Crítica do filme Somos tão jovens

somos tão jovensNão tem nada melhor que um cineminha no domingo. Foi o que fiz; assisti Somos tão jovens, de Antônio Carlos da Fontoura. A obra me agradou bastante. Marcos Bernstein nos mostra um roteiro bem costurado, com uma narrativa crescente, construída cuidadosamente para não cair nos clichês das cinebiografias.

O filme retrata a adolescência do cantor Renato Russo até a fase, digamos da primeira maturidade, onde surge a Legião Urbana. A Brasília de 1973 é remontada com carros antigos – até um caminhão da Kibon Sorvane, na época Maguary Kibon, aparece na rua -, roupas e outros acessórios. A família Manfredini havia chegado do Rio de Janeiro e nesta época, Júnior – é assim que ainda hoje a simpática Carminha Manfredini se refere ao filho -, sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise. Renato passou um tempo sem poder andar, fase onde os livros, o rock e muita cultura foram aprimorados por ele. Livre das dores, ele passa a se envolver no cenário punk e funda a banda Aborto Elétrico e um tempo depois a Legião Urbana.

Somos tão jovens tem boas transições de cena, interpretações bem amarradas, especificamente a de Thiago Mendonça (Renato Russo) e a de Laila Zaid (Ana Claudia). Laila da vida a uma personagem fictícia que na verdade parece ser mais real do que muitos personagens; ela está em cenas importantes do enredo e em uma, considerada por mim e por outras pessoas da sala de cinema, como a mais emocionante do longa, o momento em que o músico canta em homenagem a ela.

A Fotografia da obra é muito bonita, mas ainda falta ousadia nestes tipos de filme. A música, o rock principalmente, permite uma maior variedade de criação em relação a imagem. Foi o que faltou também, fazendo uma singela comparação, em Cazuza o tempo não pára, de Sandra Werneck e Walter Carvalho. Esta liberdade de planos e sequências é dada, porém ainda não aproveitada. Já a direção musical feita por Carlos Trilha é um show a parte, o que não poderia ser diferente, as canções da Legião, como Que país é este até hoje é uma das críticas mais forte ao nosso governo. Congratulações aos instrumentais e misturas musicais feitas por Trilha. O filme também explica – até para aquele que não é fã, mas aprecia o trabalho do artista -, a origem do nome artístico, as inspirações para as letras  e de onde vinham os temas de diversos arranjos.

Agora, se o Renato era daquele jeito mesmo só os parentes podem confirmar. Numa descontraída conversa com a mãe dele – durante um passeio na livraria Cultura, no Recife Antigo -, ela afirma que o Júnior jamais teve uma reação como a da cena em que ele cai por cima do pai numa discussão em família. Quanto a atriz que a interpreta, Sandra Corveloni, ela achou uma graça. Carmem Teresa, irmã do Renato, faz uma participação especial logo no início do longa, assim como o filho dele, Giuliano Manfredini, que aparece recolhendo os equipamentos no intervalo de um dos shows. E Nicolau Villa-lobos, interpreta o pai, Dado Villa-Lobos. Resultado final do filme: gostinho de quero mais. Será? Vamos aguardar.

Crítica do filme Somos tão jovens
por Adriano Portela

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One comment on “Crítica do filme Somos tão jovens

  1. Theódulo Henrique disse:

    Gostei do que vi, como em poucos filmes até me emocionei, a final LU faz parte da minha história. Thiago Mendonça (RR) como sempre um show de interpretação. O filme nos deixa com gostinho de quero mais, acho que a história de RR e LU tem muito pano para manga. Espero que tenha sido só a primeira parte, de quem sabe até uma trilogia!

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