Permita-me dizer: ficção e simplicidade “aparente”

13220901_10154150854193582_6521571338706759113_nPor: Danuza Lima

A ficção nos salva do mundo, nos constrói o chão imaginário no qual insistimos em chamar de realidade aparente, paralela, mentira. No entanto, ela é também a chama que nos cintila. Nos momentos sombrios, ela abre as portas do mundo verdadeiramente sério, e somos impelidos a dele participar; abrir portas. No campo da leitura é primordial, caso contrário, como encontrar saída? Pela ficção, consideramos a possibilidade de ver as coisas pela lente invasiva da palavra, pela luz radioativa das veredas do texto. E não se precisa de mais nada, somente adentrar a esta verdade incontestável que nos traz a leitura, eis o reino do selvagem leitor, pronto a desbravar os terrenos do texto. Mera ilusão, leitura não é descobrimento deliberado, mas sim, o pacto, a troca, o reconhecimento de si, no outro, este outro, o texto, na carne viva e pulsante da ficção.

E são por essas estradas que se trilham os desejos oníricos da amiga Patrícia Tenório. Esta semana, ela lança “A menina do olho verde” e ao que me parece, mais uma vez, o universo desse terreno da ficção se firma em sua escrita. Sei tão pouco sobre o livro que me permito apenas a devanear sobre os possíveis caminhos que esta história nos trará. O excerto, enviado pela autora, denuncia uma invasão profusa nos terrenos de nossa razão:

“Que sabor tem um Beijo? Para ele? Para ela? Tem o gosto de encontro, encontro assim meio de lado, a cabeça de Manoela deitada de lado para receber o Beijo de Pedro. Era feito um aconchego, aquela cabeça deitada, no ombro de seu amado. O Beijo, assim torto parecia. Mas não era torto, era místico e ali se fazia um santuário.

Naquele instante celestial, um Raio de Sol tocou a Cabeça de Manoela. A Cabeça da menina permanecendo deitada, pendendo assim para o lado, era mais fácil o Raio de Sol a tocar e se inserir no pensamento. Houve então uma Epifania. Todos os momentos vividos, o antes, o agora, o depois explodiram em Manoela, como se fossem um instante só. E a menina-mulher podia no corpo de Pedro entrar, no corpo do homem-menino penetrar, feito o ar em seus pulmões”.

 Há quem diga que ficção deve gerar mesmo a inquietação, o susto e a falta de fôlego, no entanto, Patrícia caminha por uma estrada que exibe a beleza da simplicidade, no olhar doce da palavra, o que não suprime o papel da ficção, ela continua sendo vertiginosa e extremamente perigosa, justamente pela escolha dessa estrada: a aparente simplicidade.  E tenhamos cuidado com esta escolha, pode nos levar a caminhos nos quais essa “chama que cintila” brilhe sem cessar, quem sabe a luz nos cegue e nos permita ver com os olhos bem fechados. Que a leitura, a ficção é este pulsar radioativo da vida, acompanhemos o nascimento dA menina do olho verde.

Serviço:

Lançamento dos livros virtual e físico, “A menina do olho verde”.

Local: Livraria Cultura do Shopping Riomar

28/05/16, às 18h:30. 

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