragmentos de experiências que convergem numa rede de relações. Clemente posiciona o seu trabalho entre a ideia e a imagem, uma atitude que não é determinada pela sociedade.

Repetindo-me, é muito necessário ao apreciador estudar artistas como Clemente. A partir da compressão do trabalho destes artistas que iremos verificar as diferenças e semelhanças de todos os movimentos artísticos e compreender a importância destes no decorrer da História. Assim, com toda certeza, não iremos pisar no molhado e enganoso processo de achar que os movimentos atuais não passam de bobagens.

Outras obras do artista são Maps of What is Essortless, Twins, Priapea, Moon, Name e Meditation.

A beleza de um impressionista americano

Por Clodoaldo Turcato

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Quando o movimento impressionista surgiu, a crítica francesa, principalmente, dizia que os quadros eram inacabados. Escreveram de tudo. Que os quadros não despertavam em nada a percepção do espectador, que as obras não valorizavam o aprendizado acadêmico, que eram apenas jovens rebeldes, que infringiam os costumes franceses e até decretaram a morte da arte. Nada era belo. Uma experimentação apenas.

Hoje, ao rever tudo isso, sabemos que são asneiras de críticos que tinham birra com os pintores impressionistas por retratarem o dia-a-dia, dando oportunidade àqueles que nunca teriam oportunidade de estarem numa tela, como lavadeiras, sapateiros, operários, prostitutas, etc e assim escancaravam a desigualdade social da Europa e nesta bela aventura, quebravam o sistema mercadológico da época, se bem que depois de cinquenta anos os impressionistas foram confiscados pelo sistema.

A beleza da arte foi questionada. Os belos quadros de Monet, Degas e Cèzzane foram taxados de inferiores aos acadêmicos de então. Um dos poucos que se salvou das enxurradas de críticas negativas foi William Merritt Chase. William Merritt Chase nasceu em 1 de novembro de 1849, em Williamsburg (agora Nineveh ), Indiana. O pai de Chase mudou a família para Indianápolis em 1861 e empregou seu filho como vendedor na empresa familiar. Chase mostrou um interesse precoce pela arte e estudou sob os artistas locais Autodidata Barton S. Hays e Jacob Cox .

Depois de um breve período na Marinha, os professores de Chase o instruíram a viajar para Nova York para promover seu treinamento artístico. Ele chegou à Nova York em 1869, conheceu e estudou com Joseph Oriel Eaton por um curto período de tempo, depois se matriculou na Academia Nacional de Design sob Lemuel Wilmarth , estudante do famoso artista francês Jean-Léon Gérôme .

Em 1870, as fortunas da família em declínio forçaram Chase a sair de Nova York para St. Louis, Missouri, onde sua família estava baseada. Enquanto ele trabalhava para ajudar a apoiar sua família, ele se tornou ativo na comunidade artística de St. Louis, ganhando prêmios por suas pinturas em uma exposição local. Ele também exibiu sua primeira pintura na Academia Nacional em 1871. O talento de Chase suscitou o interesse dos ricos colecionadores de St. Louis que o convidaram a visitar à Europa por dois anos, em troca de pinturas e a ajuda de Chase para garantir a arte europeia para suas coleções. Na Europa, Chase instalou-se na Academia de Belas Artes de Munique, um centro de formação artística de longa data que estava atraindo um número cada vez maior de americanos e atraiu Chase porque tinha menos distrações do que Paris. Estudou sob Alexander von Wagner e Karl von Piloty e fez amizade com os artistas americanos Walter Shirlaw , Frank Duveneck e Frank Currier.

Em Munique, Chase empregou seu talento rapidamente crescente, mais frequentemente, em trabalhos figurativos que ele pintou no estilo vagamente escovado, popular entre seus instrutores. Em janeiro de 1876, uma dessas obras figurativas, um retrato intitulado “Keying Up” – The Court Jester foi exibido no Boston Art Club; mais tarde naquele ano foi exibido e ganhou uma medalha na Exposição do Centenário da Filadélfia, e esse sucesso ganhou a primeira fama de Chase. Viajou para Veneza, Itália em 1877 com Duveneck e John Henry Twachtman antes de retornar aos Estados Unidos no verão de 1878, um artista altamente qualificado que representa a nova onda de talentos americanos educados na Europa. Na América, ele exibiu sua pintura Ready for the Ride (coleção do Union League Club) com a recém-formada Society of American Artists em 1878. Ele também abriu um estúdio em Nova York no Tenth Street Studio Building, lar de muitos dos importantes pintores do dia. Ele era membro dos Tilers, um grupo de artistas e autores, entre os quais alguns de seus amigos notáveis: Winslow Homer, Arthur Quartley e Augustus Saint Gaudens .

Mesmo sendo dos Estados Unidos, Chase foi considerado um impressionista por pintar ao estilo europeu de então. Mas Chase não era apenas impressionista. Tinha talento e dominava diversas técnicas, sendo considerado por muitos um clássico. Uma de suas obras mais belas é Uma visita amigável, um óleo sobre tela medindo 76,8 X 122,5 cm, que se encontra no National Gallery, em Washington, Estados Unidos. Duas mulheres elegantes conversam, sentadas num sofá. A luz do sol enche a sala, iluminando os tons claros da paleta do artista. Esta não é uma cena formalmente pousada, mas uma situação do dia-a-dia onde as pinceladas soltas, uma das características dos impressionistas, abundam, além da informalidade e do vigor. A cor neutra contrasta com o marrom e verde que circunda a obra. Ao olhar para a obra, o espectador descansa os olhos numa tênue e sútil emoção. A paisagem é leve e silenciosa, mesmo que se perceba que a visitante é recém-chegada, pois ainda está com seu véu sobre o rosto e o guarda-chuva na mão. Ainda pode-se observar que não existem copos ou xicaras na tela, denotando que nada tenha sido servido.

Se os impressionistas em geral procuravam expor o dia-a-dia das minorias, Chase inverte o processo e demonstra, em quase toda sua obra, a burguesia em suas casas, ruas e prazeres. A obra de Chase não é uma contestação ou nem mesmo política. O pintor quer mostrar a vida cotidiana sem se preocupar se o trabalho irá mudar o mundo. Isso não encontramos na obra de Chase. Ele, por certo, não se imaginava num movimento tão profundo como o impressionista.

A busca por Chase de um olhar moderno infunde uma série de cenas do parque de Nova York que ele pintou entre 1886 e 1890 . Os parques públicos de Nova York, como aqueles em outros lugares, responderam a crescimento urbano e eram emblemáticos da era moderna. Fatores pessoais, aparentemente, levaram Chase a pintar parques da cidade. Embora Chase fosse um impressionista bem sucedido, ele nunca abandonou as referências à tradição, especialmente na sua obra Retratos e vidas mortas. Posicionando-se como um artista da sociedade, ele muitas vezes pintou imagens de seus alunos como “amostras”, mostrou-os amplamente e deu-os a instituições líderes, como no caso de Lady in Black que ele doou ao Museu Metropolitano em 1891. Chase, que morreu em Nova York em 1916, foi uma testemunha talentosa de sua era, reunindo impressões de Vida urbana do final do século XIX e o lazer rural no exterior e em casa, e tecendo juntos muitos impulsos mestres modernos e antigos para criar um relato distinto de seu tempo e lugar.

Outras obras de Chase são Uma varanda veneziana, Retrato de Miss Dora Wheeler, Uma Magdalena Moderna, Um Passeio da tarde, Menina em um traje japonês e No estúdio.

Uma escultura não é uma imagem fixa

Por: Clodoaldo Turcato

Artes plásticas é um termo que pretende englobar dois ramos: pintura e escultura. Então, quando a pessoa diz que é artista plástico, geralmente vem a pergunta: você pinta ou faz escultura?  Normalmente o artista é especialista numa área, porém tivemos grandes pintores que foram grandes escultores e vice-versa. O cânone, no entanto, sempre seleciona aqueles que dominam perfeitamente sua técnica. Picasso dominou como poucos a pintura e dedicou-se a escultura no final de sua careira. Van Gogh não quis sair das tintas, assim como a maioria dos expressionistas. De qualquer maneira, ao estudar escultura, preferimos nos dedicar aqueles que demostraram, por seus grandes trabalhos como um artista pode tira seu máximo de madeira, barro, cera, gesso, areia, marfim, pedra, ferro, arrame, etc.

As ruas e praças de todas as cidades brasileiras têm esculturas. Sem querer classificar sua técnica ou primor, somos sempre tomados por obras, que em sua maioria são bustos em homenagem. Recife é uma cidade particularmente privilegiada, em todas as praças, prédios e ruasnos deparamos com belas esculturas, misturadas ao ambiente local, revelando talentos incríveis. Quem quiser se deparar com um parque inteiro de excelentes trabalhos, basta visitar o Parque de Esculturas de Francisco Brennand, um dos maiores escultores do mundo. Brennand não é um escultor brasileiro, apenas, mas um escultor mundial, reconhecido em todos os continentes. Seu trabalho é singular e definidor, utilizando cerâmica e temas surreais, ele transforma seu trabalho uma marca reconhecida em qualquer lugar. As obras de Abelardo da Hora são prestigiadas e abrilhantam o Brasil. Um homem singular que dedicou sua vida a uma região alcançando feitos formidáveis deu ao  seu trabalho curvas sinuosas, longas e dispostas de uma maneira que prende o olhar do expectador e faz nossas retinas brilharem. Aos que vão ao Museu Oscar Niemayer em Curitiba (que é uma escultura por si só), encontrarão as obras de João Turin. Ferro e bronze em perfeita integração nos dão condições de seguirmos mundo afora pelas paisagens e animais representados de forma dinâmica, condicional e harmoniosa. Marciano Schmidt é um dos pintores brasileiros que domina a técnica de escultura da mesma maneira que os pincéis. Suas obras se espalham pela região Sul do país, como a fachada do Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno,de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. Marciano imaginou “uma carótide de navio grego. Eles colocavam uma sereia ou uma deusa na frente dos barcos”. Dessa forma, o artista resolveu personificar a cultura em uma imagem de mulher. Para complementar sua obra, representou o teatro através de uma imposição de máscaras ao redor da escultura, toda em concreto. Em um olhar mais atento, é possível perceber que as imagens de cima ficam sorrindo, enquanto as mais de baixo estão com o semblante triste. Segundo o artista, elas representam as classes sociais. O trabalho com metal foi feito em latão pelo escultor Xisto. Além da obra do Centro de Cultura, o artista Marciano Schmidt foi responsável pela pintura das naves laterais e do arco frontal da Catedral São Luiz Gonzaga em Novo Hamburgo, ao lado de artistas consagrados, como Aldo Locatelli e Emílio Sessa.

Se formos para outros países, as esculturas em espaço aberto são parte integrante da cultura local. Um breve passeio pelo mundo, encontraremos obras como Os três pescadores, de Christina Motta, na cidade de Búzios, Rio de Janeiro. Uma obra magistral em céu aberto, com os três puxadores de arrastão à beira-mar, em homenagem aos pescadores da antiga aldeia, a 30 metros da areia, sobre pedras (à noite, a obra é iluminada). Em Wroclaw, na Polônia, encontra-se uma série de pequenas esculturas chamadas Gnomos, que fazem refletir sobre a existência de fantasia na vida das pessoas. Um recorte que reflete o folclore local e a vontade de voltar a ser criança. Na cidade de Budapeste, Hungria, às margens do Rio Danúbio, o visitante vai encontrar a escultura Sapatos no Danúbio. Trata-se de uma série de sapatos colocados à margem do rio que corta a cidade. Não é uma obra produzida, mas uma interferência que representa a quantidade de passos que damos todos os dias pelas nossas metrópoles e para onde vai cada destino. Em Cracóvia, também na Polônia, na praçaZgody, encontra-se uma das esculturas mais representativas que conheço. Diversas cadeiras de madeira são distribuídas pela praça, coladas com madeira sob pedrisco e chama-se Memorial aos Judeus no Gueto. Inaugurada em dezembro de 2005, aquelaPlacZgody é hoje um espaço deliberadamente concebido como um continente poético que transforma esse lugar numa marca do ocorrido, numa forma das ruínas que Victor Klemperer, augurava que surgiriam depois da guerra. Estes arquitetos fizeram surgir um espaço que não evita provocar em muitos um sentimento de mal-estar ante a obrigação de recordar. Uma intervenção contida, na qual os elementos que integram o espaço, elaborados com materiais cuja expressividade crua emerge de sua vulnerabilidade à passagem do tempo – bronze patinado, cimento, aço oxidado e galvanizado – são ao mesmo tempo escultura e peça de mobiliário urbano de forma que não se cria um lugar intocável, mas um espaço que – ainda que incômodo ou perturbador, é um espaço público que faz presente aos cracovianos a lembrança do extermínio de uma parte de sua população durante a invasão alemã na Segunda Guerra Mundial e lhes faz enfrentá-lo não somente por seu caráter de memorial onde podem prestar tributo àquelas vidas ausentes –diretamente no interior transformado da antiga estação policial usada pelos nazistas – mas mediante o contato e a interação que a praça tem com as atividades cotidianas da cidade.

Qualquer estudante de arte vai encontrar os gênios Miguel Ángel ou Michelangelo, considerado o escultor mais famoso do mundo, por obras como Davi, Moisés e o conjunto de obras na Capela Sistina; Auguste Rodin, escultor francês que criou a fenomenal obra O Pensador; Gian Lorenzo Bernini, mestre do Barroco que criou obras como O êxtase de Santa Tereza e Apolo e Dafine; ConstantinBrâncusi, romeno erradicado  na França, que revolucionou a escultura com obras como O beijo e Mãe dormindo; Donatello, escultor italiano da renascença que foi o mais influente do período artístico conhecido como Quatrocento e responsável por Obras como Davi e Guattamelata; Alberto Giacometti, artista suíço, escultor surrealista que influenciou uma geração de grandes artistas como Salvador Dali e criou obras monumentais como Torso, A Mulher-colher, Objeto desagradável , Mulher com sua garganta cortada , O palácio às quatro da manhã , Nariz , Homem Caminhando , O Cão , Grande Mulher IV, Figura Alta II e Figura Alta III. Bem, isso está lá e como toda a escola, muitas vezes não nos permite ver mais que as páginas criadas para nos dar um norte, não significando que precisamos seguir apenas o que está escrito. Andar pelas ruas e praças nos tiram um pouco dos livros.

Esta coluna tem a intenção dar uma visão de esculturas em céu aberto ou em ambientes fechados, tanto faz. O importante para qualquer leitor é descobrir o que é arte e o que não é. Qual a diferença? Bem, o que vale para um quadro, uma interferência ou qualquer arte visual, vale para a escultura. Por isso que todas as obras, principalmente esculturas, precisam ser vistas em seu ambiente. A fotografia resume ocultando seu conceito (fundamento da arte), como no caso da obra Os sapatos no Danúbio. Um busto em homenagem ao fulano de tal não vai ter conceito algum senão a homenagem em si. O sujeito vai olhar e tudo se encerra na inscrição do homenageado. No entanto, tudo muda quando olhamos uma obra como Memorial aos retirantes, de Abelardo da Hora, que está no Parque Dona Lindu, no Recife. O objeto não se encerra, mas se expande e nos faz refletir sobre como foi e é a vida de quem tem que andar de um lugar para o outro, saindo de seu lar e familiares, em busca de sobrevivência – como é cruel este processo. Quem visitar Ouro Preto, Sabará, Congonhas  e São João Del Rei, Minas Gerais, poderá encontrar as majestosas obras de Antônio Franscisco Lisboa, o Aleijadinho. O artistadominou de maneira  fascinante o Barroco, reconhecido mundialmente e equiparado a Michelangelo. O rastro de aleijadinho se espalha pelas principais igrejas da região, como Santuário do Bom Jesus do Matozinhos e Igreja de São Francisco de Assis. Porém o conjunto de obra que mais me fascina são os Doze Profetas, em Congonhas, Minas Gerais.Os doze esculturas dos profetas no adro do santuário de Congonhas, de pedra-sabão, estão colocadas de maneira que se relacionem e cumpram a função de convidar o fiel a subir as escadarias e ouvir a palavra divina da qual são os mensageiros. Suas vestimentas lembram as figuras bíblicas que viveram na longínqua Terra Santa, com turbantes à maneira turca e longos mantos ricamente ornados. As esculturas revelam traços característicos da arte de Aleijadinho: magníficas cabeleiras, olhos oblíquos orientais, além de minuciosos e bem cuidados ornatos das vestes e citações latinas nos filactério   (rolos bíblicos). Na parte inferior, logo à entrada, à esquerda de quem sobe, sobre pilastra amisulada, fica o profeta Isaias, que anuncia a palavra de Deus, tendo na boca uma brasa ardente. Do lado oposto, Jeremias, também sobre pilastra igualmente trabalhada, com a pena na mão esquerda, simbolizando a escrita profética. Simetricamente, está Ezequiel, com o braço esquerdo levantado e suavemente inclinado, convidando o peregrino a prosseguir no caminho. Do outro lado, Baruc, profeta menor, é o mais jovem de todos. No topo do lance superior da escada, à esquerda de quem sobe, Daniel, considerado a obra-prima de Aleijadinho, inspirado num trabalho do pintor renascentista Rafael de Sanzio, tem como atributo iconográfico o leão com o qual permaneceu em uma cova. Do lado contrário fica Oseias, barba encaracolada, a pena à destra. Mais para a esquerda, no mesmo parapeito, Jonas recebe do céu a divina inspiração que o profeta precisa para a pregação. Tendo ficado no ventre da baleia, o artista coloca o jorro de água sobre as vestes e uma espécie de golfinho a seus pés. Do lado oposto, Joel. No parapeito superior, à esquerda de quem entra, fica Amos. Simetricamente, no extremo oposto, vê-se Naum, velho, sereno. Ainda no parapeito superior, bem fronteiro à igreja, à esquerda de quem entra, está colocado Abdias, que aponta o céu exortando o povo a ouvir as profecias. Do lado oposto, Habacuc também mostra o céu, completando a gestualidade que une a todos os profetas como que orquestrados pelo cinzel do gênio. Espetacular!

Quando entramos no mundo das esculturas, nosso tempo e espaço perdem o sentido. Não há tempo, embora algumas características temporais são eminentes. Naquele momento, da observação, o expectador é levado a refletir e nos mais diversos encontros, é manipulado por um mundo de imagens em intenso movimento. Há, se a imagem não se movimentar não é arte. Este é o preceito básico: uma escultura não é uma imagem fixa.

 

A armadilha da arte conceitual

12714086_910392165725550_2079363702_nPor: Clodoaldo Turcato

Você já provavelmente deve ter esbarrado numa exposição em que francamente achaste uma loucura, que o sujeito que o fizera tinha um parafuso a menos e principalmente o local que recebera tal obra estava totalmente lesado. E se for ler ou estudar um pouco da arte a partir dos anos 60 e não seguir até o final, sem paixão ou conceitos, dirá que tudo feito até então não passa de uma viagem de gente maluca e drogada. Latas contendo excrementos humanos, um sujeito explicando obras de arte para uma lebre, um homem enrolado em lona de feltro, uma cadeira de madeira simplesmente colocada na parede, um tubarão guardado em formol numa caixa de vidro são algumas das grandes obras reconhecidas e expostas em grandes museus no mundo. Então você se pergunta: isso é arte? Bem, com toda humidade eu posso garantir que sim, apesar de ter reservas, é arte.

A arte conceitual surgiu em 1960, como um desafio às classificações impostas à arte por museus e galerias. As galerias afirmavam  categoricamente ao público “isso é arte!” Fim. O filósofo e ativista Henry Flynt fez a primeira referência à arte-conceito em 1961, mas o temos arte conceitual só foi usado no fim da década. Em 1967, o artista Sol LeWitt escreveu um artigo para o jornal Arforum intitulado Parágrafos sobre a arte conceitual. Nesse texto, ele afirmava que a nova arte era uma inversão das artes anteriores e que trazia o conceito para o primeiro plano, tornando a produção da própria arte algo secundário, remontando suas origens ao dadaísmo e à Fonte de Duchamp.

A arte conceitual também era uma reação à arte considerada mercadoria. O artista italiano Piero Manzoni questionou a natureza da arte criticando a produção de massa e consumismo de modo particularmente provocativo. Em 1961, ele produziu 90 latinhas com o rótulo “Merda do artista”. Cada lata continha supostamente fezes do artista e valia seu peso em ouro. Como abrir a lata seria o mesmo que destruir a obra, nunca se soube o que as latas continham de fato. De qualquer maneira, esta atitude não foi para provar ou não se dentro da lata tinha ou não fezes. Longe disso. Uma obra de arte conceitual tem muito mais de crença  ou de virtudes na originalidade do que no significado pleno que queremos dar a ela. De qualquer maneira existem alguns problemas em não compreender o conceito. Então o excremento de cachorro que encontramos na rua todos os dias é arte? Tudo é arte? Esta é uma armadilha que precisamos sair.

A arte conceitual já proporcionou momentos engraçados no Brasil e no mundo. Em outubro passado o artista Goldschmied and Chiari havia montado uma obra chamada Onde vamos dançar esta noite?, composta por bitucas de cigarro, garrafas vazias e confetes, a obra tem o objetivo de representar o hedonismo e a corrupção política vividos na década de 1980. Ocorre que na manhã de sábado uma faxineira nova do museu achou que aquelas “sujeira” era o resultado de uma festa que teria ocorrido na noite de sexta-feira e simplesmente limpou o local. Um acidente similar ocorreu em Bari, no sul da Itália, em fevereiro de 2014. Uma faxineira jogou fora trabalhos que faziam parte de uma instalação da galeria Sala Murat. Segundo a empresa responsável pelo serviço de limpeza do local, a faxineira confundiu as peças, feitas de jornais e cartões, com lixo. Ela disse à época que estava “apenas fazendo seu trabalho”.  Em 2009, o Museu de Arte Contemporânea de Olinda estava mostrando uma coletiva de arte conceitual. Em dado momento um dos funcionários do museu percebeu que três pessoas estavam diante do extintor de incêndio discutindo a “obra”. A discussão se adiantou ao ponto de um dos visitantes perguntar ao funcionário por que não havia o nome do artista na obra. O funcionário respondeu que não havia nome por que se tratava do extintor de incêndio do prédio – armadilha. 

No caso de Olinda, o extintor estava no lugar cumprindo sua função. Logo era apenas um extintor. Imagine que um artista resolva tirar este extintor de seu ambiente e coloca-lo num berço ou pendurado numa sala de estar flertando com um lustre de luxo? Seria arte então? Depende se este objeto exprime algo além da mesmice. Isto é o diferencial para se compreender o que é arte ou não. De qualquer maneira algumas produções são bem questionáveis, o que não deixa de ser arte. Prova disso foi a participação brasileira 56ª Bienal de Arte de Veneza. André Komatsu, Berna Reale e Antonio Manuel representaramnuma mostra política, com o título É Tanta Coisa Que Não Cabe Aqui.Os três construíram um lugar de aprisionamento como crítica a uma falsa liberdade em que transita o indivíduo contemporâneo.É como se o trio dissesse que para, sermos livres, precisamos estar trancafiados num espaço cirurgicamente limpo, falso, montado por nossa imaginação, na estética do “condomínio”, citando Christian Dunker. E há também o aprisionamento do outro, na pobreza econômica, na violência física, social e cultural, que é uma maneira de garantir nossa própria e mesquinha sobrevivência. Há, portanto, um paraíso de felicidade eterna, sem conflito, límpido e o inferno são os outros. Cada trabalho postos separadamente perdem totalmente  o sentido, embora atinham lá seus objetivos. Porém, juntos,  é muito interessante como cada trabalho dialoga entre si e com o resto das obras da mostra central no Arsenal, onde esta ideia de desordem aparece explícita em criações de artistas do mundo todo. A artista Berna Reale já surpreendeu com uma performance feita 2014 na cidade de Belém. Munida de uma carroça de tração humana, ela cruzou as ruas da capital paraense com ossos humanos. Está carroça foi exposta em diversas cidades brasileiras. A ousadia da artista não para por aí: uma de suas obras mais celebre chama-se Cantando na chuva, onde a artista aparece no meio de um lixão, sobre um tapete vermelho, vestindo um terno dourado com uma máscara de gás, sambando. Antônio Manuel é outro artista que incomoda com seus trabalhos. Sua obra exposta em Veneza, Ocupations Discoveries, é uma série de murros de tijolos com um buraco feito à marretadas. O visitante precisa passar pelos buracos e sentir. Assim interage com a obra, fazendo parte dela. Arte?

O artista mais celebrado em arte conceitual é sem dúvida o inglês Damien Hirst.Quando jovem estudante, ele descobriu as pinturas macabras de Francis Bacon. Na época ele estava tentando se fixar como pintor, mas acabou desistindo por achar todas suas telas “Bacon ruins”. Em 1990, ele produziu A Thousand Years, uma obra de concepção brilhante e execução esplêndida que conseguiu ser mórbida e afirmadora da vida. Consiste em uma grande caixa de vidro retangular, medindo 4 metros de comprimento, por 2 metros de largura e 2 metros de altura, com uma moldura de aço preta. No centro há uma divisória de vidro em que foram furados 4 orifícios redondos do tamanho de um punho. De um lado da divisória há uma caixa cúbica feita em MDF que parece um enorme dado, com a diferença que todos os lados estão marcados com um ponto preto. No meio do assoalho do outro lado da parede está a cabeça de uma vaca morta em putrefação. Sobre ela está pendurado um insectocutor (dispositivo que combina luz ultravioleta e eletrocussão, do tipo que se vê em açougues). Em dois cantos da caixa de vidro estão duas tigelas com açúcar. Para completar a peça, Hirst acrescentou moscas e larvas. O ciclo de vida e morte se completa num único espaço: moscas põem ovos na cabeça da vaca, o ovo vira larva, a qual se alimenta da carne deteriorada da vaca antes de se transformar numa mosca, que depois come um pouco de açúcar, copula com outra mosca, põe alguns ovos sobre a cabeça da vaca e é fulminada pelo insectocutor, cai em cima da cabeça da vaca, onde seu corpo, agora morto, torna-se parte matéria orgânica e fonte de alimentação para novas larvas. Repulsivo! Bonito! Arte! Sim, arte! Hirst não era biólogo, portanto que sua criação não é um estudo em laboratório, mas uma peça de arte.

Em resumo, a obra de Hirst resume o objeto da arte conceitual. Não basta para estes artistas estarem nas paredes, presos por molduras ou elevados. A ideia é tornar-se componente do espaço que ocupam e interagirem diretamente com o espectador, criando um laço de amor ou ódio. Você pode não gostar, ter ressalvas, fugir da exposição ou amar. Bem, isso é muito particular. Porém, admita: a arte conceitual é a mais questionadora de todas as formas de expressão. Artistas como Hirst nos faz rever milênios de conceitos e concepções que são comuns e escondemos embaixo de nosso tapete. Então arte conceitual não é para olhos virgens, necessitamos de calos nos olhos e mente aberta para compreender todo o processo e a ideia, Uma obra para atingir espectador precisa ser bem construída, logo não pode ser feita por qualquer um, tem que ter lógica, embora parece fora de qualquer parâmetro, e assim não ser apenas um embuste.

Clodoaldo Turcato é jornalista, escritor e artista plástico, nascido em Santa Catarina, reside na Região Metropolitana de Recife desde 2000. Apaixonado por literatura e artes plásticas, tenta fazer esta fusão entre texto e imagem.

Esta loucura chamada artes plásticas

12660453_905974219500678_429818386_nPor Clodoaldo Turcato

A história da arte é repleta de casos em que o grande gênio de hoje morreu na sarjeta, no manicômio ou esquecido num canto do mundo, sendo reconhecido anos depois e suas obras estão no mais alto pedestal e os contemporâneos olham e derramarem lágrimas. Centenas, sim, conheço centenas de casos nos  poucos anos que me pus a estudar artes plásticas. No entanto, isso se lê, estes artistas não entregaram os pontos e pintaram, pintaram, pintaram, certos de que alcançariam seu objetivo, inconscientes de que a vida é uma armadilha perigosa e pode se encerrar num segundo.  Para tantos foram derrotados pela vida e glorificados pela arte.

Quando comecei a escrever com doze anos, tive a certeza de que teria meu trabalho reconhecido. Persigo este objetivo há trinta anos. Hoje aos quarenta e cinco minha certeza titubeia em meio ao caos que é a literatura. Ser admirado por grandes artistas e críticos não é necessariamente o início da glória, são pessoas que te credenciam a seguir a estrada, que raramente dá com luz ao final deste túnel chamado vida. Quando comecei a pintar, sem pretensão alguma, imaginei estar testando mais um passatempo, um hobby, momentos que poderia jogar tintas num pedaço de papel e criar algumas imagens sem nexo. O efeito foi contrário. Como o sujeito que cheira cocaína a primeira vez para experimentar e depois não consegue mais sair, se tornou vício, uma obsessão, um deleite e um drama. Sigo a quatro anos desenhando e pintando todos os dias, sem cessar, com uma certeza absoluta de que um dia serei reconhecido. Sonho?! Loucura?! Decidam!

Estes preambulo sensacionalista e emotivo, distorcendo da crueza de outros textos neste espaço, é para falar de arte sim. Não a minha arte, a arte real, aquela que enfeitou o mundo num dos momentos mais cruéis que o Velho Continente passara. Já citei esta artista aqui: Chama-se Séraphine Louis. Expus parte de sua biografia, que vou repetir aos incautos que não leram minha crônica sobre Arte Naif. Séraphine nasceu numa pequena localidade da França, chamada Arsy no ano de 1864. De família humilde, jamais teve aulas de pintura, e nunca participou do meio cultural de sua época, mas tinha uma paixão secreta: sem que ninguém suspeitasse, ela pintava. Seu pai era um trabalhador e sua mãe veio de uma família de camponeses. Ela perdeu a mãe no dia do seu primeiro aniversário, e seu pai morreu quando ela ainda não tinha completado sete anos; ela é, então, levada por sua irmã mais velha.Ela trabalhou pela primeira vez como um pastor e, em 1881 foi trabalhar como empregada no Convento das Irmãs da Providencia em Clermont, ofício que desempenhou até 1901. A partir de 1901, ela começou a trabalhar como empregada doméstica nas famílias de classe média de Senlis.Enquanto trabalhava ela começa a pintar a vela em grande isolamento e realiza um trabalho considerável.O colecionador de arte alemão Wilhelm Uhde, com base em Senlis, em 1912, descobriu suas pinturas. Mas ele foi forçado a deixar a França em agosto de 1914, e ele se reconecta com Séraphine, em 1927, por ocasião da exposição local de Senlis. Sua ajuda, então, permite que Séraphine pinte grandes telas, inclusive de dois metros. Em 1929, Uhde organiza uma exposição “Pintores do Sagrado Coração”, que permite a Séraphine prosperidade financeira, mas esta ostenta fama e gasta muito dinheiro. Com a grande depressão de 1929, suas obras empacaram e diante da falta de interesse pela sua pintura Séraphine mergulha numa loucura e é internada com “psicose crônica” em 31 de janeiro de 1932 no hospital psiquiátrico de Clermont. Suas obras estão expostas por Uhde, no entanto em 1932, primitivos modernos exposição em Paris; em 1937-1938, exposição Mestres da realidade popular, Paris, Zurique, Nova York; em 1942, Primitives exposição do século XX Paris; em 1945, exposição dedicada a Séraphine sozinho em Paris.Ela morre de fome aos 78 anos no hospital em Villers-sous-Erquery, na miséria e nas duras condições de asilos durante a ocupação alemã.

Esta rasa narrativa acima não traduz o sentimento e a grande parcela que Séraphine deixou. Vejamos. Sem condições financeiras para comprar tintas e outros materiais, ela pintava com tinta feita a partir de extrato de plantas, oleoginosas e sangue animal. Suas telas eram de restos de tecido, sem qualidade e esmero, beirando à impossibilidade que em suas mãos tornaram mágicas. Ela produzia à noite depois de jornadas exaustivas de trabalho, sem parar, sem noção de onde aquilo tudo iria dar. Ela produzia de forma inconsciente e tenho absoluta certeza de que mesmo não sendo “descoberta”, ela seguiria sua vida como artista. O fato de ser reconhecida em vida talvez a tenha apresentado um mundo que não era seu, levando-a a loucura. Imaginemos que ela pintaria escondida até o final de seus dias, sem parar e ao morrer suas telas viriam a publico.  Certamente teria sido melhor, em tese, que ficasse no anonimato. A arte há matou!

Voltando há técnica e o porquê da grandiosidade da obra da autora, faremos alguns apontamentos chatos. Serhapine se dedicou a pintar florais e os fez excessivamente, sem nunca se repetir. Para um artista se manter sempre no mesmo tema e encantar é preciso muita entrega. Um dos quadros mais lindos e impressionantes é O grande boquet, um óleo sobre tela ( ou algo parecido), medindo 146 X 138 cm, pintado em 1907, antes de  ser descoberta, portanto. A tela impressiona pela hamonisidade, cores e disposição perfeita.  Cachos, folhas e arbustos se distribuem pelo tablado, constrastando com um fundo azul e bege, dando a perspectiva adiantada do vaso (único “defeito”), tirando um pouco da disposição, sem prejudicar o restante da tela, embriagadora pela da dança de cores que nos tomam pelas retinas. É uma obra magistral, que nos parece ser feita por um experiente pintor, galgado pelas extremas técnicas das escolas de arte. Não é, e nem poderia ser feito por tal. Esta obra e todas as outras, tem a alma pura da artista. Carrega o destino do belo, do mágico, do sublime composto de arte. Ela dizia que era induzida a pintar por anjos e creio nisso piamente. Louca nunca fora, muito menos ingênua.

Aqui o leitor me chamará de pretensioso, e com alguma razão: “ele está se comparando?”, seria a pergunta. Em menor escala, confesso esta vaidade. Não ao trabalho, evidentemente, porém esta ânsia de seguir mesmo que suas telas se amontoem no depósito e seus problemas financeiros triplicados gritem para parar com esse negócio de pintura, procurar um trabalho de professor ou coisa que o valia. É o conselho que entra por um ouvido e sai pelo outro, o exemplo que não cabe e a loucura individual que nos faz parecer patetas diante dos outros. O que tem o artista que não se rendem? Seguir desenhando todos os dias, rascuhando e finalizando obras – demência – a espera de um milagre que te pague o esforço financeiro, é pouco diante da angustia que só se explica a quem sente. Mesmo um cético ao ver uma obra e levar para sua casa,carrega a alma do artista, aqueles momentos em que ele jogou seu melhor no trabalho e transfigurou uma expressão que dirá ao comprador “Ei! Estou aqui!”. Todos os dias imagino que centenas de pessoas olhem para meu trabalho e lembrem de mim, sorriem ou desdenhem, não importa, um pouco de mim entrou em sua casa. Esta é a recompensa, que nos faz eternos, mesmo com a morte.

Qualquer artista que exponha sua alma no que faz seguirá sempre, independente do mercado, da crítica e até mesmo da dúvida quanto a sua expressão. Ele vai comer marmita e arrotar Van Gogh ou Bach. É uma soberba permitida aos loucos, que não racionalizam que a vida é prática e pouco generosa. A pergunta que Séraphine fazia era “será que vou gostar do que faço?”, jamais se outrem fosse comprar ou comentar positivamente. Esta é a questão óbvia do artista. Quando ele tenta agradar aos outros sua arte modifica e perde força, legando aos olhos do futuro verdadeiras lacunas de originalidade. É dificil, mas necessário manter o foco e a solidão de um quartro pérfido e mal, cuidado fizeram de Sérhapine a grande artista que fora. Ela não tinha objetivoalém de se satisfazer. A essência morreu quando ela passou a buscar riqueza e um mundo desconhecido chamado luxo. Este luxo há matou, por que a fez perceber que viver a realidade é bem doloroso, muito aquém de um vaso bonito de flores num pedaço de pano velho transformado em suprema arte.

Clodoaldo Turcato é jornalista, escritor e artista plástico, nascido em Santa Catarina, reside na Região Metropolitana de Recife desde 2000. Apaixonado por literatura e artes plásticas, tenta fazer esta fusão entre texto e imagem

A história da arte é repleta de casos em que o grande gênio de hoje morreu na sarjeta, no manicômio ou esquecido num canto do mundo, sendo reconhecido anos depois e suas obras estão no mais alto pedestal e os contemporâneos olham e derramarem lágrimas. Centenas, sim, conheço centenas de casos nos  poucos anos que me pus a estudar artes plásticas. No entanto, isso se lê, estes artistas não entregaram os pontos e pintaram, pintaram, pintaram, certos de que alcançariam seu objetivo, inconscientes de que a vida é uma armadilha perigosa e pode se encerrar num segundo.  Para tantos foram derrotados pela vida e glorificados pela arte.

Quando comecei a escrever com doze anos, tive a certeza de que teria meu trabalho reconhecido. Persigo este objetivo há trinta anos. Hoje aos quarenta e cinco minha certeza titubeia em meio ao caos que é a literatura. Ser admirado por grandes artistas e críticos não é necessariamente o início da glória, são pessoas que te credenciam a seguir a estrada, que raramente dá com luz ao final deste túnel chamado vida. Quando comecei a pintar, sem pretensão alguma, imaginei estar testando mais um passatempo, um hobby, momentos que poderia jogar tintas num pedaço de papel e criar algumas imagens sem nexo. O efeito foi contrário. Como o sujeito que cheira cocaína a primeira vez para experimentar e depois não consegue mais sair, se tornou vício, uma obsessão, um deleite e um drama. Sigo a quatro anos desenhando e pintando todos os dias, sem cessar, com uma certeza absoluta de que um dia serei reconhecido. Sonho?! Loucura?! Decidam!

Estes preambulo sensacionalista e emotivo, distorcendo da crueza de outros textos neste espaço, é para falar de arte sim. Não a minha arte, a arte real, aquela que enfeitou o mundo num dos momentos mais cruéis que o Velho Continente passara. Já citei esta artista aqui: Chama-se Séraphine Louis. Expus parte de sua biografia, que vou repetir aos incautos que não leram minha crônica sobre Arte Naif. Séraphine nasceu numa pequena localidade da França, chamada Arsy no ano de 1864. De família humilde, jamais teve aulas de pintura, e nunca participou do meio cultural de sua época, mas tinha uma paixão secreta: sem que ninguém suspeitasse, ela pintava. Seu pai era um trabalhador e sua mãe veio de uma família de camponeses. Ela perdeu a mãe no dia do seu primeiro aniversário, e seu pai morreu quando ela ainda não tinha completado sete anos; ela é, então, levada por sua irmã mais velha.Ela trabalhou pela primeira vez como um pastor e, em 1881 foi trabalhar como empregada no Convento das Irmãs da Providencia em Clermont, ofício que desempenhou até 1901. A partir de 1901, ela começou a trabalhar como empregada doméstica nas famílias de classe média de Senlis.Enquanto trabalhava ela começa a pintar a vela em grande isolamento e realiza um trabalho considerável.O colecionador de arte alemão Wilhelm Uhde, com base em Senlis, em 1912, descobriu suas pinturas. Mas ele foi forçado a deixar a França em agosto de 1914, e ele se reconecta com Séraphine, em 1927, por ocasião da exposição local de Senlis. Sua ajuda, então, permite que Séraphine pinte grandes telas, inclusive de dois metros. Em 1929, Uhde organiza uma exposição “Pintores do Sagrado Coração”, que permite a Séraphine prosperidade financeira, mas esta ostenta fama e gasta muito dinheiro. Com a grande depressão de 1929, suas obras empacaram e diante da falta de interesse pela sua pintura Séraphine mergulha numa loucura e é internada com “psicose crônica” em 31 de janeiro de 1932 no hospital psiquiátrico de Clermont. Suas obras estão expostas por Uhde, no entanto em 1932, primitivos modernos exposição em Paris; em 1937-1938, exposição Mestres da realidade popular, Paris, Zurique, Nova York; em 1942, Primitives exposição do século XX Paris; em 1945, exposição dedicada a Séraphine sozinho em Paris.Ela morre de fome aos 78 anos no hospital em Villers-sous-Erquery, na miséria e nas duras condições de asilos durante a ocupação alemã.

Esta rasa narrativa acima não traduz o sentimento e a grande parcela que Séraphine deixou. Vejamos. Sem condições financeiras para comprar tintas e outros materiais, ela pintava com tinta feita a partir de extrato de plantas, oleoginosas e sangue animal. Suas telas eram de restos de tecido, sem qualidade e esmero, beirando à impossibilidade que em suas mãos tornaram mágicas. Ela produzia à noite depois de jornadas exaustivas de trabalho, sem parar, sem noção de onde aquilo tudo iria dar. Ela produzia de forma inconsciente e tenho absoluta certeza de que mesmo não sendo “descoberta”, ela seguiria sua vida como artista. O fato de ser reconhecida em vida talvez a tenha apresentado um mundo que não era seu, levando-a a loucura. Imaginemos que ela pintaria escondida até o final de seus dias, sem parar e ao morrer suas telas viriam a publico.  Certamente teria sido melhor, em tese, que ficasse no anonimato. A arte há matou!

Voltando há técnica e o porquê da grandiosidade da obra da autora, faremos alguns apontamentos chatos. Serhapine se dedicou a pintar florais e os fez excessivamente, sem nunca se repetir. Para um artista se manter sempre no mesmo tema e encantar é preciso muita entrega. Um dos quadros mais lindos e impressionantes é O grande boquet, um óleo sobre tela ( ou algo parecido), medindo 146 X 138 cm, pintado em 1907, antes de  ser descoberta, portanto. A tela impressiona pela hamonisidade, cores e disposição perfeita.  Cachos, folhas e arbustos se distribuem pelo tablado, constrastando com um fundo azul e bege, dando a perspectiva adiantada do vaso (único “defeito”), tirando um pouco da disposição, sem prejudicar o restante da tela, embriagadora pela da dança de cores que nos tomam pelas retinas. É uma obra magistral, que nos parece ser feita por um experiente pintor, galgado pelas extremas técnicas das escolas de arte. Não é, e nem poderia ser feito por tal. Esta obra e todas as outras, tem a alma pura da artista. Carrega o destino do belo, do mágico, do sublime composto de arte. Ela dizia que era induzida a pintar por anjos e creio nisso piamente. Louca nunca fora, muito menos ingênua.

Aqui o leitor me chamará de pretensioso, e com alguma razão: “ele está se comparando?”, seria a pergunta. Em menor escala, confesso esta vaidade. Não ao trabalho, evidentemente, porém esta ânsia de seguir mesmo que suas telas se amontoem no depósito e seus problemas financeiros triplicados gritem para parar com esse negócio de pintura, procurar um trabalho de professor ou coisa que o valia. É o conselho que entra por um ouvido e sai pelo outro, o exemplo que não cabe e a loucura individual que nos faz parecer patetas diante dos outros. O que tem o artista que não se rendem? Seguir desenhando todos os dias, rascuhando e finalizando obras – demência – a espera de um milagre que te pague o esforço financeiro, é pouco diante da angustia que só se explica a quem sente. Mesmo um cético ao ver uma obra e levar para sua casa,carrega a alma do artista, aqueles momentos em que ele jogou seu melhor no trabalho e transfigurou uma expressão que dirá ao comprador “Ei! Estou aqui!”. Todos os dias imagino que centenas de pessoas olhem para meu trabalho e lembrem de mim, sorriem ou desdenhem, não importa, um pouco de mim entrou em sua casa. Esta é a recompensa, que nos faz eternos, mesmo com a morte.

Qualquer artista que exponha sua alma no que faz seguirá sempre, independente do mercado, da crítica e até mesmo da dúvida quanto a sua expressão. Ele vai comer marmita e arrotar Van Gogh ou Bach. É uma soberba permitida aos loucos, que não racionalizam que a vida é prática e pouco generosa. A pergunta que Séraphine fazia era “será que vou gostar do que faço?”, jamais se outrem fosse comprar ou comentar positivamente. Esta é a questão óbvia do artista. Quando ele tenta agradar aos outros sua arte modifica e perde força, legando aos olhos do futuro verdadeiras lacunas de originalidade. É dificil, mas necessário manter o foco e a solidão de um quartro pérfido e mal, cuidado fizeram de Sérhapine a grande artista que fora. Ela não tinha objetivoalém de se satisfazer. A essência morreu quando ela passou a buscar riqueza e um mundo desconhecido chamado luxo. Este luxo há matou, por que a fez perceber que viver a realidade é bem doloroso, muito aquém de um vaso bonito de flores num pedaço de pano velho transformado em suprema arte.

Clodoaldo Turcato é jornalista, escritor e artista plástico, nascido em Santa Catarina, reside na Região Metropolitana de Recife desde 2000. Apaixonado por literatura e artes plásticas, tenta fazer esta fusão entre texto e imagem.

E temos cá nossos artistas, evidentemente

12398897_884205458344221_1138811949_nPor: Clodoaldo Turcato

Quando se foleia os grandes livros de arte lançados mundo afora, inclusive no Brasil, é muito rato encontrarmos artistas plásticos brasileiros em destaque. Isso nos leva a um conclusão precipitada de que o Brasil ainda engatinha ou que não tem ou nunca teve artistas geniais. Um engodo para estrangeiro ver. O Brasil é uma jovem nação, temos meio século de existência e mesmo assim criamos identidade cultural reconhecida no mundo todo. Nas artes plásticas participamos de todos os grandes movimentos e formamos nossas raízes, de tal maneira que basta ir para a rua para dar de cara com arte brasileira. É evidente que sofremos influência estrangeira, principalmente europeia e africana, assim como os próprios europeus sofreram (já relatamos noutros textos isso), porém conseguimos em pouco tempo construir um capital artístico invejável.

Vamos há um pouco de história:

 As pinturas rupestres (em paredes de cavernas) mais antigas do Brasil foram encontradas na Serra da Capivara, no estado do Piauí. Na época entre 5000 e 1100 A.C, povos da Amazônia fabricaram objetos de enfeites e de cerâmica Destacam-se os vasos de cerâmica da ilha de Marajó e do rio Tapajós. A arte plumária  (com penas de pássaros) feitas por índios e a pintura corporal, usando tintas derivadas da natureza, representam importantes exemplos da arte indígena.

Junto com os portugueses, chegam ao país influências artísticas renascentistas e do começo da fase barroca. Na época em que os holandeses invadiram o nordeste brasileiro e lá permaneceram (de1630 a 1654), muitos artistas retratam a paisagem, os índios, os animais, as flores e o cotidiano do Nordeste. Na época do governo de Mauricio de Nassau, chegam ao Brasil muitos pintores, entre eles o paisagista Franz Post. Este artista holandês usa técnicas de luz e cor típicas da pintura holandesa e retrata desta forma os cenários do nordeste do Brasil, no século XVII. Período que se destaca as esculturas e decoração de igrejas com características religiosas. Destacam-se neste período os seguintes artistas:  frei Agostinho da Piedade, Agostinho de Jesus, Domingos da Conceição da Silva e frei Agostinho do Pilar. 

No auge do século do ouro, as igrejas são decoradas para mostrar o poder da Igreja. A utilização de curvas e espirais prevalecem nas obras deste período. Os artistas utilizam muito matérias-primas típicas do Brasil, tais como: pedra-sabão e madeira. O artista que mais se destacou nesta época foi Aleijadinho. 

D. João VI ao chegar ao Brasil em 1808 efetuou mudanças no cenário cultural da colônia. Em 1816, trouxe para o Brasil, pintores e escultores comprometidos com o ideal do neoclassicismo. Destacavam-se na Missão Artística Francesa: Nicolas-Antoine Taunay, Félix-Émile Taunay, Jean-Baptiste Debret, Auguste Taunay e Le Breton (chefe da missão). Estes artistas buscaram retratar o cotidiano da colônia de uma forma romântica, idealizando a figura do índio e ressaltando o nacionalismo e as paisagens naturais.

 

O Ecletismo nas artes plásticas (1870 a 1922) período marcado pesa fusão de estilos artísticos europeus como, por exemplo, o impressionismo, o simbolismo, o naturalismo e o romantismo. Fazem parte desta época: Eliseu Visconti, Almeida Júnior e Hélios Seelinger.

 No expressionismo (início do século XX)Dois artistas expressionistas se destacam neste período: Lasar Segall e Anita Malfatti.O primeiro, ao realizar sua primeira exposição em São Paulo, mostra sua pintura cheia de cores tropicais e repleta de cenas da realidade do Brasil. Anita Malfatti choca a sociedade tradicional com suas obras expressionistas como, por exemplo, O homem Amarelo, um óleo sobre tela medindo 61×51 cm pintado em 1916.

 Arte Moderna teve seu início  em fevereiro de 1922, na Semana de Arte Moderna realizada em São Paulo. Nesta semana, vários artistas comprometidos em mudar a cara da arte nacional se apresentaram e chocaram a sociedade. Quebraram com os padrões europeus e buscaram valorizar a identidade nacional e uma arte, cujo cenário de fundo, eram as paisagens brasileiras e o povo brasileiro. Inovaram e romperam com o tradicional. O modernismo preocupou-se muito a parte social do Brasil. Destacam-se como artistas modernistas: Di Cavalcanti, Vicente do Rêgo, Anita Malfatti, Lasar Segall, Tarsilla do Amaral, Victor Brecheret e Ismael Nery. Para valorizar a arte modernista, embora reúnam obras de vários períodos, dois museus são criados nesta época: o MASP ( Museu de Arte Moderna de São Paulo), criado pelo empresário Assis Chateaubriand e o MAM-RJ ( Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro). 

Movimento de arte abstrata se iniciou no Brasil a partir de 1950 e foi marcado pelo uso de figuras geométricas e pela elaboração baseada no raciocínio. Esse movimento artístico foi criado pelo grupo paulista Ruptura, formado pelos artistas Haroldo de Campos, Geraldo de Barros e Valdemar Cordeiro.No Rio de Janeiro, surge o grupo Frente que contesta a arte concreta e inicia o neoconcretismo. Aproximando-se da pop art e da arte cinética, elaboram obras de arte valorizando a luz, o espaço e os símbolos. São deste período: Amilcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark, Lygia Pape e Hélio Oiticica e Ivan Serpa.

 O informalismo e a arte abstrata inicia no Brasil em 1960.Nesta fase, a arte abstrata passa a ser marcada pelo informalismo lírico e gestual. Os meios de comunicação fornecem os temas para a produção de obras de arte politicamente engajadas.Destacam-se os seguintes artistas: Tomie Ohtake, ManabuMabe, Arcângelo Ianelli e Maria Bonomi. 

Com o surgimento da informática em 1970,  novos sistemas e meios são utilizados nas obras de arte. A instalação (utilização de tecnologia para promover uma interação entre obra e espectador), o grafite (pinturas em spray em locais públicos), a arte postal ( uso dos meios postais para criação de obras de arte) e a performance (uso de teatro ou dança em conjunto com as obras).Destacam-se nesta época: Sirón Franco, AntonioLizárraga, Luiz Paulo Baravelli, Cláudio Tozzi, Takashi Fukushima, Alex Vallauri, Regina Silveira, Evandro Jardim, Mira Schendel e José Roberto Aguilar.

 Nos anos 80 surge o Neoexpressionismo, resgatando  os meios artísticos tradicionais, embora haja, ao mesmo tempo, o fortalecimento da arte conceitual e do abstracionismo. Meios tecnológicos interferem, tornando possível o surgimento da videoarte. Relações entre o espaço público e a obra de arte possibilitam uma intervenção urbana, dando origem à arte pública.Importantes artistas neo-expressionistas: Guto Lacaz, Cildo Meireles, Tunga, Carmela Gross, Dudi Maia Rosa, Rafael França, Ivald Granato, Marcelo Nitsche, Mário Ramiro, Hudnilson Junior, Daniel Senise e Alex Flemming.

As discussões sobre a história da arte e os conceitos artísticos ganham importância e influenciam no Pós-modernismo da década de 1990. Uso de tecnologias, desconstrução da arte, aproximações da arte e do mundo real, globalização da arte. Estes foram os caminhos da arte na década de 1990.Artistas desta época : Leda Catunda, Sandra Kogut, Laurita Sales, Iran do Espírito Santo, Rosângela Rennó, Jac Leirner, Hélio Vinci, Aprígio, Ana Amália, Marcos Benjamin Coelho, Cláudio Mubarac, Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Luis Hermano e Alex Cerveny.

Nesta viagem dentro de todo o processo de identificação artística, surgiram alguns grupos que valem destaque. Como O Grupo Frente foi um grupo artístico brasileiro, considerado um marco no movimento construtivo das artes plásticas. Criado em 1954, o grupo era formado pelo artista cariocaIvan Serpa e vários de seus alunos e ex-alunos.O grupo aceitava pintores de todos os gêneros, inclusive figurativistas e, segundo Ivan Serpa, a única condição para participar do grupo era romper com as fórmulas da velha academia, dispondo-se a questionar a arte e caminhar pelos próprios pés.A extinção do Grupo Frente, em 1956, foi uma consequência natural do crescimento do prestígio de muitos de seus participantes, os quais passaram a encontrar condições de prosseguir cada um o seu próprio caminho; Grupo Neoconcreto surgiu em consequência da cisão no Movimento Concreto, em março de 1959.A cisão aconteceu devido à divergências existentes entre artistas paulistas, oriundos do Grupo Ruptura, e cariocas, oriundos do Grupo Frente.Do Grupo Neoconcreto participaram Hélio Oiticica, Amilcar de Castro, Cristina HugerLygia Clark e Franz Weissmann. O grupo se desfez em maio de 1961; O Grupo Nervo Óptico foi um grupo de artistas voltados à discussão e produção de arte contemporânea, atuando em Porto Alegre entre 1976 e 1978.O grupo formou-se em reuniões informais e criativas dos artistas Ana Alegria, Carlos Pasquetti, Clóvis Dariano, Mara Álvares, Carlos Asp, Carlos Athanázio, Telmo Lanes, RomanitaDisconzi, Jesus Escobar e Vera Chaves Barcellos, que debatiam aspectos da arte de vanguarda no contexto estadual. As duas primeiras reuniões ocorreram em meados de 1976 na sede do Museu de Arte do RS (MARGS), e depois foram transferidas para o atelier fotográfico de Dariano. Estes encontros por fim resultaram, em dezembro do mesmo ano, em um manifesto, expondo seus objetivos e posturas, que atacavam principalmente o mercado de arte e seus vícios, documento que, não obstante, não foi assinado por todos e por seu caráter polêmico causou cisões internas entre os participantes e também com o público, já que parecia invalidar o que com muito custo se havia conseguido em Porto Alegre: a criação de um sistema de arte economicamente autossustentável e devidamente institucionalizado. Mas o grupo não combatia o comércio, não aceitavam é que o mercado fosse o determinante em questões de arte. Até então o grupo não tinha um nome, definido só mais tarde.Em seguida foi organizado no MARGS um evento multimídia intitulado Atividades Continuadas, desenvolvido em 9 e 10 de dezembro de 1976, apresentando performances, exposição de arte, instalações, projeções audiovisuais e debates.A partir de abril de 1977 o grupo editou mensalmente um cartazete ao longo de 13 meses, intitulado Nervo Óptico, de onde mais tarde o crítico Frederico de Morais batizou o movimento em matéria publicada no jornal O Globo. As atividades do grupo tiveram impacto não apenas local, mas foi notado também no centro do país, e seus integrantes realizaram diversas exposições, com ênfase na exploração da linguagem fotográfica e meios/materiais alternativos, muitas vezes com um viés crítico ou irônico. O grupo dissolveu-se em 1978; Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento culturalbrasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas da vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo); misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Torquato Neto, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa). Um dos maiores exemplos do movimento tropicalista foi uma das canções de Caetano Veloso, denominada exatamente de “Tropicália”.

Ufa! E tem mais? Sim, caros, tem. Teria assunto para cem páginas. Se focássemos a arte regional para mil e as microrregiões para milhares. Então, quando for falar de arte brasileira lembre-se que somos muito grandes e muito importantes no cenário mundial.

Semana que vem vamos falar da arte muralista mexicana.