Brava!

“É preciso ter cuidado

Com pássaros, mulheres e peixes” 

[Alessandra Leão, 2016]

 

Por: Danuza Lima

brava

Ar, água e a quintessência da força.

Um quase trinômio, um verso e sua posterior extensão em horizontes interpretativos.

Na letra “pássaros, mulheres e peixes”, Alessandra Leão adverte: “para entender como bate / o coração de uma mulher / é preciso ter sentido algum dia na vida / um pássaro preso entre as mãos”.  A letra levou-me a perguntas inquietantes, a primeira delas era se eu mulher entendia como “bate o coração de uma mulher”, na forma que a meu ver, consigo melhor me expressar e compreender o outro: através do rastro que se deixa ao usar as palavras. Em meio a polêmicas comemorações de papel, marchas e declarações machistas, infelizes, completo meu raciocínio dizendo a mim mesma que tenho, sinceramente “lido-me” pouco, digo “lido-me” porque a medida que leio uma mulher é a mim mesma que leio, a mim mesma que direciono argumentos, construo e reconstruo tessituras e afins. É nesta medida que suporto o peso do pássaro entre minhas mãos, e a medida incalculável de sua força.

Ar, água e a quintessência da força.

Elemento ativo, sutil e de expansão, vitalidade, infinidade dos possíveis, selvática.

Falta para mim a vivência desta força-forma e em meio a isto, a coluna de hoje dá prosseguimento a uma “brincadeira” séria, como toda brincadeira, a uma lista de livros, uma premiação fictícia em resposta ao prêmio Bravo! A iniciativa surgiu da poeta Micheliny Verunschk após a constatação direta por organizadores do prêmio sobre a inexistência da literatura feita por mulheres. A brincadeira consiste em eleger você mesma suas premiadas e segue abaixo, minha humilde lista de premiadas – vivas sempre – pequena diante deste trinômio imenso e da potência de cada uma delas o que só reforça a sede de ler mais.

 

“Desnorteio” – Paula Fábrio

(categoria: como se existe na palavra silêncio) 

“Geografia íntima do deserto” – Micheliny Verunschk

(categoria: me deito, me agarro, devoro)

“Denso e leve como o voo das árvores” – Renata Pimentel

(categoria: sobre ter asas e ser raiz)

“Contos de amor rasgados” – Marina Colassanti

(categoria: desde sempre)

“A casa da paixão” – Nélida Piñon

(categoria: fôlego)

Opisanie swiata – Verônica Stigger

(categoria: Lego)

“Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres” – Clarice Lispector

(categoria: tatuagem)

“Mar absoluto / Retrato natural” – Cecília Meireles

(categoria: menarca)

“Poesia” – Marina Svitáieva”

(categoria: de punho cerrado)

 “Poesia completa” – Orides Fontela

(Categoria: registro)

 

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