A menina que roubava livros: livro x filme

bookPor Lorena Moura

A Coluna Leitura do Dia pede licença para fazer uma comparação entre o livro e o filme da “Menina que roubava livros”. A necessidade de falar, ou melhor, escrever sobre isso foi grande demais para passar batido. Quando eu li esta obra uns sete anos atrás, eu simplesmente não gostei. Achei cansativo, tedioso, desnecessariamente longo. E quando eu comentava isso com uns amigos, eles simplesmente não acreditavam e ficavam chateados por eu não ter gostado de um livro que virou sucesso em todo mundo e ainda ter a coragem de falar abertamente sobre isso. Pois é, ás vezes,  pensar diferente da maioria pode ser  conflituoso. Mas que bom que vivemos numa sociedade democrática e cada um pode se expressar livremente, pelo menos por enquanto.

Pois bem, eu não me encantei por Liesel, a nossa personagem principal. Mas para não ser tão má, o livro ficou um pouco  interessante apenas nas últimas 100 páginas(no total são 480).  É uma obra narrada pela morte, que conta a história de Liesel, uma garota que tinha o hábito de roubar livros.  Durante uma viagem de trem, ela descobre que seu irmão pequeno que viajava ao seu lado, faleceu. Ela e sua mãe enterram o garoto, e é justamente nesse momento que ela faz o seu primeiro roubo. Um dos coveiro deixa cair  um manual da  sua profissão. E Liesel  sorrateiramente o rouba. A viagem tem como destino, uma cidade da Alemanha, onde ela será adotada por um casal. Em uma casa diferente com uma mãe alemã dura, fria e um pai meigo e disposto a fazer com que ela se sinta em casa. No seu novo lar, Liesel vai conhecer Rudy, um garoto divertido, que em pleno nazismo, gosta de se pintar de preto, correr e tem como ídolo, Jesse Owens, o atleta negro que ganhou quatro medalhas de ouro, nos jogos olímpicos de verão, em Berlim.

Como a história  se passa na  época do nazismo, ele aborda o poder das palavras e o que elas podem fazer com uma nação. Palavras que tem força para o mal( no caso de Hitler), a destruição, o ódio e a segregação. Mas também por palavras de amor, esperança, força representadas aqui por Liesel, seu pai e Rudy. O livro virou sucesso mundial, e foi transformado em filme. Chegou agora nos cinemas e está levando muita gente para as salas escuras para conhecer a famosa “Menina que roubava livros”.

E o que  todos nós costumamos dizer depois de assistir no cinema um filme que foi adaptado de um livro que lemos? Resposta: o livro é melhor.  Não é isso? Para mim até então sempre foi assim. O amor e a fidelidade que tenho por esses papéis encadernados repletos de palavras mágicas, me faz defender que a obra escrita em um papel sempre  vai ser melhor que o filme. Mas pela primeira vez, presenciei a inversão total dessa ideia. O livro foi ruim, e o filme melhorou um pouco a imagem que eu tinha da obra do autor, Markus Frank Zusak . Na película eu pude ver o que não sentir lendo o livro. Vi uma  Liesel doce e um Rudy apaixonante. É de uma meiguice tão grande que não tem como ficar indiferente a dor e angústia da menina.  Seus olhos expressam uma doçura que nos toca e dá vontade de entrar na tela e dar um abraço bem forte nela e dizer que tudo vai ficar bem. Eu vi duas Liesel diferentes. Uma no papel que não me emocionou e outra no cinema que expressou ter algo de mágico em seu olhar. Se no livro eu não sentir nada, no filme eu puder sentir um pouco de compaixão por ela.

Mas voltando ao papel eu nunca entendi o porque de tanto falatório positivo em torno deste livro. Ele não me emocionou, não me chocou e muito menos ficou marcado na minha vida. Mas é justamente isso que faz dos livros um fato interessante. O poder que ele tem de despertar em algumas pessoas o amor incondicional e em outras simplesmente não agregar nada. Porque não é ele que te escolhe, é você que escolhe o livro e o transforma em seu melhor amigo ou não. Cada livro é especial, só que para alguns representa mais e para outros nada. O importante é ler sempre.  E seja no papel ou ele adaptado para o cinema, o que vale é sempre ter uma obra por perto. Boa leitura!

Lorena Moura-Jornalista

lorenamoura87@gmail.com

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