Um livro sem lei e sem discrição

TERRA_SEM_LEI_1389207221PPor Lorena Moura

Como todos que acessam a Coluna aqui já sabem, eu sou apaixonada por romances policiais. Já li vários autores e sempre me surpreendo com a capacidade que eles tem de criar um enredo totalmente novo para este  gênero literário. É o brincar de se reinventar.  Mas o que nunca muda é o jeito como o detetive, o personagem principal do romance policial é apresentado. Ele sempre é um cara sério, que é discreto, que guarda para si suas opiniões e certezas, e isso até dificulta na hora de tentarmos montar o quebra-cabeça e encontrar o culpado da história. Sim, porque a graça do livro é você se achar tão esperta  e achar que já sabe quem é o culpado mesmo antes do fim do livro.

E eis que leio pela primeira vez uma obra do autor John Sandford e me deparo com uma situação totalmente inusitada. O detetive desta obra Virgil Flowers é despojado, irônico, brincalhão, mulherengo, falante e ainda tem a maior pinta de surfista. O cara chega a cidade de Minneapolis para solucionar um crime, mas sempre passa para as pessoas uma imagem desencanada, que acredita em todo mundo, além de usar a tática de sair espalhando para todos o que ele vem descobrindo sobre o caso e suas suspeitas. Chega a ser engraçado.

O que levou Virgil até este local, foi o assassinato de uma publicitária, Erica McDill, durante um passeio matinal em um caiaque. Tudo aconteceu em um lago na propriedade em que ela estava hospedada, a pousada Ninho das Águias, que atende mulheres na sua grande  maioria homossexuais. E tudo no local gira em torno de uma banda country feminina e sua talentosa e envolvente cantora. Tudo aponta para um crime com motivação passional ou então por interesse e dinheiro. É muito personagem neste livro, uma banda de rock, a família da líder do grupo, os funcionários da pousada, moradores locais, amigos da publicitária morta. Tanta gente, que fica difícil imaginar quem é o verdadeiro criminoso.

O modo como John Sandford escreve, me fez sentir como se estivesse dentro da história, tamanha é a sua rica narração. Ele faz com que estejamos lá, sentindo o local, procurando entender seus personagens.  Ele mistura partes engraçadas com outras mais tensas e conflituosas.  Mas o que mais me chamou a atenção é como ele não tem nenhum problema  em despir os seus personagens, e nos mostrar como eles são, como levam suas vidas, como encaram a realidade e como se comportam em diversas situações. Neste livro não existe discrição, tudo é jogado no vento, que trata logo de espalhar tudo para todos.  Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

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