Arte da Ásia Oriental

 

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Por Clodoaldo Turcato

Já escrevi algumas vezes que nosso conhecimento de arte, em sua maioria, é de arte ocidental. Muito pouco, principalmente do pós-guerra, se conhece da Ásia Oriental, que abrange civilizações milenares como a chinesa, japonesa e coreana.  Seria débil questionar se existe arte no outro lado do mundo. Bem, a resposta foi dada aqui em outras oportunidades, mas tudo tem a ver com modo, interesse e comércio. Sim, meu caro, arte é comércio em primeiro lugar.

Quando Execução, um óleo sobre tela medindo 150×300 cm, de Yue Minjun, foi vendida por US$ 5,9 milhões na casa de leilões Sotheby, de Londres, em 2007, ela setornou a obra mais valiosa da arte contemporânea chinesa. O valor Confirma o apelo que a arte contemporânea da Ásia oriental exerce sobre os colecionadores ocidentais; a semelhança da obra com Três de maio de 1808 de Francisco de Goya, ilustra a influência da iconografia ocidental sobre a arte da Ásia Oriental O rosto congelado numa risada com os olhos fechados (um autorretrato) é um tema recorrente na obra do artista e sugere a supressão das emoções.

Por mais que a arte contemporânea chinesa ainda esteja na infância, ela já passo por várias etapas. As políticas de liberalização do fim da década de 1970 geraram um período de grande atividade. Os artistas se inspiravam em performances e exibições tornaram a arte ocidental acessível pela primeira vez e faziam experiências com esta e materiais diferentes. Mas depois da repressão brutal aos protestos da praça da Praça Celestial, em 1989, os artistas começaram a questionar a ideia de identidade cultura Isso provocou o surgimento da “pop art política”, inspirada na pop art e “realismo cínico”, que se voltava para temas sociopolíticos Artistas como Zhang Xiaogang começarama entrar em confronto como passado do seu país, comoem obras como Série Genealogia. 

O governo passou a vera ante contemporânea como uma manifestação potencialmente subversiva e proibiu os artistas de exibirem suas obras ao público. Como consequência, artistas como Huan fugiram para o Ocidente. Lá, começaram a realizar várias performances, entre elas Árvore Genealógica, na qual Convidou três calígrafos para escrevertextos chineses em seu rosto até que ele estivesse completamente preto. Nos dias que antecederam os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, as restrições – pelo menos no que se refere à arte apolítica – foram relaxadas e, no século XXI, vários artistas voltaram à China, trazendo consigo novas influências e ideias. Eles estão descobrindo novas maneiras de interagir com a pintura tradicional e a caligrafia chinesa, dedicando-se à arte performática e usando novas tecnologias a fim de explorar temas diversos, entre eles a globalização e questões de identidade.

No Japão, a arte sofreu porque foi vista negativamente no Ocidente durante muito tempo. Por mais que os conceitos ocidentais exercessem um grande estímulo sobre os artistas japoneses, eles também destruíam a integridade da arte japonesa. Para entendera natureza da arte japonesa moderna, é necessário compreender sua identidade dividida. A derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial e o consequente domínio político e Cultural dos Estados Unidos influenciaram enormemente o desenvolvimento da arte japonesa do pós-guerra. A inauguração do pavilhão do Japão na Bienal de Veneza, em 1956, simbolizou o retorno do país ao mundo da arte internacional. Vários artistas japoneses absorveram tendências dos movimentos de Vanguarda Ocidentais e criaram seus próprios estilos, o que resultou em obras como a instalação Salão de espelhos de YayoiKusama. As obras psicodélicas do artista fazem referência ao abstracionismo, e os espelhos no salão cor de abóbora fazem com que os pontos pareçam se prolongar ao infinito, cercando o espectador quando ele entra no espaço. A partir da década de 1980, a arte japonesa se tornou objeto de curiosidade e passou a ser vista como um produto híbrido de uma sociedade detecnologia extremamente desenvolvida, numa combinação única entre o velho e o novo. Com o fim da bolha econômica na década de 1990, a sociedade japonesa enfrentou desafios sem precedentes e artistas emergentes começaram a questionar a natureza da identidade nipônica isso resultou em obras como 727), de Takashi Murakami, que faz referências às subculturas e que ampliou o alcance da arte contemporânea japonesa.

Na Coreia do Sul, os movimentos surgiram depois da Guerra da Coreia restritos a um contexto local. As fontes às quais os artistas se referiam também eram locais: da pintura com tinta nanquim e porcelanas brancas à cerâmica buncheong. A maioria dos artistas sul-coreanos se deparou pela primeira vez com a arte ocidental em casa e, depois, estudando-a no exterior. Essas viagens influenciaram suas práticas artísticas. Temas de identidade, movimento e comunicação foram explorados na década de 1990 por artistas cujos trabalhos começavam a ser admirados, como se vê na obra performática Cidades em movimento – 2.727km. Carninhão de Bottari, de Kimsooja. Mas as tradições coreanas ainda têm valor. O grupo Mungnimhoe (Floresta de Tinta) das décadas de 1950 e 1960 fez experimentos com novas linguagens visuais, usando materiais tradicionais como nanquim, pince e papel. O cotidiano também é um tema importante para os artistas. Numa reação às circunstâncias políticas contemporâneas, o grupo MinjungMisul (Arte do Povo), da década de 1980, analisava a realidade social usando uma linguagem visual popular como a minha (pintura popular).

Valeu lembrar artistas muito interessantes como YueMinjun, YayoiKusama, Takashi Murakami, Kimsooja e Zhang Xiaogang,  que não deixam nada a deseja de nossos melhores artistas ocidentais.  O que é preciso, meus caros é abrir nossas fronteiras para conhecer o que o ser humano cria.

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