O livro mais real de Marian Keyes

downloadPor Lorena Moura

Marian Keyes se reinventa a cada livro escrito. Ao começar a ler a obra resenhada de hoje (“A mulher que roubou minha vida”) fiquei imaginando que seria mais uma história fofinha, cheia de amor, paixão, cheia de despedidas, reencontros e o lindo final feliz. Sim, julguei pela capa e pelo título sugestivo que me fez imaginar um livro de amor. E aí ela vem com tudo e desconstrói o que eu achava saber sobre sua forma de escrever. Me apresentou uma mulher que poderia ser real, e que está como todos nós, tentando a cada dia ser uma pessoa melhor, corrigir seus erros, ir em busca do sucesso e de uma vida plena e possível.

De uns tempos para cá, ou melhor, desde os seus últimos livros escritos, noto que ela passou também a dosar um pouco mais o humor utilizado na composição da sua narrativa. Suas personagens vem passando por transformações e a cada nova obra elas vivenciam situações mais reais, na medida do possível, claro. São mulheres que poderiam ser eu ou você, passando por cada etapa ou problema que a vida tem a oferecer. E é bem essa a realidade enfrentada por Stella Sweeney, a personagem principal do livro resenhado de hoje. Ela é uma mãe dedicada, que viu sua vida mudar de uma hora para outra.

No começo da obra ficamos sabendo que a personagem principal está novamente morando em Dublin, após ter passado um longo período vivendo em Nova York, para divulgar o seu livro de autoajuda que virou um sucesso de vendas. Agora ela volta a sua terra natal para tentar escrever o seu segundo. Mas fora toda a dificuldade que é escrever uma obra, ela ainda terá que tentar resolver o relacionamento complicado que tem com o seu filho Jeffrey, e tentar se livrar do seu ex-marido que vive testando sua paciência com uma ideia sobre a existência do bendito carma. E o mais importante, ela é portadora da síndrome de Guilain-Barré, que é uma doença autoimune e faz com que o corpo ataque o seu próprio sistema nervoso equivocadamente, provocando fortes dores, inflamação no sistema nervoso e muita fraqueza. Ela mesmo chegou a ficar um bom tempo internada no hospital e foi logo depois que adoeceu que passou a se dedicar a escrever um livro de autoajuda.

A obra ” A mulher que roubou minha vida”, é toda narrada em primeira pessoa, e devo dizer que adorei acompanhar a história a partir do olhar da própria Stella. Porque vamos combinar, só ela mesmo poderia descrever todas as emoções e angústias que a perseguem. E isso só fez com que eu pudesse sentir suas dúvidas, questionamentos, dores e medos. Acredito também, que dentre todas as personagens já criadas por Marian Keyes, Stella foi uma das mais reais já apresentadas, porque ela é que nem a maioria das pessoas, que possuem altos e baixos, pontos positivos e negativos. É essa a beleza de Stella! Ela encantou e prendeu minha atenção, fazendo com que eu ficasse sempre tentando imaginar quais seriam os seus próximos passos. Vale a pena conferir! Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista
lorenamoura87@gmail.com

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