O que faz uma obra de arte ter valor monetário?

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Por: Clodoaldo Turcato

Dia 10 de novembro, NúCouché de Amadeo Modigliani foi arrematada em Nova Iorque pela bagatela de 170 milhões de dólares. No mesmo leilão da Christie’s, Nurse, de Roy Lichtenstein, obteve 95,3 milhões de dólares. Multiplique isso pela cotação do dólar e o leitor terá um valor de várias megasenas, centenas de carros populares, dezenas de casa, etc.

NúCouché é um quadro que mede 60×92 cm, pintado em óleo, traz uma mulher nua deitada sobre um sofá vermelho. A obra foi rejeitada nos principais salões de Paris quando exposta em 1917. Causou escândalo tão grande que o Modigliani chegou a ser ameaçado de morte. Naquele ano obra não valia nada e acabou com a esposa dele que revendeu e por algumas famílias até ser adquirida por um milionário chinês não identificado. De zero para 170 milhões de dólares em menos de cem anos.

Nurse, é uma obra produzida usando o método Bem-Day Dots, forma de impressão usada pelas gráficas de quadrinhos. É uma tela de 70×75 cm e retrata uma mulher com um olhar assustado em seu rosto que está vestido com uniforme de enfermeira. Quando lançado, o estilo de Roy foi considerado apenas uma ampliação de quadrinhos para tela, nada além. Cinquenta anos depois…

As duas obras pertencem a escolas diferentes e tem uma diferença de pelo menos 70 anos dentre uma criação e outra. Ambas negligenciadas em suas primeiras apresentações, e hoje chegam à casa dos cem milhões de dólares. Então o querido leitor perguntaria: o que faz uma obra de arte obter valor de mercado? Tentaremos responder a esta questão, embora ela seja bem mais complexa e em arte não se pode ficar em águas rasas.

A avaliação de obras de arte é um processo que envolve inúmeras variáveis não podendo ser descrito com fórmulas ou padrões pré-estabelecidos. Cada obra de arte é única, por isso analisamos algumas características que podem apreciar ou depreciar seu real valor. São as principais:

• Artista – O fator determinante do valor de uma obra é a autoria da mesma, sendo que artistas da mesma época, escola e técnica podem atingir cotações distintas.
• Assinatura – É muito importante que a assinatura esteja presente. A falta desta pode tornar uma obra autêntica em “atribuída a”, depreciando seu valor.
• Técnica – Outro fator determinante é a técnica utilizada pelo artista. Uma obra do mesmo artista pode valer 10 vezes menos dependendo da técnica utilizada. As obras mais valorizadas são o óleo sobre tela ou madeira e acrílico sobre tela ou madeira. Outras técnicas como guache, têmpera, aquarela, pastel sobre cartão ou papel são menos valorizadas que os óleos. Há ainda os desenhos e as gravuras, técnicas que diminuem o valor.
• Tamanho – O tamanho de uma obra também influencia em seu valor; geralmente, quanto maior, mais cara (lembrando que existem exceções).
• Outros – Existem outros fatores que podem influenciar o valor de uma obra de arte, como fase do artista, tema, estado de conservação, histórico, origem da compra, participação em exposições, cenário econômico e câmbio.

Fora os quesitos acima, uma obra de arte pode ganhar valor da noite para o dia, chegando a cotações de milhares de dólares. Caso do pintor colombiano Óscar Murrilo, até 2012 um desconhecido que teve como cliente o ator Leonardo Di Caprio. O quadro abstrato e Sem título foi levado por 400 mil dólares. E o pintor saiu do anonimato para o seleto clube dos artistas valorizados. O mesmo ocorreu com Jean Michel Basquiat, um mero pichador de murros até ser descoberto por Andy Warhol e suas obras ganharam o mundo e até hoje tem valores elevados dentro do mercado de arte.

Bem, tentamos. Mesmo assim, muitos de nós ficamos questionando estas valorizações se não passam de histerias de gente excêntrica. Não é! O mercado de arte se rege pela velha máxima de oferta e procura igual a lucro. Ninguém joga R$ 650 milhões na lata do lixo.

Semana que vem estaremos falando da Escola de Bahaus, um movimento que norteou a arte do século XX.

Clodoaldo Turcato é jornalista, escritor e artista plástico, nascido em Santa Catarina, reside na Região Metropolitana de Recife desde 2000. Apaixonado por literatura e artes plásticas, tenta fazer esta fusão entre texto e imagem.

 

 

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