Arte. Uma filosofia de vida!

curta pernambucano, um passo a frente.

Por esses dias parei um pouco para analisar a busca das pessoas pelo prazer. A grande maioria está sempre procurando algo para satisfação pessoal e coletiva, algo que possa encher o coração de alegria e colocar para fora aquilo outrora planejado com tanto esmero. E foi nesta reflexão que percebi a arte como grande geradora disso tudo. Essa manifestação consegue mexer com sentimentos guardados. O artista, por vezes, expulsa suas criações mentais e neste exato momento outras já aparecem e vão preenchendo aquele espaço. 

Esse colunista que vos escreve é um exemplo do parágrafo supracitado. Ainda não me considero artista, mas tenho a necessidade de dar vazão às produções planejadas; elas, na verdade, imploram para sair. Isso é bom? Claro. Isso e fácil? Não.

Fazer cultura no Brasil, especificamente em Pernambuco, é um tanto complicado. Para escrever um livro, para gravar uma pequena cena de um curta, montar um espetáculo, tudo isso requer um custo, e quando o assunto é dinheiro, a coisa já faz um caminho mais tortuoso. Gastam-se milhões com verbas adicionais para os nossos políticos, milhões são empregados em obras que na ponta do lápis diminuem para a casa dos mil. Editais de incentivo? Tem, mas além de ser uma capital apertada existe ainda um adendo, os beneficiados políticos, coisa que ainda, somente ainda, não posso provar.

Desde o ano passado estou trabalhando para deixar mais uma ideia se concretizar e consegui. Sem nenhum incentivo público ou patrocínio, apenas com o esforço de amigos, terminei o documentário “Um passo à frente”, gravado na comunidade de Peixinhos, em Olinda, Pernambuco. O filme será exibido dia 08 de abril, às 20h, no tradicional cinema São Luiz, centro do Recife. Salientando: a entrada será gratuita!

A obra conta a história de três jornalistas documentaristas que se infiltram na periferia e registram o trabalho artístico das crianças do local. O grupo de percussão “Ação Peixinhos” e o de dança afro “Magê Molê” – ambos apoiados por integrantes da banda Nação Zumbi e por pessoas que acreditam no sonho outrora planejado por Chico Science -, fazem do colorido bairro de Peixinhos, um “Nascedouro de Cultura”. Um dos projetos existe há 15 anos e nunca recebeu apoio de nenhuma instituição.

Até quando vamos precisar mendigar apoio para fazer Cultura? Até quando a classe artística será vista em terceiro, quarto ou quinto plano? Será que alguém vai olhar para essas crianças criativas e entender que o futuro a elas pertencem?
Amigos.. não tenho como responder nada; mas espero por bons olhos, por uma consciência tranquila. Por enquanto vamos criando e exibindo, um dia a arte será mais valorizada e vista como uma verdadeira filosofia de vida.

Adriano Portela – Jornalista

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