Memória e ficção se misturam

downloadplorePor Lorena Moura
 
Quando a memória se mistura com a ficção o que podemos ter é um livro encantador. A obra resenhada desta semana é a do ganhador do prêmio Nobel de 2014, o francês Patrick Modiano, que nos apresenta sua “Remissão da pena”, onde ele faz uma viagem no tempo através de suas lembranças. É uma autobiografia cheia de esperança, curiosidades e amor. Acompanhamos Modiano ainda criança junto ao seu irmão quando são confiados a viver com as  amigas de seus pais em Paris logo após a Segunda Guerra Mundial.
 
Tudo que sabemos sobre as pessoas que ambientam a história e a infância de Modiano, conhecemos a partir do olhar do próprio escritor, com a inocência que só uma criança é capaz de ter. Ele nos conta sua vida com palavras que aos poucos viram poesia. E assim vamos conhecendo as mulheres que criaram Modiano e seu irmão, ao passo que ele vai escutando conversas por trás das portas. Por exemplo, uma delas já foi artista de circo e a outra carrega o mundo nas costas. Afinal, sempre aparenta estar triste e cansada. Ainda tem também Jean D. e Roger Vincent que sempre visitam a casa durante o dia, além de outros visitantes noturnos. Tudo se passa na rue du Docteur­Dornaine, em Paris.
 
“Remissão de pena” é um bom livro. O que eu achei mais interessante é que ao passo que você vai lendo, vai se sentindo parte da história. Afinal quem não se lembra da sua infância? Ou não tem vontade de voltar a esse tempo, nem que sejam apenas por lembranças. Gostei muito de passear pelas memória de Patrick Modiano. Acompanhar suas visitas aos castelos e suas excursões a Paris. Desde que ganhou o Nobel ano passado, Modiano está cada vez mais se tornando conhecido pelo grande público. Novos livros do escritor serão lançados ainda este ano. Nos resta agora acompanhar suas próximas aventuras e torcer para que suas memórias continuem em seus trabalhos.

E quando acabamos a leitura, ficamos com uma sensação de que está faltando algo, e que ainda poderia acontecer alguma coisa, mas depois tomamos consciência de que ás vezes é necessário esperar para que tudo possa fazer sentido, mesmo que seja um pouco mais demorado. O importante é saber esperar. Boa leitura!

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