A arte é um negócio bilionário

Por Clodoaldo Turcato

24331324_1479222705509157_1225584168_nO mundo da arte se agita de ano em ano. Normalmente na época dos grandes leilões, onde a especulação sobre quadros e esculturas chega a preços que não compreendemos. A casa de leilões Christie´s leiloou, na quarta-feira, por US$ 450,3 milhões um quadro pintado por Leonardo da Vinci há cinco séculos, ”Salvator Mundi”, a única obra do artista italiano mantida em coleções privadas. O quadro, que chegou a fazer parte da coleção do Rei Carlos I da Inglaterra, acabou nas mãos de um bilionário russo, que o comprou em 2013 por US$ 127,5 milhões.

A venda foi feita durante o leilão de arte contemporânea da Christie´s, em 15 de novembro, embora o trabalho de Da Vinci tenha sido introduzido fora de seu tempo, considerando a grande atração dos leilões que acontecem durante este período em Nova York.O leilão durou cerca de 20 minutos, um período muito longo para os padrões habituais. O preço inicial foi de US$ 70 milhões, mas três minutos depois, já tinha alcançado os US$ 200 milhões. Dois dos participantes do leilão protagonizaram a parte final da proposta, e um deles ganhou quando elevou de US$ 370 para US$ 400 milhões a oferta, sempre como preço do martelo.Salvator Mundi” está considerado a mais importante redescoberta artística deste século. Foi em 2011, quando após um processo de restauração e análise, os especialistas eliminaram muitos anos de dúvidas ao confirmar a autoria de Da Vinci.

Parece-nos um absurdo dar 1 bilhão e duzentos milhões de reais, aproximadamente, num óleo sobre tela que mede 45,4 cm x 65,6 cm, Chamada de “a maior redescoberta do século XXI” por Christie’s, a pintura que data de cerca de 1500 descreve Jesus Cristo como um messias e símbolo de proteção, bem como boa sorte. Um orbe de cristal é colocado na mão esquerda, enquanto a mão direita é levantada em bênção. Para compreender tudo isso, vou tentar, apenas tentar, convencer você de que é possível. Tanto é possível este absurdo que aconteceu.

A primeira coisa que precisamos compreender é sobre noção de riqueza. O que conhecemos como riqueza cotidiana foge de nosso alcance. Para algumas pessoas no mundo, 1 bilhão de reais é parte de investimento.  Logo, o investidor tem um valor em bilhões e assim diversifica seu investimento, procurando a obra de arte mais cara para comprar. Isso não tem nada a ver com gosto pessoal, são apenas negócios. Executivos de gestão de patrimônio investem todos os dias, tornando o mercado aquecido. Com o surgimento de novos bilionários na China, Índia e Rússia, o mercado de arte aqueceu, logo, quando existe procura os preços sobem.

E por que investe em Da Vinci e não um CODO, por exemplo? Bem, vamos de novo.

Salvator Mundi de Da Vinci foi acreditado para ser destruído até sua redescoberta em 2005. Será vendido pela Christie’s no Rockefeller Plaza, em Nova York, no dia 15 de novembro, como parte de sua Pós-Guerra e venda de arte contemporânea.É a última pintura da Vinci em mãos privadas, bem como uma das menos de 20 pinturas da Vinci que se sabe existir. A última vez que uma pintura da Vinci foi descoberta antes da descoberta de 2005 foi em 1909.O Salvator Mundi é o Santo Graal de pinturas antigas mestres. Muito conhecido por ter existido e há muito procurado, parecia apenas um sonho tentadoramente inacessível. A pintura foi registrada pela primeira vez na coleção real do rei Carlos I (1600-1649) e foi acreditado para ter sido pendurado no palácio de sua esposa em Greenwich. F Depois disso, a existência da pintura foi marcada por períodos de silêncio quando desapareceu dos registros antes de surgir de vez em quando.Quando foi adquirida em 1900, partes da pintura – o rosto e os cabelos de Jesus Cristo – foram pintadas. E em 1958, foi vendido na Sotheby’s por apenas £ 45. Após o ressurgimento em 2005, levou seis anos para autenticá-lo. Esta mítica toda em torno das obras de Leonardo Da Vinci e a ansiedade mundial em encontrar uma maneira de explicar sua arte fazem com que suas obras, todas elas, sejam um ativo valorizado.

Ser dono de uma obra de arte que grandes galerias públicas no mundo sonham em ter em seu acervo e deslumbrar a si e seus amigos é um capricho que um bilionário pode realizar. Uma obra acima de 50 milhões de dólares provam que o comprador é uma pessoa culta e rica. Além disso, tem-se provado ao longo do tempo que investir em arte dá um retorno confiável, passando a ser intensificado.

As vendas de obras de arte subiram 51 bilhões de dólares no ano de 2016, de acordo com a Fundação Europeia de Belas Artes, superando os 48 bilhões do ano anterior. Se compararmos com os 880 trilhões de dólares em ativos financeiros em mercados mundiais para um valor irrisório. No entanto, é um valor que precisa ser justificado.  Além disso, a arte se saiu melhor que muitos títulos financeiros na última década, embora algumas obras nunca voltem ao mercado por terem perdido o valor. Outra característica das obras de arte é que são únicas, e um quadro difere do outro, mesmo sendo de um único artista. Resumindo é um jogo financeiro que precisa ser bem jogado para ter lucro. E não importa se é Picasso, Dali, Van Gogh… Neste jogo é preciso ganhar dinheiro.

Estas minhas linhas podem quebrar seu encanto. Não seja por isso, não se atenha a estas linhas. Se você não for um bilionário, tanto melhor. Poderá desfrutar da arte como arte apenas. Isso não significa que as obras mais caras vendidas fossem ruins. Claro que não, são obras belíssimas. Se justificam ou não os valores, isso é outra questão. Uma coisa é você definir uma obra pelo valor financeiro e outro pelo valor estético.

De qualquer maneira, segue abaixo uma lista atualizada das dez obras mais caras vendidas em leilão. Cabe a você decidir sobre valor estético:

1. “Salvator Mundi” de Leonardo da Vinci, vendida em 15 de novembro de 2017 por US$ 450,3 milhões na Christie’s de Nova York.

2. “As mulheres de Argel (versão 0)”, óleo de Pablo Picasso vendido por US$ 179,4 milhões em 11 de maio de 2015 na Christie’s de Nova York.

3. “Nu deitado”, de Amedeo Modigliani, vendida por US$ 170,4 milhões em 9 de novembro de 2015 na Christie’s de Nova York.

 4. “Três estudos de Lucian Freud”, um tríptico de Francis Bacon, vendido por US$ 142,4 milhões em 12 de novembro de 2013 na Christie’s de Nova York.

5. “O grito”, de Edvard Munch, vendida por US$ 119,9 milhões em 2 de maio de 2012 na Sotheby’s de Nova York.

 6. Tela sem título de Jean-Michel Basquiat, vendida por US$ 110,5 milhões em 18 de maio de 2017 na Sotheby’s de Nova York.

7. “Nu, folhas verdes e busto”, de Pablo Picasso, vendida por US$ 106,4 milhões em 4 de maio de 2010 na Christie’s de Nova York.

8. “Silver car crash (double disaster)”, de Andy Warhol, vendida por US$ 105,4 milhões em 13 de novembro de 2013 na Sotheby’s de Nova York.

9. “Muchacho con pipa” (Rapaz com cachimbo), outra obra de Pablo Picasso, vendida por US$ 104,2 milhões em 5 de maio de 2004 na Sotheby’s de Nova York.

10. “Nurse” (Enfermeira), um quadro icônico de Roy Lichtenstein, vendido por US$ 95,37 milhões em 9 de novembro de 2015 na Christie’s de Nova York.

 

De qualquer maneira, tenha em mente que ninguém daria tanto dinheiro se não navegasse em águas seguras. Afinal de contas, queimar dinheiro ainda é coisa de louco.

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