O porão da mansão abandonada

Por: Jacqueline Souza

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Na pequena cidade do interior de Minas Gerais, existia uma família muito unida. O casal contraíra núpcias muito cedo. Dona Ciça e seu José tiveram quatro filhos: Juquinha, Lara, Caio e Erik. Viviam felizes, embora sem grandes posses. Moravam numa casa um pouco velha que precisava de reparos, mas aconchegante e repleta de alegria.

            À noite quando o pai chegava a casa, as crianças tratavam de rodeá-lo para que contasse suas histórias de terror. Obviamente a mãe interferia para que jantassem primeiro e cuidassem da higiene, o que faziam prontamente.

            Seu José sentava-se no chão batido e iniciava seus contos. Aprendera com seu pai num pequenino sítio que tiveram na infância, antes dele partir para o outro mundo. Ele e seus irmãos ficaram sem ter onde morar e de favor perambularam em casas de parentes, porque a mãe entrara numa tristeza tão profunda que permaneceu internada num sanatório até o dia da sua morte.

            Não sabia ler muito menos escrever, apenas desenhava seu nome no papel quando tinha necessidade de assinar, todavia possuía uma imaginação muito fértil. Era requisitado pelos colegas de trabalho e até por seu chefe a contar tais histórias.

            Essa noite seria especial, resolvera falar do casarão do final da rua. Todos sabiam que a última moradora fora uma senhora que praticava magia, era muito feia, nariguda, com cabelos compridos e magra demais. Temiam falar seu nome, pois achavam que tinha vendido sua alma para o ser das trevas em troca de favores. Os filhos dela morreram de uma febre misteriosa que assolou a região e logo depois ela sucumbiu também dentro do casarão, desde então, ninguém quis entrar lá. Acreditam que ela trouxe a doença.

            O pai começou a dizer que uma vez um grupo de pessoas adentrou a casa para ver se a velha deixara algo de valor. Na verdade, foram bisbilhotar. Ao descerem até o porão viram um ser imenso, sem formas, com olhos vermelhos como labaredas de fogo e correram assustados.Após o episódio ninguém ousou voltar àquele lugar amaldiçoado, poderia ser o “coisa ruim”.

            A esposa atenta àquela conversa mandou todos para a cama e disse ao marido que ele havia amedrontado as crianças.

            Aquela noite ouviam-se os trovões e raios que caiam próximos à casa. Os dois filhos mais velhos não conseguiam dormir e conversavam sobre o que o pai contara a eles. Estavam petrificados. Depois de um bom tempo…

            —Ei, acorde, Juquinha!

            —O que foi Lara?

            —Observe ao nosso redor, não estamos em casa…

            —Não?

            Levantaram-se, pois acordaram no chão frio de um porão escuro. O irmão segurou a mão de sua irmã. Olharam no canto da parede e viram algo que se expandia e vinha na direção deles. Ele entrou na frente para proteger Lara, ao mesmo tempo, que rezava um pai nosso. A criatura sem forma se aproximou e segurou o queixo do menino para que ele parasse.

            Com o pensamento Juquinha disse:

            —Você pode me impedir de falar com a boca, mas não pode controlar o meu pensamento.

            A criatura partiu para cima dele com extrema violência.

            A mãe veio ao socorro das crianças que gritavam e pareciam não querer acordar. Foram sacudidas e enfim começaram a chorar abraçadas aos pais. Caio e Erik permaneceram paralisados ao ver tal cena.

            Contaram o que sonharam e dona Ciça repreendeu seu José, por ter contado tantas bobagens.

            O mais estranho que ambos tiveram o mesmo sonho. Os pais silenciaram-se tentando entender. Ficaram ainda com os filhos no quarto até adormecerem novamente.

            No outro dia, na escola as crianças comentaram com os colegas que não acreditaram e deram muitas risadas.

—Adolescência é um período complicado demais, os hormônios efervescendo, muita confusão mental… –um amigo gaiato comentou…

            A aula prosseguiu tranquila e após o sinal da saída, os dois irmãos teriam de voltar a casa para levar os pequenos na escola, no entanto tomaram uma decisão de passar na frente do casarão. Fascinados por aquele local, algo despertara dentro deles. Quiseram entrar e ver se o que sonharam fazia algum sentido.

            Pensaram por instantes, então abriram o portão. As folhagens tomaram conta da frente e da lateral. Ao pisarem nas folhas secas, sentiram-se atraídos cada vez mais para dentro, como ímãs. Havia na minúscula trilha de folhas muitas estátuas quebradas, que davam muito medo. Pararam diante do casarão e viram após subirem os degraus dois gárgulas um do lado oposto do outro, talvez, protegendo a entrada da casa. Eram figuras medonhas.

            Juquinha inebriado pela sensação de curiosidade já punha sua mão para abrir a porta, quando sua irmã o impediu. Ele parecia enfeitiçado por alguma coisa, mas voltou a si ao chamado de Lara. Retornaram para seu lar.

            Tudo seguia tranquilamente durante a semana toda. O pai fazia hora extra e não chegava cedo para contar suas histórias.

            Dona Ciça, uma mãe zelosa, sempre preocupada com os filhos, tomava conta de tudo e dava muito carinho a todos. Ela não teve uma vida muito boa, perdera seus irmãos e mãe por conta de uma febre que havia tomado conta de toda a cidade. Era a única coisa que sabia sobre sua família. Fora criada no orfanato da igreja, desconhecia o nome de seus familiares, poucas lembranças surgiam à mente.Ao se recordar disso, deixou que as lágrimas lhe caíssem sem medo. Sentia saudades da sua família…

            O marido retornou. Jantaram e dormiram. A mãe começou a sonhar que estava descendo o porão do casarão. Viu uma mulher que afagava a cabeça das crianças com muito amor, todavia demonstrava muita severidade. De repente, seu olhar doce se virou para dona Ciça que se assustou. A mulher começou a bater nas crianças impiedosamente, com ódio expresso nos olhos. Levou-as para o porão e lá deixou os filhos muito machucados. Acendeu umas velas e invocou o ser das trevas que apareceu na parede, sem forma humana e nem de animal, não dava para descrever o que era, apenas aqueles olhos vermelhos. Eles conversaram. Ao ver dona Ciça, passou-lhe muito terror, quando sua energia se aproximou dela que não conseguia raciocinar. E com tamanho medo, começou a gritar: “ Mãe, não deixe que ele me machuque! Mãe!”

            Seu José tentava acordar a esposa. As crianças adentraram o quarto e ficaram impressionadas com suas palavras: “Mãe, não deixe que ele me machuque! Mãe, mãe, mãe!”

            ─ Calma, amor! Está tudo bem!

            Ela chorava copiosamente abraçando seus rebentos, apertando-os contra o peito.

─ Eu prometo que nunca permitirei que o mal tome conta de nossa família de novo!

Ninguém compreendeu, todavia nada comentaram. Cada um foi para sua cama e a mãe adormeceu.

Seu José levantou mais cedo que o habitual e saiu sem tomar seu café. A mulher abriu a porta para ir à padaria comprar pães e leite. Tomou um susto ao encontrar no tapete um gatinho preto desamparado, que começou a miar, chamando aatenção da criançada que desceu alvoroçada para ver o que estava acontecendo. Ficaram encantadas, pedindo para a mãe se podiam cuidar dele. Ela aceitou o novo amiguinho.

Os dias se passaram com tranquilidade. A família estava feliz com o animalzinho de estimação.

Certa noite, alguns fenômenos começaram a aparecer.Ouviam-se barulhos de panelas caindo por toda a cozinha. Em pânico, desceram e não encontraram nada caído ao chão. Estranharam a situação, porém resolveram voltar às camas. Novamente no meio da madrugada, ocorreu a mesma coisa. Daí não quiseram mais dormir.

O dia amanheceu, as crianças foram à escola. A mãe continuou seus afazeres. Uma vizinha bateu à porta aos berros. Ao abri-la, a mulher ofegante implorava para que ela a seguisse. Correram para o casarão. Para sua surpresa, seu marido estava amparado pelos vizinhos. Sem entender, perguntou o que havia se sucedidoa ele. Explicaram-lhe que pendurou uma corda na árvore e tentou se enforcar. Dona Ciçao abraçou muito chorosa. De nada adiantava falar com seu José, não respondia, seu olhar perdido no espaço, contemplando o nada. Ajudaram-na levando-o para casa.

Ele parou de trabalhar, pois toda vez que saía ia direto para o casarão na intenção de concretizar seu desatino. Precisaram interná-lo. O médico dissera que poderia ser estresse, embora ele tivesse o histórico da mãe, como herança.

A vida da família começou a ficar arruinada. A mãe não sabia mais o que fazer. As férias escolares chegaram e as crianças passaram a ficar mais tempo em casa, dando muito trabalho a pobre Ciça.

Depois da internação do marido, as noites ficaram cada vez mais terríveis, porque os fenômenos iniciaram-se novamente e ninguém conseguia dormir.

Os meninos deitaram mais cedo, porque aprontaram o dia todo. Mais uma vez os irmãos se viram dentro do casarão.

─ Juquinha, olhe! Estamos no porão.

─ Eu te protejo e se ele for mexer com você, tomarei seu lugar e você foge.

Nesse instante, uma mulher surgiu no meio dos dois, eles correram pela escada. O irmão sempre cuidando da pequena, colocou-a na frente. De repente, a porta de cima se fechou com Lara. Quando olhou para baixo, viu a menina ressurgir como uma criança de três anos de idade. Tudo estava muito confuso. Ele no ímpeto de proteção, tornou a descer os degraus e a criança passou por outra porta, enquanto à sua frente a mulher permaneceu de costas rindo dele. Começou a gritar pela irmã e acordou a família.

Dona Ciça veio ao encontro deles e sentiu-se culpada por não conseguir protegê-los. Aquilo não poderia continuar assim.

No dia seguinte, de tão esgotada resolveu chamar o pároco da igreja para visitar a casa dela e tirar o mal que se instalara lá. Agora não bastava somente o barulho, as coisas quebravam e eram atiradas nas pessoas da casa. A casa parecia mal assombrada.

O pároco, seu Antonio, decidiu conferir o que se sucedia. Fez sua sessão de exorcismo e para surpresa geral, o gato preto subiu na pia, olhou para todos e deu uma gargalhada tenebrosa que arrepiou a alma. Pulou a janela e foi para o casarão.

Seguiram-no e o homem de Deus jogou água benta na escada e os degraus “cuspiram” de volta nele, mesmo assim adentrou o casarão, orou fervorosamente, jogando aquela água por toda parte. Começaram a sair das paredes sombras que iam para o porão. Dona Ciça quase desmaiou de tanto medo. Aquelas sombras se transformaram no ser das trevas, só se viam os olhos vermelhos. O homem rapidamente proferiu seu ritual de exorcismo, desmanchando aquela monstruosidade e uma luz imensa apareceu no local.

Ao saírem do casarão, a mulher olhou para trás e viu na janela a figura de sua mãe, com lágrimas escorrendo pelo rosto, acenando uma despedida para dona Ciça e sumindo numa fumaça.

Ela agradeceu imensamente pela ajuda do sacerdote e contou o que vira na janela. O pároco disse que conhecia sua história e sentaram-se nos degraus. Ele informou que aquela mulher era a senhora que morava lá, que fazia rituais de bruxaria e num desses momentos, envolvida por uma entidade do mal, matara seus filhos e morrera enforcada.

─ Como assim, sempre falaram que a febre os matou.

─ Sim, filha. A verdade é que estive aqui e não permiti que soubessem que matara seus próprios filhos e depois cometera suicídio. Uma das crianças, uma menina, fora salva, havia batido a cabeça e ficou hospitalizada durante muitos meses em coma. Quando acordou, não sabia quem era. Resolvemos que ela viveria no orfanato da igreja tendo preceitos religiosos para não se tornar igual a mãe.

─ Sou eu?! Sempre tive lembranças. Agora passo a compreender…

─ Não fique triste. Você hoje é uma mulher de fé e ajuda seus filhos e todos ao seu redor.

─ O que acha que aconteceu com minha família nos últimos tempos?

─ Você é a herdeira de tudo, certamente ela cobrava por ter sobrevivido e queria interferir na sua família, destruindo a todos.

─ É tão difícil conceber isso…

─ Quer que saibam a verdade sobre o que lhe disse? Se quiser guardo segredo como fiz até o momento.

─ Sim, não quero que me liguem ao casarão. Deixemos do jeito que está. Obrigada mais uma vez.

Eles se abraçaram e cada um seguiu sua vida.

O marido de dona Ciça saiu do sanatório e tudo se normalizou. Nunca mais se falou sobre o casarão e as noites passaram a ter histórias fabulosas, todavia sem terror.

As meninas, de Velázquez, é um quadro que poderia ser um vídeo

Por Clodoaldo Turcato

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Já escrevi neste espaço sobre este artista e sua obra, com outra perspectiva e intenção. Neste texto quero fazer melhor, dar uma guinada e mudar o olhar para que se compreenda a grandeza de uma tela que mudou conceitos sobre a arte. Sim, caro leitor e leitora, poucas obras tem esse lugar: As meninas.

O conceito histórico da obra eu escrevi aqui. Portanto, meu caro e cara, basta voltar no tempo ou nos meus textos para reler. Avante!

O título data apenas do século XIX e pouco diz sobre o significado desta tela que se transformou em perene desafio a análises e interpretações. O cenário é o estúdio do artista: a Infanta Margarida-Teresa, a filha de cinco anos do rei Felipe IV da Espanha, está no centro da tela, cercada por suas damas de honra, um casal de criados, uma anã e uma criança. O rei Felipe IV e a rainha Mariana da Áustria aparecem refletidos no espelho, bem atrás da cabeça da infanta, e são os modelos que o pintor mira orgulhoso diante do grande cavalete, o último e mais belo de seus autorretratos. Olhando os soberanos, na verdade o pintor olha para o espectador que contempla sua tela. Ao autorretratar-se enquanto pinta o quadro com o par real, Velázquez propõe o tema do quadro dentro do próprio quadro e é atraído para o interior de um jogo labiríntico entre os espaços interior e exterior.

A imagem do rei e da rainha no espelho tem suscitado muitas controvérsias. Alguns acreditam que represente os soberanos posando para o artista. Outros, apenas o reflexo de um retrato pendurado na parede oposta. Mas não há documentação a respeito de nenhuma tela como esta de autoria de Velásquez. Qualquer que seja a interpretação, o espelho é um hábil recurso para sugerir a presença dos soberanos. O retrato ofuscado tem relação com a decadência do Império, que após perder a guerra dos 30 anos padecia de carência econômica e política, além de o Rei ter perdido há pouco tempo sua esposa, mãe da Infanta Margarida.

 A luz da janela cobre a Infanta Margarida, um sinal dos novos tempos, esperança para o país e seu povo, um oráculo no caminho das incertezas daquele momento. A recusa da menina em receber o copo com água representaria a repulsa dos monarcas pelos menos favorecidos, distância entre as classes sociais e subserviência de castas, comum naquela época.

 Os demais planos são gradualmente mais opacos e estão submersos em distâncias criadas pelo movimento da luz. Esta obra também aponta para o futuro, porque Velázquez conferiu à luz um papel de destaque, antecipando assim a questão fundamental dos impressionistas.

 A anã Mari Bárbola aparece no canto direito da tela. Os traços pesados dela criam um patético contraste com a delicadeza da infanta. O outro anão é Nicolás de Pertusato, que apoia o pé nas costas do cão tranquilo, fato que indica familiaridade e despreocupação em relação a tudo o que o rodeia, como se no palácio fosse normal assistir às sessões de pintura de Velázquez. Os retratos dos bobos da corte formam um núcleo importante da produção retratista do pintor e serão muito admirados por Goya e Manet.

 O artista se promove ao final, já que era o pintor oficial da corte e, num quadro primoroso, expôs os dois lados da nobreza, numa crítica sútil, quase imperceptível diante de tanta maestria. As mãos do artista parecem que se movimentam com rapidez entre a paleta e a tela. A Cruz da Ordem de Santiago em seu peito é uma adição posterior, pois esta honraria lhe foi concedida em 1659.

No vão da escada, que abre para um novo espaço para além da composição, enquadra-se uma figura parada no meio dos degraus. Trata-se de José Nieto, primeiro-chefe tapeceiro da rainha e futuro hóspede-mor do palácio. Um outro jogo de ilusões, de imagens que se entrecruzam.Em redor da princesa estão as damas de companhia, guardas, acompanhantes, dois anões e até um cão. Ao lado deste grupo, Vélasquez retratou-se a si mesmo olhando para o observador. E como se esta não fosse uma aparição invulgar, ao fundo pode ver-se um espelho onde estão surgem os reis, Felipe IV da Espanha e Maria Ana de Áustria. O teto representa uma grande área escura, que lembra o estilo barroco. Os suportes não possuem candelabros, mas direcionam o olhar para o fundo da sala, sendo que um deles aponta para o espelho com a imagem dos reis. Na parede lateral, à direita, é usado um jogo de luz e sombras, com o objetivo de ampliar a ilusão de profundidade do espaço, onde se desenrola a cena. Embora a luz diurna entre por uma das janelas desta parede, existem também outras fontes de luz a modelar as sombras.

O que significa esta imagem? Vélasquez coloca o observador na pele dos reis, por isso é que os vemos no espelho ao fundo da sala. Assim sendo, o quadro conta o momento em que o pintor estaria a retratar os reis e eles próprios estariam hipoteticamente a pintar a restante corte ao lado de Vélasquez. Outra teoria, contudo, admite que a corte terá entrado na sala de trabalho do artista para vê-lo a trabalhar. A princesa pediu água a uma das damas, que a está a servir. Entretanto, os reis entraram na sala e a corte começou a reagir, fazendo reverência aos monarcas.

Outra teoria sobre a composição de As Meninas está relacionada com a astronomia: diz que todas as pessoas presentes no lado esquerdo do quadro representam as estrelas da constelação de Corona Borealis, vista no hemisfério norte do planeta, cuja estrela alfa também é chamada “Margarita Coronae”, tal como o nome da princesa. Além disso, pode haver propriedades matemáticas na imagem, com a utilização da razão áurea, à semelhança de muitas outras obras artísticas.

Por ter captado o instante exato, em que tudo parece estar em ação, é que a obra de Velázquez é tida como pioneira do impressionismo. Suas cores são discretas, com escassez delas na parte superior, com destaque para o branco, cinza e negro das vestimentas, que trazem minúcias em vermelho. Ao apresentar os anões e o belo cão, Velázquez aproxima-se do impressionismo, também. Não existe unanimidade em relação a quem (ou o quê) estava sendo retratado pelo artista. Uma das suposições é que se tratava do casal real, mas também poderia ser o retrato da princesa, embora ela se encontre atrás do pintor. O certo é que a composição é bastante intrigante.

Caro amigo e cara amiga que está em busca da resposta para a pergunta sobre o que é arte ou não? Fica fácil diante de uma obra consenso. No entanto, o que mais me impressiona neste quadro é a forma como ele capta o movimento e define bem o claro e escuro. Sobre todas as teorias que se formaram, o certo, para mim, é que o pintor está em seu trabalho e o Rei e Rainha chegam de repente, sem aviso, e todos os olhos se voltam para os soberanos. Ao nos deter na obra, esquecemos que é uma tela e não um vídeo, de tanto movimento.

A arte é um negócio bilionário

Por Clodoaldo Turcato

24331324_1479222705509157_1225584168_nO mundo da arte se agita de ano em ano. Normalmente na época dos grandes leilões, onde a especulação sobre quadros e esculturas chega a preços que não compreendemos. A casa de leilões Christie´s leiloou, na quarta-feira, por US$ 450,3 milhões um quadro pintado por Leonardo da Vinci há cinco séculos, ”Salvator Mundi”, a única obra do artista italiano mantida em coleções privadas. O quadro, que chegou a fazer parte da coleção do Rei Carlos I da Inglaterra, acabou nas mãos de um bilionário russo, que o comprou em 2013 por US$ 127,5 milhões.

A venda foi feita durante o leilão de arte contemporânea da Christie´s, em 15 de novembro, embora o trabalho de Da Vinci tenha sido introduzido fora de seu tempo, considerando a grande atração dos leilões que acontecem durante este período em Nova York.O leilão durou cerca de 20 minutos, um período muito longo para os padrões habituais. O preço inicial foi de US$ 70 milhões, mas três minutos depois, já tinha alcançado os US$ 200 milhões. Dois dos participantes do leilão protagonizaram a parte final da proposta, e um deles ganhou quando elevou de US$ 370 para US$ 400 milhões a oferta, sempre como preço do martelo.Salvator Mundi” está considerado a mais importante redescoberta artística deste século. Foi em 2011, quando após um processo de restauração e análise, os especialistas eliminaram muitos anos de dúvidas ao confirmar a autoria de Da Vinci.

Parece-nos um absurdo dar 1 bilhão e duzentos milhões de reais, aproximadamente, num óleo sobre tela que mede 45,4 cm x 65,6 cm, Chamada de “a maior redescoberta do século XXI” por Christie’s, a pintura que data de cerca de 1500 descreve Jesus Cristo como um messias e símbolo de proteção, bem como boa sorte. Um orbe de cristal é colocado na mão esquerda, enquanto a mão direita é levantada em bênção. Para compreender tudo isso, vou tentar, apenas tentar, convencer você de que é possível. Tanto é possível este absurdo que aconteceu.

A primeira coisa que precisamos compreender é sobre noção de riqueza. O que conhecemos como riqueza cotidiana foge de nosso alcance. Para algumas pessoas no mundo, 1 bilhão de reais é parte de investimento.  Logo, o investidor tem um valor em bilhões e assim diversifica seu investimento, procurando a obra de arte mais cara para comprar. Isso não tem nada a ver com gosto pessoal, são apenas negócios. Executivos de gestão de patrimônio investem todos os dias, tornando o mercado aquecido. Com o surgimento de novos bilionários na China, Índia e Rússia, o mercado de arte aqueceu, logo, quando existe procura os preços sobem.

E por que investe em Da Vinci e não um CODO, por exemplo? Bem, vamos de novo.

Salvator Mundi de Da Vinci foi acreditado para ser destruído até sua redescoberta em 2005. Será vendido pela Christie’s no Rockefeller Plaza, em Nova York, no dia 15 de novembro, como parte de sua Pós-Guerra e venda de arte contemporânea.É a última pintura da Vinci em mãos privadas, bem como uma das menos de 20 pinturas da Vinci que se sabe existir. A última vez que uma pintura da Vinci foi descoberta antes da descoberta de 2005 foi em 1909.O Salvator Mundi é o Santo Graal de pinturas antigas mestres. Muito conhecido por ter existido e há muito procurado, parecia apenas um sonho tentadoramente inacessível. A pintura foi registrada pela primeira vez na coleção real do rei Carlos I (1600-1649) e foi acreditado para ter sido pendurado no palácio de sua esposa em Greenwich. F Depois disso, a existência da pintura foi marcada por períodos de silêncio quando desapareceu dos registros antes de surgir de vez em quando.Quando foi adquirida em 1900, partes da pintura – o rosto e os cabelos de Jesus Cristo – foram pintadas. E em 1958, foi vendido na Sotheby’s por apenas £ 45. Após o ressurgimento em 2005, levou seis anos para autenticá-lo. Esta mítica toda em torno das obras de Leonardo Da Vinci e a ansiedade mundial em encontrar uma maneira de explicar sua arte fazem com que suas obras, todas elas, sejam um ativo valorizado.

Ser dono de uma obra de arte que grandes galerias públicas no mundo sonham em ter em seu acervo e deslumbrar a si e seus amigos é um capricho que um bilionário pode realizar. Uma obra acima de 50 milhões de dólares provam que o comprador é uma pessoa culta e rica. Além disso, tem-se provado ao longo do tempo que investir em arte dá um retorno confiável, passando a ser intensificado.

As vendas de obras de arte subiram 51 bilhões de dólares no ano de 2016, de acordo com a Fundação Europeia de Belas Artes, superando os 48 bilhões do ano anterior. Se compararmos com os 880 trilhões de dólares em ativos financeiros em mercados mundiais para um valor irrisório. No entanto, é um valor que precisa ser justificado.  Além disso, a arte se saiu melhor que muitos títulos financeiros na última década, embora algumas obras nunca voltem ao mercado por terem perdido o valor. Outra característica das obras de arte é que são únicas, e um quadro difere do outro, mesmo sendo de um único artista. Resumindo é um jogo financeiro que precisa ser bem jogado para ter lucro. E não importa se é Picasso, Dali, Van Gogh… Neste jogo é preciso ganhar dinheiro.

Estas minhas linhas podem quebrar seu encanto. Não seja por isso, não se atenha a estas linhas. Se você não for um bilionário, tanto melhor. Poderá desfrutar da arte como arte apenas. Isso não significa que as obras mais caras vendidas fossem ruins. Claro que não, são obras belíssimas. Se justificam ou não os valores, isso é outra questão. Uma coisa é você definir uma obra pelo valor financeiro e outro pelo valor estético.

De qualquer maneira, segue abaixo uma lista atualizada das dez obras mais caras vendidas em leilão. Cabe a você decidir sobre valor estético:

1. “Salvator Mundi” de Leonardo da Vinci, vendida em 15 de novembro de 2017 por US$ 450,3 milhões na Christie’s de Nova York.

2. “As mulheres de Argel (versão 0)”, óleo de Pablo Picasso vendido por US$ 179,4 milhões em 11 de maio de 2015 na Christie’s de Nova York.

3. “Nu deitado”, de Amedeo Modigliani, vendida por US$ 170,4 milhões em 9 de novembro de 2015 na Christie’s de Nova York.

 4. “Três estudos de Lucian Freud”, um tríptico de Francis Bacon, vendido por US$ 142,4 milhões em 12 de novembro de 2013 na Christie’s de Nova York.

5. “O grito”, de Edvard Munch, vendida por US$ 119,9 milhões em 2 de maio de 2012 na Sotheby’s de Nova York.

 6. Tela sem título de Jean-Michel Basquiat, vendida por US$ 110,5 milhões em 18 de maio de 2017 na Sotheby’s de Nova York.

7. “Nu, folhas verdes e busto”, de Pablo Picasso, vendida por US$ 106,4 milhões em 4 de maio de 2010 na Christie’s de Nova York.

8. “Silver car crash (double disaster)”, de Andy Warhol, vendida por US$ 105,4 milhões em 13 de novembro de 2013 na Sotheby’s de Nova York.

9. “Muchacho con pipa” (Rapaz com cachimbo), outra obra de Pablo Picasso, vendida por US$ 104,2 milhões em 5 de maio de 2004 na Sotheby’s de Nova York.

10. “Nurse” (Enfermeira), um quadro icônico de Roy Lichtenstein, vendido por US$ 95,37 milhões em 9 de novembro de 2015 na Christie’s de Nova York.

 

De qualquer maneira, tenha em mente que ninguém daria tanto dinheiro se não navegasse em águas seguras. Afinal de contas, queimar dinheiro ainda é coisa de louco.

Arte boa e ruim não significa asfalto e favela: está em todo lugar

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Por Clodoaldo Turcato

Falar de arte sem sair de casa e ficar em livros é como ver jogos na televisão, ler em tela, ver obras em livro e ver filme em casa – sem calor, frio e uma atividade solitária.

Nos últimos dias eu estive em encontros culturais vendo arte e pessoas – calor. Participei da Feira Literária da Periferia em São Lourenço da Mata, Pernambuco e visitei a Galeria Garrido, em Casa Forte, Recife. Dois extremos. Num lado a periferia se expressando, com improvisos, som mal equilibrado, performances circenses e sangue na veia. De outro, o formal, o pródigo, a fama, o glamour e sangue na veia.

Claro que alguns irão perguntar e o que isso tem a ver?

Por acaso, este gajo que vos escreve foi convidado para os dois eventos: a favela e os asfaltos – não me perguntem como isso aconteceu. Convidaram-me, fui. THE END!

Por acaso eu pinto, ou penso que pinto. Por acaso eu me atiro feito louco e às vezes dá certo. Tomem este texto como exemplo. Não será formal, nem terá a pesquisa devida. É algo menos sublime ou todo sublime. São linhas sem rumo, bêbadas, que irão expor um sentimento ou apenas um relato que me levou a transacionar nestes dois mundos. O faço a muito tempo. No começo foi à rua, depois foi o museu, voltei para rua e tornei ao museu. Isso não me diminuiu bem aumentou apenas me oportunizou ser imparcial.

Após ter a honra de conhecer José Claudio, fui para a internet em busca de dados e imagens do grande mestre. Encontrei um vídeo onde ele expõe seu modo de pensar em arte. Não me parecia à vontade, temia, por certo, se expor. Porém relatou algo que para mim foi crucial sempre: é besteira discutir figurativo ou abstrato. É imprudente eleger arte por critério pessoal e não tentar compreender o que não se gosta. Estou me repetindo, enfim.

Isso não é um argumento para justificar a arte de má qualidade. Eu vi, nestes dias, arte de boa e má qualidade na favela e no asfalto. Tentei ser imparcial, justo e não colocar meu gosto acima de conceitos. Vi a obra pura. Mesmo assim, encontrei várias obras com grande apuro e outras apenas uma mistificação.

Como avaliar se uma obra é boa ou ruim. Difícil? Talvez. Nem tanto. Imagine que você vai viajar para a Europa e vai visitar diversos museus. Você não vai querer chegar a essas galerias e querer ir embora meia hora depois porque não entendeu nada. Arte é algo para se mergulhar, e que faz muito bem não somente ao cérebro, mas à alma. Mas como entender arte?

É difícil de catalogar arte, assim como dizer isso ou aquilo é arte, ou até que aquela arte é boa e aquela é ruim. Mas, pelo menos, você pode usar alguns truques. Quando estiver diante de algo, olhe bem para a obra e, depois da observação, feche os olhos e tente descrevê-la para si próprio.

 

Uma boa obra de arte é difícil de esquecer. No caso de você ter ido a um museu ou galeria, ponha-se a pensar em todas as obras e veja de quais se lembra e quais não. Se você conseguiu se recordar de algumas, é porque, de alguma maneira, elas chamaram sua atenção.  Como escrevi acima, é um truque e não basta isso, apenas.

 

As boas obras de arte despertam sentimentos e sensações. Quando o artista trabalha em uma ideia, ele normalmente quer expressar emoções como alegria, angústia, tristeza, euforia, amor, serenidade, etc. Se você está na frente de uma pintura que não desperta nada em você, siga adiante.As obras de arte também podem ser analisadas de acordo com sua complexidade de realização. Quase sempre uma peça tem um valor em razão da técnica utilizada e do conceito que apresentam.Você pode gostar mais de Rococó e seu amigo preferir o  Renascimento. O importante é apreciar a arte e, a partir da observação delas, aprender sobre os variados estilos artísticos e os pintores.Leve em consideração, ainda, que muitos artistas reconhecidos atualmente passaram a vida sem escutar que sua arte era boa, tamanha é a dificuldade de avaliar uma obra de arte.

 

A arte boa é uma ação boa: com potencial eu daimônico, de inspirar, propiciar, convidar para vidas melhores, mais amplas, inclusivas, saudáveis, criativas, compassivas. Seja lá qual forma isso ganhe na prática. A arte pela arte, conceitualmente arbitrária, feita-porque-sim, pelo mero comércio, entretenimento ou distração, essa eu proponho botar em cheque — não censurar ou negar, mas perguntar claramente a que veio: por que lhe devo dar atenção, tempo e vida?​Destrinchar os infinitos meandros teóricos e práticos desse problema ainda é responsabilidade inevitável de cada um, em cada caso. Nenhuma atividade humana escapa, nem a arte.

Curioso notar que quando pensamos “bom” ou “compassivo” o que vem à mente é alguma coisa meio carola, moralista, certinha, higienizada, apolínea. E não é o caso, a cara da compaixão não é boazinha, é a cara provisória que precisar e funcionar.Para a saúde da própria arte, é necessária a proliferação dos movimentos que contestam as tendências e estilos correntes. Para a saúde das pessoas, são necessários artistas capazes de ler a cultura e a sociedade, de ter compaixão e habilidades técnicas, estéticas e de linguagem para pacificar, enriquecer, magnetizar, destruir, contestar — intervir e oferecer o que for necessário.

Nenhuma obra, não importa seu preço, originalidade ou provenance, nenhum movimento, estilo, refinamento técnico ou estético é critério suficiente, porque nada disso é absolutamente bom em si, sempre, para todos. O que é remédio agora, vira veneno depois; o que ajuda uns, atrapalha outros.Mas um critério não muda: há ou não há potencial eudaimônico. Esse referencial é necessário para todos, sem exceção, mas é especialmente necessário para quem for capaz de estimular as pessoas emocionalmente e de mobilizar a cultura. E não é porque alguém está dizendo, é porque cada umviu que há um sofrimento imenso no mundo e que a felicidade genuína é possível.

Há duas ideias realmente ruins que pairam sobre o mundo moderno e que inibem a nossa capacidade de extrair força da arte.A primeira é que a arte deveria ser feita pela arte. Uma ideia ridícula. A ideia de que a arte deveria viver em uma bolha hermética e não deveria fazer nada a respeito deste mundo problemático. Eu não poderia discordar mais. A outra coisa em que acreditamos é que a arte não deveria explicar a si mesma, que artistas não deveriam dizer a que vieram, porque dizer isso seria destruir a magia – acharíamos tudo muito fácil. É por causa disso que um sentimento muito comum que temos quando visitamos museus ou galerias – vamos admitir – é “eu não estou entendendo isso”. Mas se somos pessoas sérias, não vamos admitir. Essa sensação de que há um enigma é fundamental à arte contemporânea.

Religiões tem uma atitude bem mais sã em relação à arte. Eles não tem problemas em nos dizer para que ela serve. Arte serve para duas coisas em todas as fés maiores: primeiro, ela tenta lembrar você do que há para ser amado, segundo, ela tenta lembrar você do que há para ser temido e detestado. E é isso que é a arte, um encontro visceral com as ideias mais importantes da sua fé.

Então, quando você caminha por uma igreja ou mesquita, o que você está sorvendo com seus sentidos são verdades que de outra forma chegariam a você pela mente. Essencialmente isso é propaganda. Rembrandt é um propagandista do ponto de vista cristão. Agora, a palavra propaganda soa alarmes – pensamos em Hitler, Stalin –, mas, não é necessário. Propaganda é uma maneira de ser didático a respeito de alguma coisa. Se essa cosia é boa, não há problema algum. Todas as obras de arte estão nos falando sobre coisas, e se fôssemos capazes de arrumar espaços para passar pelas obras, poderíamos usar essas obras de arte para fortalecer essas ideias na mente, e a arte nos seria muito mais útil. A arte tomaria para si o dever que costumava ter e que negligenciamos por causa de ideias mal fundadas. Arte deveria ser uma das ferramentas com as quais melhoramos a nossa sociedade, arte deveria ser didática.

Não compreendeu muito?

Bom, para compreender tudo é necessário que você saia de sua zona de conforto, tome a rua e conheça os trabalhos bons e ruins que existem por aí. Com essa bagagem e vontade sincera de se transformar você compreenderá finalmente que arte existe tanto no asfalto como na favela e a experiência desse contato é insubstituível.

Este meu escrito é ilustrado pela obra É frevo, de José Claudio.

Kafka e a boneca viajante no tempo

kafka-e-a-boneca-viajante.jpg ok okoPor Lorena Moura

Era uma vez uma menina (Elsi) que perdeu a sua boneca (Brígida). Era uma vez também, Franz Kafka que passeando por um parque de Berlim encontrou essa mesma menina chorando por ter perdido sua boneca. Triste pela situação da pequena, Kafka resolve então criar uma pequena história. Na ideia dele, a boneca não estava perdida e sim, tinha viajado para conhecer o mundo. Kafka vira um “carteiro de bonecas”, que distribuiu por três semanas cartas para essa jovem garotinha. É assim que tem início o incrível e poético livro resenhado na Coluna Leitura do Dia desta semana, “ Kafka e a boneca viajante”.

Para começar, gostaria de ressaltar que essa é uma história real. Não o conteúdo das cartas e sim o fato, que só foi reportado tempos depois por Dora, namorada de Kafka, que contou a terceiros essa história. Como Kafka nunca contou isso a mais ninguém e nem guardou as cartas, coube a pessoas talentosas como o premiado escritor Jordi Sierra responsável por essa obra, criar de maneira primorosa a narrativa das cartas. Para quem não sabe, a publicação ganhou o prêmio de literatura infantil juvenil de 2007, na Espanha e hoje é lido por um público bastante diversificado. É um livro atemporal. O tipo de obra que deve ser lido em vários momentos da vida.

Agora voltando a obra, imaginem a sensibilidade de uma pessoa como Kafka que ao ver uma menina chorando pela perda de sua boneca, resolve escrever essas cartas para ajudar uma pessoa a superar uma perda. Incrível, emocionante e sensível. São essas três palavras que para mim, descrevem a obra. O livro nos desperta sorrisos espontâneos e pequenas pontadas de alegria no peito.

Através de palavras cheias de vida, Kafka começa a passar mensagens importantes que só irão contribuir para o desenvolvimento da garotinha durante toda a sua vida. É tão lindo de ver, ou melhor, ler a evolução da menininha que vai aos poucos se tranquilizando com a perda de sua boneca e torcendo a cada carta recebida por um futuro brilhante para sua amiga.

Kafka cria um novo mundo para boneca, e mostra a sua dona, que ela está conhecendo novos lugares. Em Paris por exemplo, ela diz que visitou o Louvre, conheceu a Torre Eiffel e depois  seguiu para diversos outros países. Até chegar a uma viagem que irá mudar para sempre sua vida e a da sua “dona”( ou melhor, amiga). As carta verdadeiras nunca foram encontradas, mas o amor que esse livro transborda é tão verdadeiro, que merece ser lido e relido sempre! Leiam! Boa leitura!

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Todas as garotas desaparecidas

livro_bhddyu.jpg menorPor Lorena Moura

Um dia desses recebi de presente da Verus Editora, o livro “ Todas as garotas desaparecidas”, da autora Megan Miranda.  Eu já tinha visto nas redes sociais da editora essa obra e estava muito curiosa para ler, então imaginem a minha alegria quando vi um pacotinho deles na portaria do meu prédio. Surtei né?!

A obra gira em torno de Nicolette Farrel, a personagem principal desse thriller, que há dez anos deixou sua cidade natal, Cooley Ridge. Lá é a típica cidadezinha onde todos se conhecem e onde fofocas sobre a vida alheia não deixam de existir nunca. Nic deixou o local após o desaparecimento da sua melhor amiga, Corinne, que sumiu sem deixar nenhum rastro, depois de uma noite em um parque de diversões. E após todo esse tempo, Nic volta para tentar vender a casa onde morava com sua família e visitar o seu pai em uma clínica de idosos.

Mas o que ela não esperava é que parte do seu passado também voltasse à tona. Ela encontrará o seu antigo namorado, que agora está envolvido com Annaleise Carter, que na época do sumiço de Corinne foi o álibi do grupo de suspeitos envolvidos no desaparecimento. Mas novamente do nada, uma nova garota some. Quem? Annaleise Carter. E com esse novo caso, Nic irá entrar em uma busca desenfreada para tentar encontrar Annaleise e também toda a verdade por trás do sumiço de Corinne. E como quem procura sempre acha, Nic se verá presa em uma rede de mistérios e mentiras que ficaram escondidos por dez anos.

O grande diferencial desse suspense psicológico é o fato da história ter sido contada de trás para frente. A obra é narrada em 15 capítulos ou melhor nos 15 dias transcorridos desde a chegada da Nic a sua cidade natal. E tem horas que você se envolve tanto com a história que acaba esquecendo que ela está sendo contada nessa sequência. É eletrizante! Você corre com a sua leitura para finalmente descobrir o que aconteceu com Corinne e onde está Annaleise. Ficaram curiosos? Achei toda a história bem construída. É empolgante tentar solucionar o mistério por trás desses desaparecimentos. Boa leitura!

 

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com