Calado dia

calado do dia

Por: Danuza Lima

Os contos abaixo fazem parte da obra Calado dia, de Danuza Lima. O livro é uma experimentação pelos terrenos da narrativa e da construção poética de imagens, pautadas quase todas para uma claressência violenta, absurda e vulgar

 

I

 

Como que parada, encostada no poste quente refletido de pessoas-de-escuro-e-luz, desmaiou caída na calçada molhada de musgo e mijo.

Estava madura a indiferença.

  

Exercícios de espera

  

A falta é esta linha de arame furando os olhos quando em vez

A falta: linha de arame rasgando os olhos e costurando a cru o peito necrosado.

Sob a necrose da ferida exposta, a geografia da distância inscreve com linhas de arame a palavra: ausência

  

Schiele

 

“A exatidade da aurora inaugurou mistérios, adestrando o prazer quente do inverno ao polimorfismo do desejo”

Assim, recostado sobre o ombro frio do corpo morto, definiu o cadáver da mulher, preso à tela com pregos fictícios.

 

Danuza Lima é contista, poetisa, professora e mestranda em Teoria da Literatura pela UFPE.

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