Category: Coluna Leitura do Dia

Kafka e a boneca viajante no tempo

kafka-e-a-boneca-viajante.jpg ok okoPor Lorena Moura

Era uma vez uma menina (Elsi) que perdeu a sua boneca (Brígida). Era uma vez também, Franz Kafka que passeando por um parque de Berlim encontrou essa mesma menina chorando por ter perdido sua boneca. Triste pela situação da pequena, Kafka resolve então criar uma pequena história. Na ideia dele, a boneca não estava perdida e sim, tinha viajado para conhecer o mundo. Kafka vira um “carteiro de bonecas”, que distribuiu por três semanas cartas para essa jovem garotinha. É assim que tem início o incrível e poético livro resenhado na Coluna Leitura do Dia desta semana, “ Kafka e a boneca viajante”.

Para começar, gostaria de ressaltar que essa é uma história real. Não o conteúdo das cartas e sim o fato, que só foi reportado tempos depois por Dora, namorada de Kafka, que contou a terceiros essa história. Como Kafka nunca contou isso a mais ninguém e nem guardou as cartas, coube a pessoas talentosas como o premiado escritor Jordi Sierra responsável por essa obra, criar de maneira primorosa a narrativa das cartas. Para quem não sabe, a publicação ganhou o prêmio de literatura infantil juvenil de 2007, na Espanha e hoje é lido por um público bastante diversificado. É um livro atemporal. O tipo de obra que deve ser lido em vários momentos da vida.

Agora voltando a obra, imaginem a sensibilidade de uma pessoa como Kafka que ao ver uma menina chorando pela perda de sua boneca, resolve escrever essas cartas para ajudar uma pessoa a superar uma perda. Incrível, emocionante e sensível. São essas três palavras que para mim, descrevem a obra. O livro nos desperta sorrisos espontâneos e pequenas pontadas de alegria no peito.

Através de palavras cheias de vida, Kafka começa a passar mensagens importantes que só irão contribuir para o desenvolvimento da garotinha durante toda a sua vida. É tão lindo de ver, ou melhor, ler a evolução da menininha que vai aos poucos se tranquilizando com a perda de sua boneca e torcendo a cada carta recebida por um futuro brilhante para sua amiga.

Kafka cria um novo mundo para boneca, e mostra a sua dona, que ela está conhecendo novos lugares. Em Paris por exemplo, ela diz que visitou o Louvre, conheceu a Torre Eiffel e depois  seguiu para diversos outros países. Até chegar a uma viagem que irá mudar para sempre sua vida e a da sua “dona”( ou melhor, amiga). As carta verdadeiras nunca foram encontradas, mas o amor que esse livro transborda é tão verdadeiro, que merece ser lido e relido sempre! Leiam! Boa leitura!

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Todas as garotas desaparecidas

livro_bhddyu.jpg menorPor Lorena Moura

Um dia desses recebi de presente da Verus Editora, o livro “ Todas as garotas desaparecidas”, da autora Megan Miranda.  Eu já tinha visto nas redes sociais da editora essa obra e estava muito curiosa para ler, então imaginem a minha alegria quando vi um pacotinho deles na portaria do meu prédio. Surtei né?!

A obra gira em torno de Nicolette Farrel, a personagem principal desse thriller, que há dez anos deixou sua cidade natal, Cooley Ridge. Lá é a típica cidadezinha onde todos se conhecem e onde fofocas sobre a vida alheia não deixam de existir nunca. Nic deixou o local após o desaparecimento da sua melhor amiga, Corinne, que sumiu sem deixar nenhum rastro, depois de uma noite em um parque de diversões. E após todo esse tempo, Nic volta para tentar vender a casa onde morava com sua família e visitar o seu pai em uma clínica de idosos.

Mas o que ela não esperava é que parte do seu passado também voltasse à tona. Ela encontrará o seu antigo namorado, que agora está envolvido com Annaleise Carter, que na época do sumiço de Corinne foi o álibi do grupo de suspeitos envolvidos no desaparecimento. Mas novamente do nada, uma nova garota some. Quem? Annaleise Carter. E com esse novo caso, Nic irá entrar em uma busca desenfreada para tentar encontrar Annaleise e também toda a verdade por trás do sumiço de Corinne. E como quem procura sempre acha, Nic se verá presa em uma rede de mistérios e mentiras que ficaram escondidos por dez anos.

O grande diferencial desse suspense psicológico é o fato da história ter sido contada de trás para frente. A obra é narrada em 15 capítulos ou melhor nos 15 dias transcorridos desde a chegada da Nic a sua cidade natal. E tem horas que você se envolve tanto com a história que acaba esquecendo que ela está sendo contada nessa sequência. É eletrizante! Você corre com a sua leitura para finalmente descobrir o que aconteceu com Corinne e onde está Annaleise. Ficaram curiosos? Achei toda a história bem construída. É empolgante tentar solucionar o mistério por trás desses desaparecimentos. Boa leitura!

 

Lorena Moura- Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Trago seu amor de volta sem pedir nada em troca

Tragoseuamordevolta_CapaWEBlllllPor Lorena Moura

Já tem um certo tempo que venho acompanhando o trabalho do Ique Carvalho. Os seus textos já se encaixaram perfeitamente em alguns momentos que vivi. Os que não se encaixavam me deixavam emocionada do mesmo jeito. Ique fala sobre amor, carinho, cuidado a quem se ama, respeito, força de vontade, compaixão, zelo, respeito e muito mais.

Sua mais recente obra foi publicada agora pela Editora Sextante, “Trago seu amor de volta sem pedir nada em troca”, é uma reunião dessas linhas escritas por Ique, em seu blog. São textos corridos, crônicas… São palavras que vão se encaixando e provocando os mais diversos sentimentos no momento da leitura. É daquele tipo de obra, que é bom ter um caderninho do lado para anotar as frases marcantes que te fazem suspirar e encarar de forma mais branda e leve a vida.

O legal de Ique é que ele não tenta escrever de forma pomposa, ele é simples, mas se engana quem acha que essa simplicidade é vazia, muito pelo contrário, é profunda, carregada de amor e reflexão. O livro é dividido entre o amor entre homens e mulheres e sobre o amor entre pai e filho. E é bonito de se ler e acompanhar a sua relação com o pai. É cada tocada no coração, que às vezes eu me pegava rindo sem esperar e suspirando sem perceber. Achei interessante também que o autor sempre no começo de cada texto, nos apresenta, ou melhor indica, uma música para escutar enquanto lemos tal narrativa. Aí é que a emoção transborda. Vale a pena cada página. Uma excelente opção para ler e presentear!Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Uma sombra na escuridão

outroPor Lorena Moura

A detetive Erika Foster está de volta em mais uma aventura eletrizante e cheia de mistérios. Ela foi novamente convocada para investigar uma cena de homicídio onde agora um médico foi encontrado sufocado na cama. Os pulsos da vítima estão presos e um saco plástico envolve sua cabeça. A cena aterrorizante fica ainda pior porque seus olhos estão abertos. Alguns dias depois, um novo corpo é encontrado nas mesmas circunstâncias. E assim, um novo padrão é formado, homens solteiros, bem-sucedidos e algo misterioso que envolve suas vidas. E na corrida contra o tempo, Erika terá que desvendar qual a ligação entre as vítimas e o assassino, além de qual mistério  eles carregam.

Um outro padrão nos romances policiais é o fato do detetive sempre ter problemas pessoais e ser recluso. E não seria diferente nesta obra, mas neste segundo livro do autor Robert Bryndza, ele nos apresenta uma Erika diferente mais humana e disposta a recomeçar. Para quem não lembra, a personagem perdeu o marido, que também era policial e se cobrava bastante por isso. Neste segundo volume, ela começa a desenvolver uma amizade com o perito criminal Isaac Strong. Mas claro que esse comentário não é garantia de nenhum futuro romance, ok…Que fique claro. Porque lá fora na obra criada Bryndza, um serial killer com sede de morte está solto fazendo novas vítimas, e cabe a polícia tentar parar esse assassino.

Uma das coisas que mais gosto nesse autor é o fato de como ele consegue nos situar  na cidade de Londres. É como se estivéssemos andando na capital da Inglaterra no mesmo momento em que acompanhamos a vida dos seus personagens. É empolgante! Dessa forma, pude me inserir novamente em Londres, revendo muito lugares pelos quais já passei. Outro ponto favorável a Bryndza é que em suas histórias não existem heróis, são pessoas comuns lutando contra o que elas tem de bom e ruim dentro delas mesmas.

Para quem não leu o primeiro livro não tem problema, porque os casos apresentados não estão interligados. E os mesmos pontos da vida sofrida da detetive Erika são novamente contados neste segundo.A narrativa é contata em primeira pessoa pelo serial killer e é intercalada pela investigação da detetive que se desenvolve na terceira pessoa. Hoje já existem dois novos livros da série, que são: Dark Water e Last Breath, mas que ainda não tem previsão de chegar por aqui. Só nos resta aguardar pela nova aventura da detetive Erika Foster. Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Outlander- Os tambores do Outono (parte 1)

Outlander_4_Tambores_de_Outono_Parte1_28,5mm.inddPor Lorena Moura

Estou achando que vocês podem estar começando a ficar um pouco chateados por eu trazer novamente um título da série Outlander. Estão? Por favor, não fiquem. Vocês que são tão apaixonados por livros como eu, me entendem como ninguém e sabem que no momento em que ficamos viciados em uma série, é difícil deixá-la de lado. Mas prometo que vocês irão passar pelo menos uns dois meses após essa resenha sem me ouvir( ou melhor ler) sobre essa série por aqui. Ok? Prometo.

Mas vamos lá. A obra resenhada esta semana é a primeira parte do quarto livro da série “ Outlander- Os Tambores do Outono”. Depois de terem cruzado o oceano e aportarem na América colonial, Claire Randall e Jamie Fraser terão agora que encontrar um novo lar na Carolina do Norte. Por lá, irão contar com a ajuda da tia de Jamie, Jocasta Cameron, que é dona de uma propriedade na região.

Já em 1969, Brianna (filha de Claire e Jamie) procura com Roger (descendente do clã Mackenzie), as respostas sobre a sua origem e também sobre Jamie, para conhecer um pouco o pai que nunca encontrou. Esse primeiro livro irá focar mais na chegada de Jamie e Claire no novo território. E claro, isso não será fácil e muito menos simples.  Iremos acompanhar os desafios enfrentados por eles nesta nova etapa de suas vidas. É bonito de ver, ou melhor ler, sobre o amor desses dois. É tão forte e ao mesmo tempo tão natural, que nos comove. Mas nem tudo são flores nesse livro, a autora mostra também todo a violência que ele sofrem ao serem vítimas de um assalto durante a ida para River Run.

Até agora tudo parece ocorrer na maior normalidade possível né, mas gente, a autora Diana Gabaldon nunca nos deixaria na tranquilidade. E quando tudo parece ficar mais calmo, quando é descoberto que  no meio de toda essa pesquisa existem indícios de um trágico e fatal incêndio que envolve os pais de Brianna. Roger não vai querer contar a Brianna, porque tem medo que ela tente voltar no tempo e do outro lado, Brianna também não compartilha a sua informação porque sabe que o namorado irá tentar impedi-la. Agora só me resta aguardar o próximo volume da série. Para vocês, uma boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

Outros jeitos de usar a boca

menorPor Lorena Moura

Tem livro que de tanto ouvir falar, acaba despertando na gente uma vontade louca de comprar e assim conferir de perto se todo esse alvoroço tem sentido ou não. E foi assim, através de uma boa jogada de marketing que me vi comprando o livro ” Outros jeitos de usar a boca”, da escritora Rupi Kaur, que nasceu na Índia, mas desde os quatro anos mora no Canadá.

O livro vem sendo apontado com um fenômeno e vem quebrando recordes de venda mundo a fora, cerca de 1 milhão de exemplares já foram vendidos. A obra é dividida em quatro partes: o amor, a dor, a ruptura e a cura. São poemas que falam sobre sobrevivência, amor, sexo, abuso, perda, trauma, cura e feminilidade.

O que eu mais gostei do livro é que Rupi destaca de forma poética o fato de que nós mulheres devemos sempre ser as autoras e personagens principais de nossa própria vida.SEMPRE! Não espere por ninguém para ser feliz e existir.

Falando de mulher para mulher, a autora ainda destaca uma coisa que acredito bastante, que só nos amando primeiro podemos amar outra pessoa. É aquela velha história de se valorizar, mimar, amar e se respeitar. Não se trata apenas de autoestima, mas sim de amor próprio, coisa que infelizmente muitos homens e mulheres se esquecem diariamente. Por favor, não façam isso. Como a própria Rupi escreveu: “Você precisa começar um relacionamento consigo mesma antes de mais ninguém”. Rupi transforma de uma maneira bela, a dor em poesia e provoca um reflexão  sobre diversos temas.

A leitura é tão breve e contínua. São poemas sensíveis e fortes ao mesmo tempo. Fortes mesmo, alguns provocam aquela sensação de levar um soco no estômago sem contato físico sabe… As primeiras duas partes são mais densas e sofridas. Os poemas são curtos e profundos na medida certa. É o tipo de livro que o leitor deve ler, parar e refletir. Entender cada verso ou estrofe. Procurar entender o sentimento por trás daquelas palavras agarradas.

Entendo esse livro muito como uma obra em que autora colocou tudo de si nele, não apenas que ela procurou dar o seu melhor, mas que nas linhas que vamos acompanhando é como se fosse a história da própria Rupi, de amor, dor, ruptura e cura. Fazendo uma avaliação geral da obra, eu classifico como boa, não entrou para a minha lista de preferidos, mas é uma leitura envolvente que faz com que tenhamos sempre a ânsia de conferir a próxima página que sempre vem carregada de mais sentimentos.  Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com