A Pop Art não é Estadunidense apenas

Por Clodoaldo Turcato

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Como colunista, é preciso ver a arte de maneira isenta, ignorando o gosto pessoal. Já relatei aqui diversas vezes que o que eu gosto ou não gosto não significa de maneira alguma que a obra é boa ou ruim. Como de qualquer um.  No entanto, é muito delicioso escrever sobre artistas que gostamos, a pessoalidade apimenta o tempero do texto e acrescenta vibração, dando um contorno menos técnico e mais emocional.

Um dos artistas que gosto de escrever é Peter Blake. Admiro o conceito, a forma com verbaliza suas obras e distingue-se pela ousado misturando o pop com cores vibrantes, mesclando sentimentos que só sentimos ao ver um trabalho seu. Não sei se pela mistura de quadrinhos e cinema que permeia sua obra, ou por estar ainda vivo e produz experimentos com colagem. O que me leva a ser cauteloso, ser prudente e até mesmo contido é o fato de ter certezas e muitas incertezas no meio da arte, porém com Blake eu não temo o erro. Ao rever a obra de Blake, o leitor vai compreender que o início da Pop Art foi inglesa, em tempos próximo é claro, longe de der apenas Estadunidense.

Sir Peter Blakefoi um dos pioneiros da cena Pop Art britânica em finais dos anos cinquenta e sessenta. Mais conhecido pela criação da capa do álbum de 1967 dos Beatles Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, pela qual recebeu apenas 200 libras, ele também desenhou a capa de 1984 da Band Aid o single “Do They Know It’s Christmas e em 2006 do Oasis Greatest hits – Stop The Clocks.Nasceu  em 1932 em Dartford, Inglaterra. Estudou no Gravesend Technical Collegeand School os Art e dois anos mais tarde, estudou artes gráficas no Royal College of Art. Posteriormente foi professor em Royal College of Art em Londres e em St. Martin’s School of Art. Desde estudante que a sua obra reflete um grande interesse pela arte popular e folclore, as suas obras revelam uma pintura muito naturalista, contendo elementos autobiográficos, optando por uma técnica de construção e desconstrução da imagem e integração de inúmeras colagens.Blake foi um dos fundadores do movimento Brotherhood of Ruralism (confraria dos ruralistas) cujo ideal era trabalhar em conjunto no interior, assim como o faziam os artistas do século XIX.Regressou a Londres em 1979, cidade onde atualmente reside e trabalha. Foi nomeado Cavaleiro do Império Britânico em 2002.

Uma das obras que mais gosto de Blake (uma tarefa complicada de escolher) é No Balcão, um óleo sobre tela medindo 121,3 cm de altura x 90,8 cm de largura e está na Tate Gallery, de Londres. Neleas figuras estão sentadas em um banco de jardim e o quadro como um todo, mostra quatro  quadros que foram executados por amigos e alunos de Blake. As figuras estão rodeadas pelas obras e por objetos de consumo e descartáveis do dia-a-dia da época, como maços de cigarros, a capa da Revista Life, embalagens de alimentos, etc. A composição é simples e sem perspectivas, o importante são os objetos ali colocados. Esse quadro foi considerado uma das mais importantes obras do artista naquela época devido ao impacto visual direto para o espectador. Olhando o quadro hoje em dia podemos avaliar a cultura popular dos anos 50.

Se a pop art existe, em grande parte é por cause de Blake, que antecipou-se aos artistas pop de Nova York, como Roy Lichtenstein, Wayne Thiebaud,  JasperJohns e Andy Warhol.Do alto dos seus 81 anos, Blake continua experimentando e realizando incursões na estética de cores vivas que explora o cotidiano, o entorno e as referências de materiais impressos como a fotografia, as histórias em quadrinhos e a publicidade. Sob seu domínio, a Pop Art ainda mantém vivo o espírito crítico e contestador. A mesma origem que chacoalha a sociedade industrial e consumista dos anos 50 e coincide com as manifestações da moda e da música jovem do Swinging London na década seguinte. A marca de sua obra está no ecletismo das colagens que utilizava em seus trabalhos, que foi uma marcante representação gráfica do efervescente clima da cena artística londrina dos anos 60. Embora nunca tenha deixado de estar associado à Pop Art, Blake também pintou aquarelas inspirado na obra do escritor Lewis Carrol. Recentemente, colaborou como designer em uma coleção de moda de Stella McCartney.

 Outras obras suas são Na varanda, O primeiro verdadeiro alvo, Autorretrato com emblemas , A loja de brinquedos e o Poder vermelho.

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