Quando a guerra decepa a arte

Por Clodoaldo Turcato

17857260_1250584371706326_717593806_nNesta semana tão tumultuada com notícias de ataques químicos e revide Estadunidense na Síria, bem como um atrito internacional entre EUA e Rússia, vou escrever sobre um episódio cruel que levou um dos maiores pintores impressionistas aos 28 anos, ou seja, em plena carreira.

Frédéric Bazillenasceu em Montpellier, França, a 6 de Dezembro de 1841. O seu início na pintura foi bastante influenciado pelas obras do seu compatriota Eugene Delacroix. Foi um dos fundadores do movimento impressionista e muito amigo de pintores como Pierre-Auguste Renoir, Claude Monet, Alfred Sisley e Édouard Manet. Além de exímio desenhista e pintor, foi um dos financiadores de Monet e Renoir, dois jovens iniciantes que não tinha nem local para morar. Amigo, leal, companheiro e um sujeito da melhor qualidade, isso diria qualquer uma a sua volta. Se tivesse alguém no mundo que merecesse melhor destino, este seria Bazille. No entanto,em 28 de Novembro de 1870,o Sargento intendente,  então Sergeant Major , é atingido no braço e no estômago e morre com apenas em 28 anos, na Batalha de Beaune-la-Rolande , uma das batalhas da guerra franco-prussiana.

Pode uma bala mudar o curso da história da arte? Certamente, uma vez que tiro prussiano, em,28 de de Novembro de 1870 , em  Beaune-la-Rolande , levou o jovem Sargento Major Frédéric Bazille, pintor civil e um dos mais promissores de sua geração. Ele não tinha 28 anos e junto com o Monet , Renoir , Sisley , era o amanhecer de Impressionismo  .

Cento e cinquenta anos depois, o que tem sido o destino dos sessenta pinturas que fazem o trabalho de Bazille? O esquecimento em primeiro lugar, em seguida, uma ressurreição tímida devido ao historiador de arte Henri Focillon em 1926 . A partir de 1950 sua pintura ganha um olhar real, extraindo-a do círculo muito local de insiders Montpellier. Este é o momento em que suas pinturas saem docírculo de família e junta-se os trilhos de imagem de museus e tem seu reconhecimento justo.

Uma de suas obras mais expressivas e que mostra toda sua genialidade é o quadro O ateliê do artista na RuelaCondamine. Um óleo sobre tela medindo 97×112 cm, que se encontra hoje no Mussé d’Orsay, em Paris, França.Em seu ateliê, Bazille mostra um de seus quadros aos colegas artistas Claude Monet e Edouadr Manet. À esquerda está Pierre August Renoir mergulhado numa conversa com o escritor Émile Zola. É um vislumbre fascinante do mundo do artista na época, seus amigos e o ambiente diário. O quadro mostra também o modelado seguro das figuras e a abordagem da cor que se tornaram a marca de Bazille. Este quadro foirecusado pelo Salon de Paris dois meses antes de sua morte. Neste momento, ao contrário dos demais impressionistas, sua arte estava madura, em alvoroço e pronta para trilar caminhos que o levariam para o topo artístico do Século XIX.Embora tenha morrido antes da primeira exposição Impressionista, Bazille ficou intimamente ligado a este movimento, uma vez que pôs em prática uma forma nova de pintura.

Bazille viveu ativamente envolvido com as questões pictóricas mais significativas da sua época – o renascimento da forma da natureza-morta, paisagens realistas, pintura figurativa em “plein-air” e o nu moderno. Inspirando-se na vibrante vida cultural de Paris, assim como de Provença, sua região natal, Bazille pintou com um estilo muito próprio.Com apenas 23 anos pintou várias obras conhecidas, incluindo O Vestido Cor-de-Rosa e a sua notável obra, Reunião de Família.Este quadro mostra algumas pessoas da família do artista, o qual se colocou no lado esquerdo da obra. Esta pintura tem alguma semelhança com a que Monet pintou no final daquele mesmo ano, em 1867. Ambos, fizeram questão de pintar figuras burguesas num jardim, sendo realizados simetricamente para criar a impressão de ser uma fotografia. Ambos, também, se preocuparam em criar efeitos de luz e sombras no chão e nas roupas das senhoras. Bazille chegou ao ponto de pintar uma luz turquesa que refletia na saia da figura sentada, ao centro da composição, um efeito surpreendente. Essa obra de Bazille é estática e mostra um grupo mais ou menos formal, mostrando um feixe de luz que atravessa as folhas das árvores e se projeta no chão. Essa obra foi aceite pelo Salão de Paris na exposição de 1868.  Bazille revelou-se como um colorista notável, apaixonado pela luz e pelo movimento das nuvens, impondo a pouco-e-pouco o seu estilo pessoal, baseado no emprego de tons suaves e num estilo essencialmente expressivo. 

De tudo, o que temos é o fim precoce de um gênio. Por isso, caro leitor, não se impressione com a guerra. Ela não é nada mais que um demônio que ceifa vidas injustificadamente. Outras obras do autor foram Oficina Furstenberg, Self Portrait, O jardineiro pequeno e Porte de la Reine. 

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