Quando a força se transforma em poesia

Por Clodoaldo Turcato

16706869_1195798923851538_405892167_nSe tiver um artista que admiro por demais, este é Christiaan Karel Appel, conhecido como Karel Appel. Pintor, designer, artista gráfico, escultor e co-fundador do grupo CoBra. Não são apenas estas credenciais que me fascinam em Appel, mas a força de seu trabalho. Pode parecer estranho uma obra ter força, mas a obra de Appel tem muita.

Appel não pintava, ele atirava sua ira para a tela. Geralmente se utilizando de espátulas, brochas e as mãos, despejava quilos de tinta a seu bel prazer, resultando no final um primor. De um amontoado de tons o resultado era pura poesia. A obra de Appel é romântica? Sim. Appel é um maestro diante de uma tela regendo cores.

Um dos quadros mais significativos é Fantasma com Máscara, um óleo sobre tela medindo 116 x 89 cm. Appel dispara na tela sofisticadas pinceladas, criando uma imagem brutal e harmoniosa, que ao final apresenta um grande senso de humor e até leveza infantil. Depois que você acaricia o monstro com seus olhos, percebe que ele não é tão ruim assim e você acaba se apaixonando.

Appel considerava que aplicar a tinta era uma experiência libertadora. O uso de pinceladas vigorosas, às vezes aplicando diretamente do tubo a tinta, causa um efeito fascinante e visionário, formando imagens selvagens ou infantis. Este tipo de trabalho é característico do grupo CoBra, que rejeitava a forma abstrata do pós-guerra, considerando sem vida e passiva.

Ao cruzar com o quadro o expectador não fica passivo e o seu desconforto é inerente. Um tipo de trabalho feio e belo, sujo e limpo – desafiador. Appel consegue retirar emoções de quem o acompanha, relegando a segundo plano conceitos tradicionais de arte e cultura.

Appel viveu em Paris, a partir do início da década de 1950; em Nova Iorque, na década seguinte, na Itália e na Suíça, onde faleceu.

Appel pintou também retratos de músicos de jazz e executou vários trabalhos públicos, incluindo um mural na sede da UNESCO em Paris.

Seus primeiros trabalhos lembram a pintura do realista neerlandês George Hendrik Breitner , porém, já à época da Segunda Guerra Mundial, volta-se para o Expressionismo Alemão e principalmente para o trabalho de Van Gogh.

Há um ponto de inflexão no estilo de Appel, por volta de 1945, quando encontra inspiração na Escola de Paris, particularmente em Matisse, Jean Buffet e Picasso; essa influência, que deverá persistir até 1948, pode ser observada, por exemplo, em uma série de esculturas de gesso dessa época.

A partir de 1947, seu colorido universo pessoal será constituído de seres simples, infantis e animais amistosos, que povoam suas pinturas, desenhos, esculturas de madeira pintada. Seu senso de humor chega ao ápice em grotescas montagens, relevos em madeira e pinturas como Hip, Hip, Hooray que encontra-se na Tate Galeria, em Nova Iorque.

outras obras famosas do pintor são Vrijheidsschreeuw, Questioning Children,  Women, Children, Animals,  Farmer with blue cap e The Discovery .

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