O pai do Cubismo

Por Clodoaldo Turcato

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Falar em músicas, em mencionar Tommasini, Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert, Bach, Haendel, Haydn, Beethoven, Wagner, Brahms, Debussy e Stravinsky, seria um crime. Escrever sobre futebol sem Pelé, Garrincha, Maradona, Eusébio, Cruyff, Beckenbauer, Di Stéfano, Puskás, Platini, Charlton e Ronaldo é imperdoável. Concordam!
A mesma sensação ocorre quando falamos de artes plásticas e não mencionamos Gerges Braque. Talvez para muitos ele é um mero desconhecido, mas Georges Braque teve grande influência na arte moderna mundial, pois ele juntamente com Pablo Picasso fundou um dos movimentos artísticos mais importantes de todos que foi o Cubismo. Um dos defeitos dos historiadores é tentar diminuir Braque por causa de Picasso. Eu mesmo fiz isso tantas vezes, até perceber que não se trata de maior ou menor, mas de condições e situações que fizeram de Picasso mais cultuado. Ao me aprofundar no estudo do Cubismo, compreendi que muito do que Picasso foi se deve a Braque.

Nasceu no ano de 1882 numa cidade da França chamada Argenteuil que hoje faz parte da Grande ParisO ponto de partida para esta obra foi o tema de uma figura única tocando um instrumento de cordas, como Pablo Picasso havia feito no ano anterior em uma obra intitulada Garota com Bandolin, considerada relativamente realista.A estreita amizade entre Georges Braque e Pablo Picasso começa, na sua cooperação artística e, especialmente, ao examinar de perto a arte de Paul Cézanne, eles desenvolvem o estilo cubista de pintura. Estreita cooperação entre os dois dura até 1914, algumas obras deste período de “cubismo analítico” (1909-1912) são difíceis de atribuir claramente a um ou outro artista, sua pintura se torna mais e mais abstrata.

Um exemplo disso é o quadro Homem com Violão, onde Braque demonstrou como uma figura pode ser reduzida a uma forma de abstração nunca antes imaginada. A tradicional perspectiva única do pintor foi substituída por perspectivas múltiplas em uma superfície em grande parte plana, com formas bi ou tridimensionais coexistindo de diversas maneiras.Inicialmente a composição pode parecer desnorteada, mas o pintor oferece algumas pistas capazes de orientar o espectador. Elementos do violão, como as cordas e o corpo, emergem, e uma forma diagonal, que vai do centro até a esquerda, indica o braço da figura. O resultado é uma tela densa, mas sugestiva, que instiga a investigação.Na superfície do quadro Braque pinta uma borla e uma tachinha, com o objetivo de destruir qualquer ilusão de profundidade. Com isso o pintor enfatiza que aquela, como todas as outras pinturas cubistas, é uma experiência e um projeto em constante evolução.Braque usa pinceladas visíveis, feitas sobre tinta ainda fresca, para brincar com o observador. Quando o olho viaja pela tela, o fundo salta para o primeiro plano, em vez de recuar em profundidade. Isso permite que o pintor crie visões múltiplas do objeto retratado.

Nas pinturas de Georges Braque se reflete o seu temperamento. Avesso ao patético, silencioso, quieto, avesso à violência e a qualquer coisa exagerada. Não imprimia audácia na tela, nada de mostrar os seus sentimentos com as tintas, sempre esteve mais para uma pintura meditativa, cujas relações eram sutis, e cores e formas colocadas quase que de forma misteriosa. A obra de Georges Braque foi definida como aquela sem que a norma corrija a emoção, em que não é preciso fazer descrição do que é óbvio, que os sentidos podem captar facilmente de forma imediata. Praticamente como se a emoção que é sentida logo quando se depara com a sua pintura fosse dada de volta pela obra com uma nova cara. É justamente esse “ir e vir” que fazem com que a emoção seja mais forte e ao mesmo tempo equilibrada.

Muitas vezes escrevi neste espaço sobre superficialidade em arte. Na coluna anterior frisamos a armadilha da passada rápida de nossos olhos sobre uma obra de arte. Neste ressoar da ignorância criam-se mitos falsos e grandes injustiças. Braque foi condensado e muito.É a velha história do segundo lugar eternamente injustiçado. Ofuscado pela personalidade expansiva, mediática e sedutora de Pablo Picasso, o rigoroso e pudico francês Georges Braque ficou erroneamente conhecido como o mais brilhante discípulo dele no cubismo, movimento que fundou as bases da arte moderna ao representar a natureza por formas geométricas, sem se importar com a aparência real dos objetos. Embora a obra considerada fundadora do cubismo seja As senhoritas de Avignon, de Picasso, o verdadeiro pai do movimento é Braque. Foi contemplando seus quadros no Salão de Outono de 1908 que Henri Matisse, membro do júri, se disse chocado com as paisagens compostas de “pequenos cubos”. O diálogo artístico entre Braque e Picasso, um dos mais profícuos da história da arte, só foi interrompido quando Picasso levou o amigo à estação de trem para servir na Primeira Guerra Mundial. A partir dali, eles se tornaram rivais quanto à paternidade do cubismo.

Outras obras do artista são Garrafa e peixes, Fruteira e copos, Violino e Cântaro, Mandola, Costa Amarela e Clarinete e Garrafa de Rum num Console de lareira.
A pintura de Braque soa como música clássica. Não é necessária a letra para que se compreenda. Ele elevou o nível da pintura a um patamar sensorial,relegando ao olho o papel de transmissor de imagens. Isso não é pouco, nem fácil e muito menos degenerado. Com Braque a arte chegou ao possível e mais perto do comum. O uso de materiais nunca antes utilizados como cartão, papelão, fios e tintas menos custosas, aproximou ao que Duchamp considerava a verdadeira arte.

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